SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Relação filhos/pais – quem manda mais

Existem muitos trabalhos e ensaios a respeito das relações pais/filhos. Revistas dedicadas aos temas, capítulos de livros, livros de autores escritores não especialistas, livros especializados, tratados, diretrizes, normativos dessas relações. Ou seja, trata-se de um intercâmbio social, de relações humanas das mais significativas, presentes na vida de toda humanidade, a que todos, literalmente todo homem ou mulher deveria se interessar, se informar, ler, estudar; ainda que esse leitor ou leitora não tenha filhos. E este é um direito inegociável, o de não ter filhos.

Vêm as razões aqui postas. Porque no mínimo, qualquer homem ou mulher no mínimo é filho ou filha, porque geração espontânea ou partenogenética, se restringe a poucos animais, como as abelhas, alguns peixes, alguns anfíbios e répteis. Agora, imagine, essa situação, uma lagartixa que chega para certa abelhinha e pergunta, onde anda o seu pai? E esta responde, eu não tive pai. As relações da abelha são assim, mãe/filha. Porque pode não ter pai.

Ao abordar de forma digressiva o tema, ele não deixa de ter sua relevância, sua abrangência para a sociedade em geral. Porque tendo em conta que “viver é perigoso” (Guimarães Rosa) e ao mesmo tempo dureza e responsabilidade, cada candidato a pai ou mãe, antes sê-lo deveria fazer um preparatório, um curso prático de como se haver nessa empreitada. Para se ter uma ideia, existem Países (Singapura, China) onde há essa preocupação oficial, do Estado, com cursos, treinamento de como criar, educar, dar instruções e formar um filho, além de rigidez com programa de governo de controle de natalidade. Trata-se da política do filho único. Também é um exagero política do filho único.

E sem delongas, chega-se ao cerne, ao âmago da questão maior, a de como vem se tornando a geração dos filhos de hoje, a relação pais/filhos. Os filhos e filhas de agora, são criados, engordados (crescidos e erados), sem os aplicativos fundantes de uma cidadania participativa e produtiva. Eles, em se falando de classes média e média alta. Esses adolescentes e jovens são criados sem esforços, sem tarefas de cuidar no âmbito doméstico (quartos de dormir, banheiros, roupas, tênis), não vivem sem ares-condicionados, inclusive nos automóveis que os transportam, comem do melhor prato, têm as melhores roupas, smartphones da moda e do ano e outros privilégios.

E mais, nos colégios onde estudam, não podem ser reprovados porque a relação pais/escolas se rege pelo código do consumidor: pagou, passou! Não podem ser repreendidos por monitores e professores. Aliás, conforme legislação e proteção de direitos humanos, esses adolescentes e jovens sequer podem ser admoestados por escolas e imaginem bem! pelos pais. Do contrário, podem sofrer processos, se denunciados pelos adolescentes e filhos ofendidos.

Ou seja, ao que parece esse estado de coisas, estamos assistindo a uma geração perdida. Que época, hein!?! Socorram-nos Deus e Jesus.

E com efeito, muito temos visto. E muitos de nós assistimos e não pouco, mas muito do quanto se modificou e deturpou a educação de crianças e jovens. De filhos e filhas. São as gerações desses nominados tempos pós-modernos. Mas, que modernidade é esta? Onde são esquecidos, negligenciados, menosprezados valores sociais, morais, éticos, civilizados e de normalidade convívio humano? Fixemos nesse sentido intimamente de convivência. Existir inseparável do outro, mas dele não estritamente e parasitariamente dependente. Ora, se posso ser um participante nas ações e energia desse repartir vivencial. Nessa divisão dos atributos e virtudes, belezas, bem-estares e bondades da vida em si. Devo contribuir. São princípios maiores de convívio humano, viver e cooperar!

Ao que parece, chegaram os avanços das ciências, o progresso tecnológico, as conquistas de reivindicados direitos humanos. Fica esta provocação – Aos direitos humanos não se devem como contraponto os também deveres humanos? Em tempo e por sentido de justiça. Não significa que modernidade e avanços técnico-científicos são culpados pela degradação das pessoas, a partir do processo educacional oriundo das famílias. Não. Longe desta consideração.

Educação e formação correta e padrão de uma criança, adolescente e jovem nunca tiveram uma baliza do certo e do padrão, do isto pode e isto está vetado. Entretanto, existem erros e vícios grosseiros e muito perceptíveis na educação e criação de filhos e filhas. Criaturas engordadas, eradas, crescidas, sem crivos educativos que possam transformar esses educandos em cidadãos úteis e participativos.

Sempre existiram filhos e filhas, moços e moças que tiveram aquela criação por demais protetiva, mimada, arrimada e sem os limites e corretivos quando esses e essas cometem as incivilidades, as rebeldias, as desobediências a quem quer que seja: pais, avós, idosos, professores, babás, monitores, tutores. Quantos não são certas famílias, formando certos clãs, que geram filhos e pessoas classificadas como problemas? As estatísticas exibem esses tais e quais. São os caracteres deformados hereditários. Uma herança social familiar. Os píncaros desses nocivos modelos são dinastias de delinquentes e contraventores, nos mais variados estratos sociais.

Tornamos então à questão. Não significa que modernidade e tecnologias de ponta como internet, smartphones, Redes sociais, mídias digitais sejam vilões nessa construção de pessoas problemas, de indivíduos desadaptados e disfuncionais. Não, não se chega a essa insanidade de demonizar as tecnologias, quem pensa são as pessoas. Tecnologias são neutras. Entretanto, esses objetos e recursos colocam esses tais em evidência e profusão. Porque os usuários, jovens e adolescentes, têm-nas como fonte de prazer, futilidade e diversão. Muitos e muitos jovens não querem nada com trabalho, esforço, estudo sério, sofrimento. Pari passu com a modernidade foram necessárias as clínicas de conserto de pessoas e experts em reparo de gente deformada, de caráter, moral e emoções (psicoterapias e terapeutas de famílias, adolescentes, pais e filhos).

E assim, temos então o perfil desses jovens dos tempos modernos. São indivíduos descolados das responsabilidades habituais até mesmo nas tarefas de higiene, de cooperar no arranjo de uma casa, de mantença dos objetos de uso pessoal. Carecem sempre das roupas passadas, dos banheiros limpos, ambientes climatizados (ar-condicionado), boas comidas e roupas. Ninguém pode esfalfar, ralar, trabalhar na convivência. Geração folgada. Que mundo! Que geração é essa, os folgados, os mimados, os príncipes e as princesas da casa. A geração dos Peter Pans, os que não querem amadurecer, porque na origem estão as famílias desses tais, quais e quejandos indivíduos: jovens, robustos, corados, músculos de ferro, cérebro estagnado porque não conseguem as habilidades tão vitais de sobrevivência, o laborar, o elaborar mental e cognitivamente, zumbis sociais, porque além do mais, dependentes de quase tudo para viver. Irre! Homessa!

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