‘Sobrenome x prontuário: o herdeiro do mito x estadista e administrador’ – Gilson Romanelli [Artigo
‘Quando colocamos os dois perfis na balança, a comparação não é apenas desproporcional; ela é irônica’.

Gilson Romanelli

Ronaldo Caiado (dir.) e Flávio Bolsonaro – Fotos (Arquivo): Divulgação
Parece que vivemos em uma era onde o sobrenome pesa mais que o prontuário de serviços prestados. O cenário político brasileiro, especialmente no campo da direita, apresenta um paradoxo que desafia a lógica elementar e beira o surrealismo: a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em detrimento de nomes com a envergadura de Ronaldo Caiado.
É quase fascinante – de um jeito sombrio –, observar como o fenômeno do bolsonarismo atua como névoa densa, capaz de cegar eleitores que outrora pregavam a meritocracia e a competência técnica.
O currículo de vendedor de chocolate versus o currículo de administrador de um Estado
Quando colocamos os dois perfis na balança, a comparação não é apenas desproporcional; ela é irônica.
Flávio Bolsonaro: qual é a sua grande experiência administrativa? Gerir uma franquia de chocolates? O senador parece acreditar que governar uma Nação de 200 milhões de pessoas é extensão natural de ser filho do homem. Seu histórico é marcado menos por projetos de lei e mais por explicações sobre rachadinhas e movimentações atípicas. É a política do DNA: o mérito reside no sobrenome, e a competência é uma herança genética que, aparentemente, dispensa prática.
Ronaldo Caiado: aqui, falamos de um animal político em sua forma mais refinada. Caiado não caiu de paraquedas na direita brasileira ontem. Ele é o opositor raiz, aquele que enfrentava o PT e o MST quando muitos dos atuais patriotas sequer sabiam o que era uma urna eletrônica.
A vitrine de Goiás: números contra narrativas
Enquanto um lado oferece posts de Instagram e a mística do clã Bolsonaro, o outro entrega números que são difíceis de ignorar, mesmo para o mais fervoroso militante:
Ronaldo Caiado (PSD), tem experiência legislativa com cinco mandatos de deputado federal, um mandato de senador, por sinal dos mais atuantes, por último foi experimentado no Executivo como governador reeleito, em ambas as eleições ganhou no primeiro turno, transformou Goiás no Estado mais seguro do País, colocou Goiás no topo do Ideb Nacional, e deixou o Governo de Goiás como o governador mais bem avaliado do País, com índice de aprovação de quase 90%.
A cegueira bolsonarista e o suicídio político
Como pode uma direita que se diz consciente ignorar homem que recuperou as finanças de um Estado e o transformou em modelo de gestão, para apostar em um neófito administrativo? A resposta reside na patologia da idolatria. O bolsonarismo transformou a política em culto à personalidade, onde o mito e sua prole são infalíveis, independentemente da eficácia real.
Apostar em Flávio Bolsonaro – herdeiro de espólio político desgastado por tentativas de golpe, ineficiências que permitiram o retorno da esquerda e polêmicas familiares que envolvem de conspiradores a desertores –, não é apenas erro estratégico; é suicídio político.
Acorda, e arrocha direita!
Ronaldo Caiado se credencia pelo trabalho, pelo calo nas mãos e pela ficha limpa. Ele não precisa de tutor ou de pai para explicar quem ele é. Ele é a prova de que é possível ser de direita, ser firme contra o PT e, acima de tudo, saber governar.
Se a direita brasileira quer realmente endireitar o País e erradicar a esquerda do Poder de forma sustentável, ela precisa parar de olhar para o sobrenome e começar a olhar para o resultado. Escolher o filho do capitão em vez do governador do Brasil é admitir que a direita não quer um presidente, mas sim um herdeiro real. O Brasil não é uma monarquia de condomínio; é uma Nação que tem pressa de competência, e essa competência hoje tem nome: Ronaldo Caiado.
Gilson Romanelli reside em Goiânia, e é jornalista e analista político
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