[Texto: Jota Marcelo] – Memória: já são duas semanas! Sem fim, tristíssimo estou e estarei. Jamais me separei dela, humilde e bondosa. Ao mesmo tempo, orgulhosíssimo de tê-la por genitora, matriarca! Uma extraordinária vitoriosa constante!

Benedita Lopes dos Reis (Dona Ditinha): bondade sempre! – Fotos, inclusive da home: Marcello Dantas (neto dela)
Dentro do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), hospital sediado em Goiânia, no qual se internou na madrugada de 10 de julho, minha querida mãe Benedita Lopes dos Reis (Dona Ditinha) descansou nos braços de Deus Pai, na data 14 de julho de 2026, às 19h44, após diferentes problemas de saúde! Jamais, absolutamente, me separei dela em meus quase 60 anos!
Tristíssimo estou e estarei sempre. Ao mesmo tempo, orgulhosíssimo ao extremo de tê-la por geradora, matriarca!
Conquista de alto quilate em minha vida, satisfação veemente: nunca a ofendi, maltratei, desrespeitei, desonrei. Para com ela, em hipótese alguma faltei com a educação, alterei a voz! Me bateu 0 (zero) vezes.
Meu agradecimento especial e infinito diante das pessoas que ajudaram minha Rainha! Obrigado efusivamente, Deus, por permiti-la conosco por 88 anos, quatro meses e nove dias (nascida em 5 de março de 1938, na zona rural da histórica Santa Cruz de Goiás)! Por volta dos 16 anos (1954) mudou para Goiânia, se estabelecendo em Uruaçu dia 9 de outubro de 1963.
Dona Ditinha teve os filhos Antônio César (falecido em 15 janeiro de 2023 [causas naturais]), Jota Marcelo, Motta Filho e Isomar Lopes. Virou avó e bisavó, por meio de todos eles.
Em viagem final significativa, a acompanhei no carro funerário na volta a Uruaçu, de onde a mesma saiu dia 27 de fevereiro de 2020 em ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu [com o filho aqui ao lado]), para se internar na capital, vítima de intenso acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, cinco dias antes (22), que a deixou 100% acamada e totalmente dependente, além de ter perdido quase toda a memória.
Durante esses seis anos e cinco meses, foi muito bem cuidada diariamente, sob coordenação total de três pessoas: eu, minha esposa Márcia Cristina e nossa filha Fernnanda Christina. Sem cessar, lamentar, reclamar, nos tornamos cuidadores integrais, 24 horas/dia, de alguém que otimamente cuidou de nós (e de outros parentes) por décadas. Não podia ser diferente, face a consideração verdadeira tremenda dos três por Dona Ditinha, que diretamente ajudou centenas de pessoas e milhares indiretamente!
Homenagens
O velório da pessoa que diariamente diversas vezes continuo, continuarei lembrando foi realizado no salão da Pax. No cortejo fúnebre urbano, alteração de rota, com passagem por toda a rua Minas Gerais, bairro São Vicente, via pública para onde mudou em maio de 1977, depois de residir na rua Rio de Janeiro (outubro de 1963 a fevereiro de 1976); e, na hoje avenida Parará, em três diferentes endereços (fevereiro de 1976 a maio de 1977). O sepultamento ocorreu no cemitério Jardim das Oliveiras.
Na Catedral uruaçuense Sant’Ana, dia 20, e, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges (Goiânia), dia 21, bonitas Missas de 7º Dia.
Isso, com a presença de familiares, amigos, conhecidos, vizinhos e autoridades.
Em todas as opções, manifestações, saudações de pêsames, atitudes agradecidas carinhosamente pela família. De uma profissional da Saúde Pública goianiense: “Sempre Deus coloca pessoas boas na minha vida. Amém!”. Outra pessoa relembrou: teve a fome interrompida diferentes vezes através de apoios da perfeita cozinheira, que fez isso com outras pessoas.
Poesias para a mãe
