CIÊNCIA NO COTIDIANO

WOLNEY HELENO DE MATOS

WOLNEY HELENO DE MATOS é biólogo e professor efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) – Câmpus Uruaçu

Sinais de fumaça: alerta para a sua saúde

No último mês, notícias sobre queimadas têm sido frequentes nos principais meios de comunicação nacionais. Temos acompanhado perplexos a incêndios florestais de grandes proporções na Floresta Amazônica, inclusive nos territórios vizinhos da Bolívia e Peru. Mas não é só a floresta que arde em labaredas nesta época do ano. O inverno brasileiro é característico por ser um período de estiagem em todo o território nacional, sendo mais severo em algumas regiões, como por exemplo no Centro-Oeste do Brasil.
Com mais de três meses de estiagem, a vegetação natural, pastagens e áreas cultivadas (por exemplo, canaviais) tornam-se extremamente inflamáveis, dessa forma qualquer fagulha encontra combustível suficiente para iniciar pequenos focos de incêndio que tendem a se alastrar e tomar grandes proporções, caso não sejam contidos no início. Não bastassem as queimadas anuais em áreas naturais e cultivadas da zona rural, o ambiente das cidades também se transforma em um verdadeiro inferno. Isso porque muita dessa fumaça acaba circulando pela atmosfera e atingindo os centros urbanos.
Além disso, em algumas cidades, como Uruaçu, parte da população local cultiva o péssimo hábito de promover pequenas queimadas diárias, que em conjunto, contribuem de modo significativo para deixar a qualidade do ar ainda mais ruim e prejudicial à saúde da população, inclusive daqueles que queimam. Mesmo a fiscalização, acompanhada de aplicação de multa por parte da Polícia, Ministério Público e Secretaria Municipal de Meio Ambiente, não tem sido suficiente para abolir esse desastroso e nocivo hábito cultural de queimar folhas e lixo nos quintais, ruas e lotes baldios da cidade.
Por muitas vezes me pergunto: qual a dificuldade das pessoas em recolher folhas secas e lixo e destinar esse material para a coleta semanal de resíduos? Sabemos que esse material, quando devidamente acondicionado, é levado para o lixão municipal (outro tema digno de um artigo) pela coleta urbana de lixo. Não há justificativa aceitável para não dispor o lixo produzido em sua residência de forma correta e adequada, mesmo que esse lixo inclua folhas secas de árvores do quintal ou das calçadas. Os únicos motivos que encontro são: 1) falta de esclarecimento e conhecimento sobre os efeitos nocivos da fumaça para a saúde da população; 2) má-fé daqueles que mesmo cientes dos danos à saúde, insistem em continuar praticando este crime ao meio ambiente e aos seus concidadãos.
Para o primeiro motivo há remédio e queremos, com este artigo, dar nossa contribuição. A fumaça liberada pelas queimadas é formada por uma mistura de gases tóxicos que permanecem circulando na atmosfera. Um dos gases mais nocivos dessa mistura é o monóxido de carbono – CO. Este gás, extremamente perigoso quando inalado, impede o sangue de transportar gás oxigênio para as células do nosso corpo. Isso pode causar um processo inflamatório em todo o organismo, afetando de forma mais grave órgãos como coração e pulmões. Para se ter uma ideia da toxicidade desse gás, quando inalado em ambiente com pouca ou nenhuma circulação de ar, causa a morte em poucos minutos. Mesmo em espaço aberto, com circulação de ar, sua inalação prolongada pode levar à morte pessoas com saúde mais frágil, como crianças e idosos.
Médicos afirmam que a inalação da fumaça das queimadas pode agravar doenças respiratórias (asma, bronquite, rinite, sinusite, alergias, pneumonia, insuficiência respiratória, problemas no coração e doença pulmonar obstrutiva crônica). Em casos mais graves, a exposição prolongada a esses poluentes pode aumentar o risco de câncer de pulmão. Há também muitos casos de pessoas saudáveis que acabam desenvolvendo alguma destas doenças em virtude de exposição diária aos gases tóxicos liberados pelas queimadas. É preciso ressaltar que a inalação cotidiana de fumaça causa sintomas como tosse seca, falta de ar, dificuldade para respirar, dor e ardência na garganta, rouquidão, dor de cabeça, lacrimejamento e vermelhidão nos olhos.
Portanto, se você tem o hábito, ou conhece alguém que costuma atear fogo em folhas secas ou mesmo lixo no quintal de casa ou na rua, faça o alerta expondo os graves danos à saúde causados pela exposição de toxinas liberadas no ar pelas queimadas. Não custa muito acondicionar esse material de forma adequada e colocar na lixeira para que os trabalhadores da coleta de resíduos sólidos urbanos deem a destinação “adequada”. Preserve sua saúde, de seus familiares, vizinhos e de toda a população, evite queimadas na sua casa, na vizinhança e na cidade, conscientize as pessoas dos males causados pela fumaça e denuncie à Polícia Militar, Ministério Público ou Secretaria Municipal de Meio Ambiente, aqueles que insistirem na prática deste crime e ameaça à saúde da comunidade.

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