Editor-Chefe: Jota Marcelo

Uruaçu, Estado de Goiás, 18 de maio 2019

SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Imbecis, todos – Somos multidões de desumanos e imbecis

Eu fico a imaginar o homem (ou mulher) como um animal dotado de um alto quociente de inteligência (QI) e uma racionalidade! E se não tivesse esses atributos? Não, leitor, você não leu errado! É justamente esta afirmação com toda sua crueza e transparência. O homem com um baixo QI e pouco racional. Imaginemos bem o quanto a mais de bestialidade e insensatez ele seria capaz!

Este então será o lema ou mote desta crônica. Das insensatezes e idiotices praticadas por um bicho tido e havido como racional, superior e inteligente. Imagine então do que seria capaz se não fosse dotado de tantos atributos que o diferenciam dos outros animais.

Lembrando um pouco nosso roqueiro-mor Raul Seixas (1945-1989), “pare o mundo que eu quero descer”.

Nem antropólogo, nem sociólogo, nem filósofo. Dispensável se torna ser um desses para ver, ouvir e concluir o quanto de boçalidade, brutalidade, sandices e insanidade que tomaram conta da humanidade. Na vida social, no trabalho, no entretenimento, nos espaços públicos ou privados.

Não sobra nenhum recanto, onde não se veem os expedientes e atitudes cometidas por ele, justamente um sujeito que manda escravizar, prender, mata e come os outros animais. Nesses gestos já se depara um alto grau de irracionalidade. Que insanidade pode haver pior do que essas? Escravizar e aprisionar os irmãos irracionais, chamá-los hipocritamente de animais de estimação e com o enjoo e a inutilidade dos tais descarta-los à própria sorte.

Quem é o culpado pela extinção de muitas espécies animais? O vento, as intempéries, alguns meteoros? Não, é o próprio homem. E tem mais, aquele homem “humanizado”, dotado de inteligência e razão corre o risco de extinção. Está sobrando só esse homem capaz de todas as proezas enumeradas acima. Proezas e cruezas contra as outras espécies, contra o “meio ambiente” e contra o planeta, o que resulta em ação contra o próprio homem. Seria o resultado “o homem lobo do homem (Thomas Hobbes, O Leviatã).

Quem anda contaminando rios e mananciais, mares e oceanos, depredando o planeta, provocando efeito estufa, esfumaçando a atmosfera, compreendendo desmatamento, assoreamento de rios e lagos, contaminando a terra e animais com tóxicos e gases letais? Não são fantasmas! Tem sido as ações do próprio homem. São fatos e malfeitos no âmbito coletivo e no campo individual, porque têm resultados negativos para o próprio malfeitor.

E muitos são os outros fazimentos e desfazimentos que revelam as muitas futilidades, banalidades e vazios em que se projetam as pessoas, representantes que são do Homo sapiens sapiens. Para não ficar só em teorizações e retórica tomemos alguns casos de forma coletiva ou individual.

Um exemplo de convivência e conivência. Um sujeito, homem ou mulher, olha para outra pessoa e dela começa por se apessoar, se enamorar e dizer dela estar admirado. Mas essa pessoa objeto dessa afinidade não está disposta, desejosa dessa primeira pessoa interessada. Resultado, essa primeira assedia, persegue e mata sua pessoa que pretendia. Enfim, insanidade no grau mais refinado na escala animal. O que é pior, esse feminicida ou homicida refere ter eliminado o outro por amor. Que amor assassino é esse?

Caso de “tortura voluntária”. Tudo se dá na convivência humana, mais encontradiça na forma conjugal. Quantas não são as pessoas que têm sua rotina diária transformada em um vale de lágrimas e aflição por uma vida a dois, sem um mínimo de afinidade e outros atributos de respeito. E aqui tem-se a intitulada “tortura voluntária”, porque a vítima parece cair na zona de conforto, na acomodação eterna de aceitar tanta importunação, tanta sevícia, tanto assédio, seja o moral ou sexual. Sandice, insanidade e idiotia no mais alto grau de pureza.

E para fecho de palestra, no campo de saúde individual. O sujeito nasce, adolesce, cresce se torna adulto. E entrega a todos os prazeres, gozos e regalos da vida. Consequência A: o sujeito se repimpa, se intumesce, se arredonda em gorduras com suas morbidades. Atingida a condição de obesidade mórbida, é chegada a hora de cirurgia bariátrica, porque a morte se mostra iminente.

Condição B: a pessoa que nunca se preocupou com os fatores de risco tem um ataque cardíaco, ou infarto. Do susto e quase morte súbita, vem a lucidez. Agora vou me cuidar. Alimentação equilibrada, atividade física e checkups periódicos. Fica a indagação: por que não se cuidou sempre e antes? Por essas e tantas outras evidências é que pode se cravar. Nós, os humanos (hum, humanos!), somos os animais mais bestas e imbecis a habitar o planeta. Que outros bichos fazem o que fazem o homem e a mulher como hóspede desse planeta? Eu não tenho notícias.

Dias desses vi uma contraparente em visita a parentes dela. Uma cena desses tempos e dessas pessoas. A tiracolo um pet todo assustado pelos estranhos. Conversa vai e vem e o relato: o bichinho, viajou de forma torturante de avião, preso em uma gaiola; e assustado continuava pelos tonitruantes e estridentes ruídos das turbinas da aeronave. É isso aí, encarceramos nossos irmãos irracionais quatro patas, os torturamos, quase os enforcamos nas coleiras e focinheiras e por cima os chamamos de animais de estimação. Imagine, se não fossem!

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