Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 13 de dezembro 2018

Desenvolvimento e melhorias: a região Norte de Goiás não pode ser esquecida

Rodovia BR-153, Ferrovia Norte-Sul (FNS), lago Serra da Mesa e Hospital Regional, além de outros diversos patrimônios públicos: com investimentos, melhorias e, funcionando, a economia regional se fortalece, além da proporção de bem-estar para a comunidade em geral. Nas instâncias da gestão pública, o Norte de Goiás precisa de conveniente atenção, algo possível por meio de responsáveis articulações institucionais, muito trabalho e vontade administrativa. – Fotos: Márcia Cristina/Jornal Cidade (1 e 2). Marcello Dantas @levedeviagem, www.facebook.com/levedeviagem (3). Anilson Francisco/Divulgação (4). Foto da página principal: Márcia Cristina

 

Tempo de eleição e, instante adequado para evidenciar: a vital pauta do desenvolvimento regional econômico, e em outros segmentos, deve passar por ações diais de trabalho dos representantes que assumirão cargos eletivos no início de 2019.

 

Com o passar dos anos, o desenvolvimento regional econômico (e em outros setores da sociedade) sempre ganhou espaço no Jornal Cidade. Um governador de Estado, um presidente da República jamais deviam abandonar olhares atenciosos e sequenciais para as regiões num todo. Envolvendo todas as épocas e as histórias, tanto os governadores de Goiás, como os presidentes do Brasil, não investiram satisfatoriamente no Norte goiano, região – sede deste periódico –, carente por décadas e décadas, de maior estrutura, economia crescente, empregos, bem-estar e muito mais.

Diante de mais um mês que definirá futuros das muitas estruturas dos Poderes Executivo e Legislativo tupiniquins, o assunto é realçado de novo, restando a esperança de que os vencedores das eleições 2018, dos deputados estaduais ao presidente da Nação, façam justiças diante desta parte do Estado, tão necessitada de melhores investimentos. Em se tratando de Goiás, o governador, os dois senadores, os 17 deputados federais e os 41 deputados estaduais. Mais o presidente do País.

 

Estudo

No estudo Desenvolvimento Regional no Brasil – Políticas, estratégias e perspectivas (Organizadores: Aristides Monteiro Neto, César Nunes de Castro e Carlos Antonio Brandão/Brasília, 2017), no capítulo 8 – O agronegócio e os desafios da infraestrutura de transporte na região Centro-Oeste –, César especifica (transcrição sem adaptações):

A deficiência da infraestrutura de transporte na região Centro-Oeste se manifesta de diversas formas, entre as quais se destacam, no caso do setor agropecuário: malha insuficiente para atender adequadamente a todas as regiões produtoras; pouca manutenção da malha existente; opção pelo modal rodoviário de transporte, que é pouco indicado para as grandes distâncias dos centros de consumo no Brasil ou dos portos e para produtos de baixo valor agregado e em grande quantidade,4 como o agropecuário; pouca utilização da intermodalidade de transporte; baixa eficiência dos portos brasileiros; e baixa disponibilidade de armazéns nas propriedades rurais da região.

A opção desde a década de 1950 pelo modal rodoviário constitui um primeiro e sério entrave para o setor. Embora pouco adequado para o transporte de grãos de baixo valor agregado em distâncias superiores a 150 km (caso de grande parte da produção agrícola no Centro-Oeste), este é o modal utilizado para escoar boa parte da produção agropecuária regional, incluindo aquela que movimenta a maior quantidade de carga – a soja –, resultando, nos períodos de safra, nos enormes congestionamentos de caminhões nas regiões portuárias, principalmente de Santos (São Paulo) e Paranaguá (Paraná).

 

Propostas

Três dos sete candidatos a governador de Goiás tiveram óticas expressadas no jornal O Popular (Goiânia), edição de 1º de outubro, com conteúdo eletrônico disponibilizado na noite de 30 de setembro.

Nas propostas, variáveis. Leia (transcrições sem adaptações):

 

Submatéria (não é artigo) Reduzir desigualdades regionais, partindo do planejamento de Daniel Vilela (MDB):

Nós precisamos extrair o potencial de cada região do nosso Estado, dando atenção às suas particularidades e diminuindo as desigualdades entre elas. Sabemos da importância de um planejamento eficiente e de um projeto de desenvolvimento regionalizado.

