SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

PASSIVIDADE E COMODISMO

Como já defini em outros artigos, para aqueles profissionais que escrevem como é o meu exemplo, nosso laboratório de trabalho é a sociedade, a movimentação, o comportamento, hábitos e relações sociais das diferentes pessoas. As cenas diárias, as reações humanas, os conflitos, a generosidade, o caráter de cada um. São todas essas ocorrências as nossas deixas, nossas matérias e fontes de inspiração.

Como base nesses princípios é que faço o artigo de hoje. E falo sobre o fenômeno da capacidade, ou melhor, da passividade das pessoas; ao fenômeno da adaptação, também chamado acomodação ou zona de conforto para outros.

A questão da acomodação é inerente à natureza humana. O que intriga, nós, os cronistas é a tendência que as pessoas trazem em se adaptar ao que é insalubre, molestante, difícil, árduo e até tóxico. É uma forma de aceitação que vai se dando, se tornando normal e natural de forma tão tácita, pacífica, sem nenhuma contestação ou oposição. É a naturalização daquilo que deveria ser reprovado, rechaçado, contraditado. Imagine ter um sapato apertado no pé e aceitá-lo todos os dias, algo parecido. Tire-o dos pés, quanto alívio e prazer.

Para bem consubstanciar e fortalecer essa tese basta que listemos os fatos mais comuns nesse tão encontradiço fenômeno da acomodação. Um robusto exemplo se dá nas próprias relações humanas. Em especial nas relações de namoro ou conjugais. O quanto de relacionamentos impróprios, tóxicos e hostis que existem em nossa sociedade. Há muitas pessoas que possuem uma completa incapacidade em termos de relações humanas. São indivíduos com elevada insociabilidade.

E estas se dão mesmo nas chamadas relações de amizade ou parental. Muitas são as pessoas que nasceram com a natureza dos leopardos, são feras solitárias, e assim passam a vida inteira. Assim também são aqueles indivíduos personalidades psicopatas, sociopatas e com perturbações do convívio social.

Existem então do outro lado as pessoas buscadas, namoradas e ligadas a esses tipos de gente. E essas pessoas, passivas e acomodadas aturam e suportam esses aproveitadores, esses embusteiros, faceiros, falsários e caloteiros. E assim passam nesse suplício de convivência, nessa via crucis. Algumas (as vítimas e acomodadas) em resmungos, em fadiga, em humilhação. Outras, nem tanto porque supõem que trata-se de uma normalidade, o natural e padrão da vida. Tudo explicadinho pelo useiro e vezeiro passivo da acomodação.

E assim continua a humanidade no seu fadário, ora factual, ora fatídico comportamento e aceitação do comodismo. É o lema ou justificativa: Ah! Fazer o quê, a vida é assim mesmo. Vou fazer o que, acontece não é!.

Temos então a mesma aceitação e normalização em tudo. Na música, na cultura, nos hábitos alimentares, na religião, no nada produzir para o próprio sustento, na ociosidade, na vagabundagem, na vadiagem. Para bem elucidar e conclusão dois exemplos a mais sem solução, porque impregnados estão nos expedientes coletivos de cidadãos.

A posse dos chamados pets, os animais de estimação. Ironia e idiotia nessa titulação. As mulheres ou homens sabem o quanto de despesas, trabalho árduo e desumano são os cuidados de um cachorro. Pior ainda! Há gente que possui uma cachorrada reclusa em apertados apartamentos. Mas, elas fazem questão de viver com a tranqueira, em meio aos excrementos infectos e fétidos dos bichos. Legítimo e fatídico comodismo, o acomodar com o infortúnio.

Outro encontradiço exemplo mundo afora. Prole de mais de dois filhos. Quantos casais, ou pai ou mãe solteira (não importa) não reúnem condições dignas de sustentar a si mesmos. E criam filhos. Esses indivíduos, homens e mulheres são autênticos geradores e geratrizes de mais e mais miseráveis, marginais e excluídos sociais. Tudo explicado, de forma injustificada pelo fenômeno inerente aos homens e mulheres da acomodação, da passividade, da adaptação ao feio, ao nocivo, ao dispendioso, ao infecto, aos entes pessoais ou animais, que beiram à idiotia e toxicidade. Gente! Acorde, reaja a tanta tranqueira e nocividade!

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