Truco: uma turma que se reúne há quase 35 anos

Impossível saber quantas reuniões, rodadas (mãos) e quantos pontos somados até hoje, mas essa turma joga truco, sem apostar, em Uruaçu há cerca de três décadas e meia, alcançando longevidade tradicional.

Jogadores de truco no bairro São Vicente, em Uruaçu: já são cerca de 35 anos na ativa – Fotos, inclusive da home: Márcia Cristina/JORNAL CIDADE

 

Finais de semana e feriados, a partir do início da tarde…

 

…Certeza de truco jogado sob a mangueira/na esquina, como mostrado (em dois diferentes finais de semana) nas fotos acima

 

Na tradição do truco, passatempo social do jogo de cartas envolve diversão…

 

…Sorte, habilidade, psicologia, e,…

 

…Com falas e sinais, máxima comunicação

 

Olhar atento: uma necessidade!

 

Cartas circulando…

 

…Em volta da mesa…

 

…Resultando numa sintonia perfeita…

 

…Com as mãos sempre em movimento…

 

…Para que a dinâmica se desenvolva…

 

…Entre os competidores

 

Na disputa, toda carta tem a sua respectiva importância – Abaixo, mais fotos; e, vídeo

 

Esquina das ruas Paraíba e São Paulo, bairro São Vicente. Finais de semana e feriados, a partir do início da tarde. Jogar truco entre amigos e familiares. Esse programa sob a sombra de um pé de manga é certeiro em Uruaçu há anos. Quando possível, até em dias de semana, mesmo que com menor número de disputantes.

Desde antes da primeira metade dos anos 1990 e atravessando gerações, os truqueiros estão em atividade, em meio a algumas poucas alternâncias de pessoas. Antes, a sede era na esquina vizinha (ruas Pernambuco/São Paulo [sentido avenida Araguaia]), quase terreiro de Joaquim Antônio de Souza (Nego Piscoco), falecido em 29 de setembro de 2019, onde tudo começou sendo jogado dominó. O hoje saudoso amigo deles era espécie de líder do grupo, comandado atualmente por João da Silva Rocha.

“Começamos com o dominó. Muita gente gosta também desse jogo. Era usado dominó feito com osso, só que quebrava, no impacto com a mesa. Depois, o seu sogro [Francisco de Carvalho Dantas {Chiquinho}, sogro do autor da reportagem, Jota Marcelo], que trabalhava em Brasília [-DF], comentou que poderia comprar, lá, dominó feito de PVC, mais resistente. Fizemos uma ‘vaquinha’ e ele comprou. Muito melhor!”, narra João Rocha.

Não se trata de uma entidade registrada documentalmente, apenas pessoas que se conhecem, abrangendo amigos, colegas e parentes. Eles utilizam uniformes (camisetas padronizadas) desde o princípio de 2025, têm grupo no aplicativo WhatsApp e se caracterizam pela simplicidade, humildade de todos. Lucas Balbino, 83 anos, é o mais velho dos competidores. O mais novo é Wesley Cabral, de 35 anos.

“É uma turma boa. 12 quase sempre jogando ao mesmo tempo, seis contra seis. Sete de fora. E, temos mais amigos truqueiros, que não estão aqui, agora. Todos jogam!”, comunicava João Rocha, no momento da presença da equipe de reportagem do JORNAL CIDADE no local.

Eles estão abertos a adesões de mais competidores, e Joarindo Correia disse, em tom de brincadeira, com tom de seriedade, que na turma não “entra amador. Não ensinamos jogar”. Fred Taxista cravou: “Aqui só tem bons jogadores. Turma experiente!”.

 

Sem autoridades

A reportagem quis saber e João Rocha disse que o grupo não tem oportunidade de receber autoridades visitantes. “Faz bastante tempo que isso aconteceu. Só uma vez: o Lourencinho [prefeito uruaçuense no mandato 2009-2012]!”, emendando que eles merecem uma atenção maior.

Fica o convite do JORNAL CIDADE para que visitem os truqueiros: o prefeito Machadinho (MDB); a vice-prefeita Bia (PP); o secretário municipal de Esporte, Juventude e Lazer Carlos Divino Cipriano (Castelo); Taroba, secretário municipal de Articulação Política e Relações Institucionais; os 13 vereadores; e, outras autoridades, e personalidades. “Não queremos saber de explorar ninguém. Apenas uma atenção, com uma visita”, motiva João Rocha, esposo de Marlene Baião, servidora da Câmara Municipal.

“Aqui não temos confusão. Inclusive, não temos confusão envolvendo política!”, assinalou João Rocha.

Sobre o clima ameno, Creusimar Rodrigues (Netinho) esclareceu que os truqueiros jogam sem apostar, sem consumir álcool ou outras drogas. “Até quem fuma não faz isso no local, entre nós. Tranquilidade e com paz. E, também sem ‘sapear’ [palpitar para com o jogo]!”.

“Uma vez, fizemos pequena confraternização. Tomamos uma ‘cervejinha’, mas antes disso paramos o jogo. Foi rápido e organizado. Só nós mesmos!”, informou João Rocha.

