‘A saga do santo cavaleiro’ – Marcelo Bragança Rua
Quando chego já é tarde
Não enxergo mais o vale, os javalis, rios e beija-flores
As gazelas, montanhas e borboletas
Enquanto a montanha ao longe em chamas arde
As gentes do povo, suas vidas e seus amores
A fauna, flora e vida se tornam obsoletas.
Cavalgo por vales arrasados e florestas devastadas
Atravesso rios que secaram
Contemplo vilas incendiadas
Horrorizado eu vejo quantos aldeões pereceram
A estiagem começou quando o reino vizinho declarou guerra
Trazendo consigo uma criatura feroz
Soldados inimigos ocuparam nossas terras
Com seu monstro de proporções inimagináveis e apetite voraz.
Sua boca é uma ferida sangrenta
D’onde pinga seu veneno e o sangue dos inocentes
Uma chaga pustulenta
Pingando o ácido que destruiu tantas vidas decentes.
O Dragão mandou celebrar uma missa
Para celebrar suas virtudes,
Seu orgulho e sua vaidade, a ganância e a cobiça
E assim glorificar suas atitudes.
O mundo anda repleto de labirintos e armadilhas,
Mas não vá cair em suas artimanhas
Tenha fé em seu potencial,
Pois a boa-fé remove montanhas
E todos nós temos algo de especial.
Vamos pegar em armas e defender nossas famílias
Do monstro que vendeu nossas riquezas
E corrompeu sua alma,
Deturpou os seus valores e nos prendeu na armadilha.
Meu soberano dê a ordem:
É chegada a hora e também o momento
Temos de servir e proteger o povo
Vamos cavalgar e empunhar espadas
Para a paz reinar de novo
Meu soberano dê a ordem:
Cabe a nós silenciar o seu lamento
E fazer nossa nação crescer de novo.
Protejo os camponeses e resgato as donzelas
Sou cavaleiro da reluzente armadura
Vou ao museu das já em desuso boas vontades
Recordar da Vida que era menos dura
A Morte, um vento distante
E as pessoas mais leves e puras.
(1998)
Marcelo Bragança Rua, carioca, escritor (autor de dezenas de livros lançados), poeta (denominado Poeta do Rock), desenhista de quadrinhos e letrista de bandas de rock. Clique aqui e acesse conta dele no Facebook, espaço onde publica poesias
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