Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 13 de outubro 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas – Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia.

Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

Morte social – Muitos morrem socialmente antes do fim

Uma das piores zonas de conforto que toma conta das pessoas se chama negligência com a saúde. Trata-se de um processo paulatino, no qual a pessoa vai aceitando condições mórbidas; condições essas que podem ser constitucionais ou adquiridas. Vamos dar exemplos práticos muito encontradiços na população. Duas doenças silenciosas, populares, mas de alta gravidade pelas complicações e risco de morte. A hipertensão arterial e o diabetes mellitus.

E elas podem se tornar graves, gravíssimas. Justamente porque a pessoa portadora, de uma ou ambas vai se assentado em sua tão useira e vezeira zona de conforto. Trata-se de uma regra, tudo aquilo que não dói, não tira o sono, não dá fadiga ou falta de ar não motiva o indivíduo a procurar o médico. É impossível a pessoa morrer de cálculo renal ou de bronquite. A dor ou falta de ar motiva o paciente a procurar assistência médica. Simples assim!

O indivíduo e sua relação com o biótipo ponderal ou silhueta corporal. Aqui tem que se ter em conta que não se trata de mera questão de estética, beleza ou imagem. Os efeitos nocivos à saúde são devastadores. A obesidade e todo o seu espectro de comorbidades constituem na terceira causa de morte no mundo.

Analisada de forma primária e original a maioria das pessoas com excesso ponderal chegou a essa condição mórbida pelo lento e insidioso processo de acomodação ou zona de conforto. Imagine se a pessoa ganhasse peso da noite para o dia, 20 quilos, ele entraria em pavor. De forma lenta, se aceita.

E assim se dá em muitos outros cenários da vida. Na verdade, zona de conforto é morte. Nosso cérebro com suas múltiplas funções tem culpa no processo. Trata-se do órgão mais prodigioso do corpo humano, mas que se torna de alta performance se estimulado continuamente. O cérebro é preguiçoso e acomodado. Daí a necessidade de estímulos permanentes.

Por vocação o animal humano entra facilmente na inércia, na acomodação ou zona de conforto. Em todas as esferas de atividade o indivíduo está sujeito a zona de conforto. Alguns exemplos frequentes se dão na vida profissional, nos campos de trabalho, nas relações conjugais, até mesmo no âmbito religioso. Quantas não são as pessoas que uma vez habilitadas em sua profissão, nesta se tornam estagnadas. Não buscam nenhum aprimoramento em sua formação, não reciclam, não se atualizam com o que se tem de novo e moderno em suas técnicas de trabalho. Tal fenômeno se faz pelo simples e já estudo processo da acomodação ou zona de conforto.

A mesma tolerância ou imobilismo se constata na vida conjugal. Muitos são os casais que uma vez juntos, entram na desarmonia, em uma vida de monotonia, em uma vida sem sentido. Tomados pela falta de energia, do medo da mudança, do princípio do ruim juntos, pior separados, assim permanecem até que a indesejada das gentes os separem. Zona de conforto na quintessência.

Nas doutrinas, na política, nos sistemas, nos ritos religiosos; inúmeras são as pessoas que perdem a energia motriz de mudança. E assim assentadas na zona de conforto, se acomodam por décadas e décadas, até os últimos bafejos de vida. Por isso com assertividade se diz que acomodação é morte na certa. No mínimo na forma social antes da biológica. “A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo”. ALBERT SCHWEITZER.

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