Goiás é formado por uma gente trabalhadora e que não teme desafios. Pelo contrário: quer boas oportunidades de emprego, melhor qualidade de vida e mais renda. Daí a necessidade de lançarmos mão de medidas e estratégias a curto, médio e longo prazos para impulsionarmos o desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste.

Para que uma articulação ostensiva de atração de empresas e indústrias para estas regiões realmente surta efeito, precisamos direcionar esforços na capacitação e qualificação de mão de obra local. Investir em cursos profissionalizantes e garantir educação de qualidade para crianças e jovens que por lá vivem. Isso é o básico, mas que não é feito pelo governo do Estado, que chegou a construir alguns Institutos Tecnológicos (Itegos), mas ou paralisou obras ou as que entregou não funcionam em sua totalidade.

Obras estruturantes, que incluem a pavimentação de rodovias, são urgentes. Nosso compromisso é concluir todas as que estão paralisadas ou abandonadas pelo atual governo nas regiões Norte e Nordeste para que possamos investir em novas obras. Para a região Nordeste, que tem grande potencial turístico, vamos mapear destinos e produtos locais, divulgar as potencialidades goianas e participar ativamente na capacitação dos servidores e profissionais da área.

Quanto ao agronegócio, que se destaca nestas regiões, vale ressaltar que este é a matriz dos demais setores da economia, responsável pelo dinamismo da nossa economia e fonte original de nosso desenvolvimento. O agronegócio em Goiás é um dos principais instrumentos de desenvolvimento social e econômico. Sabemos das dificuldades que os produtores goianos têm com o compromisso de gerarem novos empregos. Aumentar a renda deste produtor rural é um desafio, mas sei que o caminho é através de programas concretos de fomento ao agronegócio, de defesa e extensão rural, de apoio ao pequeno e médio produtor e de auxílio aos municípios para melhorar as condições das estradas vicinais e, com isso, facilitar escoamento da safra.

Além disso, não é admissível que um estado com formação agrária não possua uma secretaria que represente sua importância no governo. Nossa proposta é criar a Secretaria do Agronegócio. A Ferrovia Norte-Sul em Goiás necessita entrar efetivamente em operação. É de responsabilidade do governo federal, mas todos os esforços políticos e administrativos serão empreendidos para a sua operação, como também a sua extensão sul no trecho goiano, além da construção da ferrovia Leste-Oeste. Estas ferrovias transportarão produtos agrícolas, industrializados e minerais goianos.

 

Submatéria Gargalos do Norte e Nordeste de Goiás, da idealização do planejamento de José Eliton (PSDB):

O governo do Estado tem levado ações específicas para as regiões Norte e Nordeste do Estado, exatamente por serem as mais isoladas e, portanto, terem mais dificuldades de atrair investimentos. Uma das iniciativas mais importantes tem sido a estruturação de uma infraestrutura que possibilite a conexão dos municípios locais com os centros mais desenvolvidos.

Exemplos são a construção da GO-112, de Iaciara a Nova Roma; GO-239, que liga o Distrito de São Jorge, em Alto Paraíso, a Colinas do Sul; e a GO-118, que liga Brasília à Chapada dos Veadeiros; GO-353, de Bonópolis a Cruzeiro; e GO-347, de Mara Rosa a Alto Horizonte.

Esses investimentos possibilitam o escoamento da produção e a chegada de turistas. Outros empreendimentos rodoviários estão em fase adiantada, como a GO-447, que sai de Divinópolis. Ainda na área do turismo, destaca-se investimento de R$ 64 milhões para melhoria do acesso ao Parque de Terra Ronca.

O governo de Goiás tem dado apoio aos Arranjos Produtivos Locais. Por meio da Secretaria de Desenvolvimento, destinou transporte e material para a Coopermel, que é referência nacional, e tanques de resfriamento para o APL Lácteo da região Norte. Na região Nordeste, firmou parceria nos APLs da Mandioca, no Entorno Norte do DF; e de Fitoterápicos e de Turismo em Alto Paraíso.

A qualificação da mão de obra local é outra preocupação do governo de Goiás. Foram implantados Itegos em Niquelândia, Porangatu, Valparaíso de Goiás; além de Colégios Tecnológicos em Alto Paraíso, Cavalcante, Cidade Ocidental, Flores de Goiás, Formosa, Iaciara, Minaçu, Mara Rosa, Posse, São Miguel do Araguaia e Uruaçu.

