Pesquisa analisa divulgação científica em ambientes virtuais

Estudo acompanhou pesquisadores da área do Ensino em Química. Para pesquisador, tema tratado é leitura importante para estudantes de graduação, para que se formem pesquisadores familiarizados com a divulgação científica em espaços como as Redes sociais.

Estudo revela: muitas vezes, publicações que não são voltadas para a divulgação de uma informação científica relevante no momento recebem mais atenção do que uma publicação com informação importante naquele momento – Imagem: Divulgação

 

A divulgação científica é, de fato, uma forma de combater a crescente produção de fake news que ocorre na internet e essa é uma das constatações da pesquisa de Diego Diniz, realizada no mestrado em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal de Goiás (UFG). A pesquisa mostra a relação entre o fazer científico e sua socialização pelos cientistas, utilizando as Redes sociais como novo modelo de divulgação.

Diego Diniz, autor da pesquisa, sob a orientação da professora do Instituto de Química (IQ), Nyuara Araújo, traçou a relação Blog e Instagram, com a intenção de analisar como ocorre a divulgação científica dentro dessas redes. “O objetivo central era a análise dessa divulgação no Instagram e [nos] Blogs, voltados para o ensino de química por pesquisadores’”, relata o professor.

A metodologia utilizada para o estudo foi a netnografia, que, segundo o pesquisador, é bastante utilizada na área de Comunicação Social, como na área do Marketing e do Jornalismo, mas é nova na área de ensino de Ciências e Matemática. “A netnografia é um desdobramento de uma etnografia. Ela tem como foco de interesse o estudo de comportamento de comunidades locais no ambiente virtual”, explica Diego.

Durante a análise, o pesquisador afirmou que obteve informações que não esperava, como a percepção de que “existem determinados tipos de publicação que têm curtidas maiores do que outras”. O estudo trouxe dados os quais revelam que, muitas vezes, publicações que não são voltadas para a divulgação de uma informação científica relevante no momento recebem mais atenção do que uma publicação com uma informação importante naquele momento. Diego citou como exemplo o fato de uma postagem sobre um Congresso regional, como simpósios, ter mais acessos e interações que uma informação sobre a Covid-19. Isso leva a uma das conclusões da pesquisa, que é a falta de maior interação entre o pesquisador e o público que acessa as Redes sociais, pois o engajamento nesses perfis ainda é mínimo.

De acordo com o pesquisador, o objetivo central e a questão norteadora do estudo “de que forma os cientistas da área de Ensino de Química se posicionam em relação à divulgação científica em seus Blogs e Instagram e como os processos de interação estabelecidos nessas Redes contribui na circulação do conhecimento científico?”, foi respondida. Os resultados da pesquisa apontam que “os cientistas da área do Ensino de Química possuem publicações nos Blogs, porém, alguns não fazem mais publicações nessas plataformas devido ao desuso das mesmas.”

Com o desuso desses Blogs, percebe-se, de acordo com o estudo, o uso maior e mais ativo do Instagram, com publicações que buscam esclarecer a população sobre questões da Ciência. Esse posicionamento dos cientistas da área de Ensino de Química ocorre como forma de combate às fake news. A pesquisa também descreve como os processos de interação estabelecidos nessas Redes contribuem na circulação do conhecimento científico. No entanto, Diego explica que os processos de interação observados durante a pesquisa são incipientes.

Na avaliação do pesquisador, as interações nessas Redes precisam ser fortalecidas e as divulgações científicas precisam ocorrer de forma mais profícua. Ele também pontua que, “quase não observamos a presença ativa do curioso pela ciência e dessa forma ainda não conseguimos obter dados no que tange ao reconhecimento científico”.

 

Memes com conteúdo

É importante, levando em consideração o momento em que a tecnologia se encontra, observar também o papel dos memes como disseminadores de conteúdo, e essa relação com o estudo científico. Na opinião de Diego Diniz, os memes exercem, nesse sentido, dois papéis: “Eu acredito que pelo fato dos memes viralizarem muito, ele pode ser um facilitador mas ao mesmo tempo ele pode ser um dificultador dessa informação”. O professor faz a ressalva de que não há problema em utilizá-los para a rápida circulação da informação, caso seja muito bem feito e com a intencionalidade que existe por trás do meme esclarecida previamente. Isso porque a principal característica da divulgação desses estudos é tornar a informação mais acessível para a população.

“A pesquisa desenvolvida, se ela bem trabalhada e pensada, é de suma importância nesse momento onde nós estamos vivendo um mundo tecnológico, de uma educação tecnológica onde está todo mundo no celular”, afirmou, destacando que a pesquisa é justamente sobre isso, a divulgação científica em ambientes virtuais. O assunto tratado no estudo, segundo o pesquisador, é leitura importante para estudantes de graduação, para que se formem pesquisadores familiarizados com a divulgação científica em espaços como as Redes sociais.

O professor informa também que a pesquisa, além de importante para os pesquisadores de Universidades, pode beneficiar a própria população que acessa as Redes sociais para obter informações, visto que com a divulgação científica nesses ambientes a população terá acesso às informações de uma fonte confiável de fato. A relevância desse fator de veracidade, para as pesquisas científicas em geral, está diretamente relacionada à crescente produção de fake news, que interferem cada vez mais na sociedade. “As notícias falsas colocam em jogo toda a divulgação científica, sendo preciso a população acadêmica e a comunidade científica entenderem que é só por meio da divulgação científica forte que se pode fazer o enfrentamento, sair das paredes da academia e levar a informação para a população”.

 

(Informações, sob adaptações: Secom/UFG)

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