‘EDITORIAL’ – Edição 308 (16 a 30/06/2019) – ‘Publicidade hoje: mais viva que nunca’
Em mais uma publicação dos escritos de Rafael Sampaio (respeitado, correto autor e consultor em marketing e propaganda), a verdade de que a propaganda permanece firme e forte. Confira.
A morte da propaganda é uma lenda urbana
Ao contrário do que se escreve e diz nos últimos anos, a história da propaganda estar em decadência e à beira da morte é apenas uma lenda, disseminada pelos novos profissionais e empresas – agências, consultorias, fornecedores e veículos –, que no fundo querem apenas ocupar o espaço dos players tradicionais.
Primeiro, vamos aos números: em 2010 o mercado global de propaganda era de quase 400 bilhões de dólares; para este ano a previsão é de 563 e, nesse intervalo, houve crescimento contínuo e consistente em todos os anos, entre 4,2 e 5,6%.
Outro papo recorrente é que a propaganda hoje é radicalmente diferente. Pode ser na forma, porque na essência permanece como descrita por Claude Hopkins em Scientific Advertising, livro lançado em 1923, ou seja, há um século.
A tal da “personalização” é o tradicional marketing direto com tecnologia. Nada essencialmente muito diferente do que David Ogilvy, Lester Wunderman e Bob Stone fizeram na década de 1950 e 60 ou que Ed Nash, que popularizou o termo database marketing, não tenha proposto nos 1980.
Os fundamentos de maior impacto da chamada “comunicação por conteúdo” estão na era de ouro do rádio, a partir de 1930, com as soap operas produzidas pela P&G, Lever e suas concorrentes, e que entraram com toda a força no mundo da TV.
Sem falar em um projeto como o Guia Michelin, que popularizou os guias de viagem na França e Europa e tinha como objetivo final promover a marca e a venda de pneus. Sua primeira edição é de 1900.
A mistura de “conteúdo” com o que hoje se chama de digital influencer como se fosse uma grande revolução tem suas raízes no tie-in, merchandising ou merchan que nasceu no cinema, há coisa de 100 anos, se desenvolveu no rádio e floresceu na TV, a partir da década de 1960.
A estratégia de criar uma onda de “RP e boca a boca”, através de uma peça publicitária, já era comum nos anos de 1950 e 1960, como comprovam as campanhas de Howard Gossage para a Qantas, a Lockheed e a ilha caribenha de Anguilla.
Assim, a próxima vez que você ler ou ouvir sobre a morte da propaganda lembre-se que se trata de uma lenda urbana, sem bases na realidade, e que a publicidade está hoje mais viva que nunca, cresce continuamente e torna-se mais pervasiva em nossa sociedade.
Ela não morre, mas se atualiza, se aperfeiçoa e continua essencial para assegurar nosso modo de vida, nossa economia e até nossa produção cultural de massa.
- 07/06/2026 23:42:47 - ‘O fato novo na Paraíba: defensor fiel de Ronaldo Caiado mete o pé na porta’ e entra forte na corrida para o Senado’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 01/06/2026 01:15:42 - ‘Tarzan de Castro: a voz inquebrantável da resistência e o legado vivo de um homem cosmopolita’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 01/06/2026 00:44:01 - ‘A diplomacia da submissão: como o clã Bolsonaro alinhou-se aos EUA e comprometeu a soberania nacional’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 25/05/2026 19:06:50 - ‘O desafio do compliance entre a publicidade remuneratória e o direito antitruste’ – Mariana Piva Zadra David [Artigo
- 24/05/2026 08:03:45 - ‘Fenômeno do bolsonarismo: entre a alienação coletiva e o longo caminho da reconstrução nacional’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 23/05/2026 12:04:24 - ‘EDITORIAL’ – Edição 474 (16 a 31/05/2026) – ‘Algoritmos, aliciamento, demência...’
- 22/05/2026 09:12:08 - ‘Zacharias Calil: o médico que separa siameses e une ciência, ética e política, rumo ao Senado’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 17/05/2026 11:20:37 - ‘O porquê de o governador Daniel Vilela continuar governando Goiás’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 12/05/2026 21:01:40 - ‘EDITORIAL’ – Edição 473 (1º a 15/05/2026) – ‘Visão, câncer, algo além...’
- 12/05/2026 19:14:29 - “Anselmo Pereira, ‘Prefeito de Honra’: o arquiteto da Goiânia moderna e seu legado de 11 mandatos”
- 05/05/2026 23:58:15 - ‘Alego devolve R$550 milhões do duodécimo ao Tesouro Estadual para obras de infraestrutura’ – Gilson Romanelli [Artigo
- 30/04/2026 00:16:31 - ‘EDITORIAL’ – Edição 472 (16 a 30/04/2026) – ‘Suas crianças. As telas. Os perigos!’
- Ver todo o histórico