Ciente da necessidade de ampliação desses investimentos e preocupado com a diminuição das desigualdades regionais, o plano de governo de José Eliton tem um capítulo exclusivo com propostas com esse objetivo, sempre levando em conta o municipalismo e o respeito às características e demandas de cada região.

Entre as propostas, estão a prestação de assistência técnica na área educacional aos municípios, ampliar o acesso ao ensino superior por meio do Programa UEG em Rede, apoiar a adesão dos municípios ao Sistema Nacional de Cultura, levar o projeto Meninas de Luz aos municípios dessas regiões, destinar recursos para implantação e melhoria de sinalização turística, realizar “fam busness” como forma de ampliar a divulgação do potencial turístico, investir em aeroportos ou aeródromos regionais, aumentar o número de escolas em tempo integral, implantar o atendimento odontológico por meio das Clínicas Odontológicas Populares, levar o atendimento do Centro de Diabéticos às regiões mais remotas, bem como o atendimento à saúde da mulher, e descentralizar a distribuição de medicamento de alto custo e de atendimento de média e alta complexidade.

 

Submatéria Uma estratégia para cada região, segundo o planejamento de Ronaldo Caiado (Democratas):

Entre 2001 e 2010, a economia goiana teve um crescimento médio de 4,8%, acima da média nacional (3,6%). No entanto, o dinamismo não foi o mesmo em todas regiões do Estado. Para se ter uma ideia, o PIB per capita do Sudoeste de Goiás é superior a R$ 40 mil, ao passo que o Norte tem um produto per capita pouco acima de 24 mil e o Nordeste abaixo de R$ 13 mil. É preciso combater essas disparidades. A estratégia será adotar um plano de desenvolvimento regional para cada região e estes, por sua vez, deverão estar alinhados ao plano estadual.

Os planos serão construídos com a participação da sociedade e, a fim de priorizar as oportunidades de investimento em cada uma das regiões, haverá um conjunto definido de incentivos de natureza tributária, financeira e patrimonial alinhado com os objetivos de criação de emprego, renda e de desenvolvimento social. Os planos definirão estratégias, incentivos e fomento com base nas vocações de cada região, no Nordeste o turismo ecológico/aventura, geração de energia alternativa (fotovoltaica), serviços ambientais e produção de frutas tropicais, dentre outras possibilidades.

O Norte, por sua vez, tem grandes vantagens nas áreas de serviços associados à infraestrutura logística (Norte-Sul e Integração Centro Oeste); turismo ecológico/aventura; mineração e beneficiamento de minérios; serviços ambientais, integração lavoura pecuária e floresta. Goiás tem um dos maiores potenciais turísticos do Brasil e hoje já apresenta destinos com altos níveis de visitação.

Segundo o Mapa do Turismo Brasileiro (2017), Goiás possui 83 municípios turísticos. Esses destinos pedem ações de sustentação de curto prazo para sua consolidação e superação de alguns problemas da infraestrutura básica e de apoio turístico.

Outro conjunto de municípios tem grande potencial, especialmente destinos de pesca, de praia, que também agregam elementos de apelo natural e/ou cultural, mas permanece sem a devida estruturação. A intervenção do Estado no segmento turístico deve apoiar os mercados atualmente já maduros, mas sem perder de vista os novos destinos que aproveitem o potencial natural e cultural, numa dimensão de interiorização e diversificação dos destinos. Também nessa esfera, o Estado tem um papel não apenas de executor da sua parcela de responsabilidade, mas também de promotor e cooperador do papel dos municípios. Vou aumentar as vagas de Ensino Profissional Integrado com o Nível Médio e implantar a reforma do ensino médio na rede estadual.

Vamos atuar em parceria com o Sistema S na oferta de ensino profissionalizante conjugado com o ensino médio nessas regiões. As Federações deste Sistema possuem larga expertise no ensino técnico e em qualificação profissional. Sem dúvida, essa é uma importante estratégia de investir em capital humano e no aumento da empregabilidade dos jovens destes municípios carentes de investimentos.

 

(Jota Marcelo. Com fontes mencionadas)

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