SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas – Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia.

Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jojoaquim.blogspot.comwww.jjoaquim.blogspot.com.br

Tambores – ESTROINAS E Estrovengas

É por demais intrigante como a maioria das pessoas chega em um estágio da existência e ali se paralisa. Em outros termos, fica essa interrogação provocante, desafiadora da compreensão das índoles, do caráter, da disposição de espírito, dos projetos dessas pessoas. Porque em um paralelo com outros primatas sem os atributos de racionalidade. O animal humano é dotado por natureza, por concepção ou evolução de uma inteligência diferenciada, de um QI acima de todas as outras espécies. Assim considerado é normal que esse animal tenha ambições, projetos, desejos de crescimento, de evolução de compreender sua estada e existência neste planeta.

O que é normal e esperado de um animal evoluído e diferenciado? A busca incessante de ascensão social, civilizacional e construção de um meio social, uma família a que pertence, de um mundo melhor. Mas surpreendentemente, muitos são os indivíduos que não procuram melhorar o próprio domicílio, o próprio entorno familiar. Pode-se ir mais longe, há muitas pessoas que atingido um estágio vivencial não melhora os seus próprios atributos como indivíduo participante, responsável, produtivo, provedor de sua própria subsistência.

Em outra ementa e constatação nem se exigiria que esses sujeitos melhorassem o seu meio social onde acham inseridos, e o entorno social de que fazem parte. Que esses tais e tais e quais dessem conta, ao menos, de prover sua própria subsistência e estadia no mundo. Mas, não o fazem!

Lembremos esse tópico, porque é emblemático de vida de cada pessoa. Ciência e filosofia do Finalismo de cada um no planeta. Todos os seres viventes nascem. Todos detêm uma existência. Na visão sartreana de vida: a existência precede a essência, Sartre. Nessa perspectiva, pensemos juntos e instantaneamente, nascer, existir, ser. Essa deveria ser a meta de todos, buscar uma essência, em ser alguém, alguma coisa que pudesse auxiliar na construção de uma família melhor, um meio social e ambiente melhor.

Porque todos digladiam pelos direitos humanos de boa saúde, de lazer, de uma subsistência digna, de qualidade de vida, dos prazeres naturais e oferecidos pelos segmentos mercantis e industriais. Todo esse cardápio de direitos não é gracioso, ele custa dinheiro, salário de alguém, ativos produtivos com labor e dedicação, fadiga e responsabilidade. Ninguém pode se dar ao regozijo e regalias, ao desplante de existir como sevandijas e lumbricoides.

O que se observa no comportamento psíquico e social de algumas pessoas, de muitas pessoas, dos variados liames sociais? O sujeito, o guapo e espadaúdo sujeito e sujeitas atingem um certo estágio na vida, quando esses e essas tais e quais são acometidos pelo intitulado reflexo do comodismo. Basta imaginar o sentido olfativo. Primeiro a fetidez nauseabunda e papricante, depois normalidade. Reflexo do comodoro, do comodismo nos acmes da tolerância, toleima pura.

Referido fenômeno do comodismo ou zona de conforto, a que muitos psicólogos e cientistas sociais denominam de folguedo e regalo social vem sendo estudado nos grupos terapêuticos intitulados Constelação familiar. Referidas terapias não têm respaldo científico. Todavia, não deixar de ser uma forma de destrinche dessas questões existenciais, vivenciais com bons resultados terapêuticos.

O que se constata, pelos estudos sociais, antropológicos e culturais é que muitos são aqueles e aquelas que se assentam na chamada zona de conforto. E assim permanecem para sempre. Na verdade, entram na existência e ali, pouco de essência buscam. É natural pelo relativismo e natureza de tudo.

Tudo evolui, tudo se transforma; as ciências, as tecnologias, a cultura, a política, o planeta, o homem, alguns homens. À exceção desses repoltroneados e assentados em seus estágios vivenciais. Alguns conseguem até uma regressão sociocultural e civilizacional em relação às conquistas que o mundo oferece, o mundo das ciências e dos feitos tecnológicos. Muitos desses indivíduos, assim revelam já as neurociências, estão em processo de desadaptação ou involução cognitiva e mental. “Viver é a coisa mais rara. A maioria das pessoas apenas existe” (Oscar Wilde). O tambor, percutido, se soa é porque está vazio.

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