Quando perguntados se nos bastidores das rodadas surgem algumas pérolas, João, Cleusimar e Fred – além de outros truqueiros –, responderam (ao mesmo tempo) que sim. De frases e palavras, passando por gestos, fofocas, mentiras e até verdades. “Já tivemos jogadores cochilando ou dormindo na mesa. Tivemos isso aqui, em plena disputa, durante o jogo!”, contou João Rocha, sem citar nomes e sorrindo.

 

As duplas

Com informações (aqui destacadas em aspa simples [‘’]) de agências noticiosas e sites especializados, o truco tem história remontada do século XVII, ‘sendo criado na Inglaterra e foi motivo de grandes apostas e muitas dívidas geradas entre seus adeptos. Começou como um jogo sem muita empolgação, que ao longo dos anos foi sendo adaptado até chegarmos ao formato atual, que como não poderia deixar de ser, continua sofrendo muitas variações’. Relembrando: os truqueiros do uruaçuense bairro São Vicente, em duplas fixas ou transitórias, não jogam apostado.

“Muita gente passou e passa por nossa mesa, e vamos jogando. É só por diversão mesmo, sem confusão, de maneira tranquila. Já faz todo esse tempo. Passa rápido. É jogar e jogar cada rodada, normal! Se não fecha queda, termina!”, citação importante de João Rocha de particularidade da regra do truco: finalização de partida. ‘Quando uma dupla atinge a pontuação máxima de 12 pontos (a queda ou doze), a partida encerra-se imediatamente, não sendo necessário completar as rodadas restantes ou fechar uma mão que estava em andamento’.

Os embates são com ‘baralho especial (sem 8, 9, 10 e curingas), buscando ganhar rodadas através de blefes, sinais secretos e a força das cartas (3, 2, A, K, J, Q, 7, 6, 5, 4) para atingir uma pontuação (geralmente 12 pontos) e vencer o jogo, em um ritual social e de estratégia que envolve muita comunicação e mentira’.

Comumente se joga truco por meio de quatro jogadores (duas duplas) ou seis (três duplas), alternadamente posicionados na mesa. Nos jogos maiores (seis a 12 participantes), existem rodadas em duplas e rodadas individuais (chamadas de testa).

“Começa com quatro, seis, que é a Douradinha, de três duplas. Vai para Douradão, com oito, dez, doze. No caso, quatro, cinco e seis duplas. Só nós, em Uruaçu, que eu saiba”, comunica João Rocha, indo além: “Temos casos até de 12 pessoas. Normal são quatro, e, se for o caso, até um contra um. Mas, aqui não temos assim: um contra um!”.

Nas regras básicas gerais do truco, um jogador embaralha, outro corta, quem embaralhou distribui as cartas uma a uma, iniciando pelo seu adversário, com três cartas para cada. É a disputa das três rodadas de cada mão. Quem ganha a mão? O vencedor de duas rodadas ou quem vencer uma rodada e as outras duas acabarem em empate. Se cada jogador ganhar uma rodada e a outra terminar empatada, eis que surge o trick and tie (a rodada empatada) e ninguém soma ponto na referida mão. Da mesma forma, se houver empate nas três rodadas.

Mais: a mão tem início valendo um ponto. Pode ser aumentada pedindo-se i put (eu coloco), e a mão passa a valer a partida toda, somando cinco pontos. Somente quem cortou pode pedir i put antes de começar a rodada inicial. Na internet, várias publicações detalham as regras e prestam outros dados.

São muitas as variações no jogo do truco. Todo País ou Estado detém suas características e tradições

 

Registra-se o convite do JORNAL CIDADE para que visitem os truqueiros: o prefeito Machadinho; a vice-prefeita Bia; o secretário municipal de Esporte, Juventude e Lazer, Castelo; Taroba, secretário municipal de Articulação Política e Relações Institucionais; os 13 vereadores; e, outras autoridades, e personalidades. “Não queremos saber de explorar ninguém. Apenas uma atenção, com uma visita”, esclarece João Rocha, comandante do carteado jogado sem aposta

 

Duplas ou times no truco…

 

…Enfrentamento cara a cara e disposição forte para ganhar

 

Jogadores truqueiros se divertem com jogo de cartas em Uruaçu

 

Cada um mais experiente que o outro. Nesta foto, três participantes desde o início de tudo, quando ainda não jogavam truco, mas sim, dominó: Chiquinho Dantas (esq.), João Rocha e Wagner Antônio da Silva

 

O truco é possível ser jogado até mesmo em duas pessoas, defendendo a sós sua mesa. Porém, isso é raro

 

João Rocha, à frente (na foto e da turma de truqueiros): “É uma turma boa. 12 quase sempre jogando ao mesmo tempo, seis contra seis. Sete de fora”

 

Trucos inglês, espanhol, paulista, mineiro e outros…

 

…Aqui, os truqueiros goianos uruaçuenses do São Vicente, segundo maior bairro da cidade do Norte do Estado…

 

…Que competem em clima de paz e sem apostar

 

Lucas Balbino (esq.) é o mais velho dos competidores, seguido por Wagner Antônio da Silva. O mais novo é Wesley Cabral

 

ASSISTA VÍDEO dos truqueiros se apresentando, clicando aqui. Cada jogador é um show à parte com suas habilidades – Vídeo: Márcia Cristina/JORNAL CIDADE

 

(Jota Marcelo. Colaborou: Márcia Cristina. Com atualizações)

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