PAINEL CULTURAL

DR. ABILIO WOLNEY AIRES NETO

DR. ABILIO WOLNEY AIRES NETO é juiz de Direito titular da 9ª Vara Cível de Goiânia-GO.; graduando em Filosofia e em História; e, acadêmico de Jornalismo; autor de 15 livros de história regional, poemas, crônicas e Direito; ocupante de cadeiras no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis (ICEBE), na Academia Goianiense de Letras (AGnL), Academia Dianopolina de Letras (ADL), Academia Aguaslindense de Letras (ALETRAS); e, membro da União Brasileira de Escritores (UBE-GO) – Seção Goiás; e, do Gabinete Literário Goyano.
Contatos: @AbiliowolneyYouTube

SINGULAR CAMPANHA – 1919 –, PARA LEMBRAR CANUDOS ‘(1)’

O belo firmamento da Bahia arqueava-se sobre a terra – irisado –, passando em transições suavíssimas do zênite azul à púrpura deslumbrante do oriente. (3)

E então, saindo de Barreiras, partia o Oficial do Exército à frente de uma pequena Comitiva por ele comandada e composta de 10 homens, sendo ele, Mariante, o pacificador baiano, deputado Francisco Rocha, um oficial, dois Sargentos, um cabo do 31º Batalhão, um cozinheiro civil e 3 empregados do deputado Rocha, responsáveis por cuidar da carga dos animais.

No chouto dos animais atravessaram, noite nova, as primeiras léguas entre o panorama de um relevo irregular, subindo e descendo, para pousarem adiante numa fazenda.

Ao romper da aurora do dia seguinte começaram a travessia do extenso areal dos gerais da Bahia, tendo em frente os sem-fins das chapadas, na época um verdadeiro deserto, chegando aos confins do planalto, onde finda, subitamente, o alcantil da Serra Geral, no ponto que era conhecido como Serra de Taguatinga, na Passagem da Viúva – divisa da Bahia com Goiás –, local em que, no dia 7 de março de 1919, desceram as escarpas da Serra, já em território goiano.

Foi numa confluência daquelas que no fim do século XIX a história registrou um fato que os estrategistas do futuro não esqueceriam:

O Cel. Moreira César, chefe expedicionário nos tempos revolucionários do sertão baiano, galopando numa descida rumo ao campo de guerra na Campanha de Canudos, a meio caminho refreou o cavalo. Inclinou-se, abandonando as rédeas, sobre o alção dianteiro do selim. Havia sido atingido no ventre por uma bala.

O Major Álvaro Mariante se via então numa situação parecida, embora para os lados de Goiás. Todavia levava consigo o coronel Francisco Rocha, que num gesto altruísta se ofereceu como aval, como escudo humano, como garantia da missão, a reiterar-lhe a desnecessidade de um ataque armado, a assegurar que a Comitiva não seria fuzilada pelos jagunços na travessia ou mesmo na chegada à Vila. (4)

O programa da viagem de incursão pelo sertão goiano, revisto e melhor traçado em Barreiras, depois dos informes que colhera nas cercanias e ao chegar ali – afastando grande parte das informações absurdas veiculadas na imprensa e as próprias ordens reservadas que trouxe do Rio –, tomava outro mapa de destino: antes de atacar, levariam Sindicância ao território conflagrado. Assim saberiam da real situação dos jagunços, que as falas lendárias, acima dos jornais, apontavam para uns 500 homens, embora a verdade fosse bem outra; saber onde e como estavam, se retornaram mesmo para a Bahia; se permaneciam em São José do Duro articulando outra Revolução.

Enfim, às aventuras de um plano temerário, que se resumiria numa investida e num assalto, substituía a operação para outra mais lenta e mais segura – aquela de inspecionar primeiro o percurso, colher informes em todas as localidades a caminho, antes do avançar das Colunas da Intervenção, embora certo de que no Duro os caudilhos conheciam bem a estrada escolhida para a linha de operações com antecedência bastante para fortificarem os seus trechos mais difíceis, de sorte que, reeditando, como sempre, casos de combates anteriores, repisava em suas cogitações que o alcance do povoado poderia preestabelecer a necessidade de um combate em caminho, não obstante as garantias oferecidas pelo Chefe baiano, Dr. Francisco Rocha.

Entretanto os seus temores iam sendo afastados à medida que avançava. A travessia do caminho, nas condições da natureza descrita, foi até ali sem qualquer incidente, sem jagunços a postos em qualquer topo de colina. Sem vultos fugazes de espias rondando pelos relevos da Passagem da Viúva.

