SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Medos de doenças e da morte

É bem sabido dos estudos científicos que muitos medos são transitórios. Quem nos explicam sobre o fenômeno são a Psicologia e as Neurociências. Existem, sim, algumas fobias e medos que entram na constituição do indivíduo, na sua composição psíquica e emocional. Estas fobias podem ser melhor relativizadas, racionalizadas com terapias e condicionamentos. Mas nunca eliminadas de todo.

São exemplos uma fobia de baratas, de altura, de viajar de avião. Pode-se minimizá-las, atenuá-las, mas nunca abolir de todo sua manifestação. Em Medicina, existem as chamadas nosofobias (medo de adoecer) e a tanatofobia (medo de morrer). Pode-se até afirmar que uma nosofobia ou tanatofobia em grau leve e não paralisante é “saudável e construtivo”. Assim se afirma porque faz com que a pessoa procure ter uma conduta de se prevenir. Em saúde por exemplo. A pessoa faz as suas consultas preventivas de rotina, os tão populares check-ups, prevenção de doenças cardiovasculares e câncer.

Quando se fala em prevenção, em fobias e medos devemos até trazer essa consideração e análise para o campo da Filosofia. E nesse comentário temos que diferenciar o medo da ousadia e da aventura. Não se pode confundir esses estados de espírito. Ter medo de muitas circunstâncias, de certos entes reais constitui não em fragilidade de ânimo ou espírito. Trata-se de um instinto de preservação da saúde e da vida. Vamos imaginar o medo de uma fera em uma savana africana ou de um tubarão no mar. Caso dos banhistas e surfistas. São perigos reais que o meu medo e evitação de expor-me a essas feras me preservará a vida.

Aventura é aquele estado de ânimo e expediente onde há o risco real de um resultado sinistro e fatal. Ousadia é quando o indivíduo tem uma atitude ou ação bem calculada com mínimos riscos à sua saúde e integridade física. São os casos de muitos esportes individuais ou coletivos, competitivos ou de entretenimento. Todas as etapas e os equipamentos de proteção e salvamento são seguros e os riscos de um sinistro quase nulos.

Abstraindo desses citados e outros exemplos torna-se oportuno discorrer sobre muitas fobias e medos que são transitórios e meritórios de estudos e compreensão das ciências. Sem muita teorização sobre os seus mecanismos neurofisiológicos e psíquicos, mais valem os exemplos encontrados nos consultórios médicos, dos cardiologistas e psiquiatras.

As cenas se passam no seguinte formato. O sujeito, é mais comum entre os homens. O sujeito toca a vida na chamada esbórnia, nas farras, patuscadas e gandaias. O seu maior gosto são os vícios do copo, da mesa e dos talheres. Entremeado também de mulheres paralelas. Nada de esforço, nada de suar a camisa. Comer, beber, fumar. O corolário, obviamente são um rosário de fatores de risco: sedentarismo, obesidade, pressão alta, colesterol. A idade chega e vem a fatura da vida insalubre e desregrada. Um ataque de infarto, UTI, próteses nas coronárias (stents). Ansiedade, medo, fobia, medo mórbido a morte. De começo a obediência a todas as recomendações médicas. Mas, o tempo, ah, o tempo! Passados alguns meses está lá o sobrevivente! Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Vá lá entender. Muitas fobias e medos são vencidos por velhos e nocivos vícios e dependências. Nessa hora, o medo, as fobias de adoecer e morrer são vencidas pelo prazer transitório, instintivo e carnal dos vícios.

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