SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS DE ESCRITA E LEITURA

O tema aqui refere-se à saúde mental no contexto da internet. Existem já vários trabalhos, pesquisas e estudos de seguimento relativos aos danos cognitivos, ao intelecto, ao tão popular quociente (quantidade) de inteligência (QI) das pessoas que usam em demasia as conexões e recursos da internet. Muitas são as recomendações do quantum de hora o indivíduo deve estar online, notadamente as crianças e adolescentes. PRESTE atenção pais e professores.

Em nome de distinção e exatidão façamos aqui uma divisão: temos assim, a internet (estado online) com toda a rede de computadores (provedores); a informática (aparelhos e objetos de salvamento e armazenamento de dados); os aparelhos de acesso aos dados gravados (CDs, player, pendrives, computadores, tablets). Porque uma questão é a internet ou o estado online permanente, outra questão são todos os aparelhos, ferramentas, objetos físicos de guarda de dados, textos.

Os danos, os déficits cognitivos, o rebaixamento do intelecto vêm sendo demostrados pelo excessivo tempo que as pessoas despendem em conexão com a internet, com tudo aquilo de fútil, de nocivo e inútil que circula nas plataformas digitais, na chamada conexão online. Não se trata de um parecer ou opinião, mas informações de estudos científicos, comparativos de quem usa com moderação com os excessivamente conectados nas mídias digitais.

Os grandes representantes do status online são as ubíquas (globais) redes sociais: como exemplos: de forma hegemônica Facebook, o WhatSapp e sites de gosto para tudo. Para todo este cardápio de opções o tão popular, massificado e sonhado telefone celular perdeu a função de telefonia móvel. Ele se tornou um computador de mão ou PC digital. São toques com as polpas dos dedos e de pronto o contato com o mundo (ou submundo) e as pessoas de meu “convívio virtual”. São os “amigos e fantasmas” virtuais, porque não os vejo fisicamente.

Ainda não há indício e evidências de algum dano ou efeitos negativos na saúde mental, no bem-estar psíquico ou funções cognitivas no uso diário dos recursos de informática ou equipamentos digitais para acesso a informação, textos profissionais, de cultura e entretenimento. Tudo que se faz hoje em um escritório de contabilidade, de advocacia, em uma seção de recursos humanos e tesouraria, se faz empregando não mais fichas de papel, livros-caixa e cadernos. Faz-se tudo em recursos de informática, nos computadores, inclusive com cópias de segurança (backups). Nada se tem provado que o uso profissional desses recursos traga qualquer déficit psíquico ou no QI das pessoas. É o exemplo bem empregado dos e-books, de textos e trabalhos no livro eletrônico.

Quando se traz ao conhecimento e ciência das pessoas sobre a doença mental da webdependência (nomofobia, fomofobia), alerta-se sobretudo dos danos cognitivos do abuso na conexão com a internet e as tão massivas e nocivas redes sociais. São transtornos psíquicos, sociais, afetivos e cognitivos já catalogados no DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria; trata-se essa diretriz (DSM) de um manual de transtornos mentais. A chamada “gamedependência” (mesmo em uso offline) já está também bem descrita e provada cientificamente.

Ao se abordar, atualmente, os danos psíquicos e cognitivos da hiperconexão (muitas horas/dia) com a internet e redes sociais vêm à lembrança o grupo mais vulnerável das crianças e adolescentes. E de fato é o grupo que mais merece atenção e foco dos estudiosos e pesquisadores. Atenção! Pais, psicopedagogos, educadores, profissionais de ensino.

Mas, não se pode esquecer e subestimar uma legião de usuários e internautas acima de 40 anos, os indivíduos da chamada geração X. Esses consumidores e hiperconectados, são provas vivas e ambulantes dos danos psíquicos e cognitivos que traz o emprego abusivo do celular e objetos digitais. E como permissivos aos filhos em desenvolvimento, eles estão contribuindo a que os filhos trilhem o mesmo descaminho: futuros adultos com graves perdas das sinapses cerebrais; candidatos a deficientes nas habilidades mais básicas de matemática, de leitura, de redigir, do senso crítico, criativo e do pensamento abstrato (palavras do neurocientista francês Michel Desmurget).

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