SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA é especialista em Medicina Interna e Cardiologia, Assistente do Serviço de Cardiologia e Risco Cirúrgico no Hospital das Clinicas – Faculdade de Medicina / Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia-GO; membro Sociedade Brasileira de Cardiologia; e, estudante de Filosofia.

Contatos: joaomedicina.ufg@gmail.com. Acesse: www.jjoaquim.blogspot.com.br

Notas covidianas – Uma tsunami infectocontagiosa

Estamos passando por uma das grandes pandemias da História Humana, e acredito não ser a maior, tendo em conta o grau em que alcançamos nos avanços tecnocientíficos, para enfrentar o presente drama. Sejam eles nas ciências biológicas, físicas, farmoquímicas, farmacêuticas e na Medicina. A Covid-19 veio para mostrar muitas outras faces e características dos homens que governam as Nações, o grau civilizatório em que nos encontramos, o grau de discernimento das sociedades, a quantas andamos em índices de desenvolvimento social, cultural, ético, humanístico, de convivência, de solidariedade, de generosidade, de fraternidade, de atributos de humanidade.

Tem em visto essas possibilidades, podemos então avaliar como as Nações, os gestores das coisas públicas, as comunidade de toda ordem, e cada um de per si, mostram sua aptidão, sua criatividade, o seu grau de adaptação a cada novo imprevisto, a cada situação inesperada, ocorrência abrupta que lhe depara pela frente. É justamente nesse sentido que desenvolvo o presente artigo.

Eu começo pelos nossos chefes de Estado, pelos governantes de diferentes Países, em se tratando estritamente de uma nova doença que vem arruinando a vida social e funcional das pessoas, que vem levando milhares aos hospitais, às terapias intensivas; e o mais contristador, a milhares de mortes, indiscriminadamente, sofrivelmente; idosos, adultos saudáveis, crianças e jovens.

Felizes as Nações, as sociedades que possuem governantes que são homens públicos por absoluta capacidade e tino administrativo, que detêm formação ética, humanística e política, para gerir e dirigir todas as coisas públicas (daí o nome, República; vem de res publica, coisa pública). O que fazem e pensam e põem em prática esses chefes de Estado?

Eles sabem que não governam sozinhos, que precisam ouvir especialistas, técnicos, cientistas de Ciências Biológicas, de Medicina, de Epidemiologia, de Física, de Química, de Farmacologia. Porque no mundo, nas Ciências, na Política, em Administração Pública, como aliás, em tudo na vida, ninguém sabe tudo; e cada qual somando aquilo que sabe, chegam todos a uma enorme somatória de conhecimentos em prol da comunidade, das pessoas, da sociedade.

Ocorre assim com várias Nações, e nesse sentido, a de melhores resultados no controle dessa devastadora coronavirose (Covid-19), estamos assistindo aos governos que vêm se balizando a administração da doença ouvindo e seguindo as diretrizes, as recomendações e normas de higiene e prevenção dos órgãos sanitários, como OMS e Ministérios da Saúde de cada Nação. Esses Países, têm sido eles, os que melhores índices de controle vêm obtendo da doença. Menos contaminados, menos mortos, achatando a curva de disseminação da doença.

Essas Nações e esses governantes, ao contrário de outros ineptos e inaptos às funções para as quais foram eleitos pelo voto popular, mostram e passam outras características e atributos. Eles verbalizam, discursam e emitem uma imagem de segurança, de credibilidade, de engajamento em prol da saúde, da segurança, do bem-estar das pessoas por eles governadas e dirigidas. Porque esses homens públicos e de Estado, por uma questão de ética, de tecnicidade, de senso científico buscam os melhores auxiliares, os melhores ministros, os melhores gestores de cada pasta, de cada setor e Secretarias de governo. Os seus gestores e técnicos escolhidos e nomeados não obedecem aos princípios do fisiologismo, da troca de apoio por votos em projetos enviados ao Congresso, à paga por votos eletivos quando venceram as eleições que os conduziram à cadeira de chefes de Estado.

Esses homens de Estado, e aqui valem os exemplos como o são uma Coreia do Sul, uma Finlândia, uma Islândia, uma Noruega; todos e todas detêm a credibilidade  merecida porque não seguem as diretrizes e opiniões de charlatões, de aventureiros, de curandeiros, aos lobbies de indústrias farmacêuticas, aos interesses comerciais escusos dessas e outras fábricas de insumos de higiene e saúde.

Muitos desses empresários e fabricantes de artigos médicos, na condição e comportamento de autênticos abutres e aves de rapina, a espera de qualquer desgraça alheia, no intento único e maior de obterem mais lucros e enriquecimento às expensas do sofrimento e dores alheias.

Por fim, felizes das sociedades dessas Nações mais evoluídas, de pessoas mais instruídas, de acesso irrestrito a boas escolas para seus filhos, de uma cultura ética e construtiva, de senso crítico e discernimento nas eleições dos governantes. Essas pessoas, como eleitores instruídos, bem alfabetizados e críticos sabem muito bem diferenciar quais candidatos que prometem uma coisa e fazem outras, de governantes que juram obedecer a constituição e uma vez no poder, sonham em se tornar tirânicos e trocam as obrigações de governo por insultar outros poderes, se considerando os únicos detentores da verdade, o sal da terra, o sol que ilumina a humanidade, que protegem amigos e parentes envolvidos em toda espécie de ilicitudes e crimes contra as pessoas mais carentes e menos instruídas, por vezes, cúmplices e venais nessas traficâncias e negociatas de gangster e mafiosos.

Por último, que a melhor arma do povo, não sejam as de fogo, nem da violência, mas as do esclarecimento, das boas escolas, do emprego digno para todos, da assistência médica irrestrita de qualidade, do uso livre e soberano da razão e escolha consciente e crítica dos representantes na hora do voto. Já seria um ótimo começo para mudar o Brasil.

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