De modo que o pequeno comboio do Exército fez a primeira parada dentro de terras goianas, no Município de Santa Maria de Taguatinga (5), local em que o Major Mariante cuidou de interrogar um funcionário público, apaniguado do Governo, que com hostilidade fez acusações já bem conhecidas contra Abilio.

Contudo, ao entardecer a Comitiva adentrava a parte urbana de Taguatinga, onde lhe deram hospedagem justo o Coronel Miguel do Carmo Lima, do Partido do Governo e inimigo político de Abilio Wolney, e que contra ele também fez acusações, inclusive os admoestando da possibilidade de um ataque, pois naquela localidade os jagunços ameaçaram três indivíduos, com cartas, e “por ocasião dos acontecimentos que convulsionaram o Duro os habitantes de Taguatinga  deixaram  quase  deserto o Povoado; nele permaneceram apenas trinta e cinco pessoas, aí consideradas mulheres e crianças”. (6)

“Na manhã do dia 09 de março a Comitiva partia de Taguatinga para Conceição do Norte. Não estava esta Vila no programa de viagem que haviam traçado em Barreiras. Em Taguatinga dizia-se, porém, que Conceição fora assaltada e grandemente danificada, aconselhava-nos mesmo o referido Miguel do Carmo que lá não fôssemos, pois que seríamos talvez atacados”. (7)

De Barreiras a Taguatinga e daí em frente a Comitiva fizera o percurso justamente pela estrada construída em 1890, às próprias custas, pelo Cel. Joaquim Ayres Cavalcante Wolney, pai de Abilio.

Ao se aproximarem do Duro atravessaram uma ponte, a maior que havia pela região, feita de madeira numa extensão de quarenta e três metros de comprimento por três de largura, sobre o rio da Ponte, cuja obra também do velho Coronel e do seu filho Abilio Wolney, já no Município conflagrado, mas ainda há algumas léguas da Vila, onde não foram agora, desviando para evitar qualquer coisa.

Nas enchentes, o rio da Ponte engrossava, saltava, de improviso, fora do leito, acachoando, estrugindo…

Por certo Mariante de novo imaginou os fantasmas dos jagunços no itinerário que seguia. Mas confiou e prosseguiu, desarmado, intimorato, com o deputado Francisco Rocha, que deixou o recesso confortável do seu lar, de sua terra, para aventurar-se naquelas 31 léguas em lombo de animal, que aumentariam para umas 150 sertão a dentro, sempre afirmando que a questão de Abilio Wolney era fruto de desavença com a oligarquia Caiado e que a forra não passou de vindita malbaratada.

“Três dias depois chegavam à Vila de Conceição do Norte. Fora ela o maior reduto dos inimigos da família Wolney. Aí predominava a família Brito a que pertencia o Coletor Sebastião de Brito, irreconciliável adversário”. (8)

Prosseguindo na Sindicância dos acontecimentos, a 13 de março partiam para Natividade, a mais importante localidade da época, onde chegaram no dia seguinte. “Observa-se ali clara oposição à família Wolney, conforme informes colhidos. Natividade fora também completamente abandonada pelos seus habitantes. Ali haviam ficado guardando a Vila três ou quatro praças mantidas pela municipalidade”. (9)

A 15 do mesmo mês a Comitiva deixava Natividade, e enfim, depois de extenso périplo em território goiano, rumava para São José do Duro, onde chegaram a 18 de março de 1919, não antes de outras breves paradas e indagações a caminho, de tudo inquirindo cautelosamente.

Haviam andado realmente 150 léguas desde que saíram do Oeste baiano, com o caminho sempre livre, de modo que completavam a missão de sindicância da realidade dos fatos, da verdade da situação.

Tudo ia convergindo para um final sem outra tragédia. Abilio Wolney queria mesmo era o direito de viver em sua terra e administrar o que lhe sobrou depois da trajetória parlamentar, drasticamente interrompida por inimigos tão poderosos em Goiás.

Avisado da aproximação da Comitiva, Abilio Wolney afastou o bando de jagunços a cargo do caudilho Roberto Dorado para receber a altaneira visita em sede de Intervenção da União no Estado.

Tudo coordenado, Roberto Dorado afastou-se com seus sequazes para a Fazenda Pedra Grande, da família Belém. Não eram mais que uns 40 homens. Foi o que restou como remanescentes dos jagunços no Vilarejo, visto que o restante, inclusive os homens de Abilio Batata, já pagos pela refrega, haviam retornado às suas origens. (10)

O adversário imaginário – agora se via –, e que deixara livre até ali o caminho para a Comitiva, desdenhando os melhores trechos para atacá-la, apresentava-lhe o contratempo, que no caso de uma investida da Expedição realmente seria sério: o topar vazia a Vila sediciosa de São José do Duro, sem um jagunço para combater.

