‘Antífona de Sábado Santo’ – Pedro Casaldáliga
Um expressivo exemplo da obra do religioso Pedro Casaldáliga, em colaboração de Antônio Eckert, do Grupo Teatral Limpando o Olho (GTLO com sede em Uruaçu-GO), que conviveu com Casaldáliga.

Desenho: Cerezo Barredo
O pranto vegetal
do incenso. E a água.
E o fogo da pederneira…
Porque hoje tudo começa,
hoje fala o elementar.
E o Verbo se faz Luz
na carne lavrada da cera…
Como em Belém tua Mãe, na gozosa
alvorada do teu Natal,
sobre este berço de imortalidade,
no retorno do amor, vela a tua Esposa.
Nem o dia. Nem a aurora.
Nem os homens… Tu, Noite veladora
entre as flores do pomar!
Só tu sabes a hora!
A andorinha do Aleluia
voltou!
Teu Corpo é a Primavera.
Todas as rosas se resumem
nas tuas cinco rosas novas.
Quando Ele chegou
que horas marcava, Mãe,
teu Coração?
(Enquanto não chegava,
marcava a hora
da esperança).
Mas quando chegou,
que horas marcava?…
Tu, a primeira. Havia de ser Tu.
Até que veio te ver,
não havia ressuscitado inteiramente!
Hoje, Mãe Fonte, ressuscitado,
me renovo na morte do Batismo,
para tornar a ser, já homem, o mesmo
que nasci de teu seio imaculado.
Eu serei tua testemunha de Sábado:
como este exultante Diácono!
Pedro Casaldáliga (1928-2020), nascido em Balsareny, Província de Barcelona, na Espanha, e falecido em Batatais-SP, foi bispo, ativista em defesa de diferentes causas marcantes, escritor. Naturalizado brasileiro, tornou-se conhecido internacionalmente por defender os direitos humanos, especialmente dos povos indígenas e marginalizados, e devido posições políticas, religiosas a favor dos mais pobres. Também, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), defensores de indígenas, comunidades tradicionais e trabalhadores do campo. Colaboração: Antônio Eckert, do Grupo Teatral Limpando o Olho (GTLO), sediado em Uruaçu-GO, que conviveu com Casaldáliga no Mato Grosso
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