Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 2 de dezembro 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas – Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia.

Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

Prevenir é a melhor opção – A melhor ação no infarto é a prevenção

Até duas ou três décadas atrás o infarto do miocárdio era considerado uma doença de pessoas mais idosas, acima de 45 anos. Cada vez mais a doença acomete pessoas jovens. Com uma característica terrificante: quanto mais jovem o indivíduo mais grave o quadro clínico. O coração de indivíduos jovens é mais vulnerável quando a questão é infarto. Paradoxal, mas é isto mesmo. Trata-se de uma emergência das mais letais em termos de coração, mais de 50% dos pacientes morrem sem socorro médico. Os sobreviventes continuam em risco e muitos ficam com sequelas incapacitantes.

As razões da incidência do infarto, com tendência crescente em pessoas jovens têm uma relação direta com os progressos das ciências e das tecnologias, entre essas a da informação (recursos da informática, internet, mídias sociais). Todos os recursos de nossa chamada pós modernidade trouxeram no pacote, ao menos de imediato e ardilosamente, melhoras na qualidade devida. Aparente e ardilosamente porque o homem passou a ter um estilo de vida insalubre, com aquisição de muitos fatores de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas e degenerativas (câncer, doenças inflamatórias, reumáticas). Dentre esses fatores de risco destacamos:

Sedentarismo. O imobilismo, a inércia física, o sofanismo (descanso no sofá) passaram a ser uma marca de nossa era digital. As pessoas têm preguiça de caminhar, sequer precisam levantar do sofá para mudar os canais de televisão. O sofá virou uma escora corporal por horas a fio em frente aos inúteis programas de TV.

Além do sedentarismo o homem pós-moderno passou a ter na glutonaria uma fonte de prazer e alegria. Em consequência surgem o excesso ponderal, as taxas nocivas de colesterol e triglicérides, diabetes, hipertensão, entre outras doenças crônicas danosas aos órgãos vitais como coração, cérebro, rins e retina. São danos de alta letalidade e muitas invalidezes permanentes.

Entendendo melhor a gênese do infarto. Trata-se, na verdade, do sintoma final de uma doença sistêmica que se estabelece de forma lenta e silenciosa, que começa na infância, na juventude, pela aquisição dos fatores de risco, que se reitera: vida sedentária, vícios, sobrepeso, taxas altas de lipídios, ácido úrico e glicose no sangue. Como consequência obstrução de artérias por placas de colesterol (como ferrugem em uma tubulação). O processo é generalizado (arteriosclerose sistêmica).

As primeiras manifestações se dão nos órgãos mais vitais: coração, cérebro, rins e retina: infarto, derrame cerebral, doença renal crônica e cegueira.

Portanto, se adverte que o infarto do miocárdio no idoso ou jovem representa o sintoma final, muitas vezes fatal, da doença arterial coronária, iniciada na infância, pelos maus hábitos alimentares, pelos vícios e o sedentarismo. Simples, sério e sem meias palavras. O melhor a se fazer com o infarto é PREVENÇÃO, iniciada na infância.

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