Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 17 de novembro 2019

Governo libera licença ambiental e Serra Verde visa renascimento de espírito minerador de Minaçu

Governo de Goiás entrega licença ambiental e garante retomada do crescimento em Minaçu. Executivo da Mineração Serra Verde comenta que, além de agregar valor à economia da cidade nortense, existe a missão de fazer renascer o espírito minerador da localidade. Desde 2013, a liberação da licença era aguardada. Investimento será da ordem de R$580 milhões, com mais de 1,5 mil empregos iniciais.

 

Governador Ronaldo Caiado (dir.) esteve em Minaçu para liberar implantação da Mineração Serra Verde: “O povo está com vontade de ter sua carteira assinada, voltar ao trabalho, e ter o seu sustento”. Luciano de Freitas Borges (esq.), executivo da empresa: “Nossa prioridade será cada vez mais integrarmos essa comunidade e agregarmos valor à economia do Município” – Fotos: Secom/Governo de Goiás

 

Licença ambiental para que a Serra Verde possa operar é um marco na história de Minaçu, salienta o prefeito Zilmar Duarte. Evento em Minaçu contou agrupou dezenas de autoridades e outras personalidades locais e da região

 

Governo libera licença ambiental e Serra Verde visa renascimento de espírito minerador de Minaçu. Investimento da ordem de R$580 milhões, com mais de 1,5 mil empregos diretos iniciais

 

Fundada em 2008, através de um fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos, a Serra Verde produzirá concentrado de terras raras em nível de classe mundial a ser implantado em Minaçu, que sediou em 7 de junho evento para oficializar a entrega da licença ambiental à Mineração, que projetou investir a média de R$580 milhões, proporcionando durante um ano e seis meses de implantação, mais de 1,5 mil empregos diretos e seis mil indiretos. O ato público reuniu também autoridades públicas de todas as esferas, outras lideranças locais e da região; comerciantes; e, populares.

Luciano de Freitas Borges, presidente executivo da Serra Verde, disse, ao discursar, que o intuito visa ainda fazer renascer o espírito minerador de Minaçu, que se viu em dificuldades financeiras com o encerramento das atividades da Sama Minerações, empresa do grupo Eternit e proprietária da mina de amianto crisotila Cana Brava. O Supremo Tribunal Federal (STF) baniu o uso do amianto no Brasil, medida provocadora de impacto na economia municipal, que até janeiro tinha 30% de sua arrecadação provenientes das atividades do empreendimento.

“Queremos contratar ao máximo de mão de obra local. Nossa prioridade será cada vez mais integrarmos essa comunidade e agregarmos valor à economia do Município”, relatou o executivo, pontuando que Minaçu contabilizará cerca de $1,5 milhão circulando em salários dos trabalhadores, mais entre $28 milhões e $32 milhões em impostos gerados pela Serra Verde, que tem sede administrativa em Goiânia.

Até o momento, a empresa investiu mais de $270 milhões em pesquisas sobre os minerais presentes na região. Esse investimento, por si só, já ajudou a economia minaçuense, mostra de que a implantação do empreendimento nasceu forte e, que depois dessa fase das obras, a Mineração explorará o concentrado de terras raras, composto de 17 elementos químicos que pode ser utilizado em aplicações diversas – produção de ímã de alta potência, usado na geração de energia limpa, como turbinas eólicas e carros elétricos; catalisadores na indústria de petróleo; equipamentos médicos (ressonância magnética, laser), produção de luminescentes para a indústria óptica eletrônica; fabricação de supercondutores; entre outras utilidades.