Digno de se repetir:

“A história militar é toda feita de contrastes singulares. A certeza do perigo estimula-a. A certeza da vitória deprime-a”.

E deprimente escancarava-se a certeza de que no Duro só havia vítimas, pois a despeito da vitória da guerrilha contra a Polícia dos Caiados, tudo ali estava mesmo era liquidado.

Álvaro Mariante sentia-se escandalosamente traído pela realidade dos acontecimentos. Era ridículo todo aquele sobrosso mediado pelos títeres da oligarquia goiana – uma dinastia de denunciadores e algo mais, já agora por tudo denunciados…

Ao adentrar na Vila, a Comitiva do Exército foi recebida com lhaneza e galhardia pelo ex-deputado Abilio Wolney, seus familiares, amigos e pelo promotor de Justiça exonerado, Dr. Francisco de Borjas Mandacaru e Araújo, que para ali acorreu assim que soube daquela aproximação altaneira. Mesmo que tardia, ia o promotor promover a justiça, com o seu testemunho…

Longa confabulação foi travada com o comandante militar, que em seguida, convidado para uma reunião no Casarão dos Wolney, deparou ali com todas as viúvas e órfãos dos mortos que aguardavam, trajados de luto, a chegada daquele salvador, que se faria o justo juiz que o Duro não teve.

Abilio Wolney, comovido, mostrava-lhe a realidade:

“Veja as testemunhas da morte de meus amigos e familiares dada em holocausto ao Governo!”. (11)

Coagia Mariante o constrangimento de simbolicamente receber uma coroa viva de orquídeas negras, feita de seres humanos – aquelas mulheres em crepe –, rodeando uma mesa que se bordava de mães, esposas, noivas e irmãs saudosas, intercaladas de crianças – os botões da mesma sorte…

O Major, então, respondeu com o silêncio, mas deixando transparecer as graves impressões que lhe iam na alma. Em seguida foi levado até o Sobrado, onde impregnava o ambiente um bafio agulhento de caverna.

Adentrou na penumbra, sendo-lhe mostrado os recantos escuros dos quartos onde estiveram os reféns.

Era preciso valor para atravessar aqueles compartimentos lúgubres, de cujas portas e janelas mal se divisava um reflexo pálido do dia, mostrando em paredes alvinitentes do seu interior, cabriolando, doudamente, a caligrafia da Chacina nos riscos de sangue esguichados entre os pontos escarificados a ponta de instrumento cortante – a literatura rude da selvageria.

Uma página demoníaca daquele período curto, incisivo, arrepiador, delatando os horrores de um campo de operações que tais.

No chão batido dos rastros haviam turbilhonado na vozeria das vítimas: paixões, ansiedades, esperanças, desalentos indescritíveis – reflexo das agruras que os alancearam. (12)

E não podiam encontrar melhor cenário para ostentarem a forma mais repugnante da hediondez do que o esterquilínio de cadáveres e trapos, imersos na obscuridade lôbrega do calabouço em que se transformou o prédio do Sobrado em São José do Duro.

Seguia-se por ali envolto de um silêncio soturno…

Via-se no quadrilátero da praça a transmutação em parte do trecho torturado: nas casas de taipa de gente pobre, tabiques esboroavam em estilhas e terrões, com o vento soprando a poeira dos escombros.

Alguém contava que na virada para o terceiro dia, o mau cheiro dos cadáveres dos reféns havia despertado novos viventes – os urubus que volitavam sobre a masmorra, no extenso largo.

Cães magérrimos circulavam como famélicos lebréus, pelados, esvurmando feridas, farejando e respigando aqueles monturos, numa ânsia de chacais, querendo devorar talvez os próprios donos. Tangidos, fugiam rápido, rosnando…

Antes de deixar a Vila – território onde haviam tripudiado o jagunço oficial e o jagunço do sertão –, o Major Álvaro Mariante reparou bem nas portas das vivendas os furos de bala, mormente nas do Casarão, onde estavam as mulheres e crianças.

Chegava a hora de regressar. O Comandante Expedicionário agradeceu a recepção ordeira dizendo que ia entender-se com os seus superiores e que Abilio Wolney aguardasse resposta.

E assim, no dia 22 de março de 1919, a Comitiva deixava o Duro tornando a Barreiras, onde o grosso da tropa a aguardava há 20 dias, entre apreensiva e sob regime de caserna.

