Educação padrão é tudo para a pessoa
‘Se mal criou e educou mal, o fracasso como pessoa útil e produtiva está garantido!’.

‘O que há de útil, construtivo e educativo na internet, em Redes sociais, em games e no Instagram para uma menina ou menino de dez anos?’, questiona o articulista – Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Vamos tomar como mote ou epigrafe dessa crônica as seguintes palavras e expressões: demência digital, mais tempo na mesa do que nas telas, mais olho no olho uns dos outros, mais tempo à mesa do café e do almoço em boas conversas com os convivas, filhos e crianças não nascem com limites e a eles precisa ser ensinado esses valores.
O neurocientista francês Michel Desmurget disse no título de um de seus livros, Fábrica de Cretinos Digitais. Vivemos nesta sociedade onde pais e mães, babás, e todos à volta dos filhos e crianças de uma casa são os executivos nessa empreitada. Já é muito bem consolidado este entendimento: uma criança inicia qualquer aprendizado mimetizando, repetindo, imitando os adultos à sua volta. E quais adultos, em especial? A mãe, o pai, a babá, os irmãos mais velhos, os tios, as tias. Como colocar limites de uso e tempo de exposição às telas de celulares e tablets, se mãe, pai e cuidadoras estão constantemente conectados às futilidades e frivolidades das Redes sociais? Impossível.
E os chamados bullyings de que sofrem os filhos nas escolas e outros ambientes. São os apelidos jocosos e de chacotas; são a rejeição por uma característica de personalidade ou contato social, um detalhe físico ou anatômico! A melhor estratégia: os próprios pais trabalharem tal questão sensível e com impacto negativo na autoestima do filho, da filha. Há de se buscar a direção da escola, chamar os agressores, os pais dos agressores, em último caso e solução, mudança de escola.
Em se tratando seletivamente da questão da relação de uma criança com as telas de que objeto e objetivo for. Com as escusas de pais, escolas e educadores que pensam diferente. O que há de útil, construtivo e educativo na internet, em Redes sociais, em games e no Instagram para uma menina ou menino de dez anos? Nada, absolutamente nada. Não é sem razão que Países mais desenvolvidos estatuíram que adolescentes abaixo de 16 anos não podem ter Rede social. Austrália, Nova Zelândia e Islândia como exemplos. Soa demencial, tal liberdade e concessão: uma criança que não sabe as quatro operações de aritmética, não sabe ler, não sabe copiar um texto, ter acesso às telas de um celular. Soa demente e irracional. No Congresso brasileiro, continuam esses debates, do quantum, em que idade devem as crianças ter acesso à internet e suas derivadas, as antissociais Redes sociais.
Dia desses eu confrontei certa mãe, do convívio íntimo e parental. Por que o filho, já na madureza da vida e da idade, no crepúsculo da 3ª década etária, por que ele continuava como um hóspede da casa, comida sempre feita na hora, chuveiro sempre pelando mesmo a uma temperatura ambiente de 30º, por que não lavava o tênis próprio, por que o quarto de dormir era sempre um muquifo, por que não comia comida reaproveitada das sobras do almoço, por que não colaborava com algum serviço mais custoso e pesado da casa; e, ela, mãe, sempre preferia fazer?????? Resposta curta: “Eu criei ele assim e vai ser sempre assim”, arrematou a mãe. Sem volta. Eterno retorno, conforme Nietzsche. Se mal criou e educou mal, o fracasso como pessoa útil e produtiva está garantido!
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