Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 19 de junho 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Psique do futebol – Psicanálise das torcidas e comunicações de futebol

Uma matéria que deveria merecer mais estudos, seja pela psicologia, seja pela neurofisiologia (neurociência), seria o fenômeno das torcidas de futebol. Trata-se de um fato de ordem planetária, talvez até em âmbito extraterrestre. Então, tem-se com essa constatação tal imperativo. Os mecanismos neurais e psíquicos que levam milhões de pessoas a se manifestar tão apaixonadamente, delirantemente, irracionalmente por esta e aquela equipe de futebol. Assim tais expressões de simpatia, de paixão que beiram a irracionalidade mereciam mais ensaios e trabalhos científicos. E não há!

No mês de julho de 2018, o planeta inteiro assistiu a Copa FIFA Rússia 2018. Torneio que reúne trinta e duas seleções dos cinco continentes. E mais uma vez vimos como se dá a paixão nos mais variados graus dos torcedores de futebol. São sentimentos que vão de simples gostos e admiração pelo esporte até as manifestações efusivas de alegria, delírio e destempero total. São manifestações ora de extrema alegria e felicidade, ora de muito choro, tristeza e depressão. Tais explosões de sentimentos ora na exaltação de alto bom humor, ora de raiva e até confrontos e brigas se dão na medida em que haja vitória ou derrota dos times em jogo. Trata-se de um fenômeno de massa humana, repita-se, de ordem mundial.

Falando-se mais seletivamente de Brasil, conforme bem pontuou o dramaturgo Nelson Rodrigues, constituímos uma pátria de chuteiras. Isto porque o País majoritariamente, além de torcer por algum time, torce para a seleção, principalmente na vigência de Copa do Mundo, realizada de quatro/quatro anos. A bola da vez foi a Rússia do Vladimir Putin. Dois são os fenômenos que levam o indivíduo a torcer para uma equipe esportiva. Falemos mais especificadamente da seleção de futebol. São os efeitos da sugestão (ou sugestionabilidade) e os efeitos manadas.

Em psicologia dá-se o nome de sugestão ao processo com que uma pessoa ou entidade exerce na decisão de outra pessoa. O mecanismo da sugestão abrange vários fatores. Como exemplos práticos desses fatores, quanto mais imaturo, psicologica e intelectualmente for o indivíduo mais susceptível ele será aos efeitos da sugestão. Nesse grupo de pessoas estão as crianças, adolescentes, os jovens, os analfabetos absolutos ou funcionais. Fazem parte desse grupo aqueles indivíduos que têm alguma natureza de déficit cognitivo ou crítico. O efeito sugestivo tem um papel construtivo, por exemplo, na educação da criança. Uma construção pedagógica.

O filósofo John Locke (1632-1704) foi o filósofo do empirismo. Sua teoria era de que todo conhecimento vem da observação do mundo e, era alinhado com os efeitos da sugestão e da manada. Teses contrárias ao inatismo de Platão.

O chamado efeito manada tem alguma semelhança com a sugestão, mas dela difere porque o indivíduo no sentido de nenhum ou mínimo esforço crítico e de tomada de decisão opta e acompanha a decisão de um grupo de pessoas. Quanto mais membros compuser esta manada (grupo) mais influência exercerá no individuo (torcedor). O efeito manada se faz ver em muitos cenários sociais e civis. O futebol representa em paradigma do fenômeno.

O efeito manada no futebol se dá em todos os estratos sociais, daí dever-se-ia merecer mais estudos e investigação das ciências do comportamento, como a psicologia e neurofisiologia. Tanto a influência da sugestão quanto do efeito-manada são enormemente exploradas pelos meios de comunicação em massa. Sobretudo, as redes de televisão que patrocinam as seleções esportivas. Existem nessas emissoras tanto o emprego da sugestão como o efeito manada.

Nesse sentido sempre que a seleção brasileira vai participar de alguma competição, a TV patrocinadora, no caso do Brasil, a Rede Globo, procede a uma antecipada e longa campanha de propagandas da participação da equipe esportiva. Tudo se dá nos moldes de uma dramaturgia. Todas as estratégias de arte cênica e marketing são postas em ação. Isto vai de exaltar os atletas como super homens, às vezes, como vilões também. Tudo vai depender do impacto que uma e outra manobra vai gerar no torcedor ou consumidor final. O fim último é satisfazer a grande audiência, o grande público consumidor das marcas e produtos dos patrocinadores.

Basta lembrar que a emissora patrocinadora da seleção vende o seu tempo, os minutos aos anunciantes e também patrocinadores. Quanto mais audiência mais caros os minutos de anúncio das marcas e produtos expostos aos telespectadores. É dentro de todo esse esquema de marketing, de chamamento, de vinhetas enfim,  que entram os resultados da sugestão e do efeito manada. Assim, indistintamente, todos, literalmente todos, entram de roldão na torcida pela seleção. Os fenômenos se dão tão intensamente que muitas dessas pessoas jamais se disporia a ouvir sobre futebol. Muitas outras tais sequer querem saber se a bola é redonda ou oval. O que para elas importa é participar daquele evento que soa como a chegada de um avatar ou Messias. Tal fenômeno é a quintessência da chamada sugestão e efeito manada.

Em conclusão, o certo é que todas as estratégias empregadas, tanto pelas redes de televisão quanto pelos fornecedores de marcas e produtos atingem os seus objetivos (fins). Invariavelmente os grandes patrocinadores, os anunciantes na televisão são os fabricantes de cerveja, ou seja, além de sugestão e do efeito manada as pessoas torcedores são como que entorpecidas e inebriadas por bebidas alcoólicas consumidas e compradas desses patrocinadores.

Todos são levados como bois em uma boiada (manada). Os repórteres, os âncoras e locutores fazem de suas locuções e transmissões genuínas melopeias e aboios na condução e sedução das massas, em explosão de alegria ou fúria. Todos, enfim, se passam por cordões e multidões de imbecis pelo incisivos efeitos da sugestão e efeito manada (no vulgo também chamado maria-vai-com-as-outras).

Em tempo: a administração do futebol brasileiro (CBF), sediada no Rio de Janeiro, onde governava o ex-governador e atual presidiário Sérgio Cabral, mostra um curriculum vitae assombroso. Dois últimos três presidentes da entidade, um está preso nos USA, aguardando o tamanho da pena que vai cumprir (senhor José Maria Marin). Dos dois últimos, um está foragido e escondido (homiziado) aqui no Brasil (senhor Ricardo Teixeira). O outro senhor, Del Nero, foi banido do futebol e também foragido da Justiça americana. Uma história bem parecida com nossos políticos na ativa e também cumprindo pena na Polícia Federal, em Curitiba-PR.

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