Mariante saía pelo mesmo caminho da entrada, pelo lado da Cruz das Almas que ficava a Leste. Afastado já uns quinhentos metros do Vilarejo, passou à ourela de um claro no matagal bravio que o rodeava, onde um barreiro subia do plano como pequeno outeiro. Era o sepulcro dos Nove mortos no Tronco, debaixo de um grande pé de candeal, onde o signo de pequenos cruzeiros improvisados marcava o novo cemitério.

Já o Cel. Wolney e o neto Oscar Leal haviam sido enterrados no cemitério da Vila como resultado da Revolução de Janeiro de 1919, feita de traumas horríveis.

São José do Duro ficava para trás e para sempre, com aquela aparência comum aos povoados sertanejos, engrunhidos e estacionários, onde por décadas seguintes não se construiu uma casa.

Aos olhos daquele Chefe do Estado-Maior do Exército, o casario, em sua maioria pobre, arrumado aos lados daquela praça, com a grota aberta ao meio pelos enxurros, entrava-lhe na memória um ar tristonho, completando-lhe o aspecto de arraial morto, prometendo um descambar para tapera em ruínas, que sua Comitiva penetrara envolta num coro silencioso de choro reprimido naquela gente.

A mão de ferro da Polícia estadual ali se espalmara, traçando em caracteres enormes o entrecho do drama. Os mortos eram uma revelação dolorosíssima, sem qualquer alento.

Nas sevícias que sofreram retratava-se a energia de uma gente.

Aqueles homens dilacerados pelas garras pontiagudas dos sabres da oligarquia goiana deixavam por ali, indelével, o esboço real do escândalo de uma empresa sem brilho, sem altitude. Eram o vigor de um povo posto à prova do ferro, à prova do fogo e à prova de cruel tortura, enfeixando torpezas incríveis, que não conseguimos traduzir para o papel.

Abaladas pelo cataclismo da luta armada, as camadas superficiais de uma pequena comunidade cindiam-se, pondo à luz os seus elementos profundos naqueles mártires estoicos, ante a alternativa abjeta de um só tipo de morte.

Os narradores futuros tentariam em vão velá-la em descrições gloriosas. Teriam em cada página, indestrutíveis, tais descrições ultrajantes, com as quais os sacrificados entravam, num belo aprumo de candidatos à História, pelo Tronco sanguinolento e fácil dos algozes da Chacina Oficial de 1919.

Sobre tudo isto um pensamento diverso latente no espírito do Major do Exército: a admiração pela ousadia caudilha, homens da mesma raça, de encontro aos quais houve uma debandada da Polícia dos Caiado, precedida de outra covardia ainda maior…

Por outro lado, desentendia a razão dos jagunços não terem ido no encalço da força fugitiva, quando o Cel. Abilio Wolney poderia fazê-lo, visto como, impulsionado pelo destemor de vingar a morte do pai roubado, agora estaria ancorado no sentimento de vindita pela morte do irmão, do cunhado, do sobrinho, dos amigos. E com tantos homens dispostos, por que não o fizera?

O Major Álvaro Mariante levava, afinal e além das interrogações, um juízo claro sobre a luta mais brutal do Nordeste goiano, deixando ali os sobreviventes rorejados de pranto e presos a recordações penosas, sem qualquer comemoração daquele sombrio heroísmo de vítimas. Mas, por um contraste inexplicável, sobre sua comiseração profunda pairava como glória o martírio daqueles homens sepultos – ali havia um triunfo que apontava o futuro…

Decepcionado, matutava em caminho de volta, vislumbrando o traço superior da Revolução num dos Estados da Federação, mas sem vitória a curto prazo. Havia um afloramento insurgente, patenteando todas as manobras da oligarquia goiana; era um belo ensejo para estudo, correção e anulação da lei da força, que gerou o desforço e culminou numa Chacina.

Decididamente era indispensável que a pretérita Comissão do Governo de Goiás tivesse um objetivo superior à função estúpida e bem pouco gloriosa de destruir um Povoado daquele norte. Um Vilarejo que era um clã.

Deveras, era uma lição nada eloquente…

Se tivesse navegado o cheio São Francisco com os Batalhões retardatários iria combater com ninguém – um desapontamento real que em muito o assustou.

As tropas do Exército viriam ater-se a papel mui secundário: fazer 31 ou 150 léguas de sertão, como o fez, apenas para contemplar – espectadora inofensiva e armada dos pés à cabeça –, o perdimento do apoucado arraial que, ao vencer, foi derrotado naquele estrangulamento vagaroso dos reféns, e agora não desafiava a movimentação exaltada e convulsiva de uma batalha com a Força Federal.

