‘Dia de Reis’, uma data religiosa histórica cultural
Em artigo, professora com atuação na capital Goiânia salienta que celebrar o ‘Dia de Reis’ lembra ‘o encontro entre culturas, entre fé e tradição, entre o humano e o divino’.

Andréa Prado de Azevedo comenta: ‘Data marca o encerramento do ciclo natalino. É nesse momento que, tradicionalmente, as famílias desmontam presépios e guardam os enfeites de Natal’ – Foto (Arquivo)/evento em Uruaçu-GO., inclusive da home: Divulgação
Chega mais um Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro. Ao mesmo tempo, representações religiosa, histórica e cultural, antes e durante a referida data, as atividades sensibilizam milhões de pessoas no Brasil.
No artigo Mais que tradição, o Dia de Reis é metáfora da nossa busca pela luz que guia, a professora Andréa Prado de Azevedo (Goiânia) destaca ser a data ‘um convite à reflexão: assim como os Reis Magos se colocaram a caminho, cada cristão é chamado a buscar a luz que conduz a Cristo’.
Para a educadora, a estrela que guiou os Reis ‘simboliza a fé que ilumina e orienta, mesmo em meio às incertezas. É uma mensagem atual, que nos lembra da importância de cultivar esperança e solidariedade em tempos desafiadores.’
Leia o artigo, abaixo.
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‘Mais que tradição, o Dia de Reis é metáfora da nossa busca pela luz que guia’ – Andréa Prado de Azevedo
O dia 6 de janeiro é marcado pela celebração do Dia de Reis ou Dia dos Santos Reis, também conhecido como Solenidade da Epifania do Senhor. A palavra “epifania” vem do grego, podendo parecer complexa a princípio, significa “manifestação”, “aparição”. E é justamente isso que a data recorda: a primeira revelação de Jesus como o Messias, reconhecido e adorado pelos Reis Magos.
Segundo o Evangelho de Mateus, três sábios vindos do Oriente, que a tradição cristã nomeou como Melquior, Gaspar e Baltasar, seguiram a Estrela de Belém até encontrar o Menino Jesus. Eles levaram presentes simbólicos: ouro, representando a realeza; incenso, sinal da divindade; e mirra, que antecipava o sacrifício de Cristo. Esses elementos ajudam a compreender a profundidade espiritual da cena: não se trata apenas de uma visita, mas de um reconhecimento universal da missão de Jesus.
O Dia de Reis também marca o encerramento do ciclo natalino. É nesse momento que, tradicionalmente, as famílias desmontam presépios e guardam os enfeites de Natal. Esse gesto simboliza que a celebração do nascimento de Cristo se completa com a sua manifestação ao mundo. Assim, o Natal não é apenas uma festa familiar, mas um anúncio de esperança que se estende a todos os povos.
Além do aspecto religioso, a data carrega forte valor cultural. Em várias regiões do Brasil, especialmente no interior, ainda se mantêm tradições populares como as Folias de Reis, grupos que percorrem casas cantando e celebrando a visita dos Reis Magos. Em Portugal e na Espanha, é comum o preparo do bolo-rei, recheado de frutas e com pequenos brindes escondidos. Essas práticas revelam como a fé se mistura à cultura, criando laços comunitários e transmitindo valores de geração em geração.
A data é um convite à reflexão: assim como os Reis Magos se colocaram a caminho, cada cristão é chamado a buscar a luz que conduz a Cristo. A estrela que guiou os reis simboliza a fé que ilumina e orienta, mesmo em meio às incertezas. É uma mensagem atual, que nos lembra da importância de cultivar esperança e solidariedade em tempos desafiadores.
Celebrar o Dia de Reis, portanto, é mais do que recordar um episódio bíblico. É reconhecer que a mensagem de Jesus ultrapassa fronteiras e continua a inspirar gestos de fé, cultura e fraternidade. Ao desmontar e guardar os enfeites natalinos, não encerramos apenas uma festa: reafirmamos que a luz do Presépio permanece acesa no coração daqueles que, como os Reis Magos, se dispõem a seguir o caminho da fé.
Mais do que uma lembrança histórica, a data é um convite aos cristãos. Assim como os Reis Magos se colocaram a caminho, cada pessoa é chamada a buscar sua própria estrela, aquela que aponta para valores de solidariedade, justiça e fé. A narrativa dos Reis Magos nos ensina que a verdadeira sabedoria não está apenas em conhecer, mas em reconhecer a presença de Deus que se manifesta nas pequenas coisas da vida, em momentos diversos.
Celebrar o Dia de Reis é, portanto, celebrar o encontro. O encontro entre culturas, entre fé e tradição, entre o humano e o divino. É recordar que, no Presépio, não estavam apenas Maria, José e o Menino, mas também aqueles que vieram de longe, representando todos os povos. E é nesse gesto de adoração que se revela a mensagem mais profunda: Jesus veio para todos.
Andréa Prado de Azevedo é professora de Língua Portuguesa no Colégio Marista Goiânia
(Jota Marcelo. Com fonte citada)
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