SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Na mesma

Se bem concebido, um período de pandemia, como o que vivemos da Covid-19, poderia ser uma ótima oportunidade para a humanidade, brasileiros em primeiro lugar de estabelecer normas básicas de vivência e convivência. Isto porque as pessoas cada vez mais devem entender que ninguém vive isolado no mundo. A vida se faz em associação, em relações de uns com os outros, de todos com o planeta, com a ecologia, com a flora e fauna de toda ordem. Então, dada a premência de uma doença que atinge a todos indistintamente, não há melhor apelo a que as pessoas ponham mínimas normas de contatos umas com as outras. Porque basta olhar o quanto as pessoas, em maioria, não possuem práticas e regras de uma convivência organizada, ordeira, fraterna, respeitosa, higiênica, civilizada, sanitizada e com uso dos princípios de animal racional e dotado de inteligência.

Falar nisso, se pudesse ainda que espiritualmente, mediunicamente eu guardo uma certa vontade de falar com quem nos classificou de animais superiores e racionais. Lembro agora que Aristóteles foi um desses pensadores. Bem depois veio Carlos Lineu (1707-1778). Este foi botânico, biólogo, médico e um pioneiro e pai da taxonomia moderna, que inventou a taxonomia binominal. Exemplo: Homo sapiens, nome científico de homem. Mas, de verdade gostaria de ainda que peripateticamente ou por períspirito me informar desses baluartes do pensamento se eles vivessem hoje, continuariam com a mesma concepção dessa titulação do Homo sapiens, de racional e superior? Será?

Mas, como me soa difícil ter esse diálogo tête-à-tête com os criadores dessa classificação, fiquemos com as coisas como elas foram convencionadas e estabelecidas. De agora, não tenho certeza se Carlos Lineu era concorde com o nosso filósofo estagirita. Lineu bem que poderia ter reformulado tal nominação de humanos e racionais para muitas gentes. Poderia ao menos ter havido uma certa subclassificação das pessoas, conforme elas se comportassem no mundo, em sociedade, no meio ambiente, no meio familiar, em casa, no trabalho, no trânsito, no passeio com os seus automóveis, com os seus chamados bichos de estimação (ah, quanto deboche e ironia nesse trato!).

Ao se denominar os humanos de racionais com base no seu planejamento, na sua organização e previsão das coisas, dos fatos e fenômenos, veja o quanto de mofa e jeito escarninho há nesses atributos. Tome o exemplo e modelo de se comportar de outras espécies. Os bonobos e chimpanzés, por exemplo. Os golfinhos, os lobos, até animais menores. A questão posta é a seguinte: racionalidade é a capacidade de tomar decisões em pensamentos lógicos, em organização mental, em previsão do que possa ocorrer a depender do que faço. Não se trata de uma exclusividade humana. Outras espécies trazem essa aptidão e resolução, como já provado por zoólogos, biólogos pesquisadores do comportamento e psicologia animal.

Mas, o que importa aqui seria esse como laboratório de aprendizagem humana, de reciclar comportamentos, regras de vivência e convivência, como referido no caput deste artigo. Há gente, e muita gente que leva a vida como se tivesse recebido as cominações de sísifo. Albert Camus, foi um grande escritor franco-argelino que escreveu uma trilogia: O mito de Sísifo, Calígula e O estrangeiro. São obras seminais; complexas e seminais para a existência do homem no mundo.

Em sucintas pinceladas, a vida para um enorme rebanho de gente deveria mudar em quê? Nos seus hábitos de higiene pessoal, domiciliar e ambiental. Quantas pessoas se comportam como lídimos e legítimos sujismundos. Sequer higienizam bem sua anatomia corporal, em particular sua anatomia pudenda. E se portam e comportam como pundonorosas para todos da cercania. Na higiene ambiental, sequer dão um civilizado destino aos lixos excretórios e pessoais, domiciliar e os produzidos por seus bichos, que são chamados de estimação, mas com vida de cão, encarcerados e presos. E o convívio intradomicilar? Uma convivência íntima das mais insalubres, pelo risco de intercâmbio de doenças várias: viroses, cinomoses, toxoplasmoses e tantas porcariadas por osmose.

Ao se prestar atenção à vidinha de tanta gente, ao movimento das pessoas, percebe-se como elas imitam o personagem de Camus no rolar diário de suas pedras. Levantar, fofocar, comer, se espreguiçar, se lamuriar dos próprios estrupícios por ela procurados (os pets, por exemplo), se manter online com os “amigos” das redes sociais e nada mais. Se alguns hábitos foram mudados na pandemia, o são pela imposição e medo de adoecer. Passado o pânico, todas voltam ao mesmo reco-reco e estroinice de sempre.

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