Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 2 de dezembro 2019

SABOR DA LEITURA

DR. MARIANO PERES

DR. MARIANO PERES reside em Uruaçu e, é advogado, escritor, poeta e integrante da Academia Uruaçuense de Letras (AUL). Contatos: (62) 98524-9769 e marianoperes3832@outlook.com. Visite mariano.peres.zip.net e palmas para a cultura

Sant’Ana Terra Adorada

[Outubro de 2016

 

Sant’Ana minha cidade

De Gaspar sonho dourado

Nasceu como outras tantas

De um patrimônio doado

 

Vejamos quem foi Gaspar

De Sant’Ana o fundador

Que nos deu esta cidade

O fruto do seu amor

 

Amor pela terra natal

Amor pela sua gente

Livre da perseguição

Numa cidade diferente

 

Gaspar passou por aqui

Foi direto pra Pilar

Antes olhou a fazenda

Com ideia de comprar

 

Arranchou-se em Pilar

Com vários carros de bois

Voltou aqui com um filho

Que não se sabe qual foi

 

Comprou dos Mendes da Silva

Em dinheiro descontado

Esta bonita fazenda

A melhor deste Estado

 

Por cinco contos de réis

Transferiu-se a propriedade

Dos Mendes para os Fernandes

Em clima de amizade

 

A extensão da fazenda

Em léguas calculada

Da Lavrinha ao Passa Três

Maranhão à Serra Dourada

 

Repartiu entre os filhos

Cada qual em seu lugar

Eles mesmos escolheram

Onde queriam ficar

 

Para o Chico, Campo Formos

Foi quem tirou primeiro

Para Ti Neco, o Bom Jardim

Que saiu por derradeiro

 

Ponte Alta, Aristides

Para Adelino, a Paineira

O Barreiro para o Enéas

Para o Artur, a Palmeira

 

Pra Bonifácio, o caçula

Uma gleba preciosa

Saiu a Vereda de Lage

De aguada generosa

 

Comprada a terra, Gaspar

Ficou mais à vontade

Para o sonho da família

De fundar uma cidade

 

Uma cidade bonita

Tanto quanto sua terra

Plena de harmonia

Sem o ódio e sem a guerra

 

Mil, novecentos e treze

Mês de maio, dia vinte

Nasceu a nova cidade

Sem foguete e sem requinte

 

Mas com amor e muita fé

Por Sant’Ana abençoada

Uma nova São José

Minha Sant’Ana adorada

 

Necessário um patrimônio

Pra criar uma cidade

Que seja da Padroeira

Doado de boa vontade

 

Chamou Gaspar os sete filhos

Para uma reunião

Onde acertaram a forma

De fazer a doação

 

De um grande trato de terra

À Padroeira do lugar

E a construção duma capela

Para a Santa Abrigar

 

Para a construção do templo

Surgiram muitas ideias

Sagrando-se vencedora

A proposta de Enéas

 

Entenderam os Fernandes

Que tendo a própria cidade

Ninguém os incomodaria

E teriam tranquilidade

 

Pensaram o que era lógico

Pois assim ele queria

O grande líder Gaspar

Para si e sua família

 

Sant’Ana nasceu robusta

Como sonhava Gaspar

Cresceu virou distrito

No Município de Pilar

 

Aos dezenove anos

Alcançou a maioridade

E a certeza que no futuro

Seria uma grande cidade

 

Criou-se então o Município

No ano de trinta e um

No dia quatro de julho

Mas dois meses depois

 

Faleceu o Coronel

Antes de virar pesadelo

Seu grandioso sonho

De uma cidade modelo

 

Neco, filho de Gaspar

O PREFEITO perseguido

Por buscador de poder

Que o fez destituído

 

O progresso de Sant’Ana

E seu grande potencial

Despertaram as ambições

Criando um grande mal

 

Inventaram mil calúnias

Contra NECO O PREFEITO

Para roubar-lhe o Poder

– Não acharam outro jeito –

 

 

Sant’Ana virou, por isso,

Eldorado de forasteiro

Pau mandado do Governo

Que buscava só dinheiro

 

O pesadelo dos Fernandes

Da sua gente, do seu povo

Só acabou com o fim

Do chamado Estado Novo

 

Foram muitos anos

De grande perseguição

Até que o ditador

Lascou a cara no chão

 

Mil, novecentos e quarenta e seis

Reinstalou-se a liberdade

Na República e em Goiás

E também nossa cidade

 

Estes versos até aqui

Foram metrificados

Em redondilha maior

Cada verso foi cantado

 

Daqui em diante

Nada de redondilha

Vai no ritmo da conversa

Como se fosse Brasília

 

Em Brasília não tem regra

Em se tratando de parlamentar

Alto clero e baixo clero

Misturado no mesmo lugar

 

Brasília não atém regras

Não tem métrica, seu refrão

“É cada qual puxando pra si,

Não se importando com a Nação”

 

Todo mundo metendo a mão

Na grana do PRETO BRAZ

Que era rico e ficou pobre

Sempre passado para trás

 

Vou contar proeis um causo

Que me contou José Tomaz

Que as empreiteiras limparam

Os cofres do PRETO BRAZ

 

Algo que ouvi na Globo

Me deixou de cabelo em pé

Pros Estados gastarem menos

Mesmo que não quiser

 

Estado quer dizer

Município, Estados e união

Misturados os três níveis

Tudo num só caldeirão

 

A ordem vem de cima

Das bandas do Jaburu

Se o ente descumprir

Servidores tomam prejuízo

 

Lá pras bandas do Jaburu

Foi onde se estabeleceu

O pior dos presidentes

Que o Brasil já conheceu

 

Muito prefeito vai descumprir

Por atos voluntários

Somente para não dar

Aumentos de salários

 

Não dá para entender

O governo neste ato

Prefeito não cumpre a lei

Funcionários pagam o pato

 

Quando digo prefeito

Digo chefe do executivo

Presidente e governadores

Se englobam neste crivo

 

É certo que o mandante

Vive sempre na riqueza

E é por isso que não gosta

Do cheiro da pobreza

 

Casas populares se fazem

Bem longe da povoação

Pra proteger o mandante

Do cheiro da podridão

 

De quatro em quatro anos

Políticos passam por lá

Correndo atrás dos votos

Necessários pra ganhar

 

Dão ônibus para os alunos

Virem pra “rua” estudar

Mas depois da eleição

Jardineira não volta lá

 

As tais casas populares

Boa fonte de anedotas

Serão sempre construídas

Onde o Judas perdeu as botas

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