Em dados da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Luciano Borges afirmou que, se a mineração faz parte da história de Minaçu em sua origem, “a Mineração Serra Verde continuará fazendo parte da história dessa comunidade no futuro”. Comunicando que esse primeiro investimento é só na primeira fase e que a cidade tem jazidas para exploração durante séculos, detalhou: “Se o mercado pedir, depois de instalada, a nossa primeira unidade de produção tem flexibilidade para ampliar. Há reserva mineral suficiente”. Oficializando que Goiás é o pioneiro na exploração de terras raras ecologicamente sustentável, informou que Minaçu tem um dos maiores depósitos de terras raras em argila iônica do mundo. “Só a China que explora terra rara em argila iônica. Usa sulfato de amônia, um material caro, importado e delicado. Nós usamos sal de cozinha e reciclamos 100% do sal de cozinha com tecnologia desenvolvida aqui”, explicou, acrescentando: a Serra Verde reciclará 100% da água que usar na mina.

O JORNAL CIDADE apurou que Serra Verde adota métodos que não agridem o meio ambiente e, que não haverá tanques de rejeitos tóxicos e outros resíduos que ofereçam riscos ecológicos enormes.

 

Governador e prefeito

Durante sua fala, Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, categorizou se tratar “da ‘mão de Deus’. Graças ao trabalho do nosso Governo, em especial a Secretaria do Meio Ambiente, cumprimos a nossa palavra e avançamos na autorização da licença, que entregaremos ao presidente da Serra Verde para que comece a instalação”. Caiado citou esperar que a implantação da empresa – etapa dos 18 meses –, seja colocada em prática de imediato. “O povo está com vontade de ter sua carteira assinada, voltar ao trabalho, e ter o seu sustento. É o sonho de todos nós. Não existe programa social mais importante do que garantir emprego ao cidadão”.

Relembrando que o concentrado de terras raras é fundamental para adentrar em mercado disputado por Países, como a China, Caiado manifestou, em dados da Secretaria de Comunicação (SECOM) da gestão estadual: “Já que temos o produto no Brasil, que hoje é um dos metais mais cobiçados pela indústria de ponta, pedi que pudéssemos trazer para cá algumas empresas para não sermos apenas exportadores de terras raras, mas ter indústrias que venham a desenvolver essa tecnologia”.

Prefeito de Minaçu desde 1º de maio, sucedendo o então titular-colega de chapa Nick Barbosa (DEM – que foi cassado pelo Poder Legislativo), Zilmar Charalabopoulos Duarte (PTC) avalia a nova realidade como um marco para o Município e que aquela data se tornou ímpar na história do Município.

“Me sinto lisonjeado, pois considero um reinício para Minaçu. Essa licença e as demais outorgas, que nos trouxeram de surpresa, foram um verdadeiro presente para o nosso povo. Todos sabem que a mineração é o berço da renda econômica de nossa cidade”, ressaltou o popular Zilmarzinho.

 

Secretária e senador

Secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis narrou que a entrega do documento encerrava a semana do Dia Mundial do Meio Ambiente com chaves de ouro. “Tivemos uma semana intensa. Lançamos o programa Juntos Pelo Araguaia, de recuperação e revitalização ambiental. Hoje, tenho a honra de contar que estamos fechando a semana com 53 licenças ambientais, trezentas e cinquenta outorgas e a nossa tão esperada licença de Minaçu, da Serra Verde”.

Em rede social, o agradecimento de Caiado: ‘O meu muito obrigado à secretária de meio ambiente, Andréa Vulcanis, que tanto trabalhou para fazer esse ‘sonho’ se tornar realidade e, também aos secretários de Indústria, Comércio e Serviços, Wilder Morais e, de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Adriano Rocha Lima.’.

Já o senador Luiz do Carmo (MDB) – na iniciativa privada, ele atua no ramo da mineração –, elogiou Caiado pelo empenho na causa, evidenciando: o ato por Minaçu foi inédito. “Há muitos anos venho aqui, tenho empreendimento na cidade. Mas a grande diferença hoje é ver um governador sair da capital e vir aqui em Minaçu entregar uma licença ambiental. Isso nunca aconteceu na história de Goiás”.