No início de 2024, Rodrigo Kramer, expressivo nome da cena cultural do Norte goiano, fez contato com o autor destas linhas, o convidando para participar Sarau da Jezebel Show, evento literomusical do Coletivo Gaffurina, Ponto de Cultura dirigido por ele e pela esposa Larissa Kramer, sediado em Uruaçu existente desde o ano 2012 e que lida com atividades, eventos culturais – música autoral, literatura e artes visuais, literárias, poéticas e afins.
Convite feito, de pronto aceito. Era 3 de fevereiro, quando a atração ganhou praticidade, com exibição no canal do Coletivo no YouTube, e poesias proferidas de Jota Marcelo e outros seis escritores/poetas indo ao ar, em apresentação de Larissa Kramer (também apresentadora da leitura de cada poesia): Meire Carvalho, José Carlos Camapum Barroso (Zeca Barroso), Carlos Henrique Alves do Rego (Carzem), Shannon Sousa, Mariano Peres e Sinvaline Pinheiro.
Outros atrativos do episódio: Larissa Kramer interpretou músicas autorais do compositor e esposo Rodrigo Kramer (que a acompanhou no baixo), explorando a envolvente temática do amor ágape, criando juntos tal versão lúdica do Sarau da Jezebel.
Ao formular o convite, Rodrigo Kramer sugeriu algo versando sobre amor ágape, o carinho legal incondicional, altruísta, sacrificial, correto do filho para com a matriarca, o amor natural, verdadeiro, que transforma e faz mudar, sem comportamentos irregulares, extravagantes. Assim, nasceu a minha poesia Amar, pois Deus ama e tudo supre.
Quando da internação de Dona Ditinha em Goiânia, no mês de fevereiro de 2020, Jota Marcelo criou numa madrugada, passando a noite no hospital Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) com a mãe, o poema Quarto…, publicado no livro As Tranças de Ana, na antologia poética organizada pelo escritor e poeta Itany F. Campos, lançada em 2023.
Um ciclo especial de vida, uma gigante, grande pessoa, na minha opinião vitoriosa constante, sem derrotas. Valeu, valeu, valeu demais, enorme Dona Dita, a quem fui, sou e serei grato para a posteridade! Que sua alma descanse em paz máxima!
Abaixo, as poesias. Leia!
‘Amar, pois Deus ama e tudo supre!’
Como Drummond deixou em ‘Memória’:
‘Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão’.
E, na história dos povos, Deus domina tudo
Inclusive, sabe por completo sobre cada ser humano,
com seus passados, presentes e futuros.
Nesse tempo de vida comprometida com minha mãe Benedita,
Cada detalhe vale preciosidades sejam quais forem as lidas.
Mulher de caridade que cuidou de todos, além de filhos de terceiros,
Nunca fugiu da simplicidade e com vasto coração
ajudou muitos de todas as idades.
Enferma desde 2020 no leito de uma cama para sempre,
nos faz prestar atenção – ainda mais –, na serenidade que carrega
desde nova, época da moradia em Santa Cruz com total paz.
Santa Cruz de Goiás/do nome do lugar onde nasceu e cresceu,
do Estado sede, da Santíssima Cruz do mesmo Deus,
Partindo depois para a capital, adiante tomando o rumo de Uruaçu!
Décadas e, lá está a mamãe numa nova temporada em Goiânia,
Em dias de silêncio causado por ela mesma.
Deus, que pode mais e mais, tem o poder de findar,
Extremamente mais que linda, mamãe já garantiu lugar infinito em nossos corações.
Uma gigante que repousa, olhada por nós e pelo amor de Deus.
Deus que ama e protege os seus!
Viva o amor materno e ela, o amor fraterno e raro, o amor paterno Divino!

Benedita Lopes dos Reis: da zona rural de Santa Cruz de Goiás, morou também na capital Goiânia e no Norte goiano
‘Quarto…’
Aparelho
Benedita
Corpo
Deus
Esperança
Feridas
Gastrostomia
Hospital
Internação
Jó (Paciência de)
Kit
Leito
Mãe (Avó, bisavó)
Noite (E dia)
Oração
Pulmonar
Quarto (Antes, UTI, Semi e UPA)
Reflexão
Saúde
Traqueostomia
Uruaçu (E Goiânia)
Vida
WC (Foi AVC)
X (Raio)
Yes (!. Sim!)
Zelo

Dona Ditinha: mulher especialíssima! – Imagem: Acervo/Benedita Lopes dos Reis
O primeiro poema em vídeo pode ser assistido clicando aqui!
José Marcelo Lopes dos Reis (Jota Marcelo)