Metesse os seus homens na estrada e a Campanha transformar-se-ia em passeio militar penoso; a volta inglória. O Duro era uma necrópole, tristíssima e, Abilio Wolney sua alma viva, rodeado dos que sobreviveram, revelando-se, ainda mais, vítima dos próprios bandoleiros contratados, que se vieram ajudá-lo na malsinada vindita, levaram as mais de 1.000 cabeças de gado como pagamento da ofensiva ao Governo do Estado.

Enfim, a sua diligência terminava ali. Foi o único movimento militar realizado e por diminuta Comitiva de toda a força expedicionária do Exército, mas que teria um grande alcance para a imparcialidade da história…

À sua frente azulava-se a Leste a Serra Geral, distante, lá para os lados de onde veio.

Circunspecto, Mariante galgava os aclives e declives da morraria no caminho de regresso, seguido pelo heroico deputado Francisco Rocha e demais.

No dia 25 de março de 1919, chegavam de volta a Barreiras-BA. Ao toque de revista foi reunida a coorte – umas oito centúrias de soldados –, providenciando a imediata retirada do Batalhão no retorno para a sua base de origem e no mais desarticulando as que viriam empós, caso houve o combate.

Em seguida, Álvaro Mariante cuidou na redação de extenso e minucioso Relatório de sua Expedição ao Ministro da Guerra, General Alberto Cardoso de Aguiar, datado de 28 de abril de 1919, publicado no Diário do Congresso Nacional de 10 de julho de 1919, páginas 779 a 786, onde revelou-se verdadeiro magistrado de coturno, togando a farda de cauteloso estrategista militar em campo destroçado…

O seu Relatório é como uma Sentença, o Acórdão de um tribunal de Brigadas de 800 ou mais de 2.000 homens, que ele soubera dirigir ao conter, no evitar um avanço inconsequente.

Um contra-libelo para a história…

É assim que será em próxima oportunidade, adstrito à sua “Exposição de Atividades”, no modo como está publicado no livro O Duro e a Intervenção Federal – Relatório ao Ministro da Guerra, Kelps, 2006.

 

1 Extrato de Capítulo do livro O Duro e a Intervenção Federal – Relatório ao Ministério da Guerra, Kelps, 2006. NETO, Abilio Wolney Aires.

2 [Abilio Wolney Aires Neto] Cadeira 2 da ANALE.

3 Vale aqui também a observação de que alguns parágrafos deste capítulo são textos parafraseados de Os Sertões – Campanha de Canudos.

4 O alvitre de Álvaro Mariante era fundado. O próprio Abilio Wolney anotaria mais tarde, referindo-se à pretérita Comissão dos Caiados, o seguinte: “A Comissão Celso marchou até chegar sem o menor embaraço, quando podia ter sido dizimada. Mas os Wolney queriam um juiz que apurasse a verdade e assentaram de não lhe criar o menor entrave”. (Documento datilografado em 1940 e editado em Capítulo do nosso livro O Diário de Abilio Wolney).

5 Hoje Taguatinga-TO.

6 Em itálico, texto do próprio Relatório ao Ministro da Guerra, de 28.04.1919.

7 Idem.

8 Idem, idem.

9 Idem, idem.

10 Fato que por si mesmo demonstra ter Abilio Wolney, embora refém dos bandoleiros, feito de tudo para evitar a pilhagem na região após os acontecimentos de 1919. Talvez não o tenha conseguido de tudo, na iminência de ver a sua própria cabeça rolar perante duas centenas de jagunços – esse era o efetivo real no início –, que sabiam das milhares de cabeças de gado que ele possuía e que herdou do pai. Poderiam matá-lo para roubá-lo e ninguém levantaria a voz. Mas respeitaram-no, e nesse particular, como no terem vindo em socorro dele, deve-se reconhecer a solidariedade de Roberto Dorado e Abilio Batata, ante o drama do amigo vilipendiado em Goiás. Alguns dos sobreviventes, parentes e amigos do próprio Abilio Wolney teriam sido espoliados pelos jagunços. A título de exemplo, Anna Custódia teria contribuído com 200 bois. Dos inimigos de Abilio mesmo a cabroeira muito pouco levou, pois quase nada tinham, como era o caso de Sebastião de Brito e de Manoel de Almeida.

11 Palavras textuais ditas por Abilio Wolney a Álvaro Mariante, conforme Relatório de 28.04.1919, adiante transcrito. Grifo nosso.

12 Parágrafo inspirado em texto de Euclides da Cunha, obra citada.

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