‘EDITORIAL’ – Edição 467 (1º a 15/02/2026) – ‘Investindo na saúde mental’
‘Cada pessoa necessita sempre investir na saúde mental própria’.

Passou janeiro, os meses de 2026 se sucederão, mas o movimento, a campanha Janeiro Branco necessita permanecer – Foto: © Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Passou janeiro, os meses de 2026 se sucederão, mas o movimento, a campanha Janeiro Branco deve permanecer na mente de cada pessoa, que, sim, necessita sempre investir na saúde mental própria.
Confira tópicos de suma importância, transcritos, sob adaptações, de textos de Agências noticiosas:
-Reconhecer os limites pessoais e saber quem você é, é essencial para atravessar o início do ano de forma mais leve. O Janeiro Branco convida a população a refletir sobre hábitos, relacionamentos, autoconhecimento e o consumo digital e isso inclui evitar cobranças desnecessárias e aceitar a própria realidade. “A saúde mental depende também da forma como lidamos com expectativas externas e de como aceitamos e vivemos a realidade que temos. As pessoas precisam entender que cada jornada é única e que não existe um ‘jeito certo’ de começar o ano, e que viver uma vida com sentido e propósito, faz toda a diferença em suas escolhas para o ano novo”, afirma a psicóloga Ana Maria Rodrigues (Janeiro Branco: como a pressão das redes sociais afeta a saúde mental no início do ano).
Em seguida, trecho (sem adaptação) do artigo Saúde mental e desigualdade social, de André Naves, defensor público federal:
O Janeiro Branco chega como um chamado à responsabilidade sobre a saúde mental. Contudo, esse chamado só será verdadeiramente efetivo se deslocarmos o debate da esfera puramente individual para o centro de nossas estruturas sociais, econômicas e políticas. A saúde mental de uma Nação é o reflexo de sua Justiça Social. E o que vemos nesse espelho, hoje, é a imagem da desigualdade.
Para entendê-la melhor, precisamos falar sobre CUIDADO. O cuidado – com nossos filhos, nossos idosos, nossas pessoas com deficiência –, é a viga mestra da Dignidade Humana, a argamassa que sustenta a sociedade. No Brasil, essa estrutura é mantida, em grande parte, pelo trabalho não remunerado e subvalorizado das mulheres. Dados da pesquisa Estatísticas de Gênero do IBGE são avassaladores: mulheres dedicam quase o dobro do tempo (21,4 horas semanais) aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, em comparação com os homens (11 horas).
Ainda, quando aplicamos a lente da raça, a injustiça se aprofunda sobremaneira. São as mulheres negras que arcam com a carga mais pesada. Segundo o IPEA, mulheres negras dedicam, em média, 7,7 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado do que homens brancos. Elas representam a maior parte (65%) das trabalhadoras domésticas, uma categoria marcada pela informalidade e baixa remuneração.
Essa sobrecarga crônica não é apenas fonte de cansaço físico; é um fator de adoecimento psíquico clinicamente diagnosticado: estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout. O Estado, ao se omitir, privatiza uma responsabilidade coletiva, depositando-a nos ombros de quem já carrega o peso histórico do racismo e do machismo estrutural.
A essa crise do cuidado, somam-se duas outras forças corrosivas: a precarização do trabalho e a desigualdade de renda. A “uberização” da economia e a informalidade, que atinge quase 40% da força de trabalho no país, criam uma legião de trabalhadores sem direitos, sem previsibilidade e sem rede de proteção. Como pode um indivíduo cuidar de sua saúde mental quando não sabe se terá renda no fim do mês? A insegurança econômica é, em si, uma forma de violência psicológica.
A desigualdade de renda no Brasil, com os 1% mais ricos detendo 28,3% da renda nacional (World Inequality Report), transforma o acesso à saúde mental, incluídos o lazer, o esporte e os tratamentos –, como terapia e psiquiatria –, em um privilégio de classe, e não em um Direito Universal de Saúde.
Como se não bastasse, vivemos imersos em uma terceira crise: a da sensualidade digital. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, afetando quase 10% da população.
As redes sociais, em seu atual modelo desregulado, operam como uma arapuca de ansiedade. Não por acaso, o brasileiro passa, em média, mais de 9 horas por dia online, sendo um dos povos que mais consomem redes sociais globalmente. A performance da felicidade, o culto à imagem perfeita e a comparação social constante criam um ambiente tóxico para a autoestima..
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