Poetisa, escritora e compositora Irany Wolney Aires: uma perda marcante

Personagem importantíssima de Dianópolis-TO, com história e atuação que ultrapassaram gerações e fronteiras, a matriarca estava com 91 anos.

Irany Wolney Aires: nome expressivo em Goiás/no Tocantins – Foto, inclusive da home: Acervo da família / Screenshot / jornal Liras da Liberdade

 

Falecida na madrugada do sábado 6 de junho, em Palmas-TO, Irany Wolney Aires viveu plenamente 91 anos, em exemplo ímpar de dedicação a família e a causas diversas.

Pessoa versátil e sem abrir mão da honestidade, simplicidade, religiosidade, foi cidadã, esposa, mãe (os filhos proporcionaram, proporcionam outras gerações). Também poetisa, escritora e compositora, integrante da Academia Dianopolina de Letras

Entre os filhos, o juiz, escritor, poeta Abilio Wolney Aires Neto (articulista do JORNAL CIDADE, via coluna Painel Cultural), e o servidor da Comarca de Anápolis, Zylmar Póvoa Aires.

 

Atuação com honradez

Em transcrição adaptada do jornal Liras da Liberdade (lirasdaliberdade.com.br), um resumo da atuação da honrada matriarca:

Nascida na baiana Barreiras em 23 de dezembro de 1934, Irany era filha de Abílio Wolney e Filomena Teles Fernandes Miranda. Dianópolis, antiga São José do Duro, ocupa lugar central na memória da família Wolney e na formação simbólica de sua obra. Segundo histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o antigo Distrito de São José do Duro recebeu o nome de Dianópolis em 1938.

Escritora e compositora, Irany foi membro fundadora da Academia de Letras e da Academia de Artes de Dianópolis. Sua produção literária e musical se reuniu, sobretudo, em Meus Versos e Canções, publicado no ano 2003 e relançado em 2009 pela editora Kelps (Goiânia-GO). A obra reúne poemas e dezoito composições musicais em ritmos distintos, da valsa ao bolero.

Entre suas composições, destaca-se No Horto das Oliveiras, canção religiosa que reafirma a presença da narrativa cristã em sua escrita. Já o poema A Natureza em Festa, posteriormente musicado e interpretado por Mônica Póvoa no CD Meu Deus é Rei, sintetiza uma das marcas centrais de sua poética: a contemplação da natureza como epifania do divino.

No Dicionário Crítico das Vozes Femininas da Literatura em Goiás, a trajetória de Irany aparece sob o título A poética da harmonia e do sagrado. O verbete situa sua voz no campo da literatura regional tocantinense, marcada por interioridade, fé, religiosidade, família e natureza. Sua obra, nessa leitura, reafirma a sacralidade do cotidiano e a música como linguagem de transcendência.

O prefácio de Meus Versos e Canções, assinado por doutor Abilio Wolney Aires Neto, é atravessado pela memória afetiva. Ao apresentar os versos e canções da mãe, o filho recorda os aniversários de 23 de dezembro, as reuniões familiares em Dianópolis e os poemas entoados “ao violão plangente”, como celebração íntima de uma vida dedicada à palavra, à fé e aos familiares.

 

Homenagens

O Liras informou também que em nota conjunta de pesar, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), o Instituto Cultural Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe) e a Associação Goiana de Imprensa (AGI) lamentaram a morte: ‘Aos familiares e amigos, nossos sentimentos e votos de conforto espiritual nesse momento de luto’.

O velório foi realizado na sede da Igreja Sagrada Família, desde 15h do sábado. O sepultamento ocorreu no domingo 7, por volta das 7h30, no cemitério de Dianópolis. Tudo isso em meio aos atos de homenagens de outras partes e representações, de pessoas de todas as origens, pois a mesma era, é, será eternamente merecedora.

 

(Jota Marcelo. Com fonte citada e atualizações)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo Protegido!!