SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas – Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia.

Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

Anti(em)Patia – NOSSO LIVRE-ARBÍTRIO E desprezo ético

Fotos: Márcia Cristina/JORNAL CIDADE

Nesse sucinto artigo trago à baila dois conceitos de relevante importância nas relações sociais e no convívio humano. Um, a responsabilidade ética de cada pessoa para consigo mesma e com os outros à sua volta. Dois, a capacidade de cada um em se readaptar aos infortúnios e imprevistos da vida.

A esse conceito poderia ser adicionado a concepção de resiliência. O que seria? A capacidade de o indivíduo resistir a uma mudança brusca em sua vida, que pode ser transitória ou definitiva. Este conceito de resiliência tem sido tomado de empréstimo da Física e num sentido metafórico referido em muitos cenários da Psicologia do comportamento.

Depois da gripe espanhola (1918), que da Espanha só tinha o nome, porque surgiu nos EUA, nenhum acontecimento tem sido tão devastador para a humanidade como a pandemia da Covid-19. Porque essa doença vem atingindo a todos com muito medo, ônus para os governos, com assistência médica, com sofrimento, depressão, luto e mortes. Diante dessa triste e mórbida realidade, todos têm que se adaptar.

E aqui entra então a responsabilidade ética, de generosidade e humanitária de cada um.

Conceituando Ética (Bioética). A melhor definição vem do filósofo alemão Immanuel Kant, no seu chamado Imperativo Categórico. Não literalmente, mas diz assim: Aja, pratique uma ação, uma atitude de forma a que essa iniciativa (atitude) tenha uma aceitação ou efeito benéfico universal.

Ética então é isto: é fazer o bem sem olhar quem é o beneficiário desse bem. Nesses termos poder-se-ia questionar: mas ética não implica em eu fazer o bem para mim mesmo? Nem sempre, eu precisaria ou deveria estar no pacote de beneficência da ética.

E aqui entra outro valor e significado moral. Muitas são as doutrinas e correntes filosóficas que dizem: quando faço o bem ao outro, o primeiro agraciado sou eu.

Em se tratando de uma doença altamente contagiosa para a qual ainda não há antibióticos e antivirais o que existe de concreto e eficaz são as chamadas medidas de higiene e isolamento social. Lavagem de mãos com agua e sabão, uso de álcool gel na falta de agua e sabão, máscaras, óculos e não coçar o nariz, os olhos, sem limpeza prévia de mãos.

Estas são as medidas até então cientificamente comprovadas e capazes de evitar a contaminação de pessoas sadias e propagação da infecção. E eis que então deparamos com as cenas que ultrapassam a sandice, a insensatez e excentricidade do comportamento dos humanos: a recusa e resistência em adotar essas medidas profiláticas tão simples e nada dispendiosas.

Nesse momento e diante de tais teimosias e negação estamos à beira do cometimento dos ilícitos éticos os mais comezinhos, mas também os mais graves e nocivos porque eu estou pronto, propicio e hábil em prejudicar, adoecer e matar o outro.

Numa reflexão mais elaborada e de direitos humanos, o indivíduo poderia arrogar para si a liberdade ou livre-arbítrio de assim agir, de contrair (pegar a Covid-19, sofrer e morrer). Todavia, ele esquece que pode não ser só ele, porque vai adoecer e matar outras pessoas. Assim, na verdade, no seu livre-arbítrio ele está cometendo um desdém, um escarnio ético.

Portanto, ficam aqui essas justificativas do uso correto de máscaras e higiene de mãos. É o exercício mais ordinário e humanístico da ética, a proteção do próximo, do outro.

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