‘EDITORIAL’ – Edição 304 (16 a 30/04/2019) – ‘Jornalismo e publicidade x redes sociais’
Rafael Sampaio, excelente profissional, disse, em entrevista para a Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP): “Temos que vender nosso negócio todo dia, explicar para o anunciante que quando ele sai das mídias, perde vendas, enfraquece a marca e perde no longo prazo. Temos que contar isso para o cliente todo dia.”
Autor e consultor em marketing e propaganda, tem artigos publicados frequentemente no jornal O Popular (Goiânia-GO) e, em outros veículos de comunicação.
Este Editorial transcreve, sem adaptações, artigo do mesmo, de 15 de abril de 2019, intitulado Comunicação pública.
“Todos correm o risco de minimizar o papel da imprensa em geral e da publicidade em particular”.
Mal compreendida e subutilizada por muitos, a publicidade é um eficiente instrumento de gestão pública quando empregada com propósito, inteligência, estratégia e qualidade.
Quanto ao propósito, a publicidade tem a missão de informar, cooptar, convencer, obter apoio, suporte e colaboração. Tudo isso para cumprir tarefas de utilidade pública, informação e até institucional, que construa a maior unidade possível de visão e posição sobre um determinado ponto de vista, gerando um processo de “comunhão social”, que estabelece as comunidades de interesse da sociedade.
Com inteligência, pois não se pode esquecer que a publicidade vai procurar se comunicar com pessoas sobrecarregadas de estímulos, cheia de problemas pessoais, familiares e profissionais para cuidar e que oscilam entre a apatia e a hostilidade em relação à comunicação pública.
Com estratégia, porque a missão a cumprir sempre será bem maior que os recursos disponíveis, que sempre serão escassos em termos relativos e absolutos. E com qualidade porque a publicidade pública não irá competir com outras eventuais mensagens do gênero, mas com o melhor que toda a publicidade estará fazendo no momento de sua veiculação.
Bem-feita, a publicidade é com toda a certeza um dos mais eficientes e eficazes instrumentos de gestão pública. Com o fenômeno das mídias sociais, porém, não são poucos os dirigentes públicos, de todos os poderes e níveis da federação, que passaram a acreditar na possibilidade de estabelecer comunicação direta com a população.
Isso é ainda mais preocupante no caso dos que foram eleitos com um uso intenso dos recursos da internet, caso do pioneiro Obama, de Trump e Bolsonaro. Todos correm o risco de minimizar o papel da imprensa em geral e da publicidade em particular, o que prejudica a capacidade de gestão das expectativas e suporte da população.
O que todos esquecem é o fato de que nas mídias sociais eles falam para seus grupos mais próximos de admiradores e defensores, não com o conjunto da população e seus principais segmentos, com os quais têm a obrigação funcional de se comunicarem. Além de tudo é essencial manter o engajamento e elã de seus defensores e dos que lhes suportam, de modo a conquistar e não perder entusiastas. Através das relações corretas com a imprensa e pelo uso adequado da publicidade.
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