Wilder Morais garantiu que a licença para a Mineração Serra Verde chega em momento que a população sofre com o fechamento da Sama. “Imaginem a angústia das famílias! Mas, a sensibilidade do governador e a competência de nossa secretária proporcionam essa conquista em um momento difícil”, opinou, anunciar ainda a assinatura de novos protocolos de intenções para a instalação de novas empresas em Goiás. “Se Deus quiser, até o final do ano, vamos superar o que foi feito nos últimos quatro anos”, fez previsão.

Na solenidade, Ronaldo Caiado, Andrea Vulcanis e Wilder Morais receberam Títulos de Cidadão Honorífico Minaçuense. Também participaram da cerimônia, além dos listados anteriormente na reportagem, os deputados estaduais Bruno Peixoto (MDB; líder do Governo na Assembleia Legislativa) e Delegado Eduardo Prado (PV); José Nelto (Podemos), deputado federal; Admilson Seabra (PSDB), presidente da Câmara Municipal anfitriã e, outros vereadores.

 

‘Precisamos muito’

Em texto, adaptado, da Secom, frisa-se: na cadeira em dos cantos do saguão, Joel dos Santos Ferreira acompanhou a movimentação em torno da chegada da comitiva do governador ao Aeroporto de Minaçu, onde trabalha como vigilante há dois anos. Goiano de Carmo do Rio Verde, vive há 40 anos na localidade, quando chegou para trabalhar nas barragens de Serra da Mesa e Cana Brava – Como vigilante, atuou de 1986 a 1996. “A vida era bem difícil, mas promissora. Depois que a Sama se instalou, a cidade chegou a ter 45 mil pessoas. Com o tempo e a crise, as divisas deixaram de circular. Agora então…”, lamentou.

Apesar do emprego como servidor da Prefeitura garantir mais tranquilidade, juntamente com os “bicos” para render aquele extra, ele vê com apreensão a situação da cidade. “Minaçu deu uma baqueada feia com o fechamento da Sama, principalmente o comércio”, apontou, sob preocupação maior: muitos colegas que trabalhavam na Sama estão desempregados. “Muitos amigos foram despedidos e estão no aperto, vivendo da rescisão, pagando as contas com seguro-desemprego. E não é um ou outro. São vários.” Para Joel, é fundamental a instalação do novo negócio e a reabertura da antiga. “Precisamos muito. Estamos contando demais com isso. Não tenho conhecimento de comércio que fechou, mas o movimento caiu bruscamente. As divisas pararam de circular. Em minha opinião, o governo federal não pensou nas famílias.” Perguntado se confia na retomada da economia da cidade, foi firme: “Eu acredito, com certeza. O governador Caiado vai fazer diferença.”

 

Terras raras

Em dados da empresa, a Serra Verde vai extrair terras raras no Município de Minaçu, a partir de 2020. No momento, a empresa trabalha na construção de sua infraestrutura. Serão gerados, inicialmente, mais de 200 empregos diretos. Em razão do alto valor de mercado desse tipo de minério, seu impacto na economia de Minaçu, segundo Luciano de Freitas Borges, será maior do que o da indústria do amianto.

As Terras Raras têm usos industriais diversos, difundidos; no entanto, as Terras Raras mais valiosas são aquelas ligadas às tecnologias de ímãs usadas em veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos (Nd, Pr, Dy, Tb). As Terras Raras têm vários usos em veículos elétricos e turbinas eólicas. Espera-se que com o aumento previsto na eletrificação de veículos, ocorra também um aumento da demanda de Terras Raras.

As Terras Raras também são usadas extensivamente em eletrônica, incluindo smartphones e tablets. 17 elementos químicos da tabela periódica formam as Terras Raras, dos quais 16 são usados em smartphones. Especificamente, neodímio, térbio e disprósio, dão aos smartphones o poder de vibrar. O térbio e disprósio também são usados em telas sensíveis ao toque para produzir as cores de um display de telefone.

 

(Jota Marcelo. Com fontes informadas)

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