CULTURA & EDUCAÇÃO

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‘Jesus dos passos’ – A. G. Ramos Jubé

A sua cruz, Senhor,

A sua cruz imensa de sacrifício,

a sua cruz sobre o ombro ferido

eu quero para mim.

Vejo você no altar, imagem ensanguentada,

o manto roxo de ultraje,

a cabeça no martírio dos espinhos,

e sinto medo, Senhor!

 

Você foi perseguido.

Houve quem o apontasse na rua

dizendo, aquele subleva o povo.

E o prenderam.

E espalharam sua carne de renúncia e doçura.

 

Paira sobre mim, miserável,

essa cruz de sacrifício.

Eu tenho medo, Senhor,

vendo-o no altar, ensanguentado e submisso,

carregando no ombro o madeiro do suplício.

 

II

Visito a capela,

Senhor Bom Jesus dos Passos,

templo que devotos irmãos ergueram há dois séculos.

Onde está você, como se lá chegasse

ao cimo do monte da caveira,

para a dramatização do cruento ato final.

 

Contemplo-o, meu bom e doloroso santo,

genuflexo sob a cruz na primeira queda.

Na sexta-feira, a hora noturna, as luzes se acendem,

não mais a solitária noite de agonia no Horto.

 

E clamo, Senhor dos aflitos,

derrotado em meu jardim-das-oliveiras interior:

– Passa de mim o cálice!

Passa de mim o cálice!

 

A. G. Ramos Jubé, registrado Antônio Geraldo Ramos Jubé (29/01/1927-05-01-2010), nasceu na cidade de Goiás-GO. Filho de Antônio Benedito R. Jubé e Maria Isabel da Veiga Ramos Jubé, publicou, em 1950, sua primeira obra: Cantigas do Meu Amor. Também era advogado (foi promotor de Justiça), jornalista, crítico de Literatura, professor de literatura e, membro da Academia Goiana de Letras (AGI) e da Academia Goiana de Letras (AGL). Também cursou letras neolatinas. Jesus dos passos é poema integrante do livro Lira Vilaboense

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