Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 23 de maio 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Preguiça… Os portadores de preguiça e outros pecados capitais

Uma vez mais debruço-me sobre o tema preguiça, essa condição de que muitos são acometidos. Na verdade, ela constitui um dos setes pecados capitais. Vícios ou pecados que são o orgulho, a ira, a luxúria, a inveja, a gula, a avareza e ela, a preguiça que em alguns tratados ou descrições é também referida como acídia. A preguiça (acídia) já é tema de filósofos, teólogos e escritores. Tomás de Aquino, Fernando Pessoa e Freud, por exemplo, escreveram sobre o vício de nada fazer, far-niente.

No Brasil, por uma questão cultural, genética e educacional pululam, vicejam os representantes tais. Infestam os casos de gente de preguiça. Alguns são tão deslavados que portam os outros pecados. Orgulho, muitos além de vagabundos e indolentes se ufanam de tê-lo.

Avareza, como um sujeito não tem posse de quase nada, ele se torna um mão-de-vaca e mesquinho. Ele nada distribui do que amealha na sua via vadia. E acima de tudo costuma ter inveja de outros que laboram. Tem preguiçoso que fica irado se lhe faz algumas reprimendas. Ele não gosta de ser tachado de improdutivo.

A luxúria, por quê? Nada tendo o que fazer o malandro tem tempo de sobra para gestos fesceninos e libertinos. Muitos se tornam dissolutos em sua faina de entretenimento.

Por outro lado, a gula. E para tal eles se tornam em autênticos comensais oportunistas e fila-boias. O preguiçoso e entregue ao estilo de vida de vagabundagem padece também de outros pecados. A lassidão e a indolência como exemplos. Se aplicar a lei da inércia ao preguiçoso, sua predisposição seria uma vez inerte, eternamente na inércia. Porque a sociedade sempre o encontrará improdutivo e nunca em qualquer agitação ou movimento laboral.

Na apreciação psicanalítica a preguiça é referida como acídia. Ela guarda uma quase equivalência a melancolia. O preguiçoso ou melancólico é também acometido de tédio, de fastio, do ócio improdutivo. No íntimo, ele sofre de asco, de rejeição aos esforços, a qualquer atividade construtiva. Segundo Tomás de Aquino o preguiçoso ou acídico pode sofrer de transtorno depressivo, de tristeza, a ponto de esse estado trazer algum dano ao corpo, o que hoje pode se referido como uma doença psicossomática.

Sigmund Freud foi outro que chegou a aventar que o preguiçoso afetado de inércia (apatia) e melancolia chega a perder a capacidade de amar.

Fernando Pessoa, o poeta português, alude à acídia em seus poemas. Para ele a vagabundagem, a improdutividade e inércia são filhos da preguiça. Entre os grandes pensadores temos Friedrich Nietzsche, que discorreu sobre a preguiça (acídia) e o ócio. Ele defendeu os preguiçosos. Disse em alto e em bom som, não fosse o ócio ou preguiça não teria o homem inventado a roda. É o que se constata lendo sua obra Assim Falou Zaratustra.

Revisitando as referências alusivas à preguiça ou acídia o que se tem de conclusivo é que todos os portadores desse estado mórbido e pessoal portam muitos estigmas negativos e rejeitados em todas as épocas sociais. Muitos dos estudos e autores como os referenciados dedicam ao tema no sentido de sua gênese e compreensão.

À luz e apreciação dos tempos modernos, quando se tanto valoriza o trabalho, a competição e produtividade, a preguiça, abstraindo-se do cunho cristão e teológico, sofre forte rejeição e intolerância. Porque se vive justamente num mundo de alta rivalidade profissional e operacional.

Usando o termo popular mesmo, preguiça, ao que sugerem as abalizadas e referendadas opiniões, ela pode ter uma gênese mista. Ou seja, uma predisposição genética, mas também ser uma marca comportamental do processo educacional do indivíduo. Processo porque vem da influência familiar. Uma criança, um adolescente ou jovem que recebe uma educação permissa, libertária e frouxa, sem limites, está na verdade sendo instruído, com alta probabilidade de acerto de se tornar um preguiçoso, além dos outros pecados capitais. A prática e a vivência de cada pessoa podem bem revelar o quanto pode existir de genética, de educação familiar e meio social nessa afetação psíquica e comportamental que acomete milhões de pessoas.

No meu entorno, dou conta de muitos parentes, contraparentes, aderentes e outros tais, cunhados, cunhadas, papa-boias e quejandos, que se valer a danação da alma por muitos dos vícios aqui listados, os ditos pecados capitais, eles vão direto para os quintos, purgar todos esses defeitos e no fim da eternidade, talvez voltar ao Paraíso.

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