Ministério da Saúde abre consulta pública sobre inclusão de vacina da dengue no SUS
Comissão nacional avalia imunizante Qdenga, que já está disponível na rede de saúde privada e pode ser aplicada em pessoas nunca antes infectadas pelo vírus da dengue. Importante convocar a população para essa consulta pública.

Com eficácia de 80%, o esquema vacinal do imunizante é composto por duas doses, aplicadas por via subcutânea, com intervalo de três meses entre elas – Foto: Rafael Nedermeyer/Fotos Públicas / Agência Senado
O Ministério da Saúde abriu dia 7 de dezembro, consulta pública sobre a proposta de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) da vacina Qdenga, contra a dengue, considerando o cenário epidemiológico e a projeção para o próximo verão, com a possibilidade de aumento de casos da doença. O imunizante Qdenga, a segunda vacina contra a doença no País, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março e está disponível nos laboratórios privados para pessoas com idade entre quatro e 60 anos.
De acordo com o epidemiologista do Laboratório Padrão/Grupo Fleury, José Geraldo, a vantagem do imunizante é que ele pode chegar a um número maior de pessoas. “Diferente da anterior, a vacina Qdenga pode ser aplicada em quem nunca teve dengue. A primeira e única vacina até então autorizada no país, a Denguevaxia, do laboratório Sanofi Pasteur, era recomendada somente para quem já contraiu algum sorotipo da doença, protegendo contra uma possível segunda infecção”, explicou o médico especialista em vacinas. Com eficácia de 80%, o esquema vacinal do imunizante é composto por duas doses, aplicadas por via subcutânea, com intervalo de três meses entre elas. “Vale lembrar, essa vacina não protege contra os vírus Zika e Chikungunya”, alertou o epidemiologista.
A vacina está em avaliação pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que recomendou a incorporação do imunizante inicialmente para localidades e públicos prioritários que serão definidos pelo Programa Nacional de Imunizações. A consulta pública ficará disponível por um período de dez dias.
A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti. O médico explica que a doença é causada por quatro sorotipos de vírus – até então identificados no Brasil, que causam um quadro clínico semelhante. “Portanto, indivíduos residentes em áreas endêmicas podem, ao longo de suas vidas, serem infectados pelos quatros tipos de vírus. Essa nova vacina é composta de versões atenuadas desses sorotipos do vírus causador da dengue. Ou seja, nela estão vírus vivos enfraquecidos. Depois da aplicação, o sistema imunológico identifica esses sorotipos atenuados como estranhos e começa a produção de anticorpos contra eles. Quando a pessoa for exposta ao vírus, o sistema imunológico vai reconhecê-lo e pode produzir mais anticorpos para neutralizar o agente infeccioso antes que ele cause a dengue”, esclarece.
Sintomas
O vírus causador da dengue é transmitido para humanos por meio da picada de mosquitos fêmea Aedes Aegypti infectados. Após o período de incubação, de quatro a dez dias, um mosquito infectado é capaz de transmitir o vírus pelo resto de sua vida. Geralmente o mosquito reproduz utilizando-se da água parada para depositar seus ovos. Daí o aumento de casos no período das chuvas.
Os principais sintomas da dengue são febre, dor de cabeça e mal-estar. Com o passar dos dias podem surgir manchas vermelhas na pele. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, dentre outros sinais e sintomas podem indicar formas graves da doença.
Vale lembrar que existem testes rápidos e moleculares (PCR) para o diagnóstico da dengue e podem ser realizados via planos de saúde, mediante pedido médico. Eles devem ser realizados, preferencialmente, nos primeiros cinco dias de evolução dos sintomas clínicos. Após este período, devido à diminuição da viremia, pode ocorrer a não detecção de cópias virais, impossibilitando a tipagem do vírus.
(Comunicação)
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