CULTURA & EDUCAÇÃO

DIVERSOS

‘Último ato’ – Tagore Biram

Com um tiro no crânio

o gigante Maiakovski

disse adeus à estupidez.

Com uma navalha

acariciando o pulso,

Iessenin, angelical,

despediu-se do tédio,

escreveu com sangue seu último suspiro.

Há também os que tomam cianureto,

e ainda, mais comumente,

os que saltam dos edifícios.

Quanto a mim, será mais terrível.

Comigo será diferente.

Farei meu ato-de-fé,

dançarei um ballet invisível

e cantarei a invenção da cigarra.

Ah, seguirei cantando e cantando.

 

Não. Não tenha pena da minha voz,

nem é preciso me dar a mão.

Apenas seguirei cantando

(e ninguém pode impedir que eu cante)

até que você se espante

com a última sílaba do meu coração.

 

Tagore Biram (1958-1998) era pseudônimo de Ubiratan Moreira, homenageando o poeta indiano Rabindranath Tagore. Natural de Olho D’Água, antigo Distrito de Anicuns-GO, atual Município de Americano do Brasil, era versátil e de militâncias diversas. Entre seus livros, Flauta Noturna (1981), Poemas do Amor e da Ausência (1985), O Anjo Desafinado (1988), El Enderezador de Vientos e Poesia Pasajera, deixando os inéditos Muro de Berlim e Poemas de Santiago. Vivendo no exterior, onde portava respeito, teve obras traduzidas, participou de eventos internacionais, ganhou premiações. Praticando mais e mais ideias, atuou no jornalismo e no mercado publicitário. Em Campo Grande-MS (onde também morou, trabalhou), o auditório na sede da TV Educativa foi inaugurado com o nome dele e, em Tirúa (Chile), um Centro Cultural leva seu nome. Dados: www.antoniomiranda.com.br

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