Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 24 de março 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

TIs e doenças mentais – A internet e as redes sociais como gatilhos para doenças mentais e o suicídio

Muitos têm sido os debates, muitas têm sido as conferências, muitas têm sido as hipóteses a respeito das causas e fisiopatologia (mecanismo) das doenças mentais. Trata-se de espectro  muito  amplo em classificação diagnóstica, com uma prevalência sempre  crescente nos últimos anos.

A estatística é tão alarmante que a maioria das afecções psíquicas se tornou de domínio e conhecimento popular. Dificilmente se tem uma família sem um membro isento de  algum transtorno psíquico ou psiquiátrico.

Assim são os casos useiros e vezeiros dos transtornos de ansiedade, de depressão, de ideação suicida entre outros. Outra questão intrigante e curiosa se refere ao arsenal terapêutico ao alcance dos profissionais de saúde e mesmo da população leiga, com mais uma característica intrigante. Muitos desses produtos farmacêuticos têm se tornado populares. Uma das explicações se dá pelo fenômeno tão comum e cultural da automedicação. Outra razão, agora profissional, se refere à prescrição irrestrita da maioria dessas drogas, pela maioria dos profissionais de saúde. Aliás, existe até um mercado paralelo e pirata desses medicamentos, em muitas farmácias e na internet, onde não se exige receita médica. A indústria farmacêutica investe cada vez mais na síntese de drogas derivadas e novas substâncias como tratamento para as doenças mentais. Tornou-se um mercado atrativo e lucrativo, de milhões e milhões de dólares. Que ainda não ouviu falar das fluoxetinas, dos citaloprans, das sertralinas, dos diazepans, dos clonazepans, dos zolpidens e tantos outros nomes de domínio popular?

As estatísticas da patologia mental é outro dado atormentador para as famílias e as políticas de saúde mental. Os estudos demonstram que cerca de 50% das pessoas sofrem, sofreram ou sofrerão de algum tipo de transtorno psíquico e/ou psiquiátrico. Quem de fato recebe esses dados com uma avaliação alvissareira tem sido os laboratórios farmacêuticos pelos lucros exorbitantes com a fabricação e venda de seus produtos.

São os ansiolíticos, os antidepressivos, os hipnóticos e sedativos. No tocante a origem, à gênese, são múltiplas as causas das afecções mentais. Tomemos como exemplo o diagnóstico da ansiedade. Ela pode ser episódica, temporária, de leve a severa intensidade. Pode simplesmente representar um sintoma de um outro fenômeno, uma circunstância negativa. Como exemplo, a submissão a uma prova escolar, de um concurso de ingresso a um emprego, uma desavença pessoal, conjugal ou de relações empresariais, perda do emprego, prejuízo financeiro, etc. O mais importante nesse tipo de ansiedade é a sua transitoriedade. Nem sempre exige tratamento, porque cessada a causa o paciente volta ao seu estado emocional de normalidade. Assim, fica esta forma de ansiedade caracterizada como fisiológica, um processo reativo da própria natureza de sensibilidade de cada pessoa.

Tirantes os casos secundários dos exemplos acima temos os conjuntos clínicos classificados como endógenos. São os tipos de depressão endógena ou transtorno de ansiedade endógeno. E por que do termo endógeno?

Constituem aquelas pessoas que sem nenhuma causa social, ambiental desenvolvem esses diagnósticos. Podem ocorrer em qualquer idade. Os últimos estudos e trabalhos científicos têm demonstrado que existem alterações neuroquímicas desencadeantes desses processos clínicos. Pesquisas comparativas têm provado déficit de alguns hormônios neurais.

Muitas análises têm documentado que podem ter muitos casos de natureza genética e hereditária. O indivíduo teria em seu genoma algum gene que o tornaria vulnerável a depressão ou ansiedade endógena.

A participação genética ou hereditária tem sido então uma das importantes chaves como explicação para muitos transtornos mentais. E essa participação tem como elo final as mudanças no homeostase dos chamados hormônios neurais (exemplos: dopamina, serotonina, endorfinas). Uma dessas substâncias neuroquímicas muita em voga é a serotonina; considerada como o hormônio do prazer e da alegria. Tanto assim que a maioria dos antidepressivos de ponta tem como efeito aumentar a concentração cerebral dessa substância. Consequentemente, reduzindo os sintomas de tristeza, abatimento psíquico e perda de alegria e prazer em quase tudo na vida (anedonia, é o termo médico para o desprazer).

Uma gravíssima questão enfrentada pela sociedade e pelas famílias se refere ao suicídio. A ideação ou fabulação suicida tem sido um drama, uma tragédia enfrentada pelas famílias desses pacientes. Todavia, existe prevenção e ela começa com aquele (s) parente (s) mais próximos do paciente que porta esses fatores de risco.

Ele (risco de suicídio) pode ocorrer em qualquer idade, pode ser o desfecho final de um quadro clínico grave de depressão ou transtorno de ansiedade.

Muito se tem debatido, muitos são os pareceres, muitas dúvidas persistem sobre os mecanismos íntimos e psíquicos que levam um indivíduo a perder completamente o interesse pela vida. O que se tem de aceito, de forma consensual, é que a ideação suicida e o cometimento do suicídio têm causas intrínsecas ou endógenos, nos mesmos moldes de uma depressão, mas há também as causas secundárias de variada natureza.

Uma causa que tem despertado interesse da psicologia e psiquiatria e mesmo das autoridades tem sido o suicídio induzido ou estimulado por alguns tipos de jogos. O mais conhecido é o da Baleia Azul, onde o adolescente ou jovem é desafiado a automutilação até o cometimento do suicídio. Os criadores e promotores de tais games certamente têm um pacto com o diabo. É o mínimo que se pode dizer de tais criminosos. É questão mais policial e criminal do que propriamente médica e psiquiátrica. Esse conluio ou enredo diabólico, desses jogos do mal, provam mais uma vez do quanto ainda prospera o lado podre, nocivo e destrutivo da internet, com as suas tão atrativas, populares e corrosivas redes sociais. Por isso não custa repetir e pedir aos familiares, tutores, cuidadores, educadores uma atenção redobrada, notadamente, no concernente aos limites e disciplina aos filhos; e, saber, ao menos, com quem eles falam e andam, inclusive com que “amigos“ e contatos da internet e das tão massificadas e pernósticas redes sociais (ops, na verdade, antissociais e criminosas, nesses casos).

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