SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Frustração

Eu pergunto, leitor. Qual o principal objetivo ou vocação do ser humano? Esta resposta pode ser buscada em muitos ramos do conhecimento. Mas, contente-se com duas fontes de explicação: a Psicologia (ou Psicanálise) e a Filosofia. Nesses ramos do saber, tome-se lá por exemplo as teses de Aristóteles, Platão, Pitágoras. O homem (ou mulher) nasce, cresce, amadurece e morre em contínua busca da felicidade. Toda forma de labor ou energia expedida pelo ser humano se faz em conquista e alcance da felicidade, do bem-estar, do prazer e da satisfação das pulsões internas de vida.

Admitida então que esta concepção é consensual e com muita coerência e convencimento torna-se fácil discorrer sobre os sentimentos opostos da felicidade. Afinal de contas, nenhuma pessoa, nenhum homem ou mulher bem pensante irá afirmar que alguém como satisfação pessoal vá dar marteladas na cabeça ou piparotes nas orelhas como formas de prazer e felicidade. Se alguém o fizer em busca de alegria e prazer, leve-o para um hospício.

O oposto da felicidade é a infelicidade, o desprazer, o mal-estar (mal-estar da civilização), a dor física ou psíquica. Existe até a infelicidade moral, aquela que afeta o indivíduo em seu brio, na sua autoestima, na sua constituição de honra e dignidade.

Em se dissertando sobre essas nuances de sentimentos pode-se agrupá-los em um único sentimento, para melhor compreensão: a frustração, que pode ser tratada, explicada e analisada em vários braços de profissões humanas e das Ciências. Entre essas, a Psicologia, a Psicanálise e as Neurociências.

Em frases e definições mais inteligíveis pode-se conceituar a frustração como o resultado negativo ou contrário de um desejo ou expectativa. É o fracasso ou anulação de qualquer projeto, de uma vontade ou mesmo necessidade. Podem ser as expectativas e interesses os mais simples. Uma viagem que não se realizou porque foi cancelada pela empresa operadora, uma compra de um objeto que se não concretizou, um simples objeto perdido de pequeno valor monetário. Até mesmo uma relação namorada que se desfez. Enfim, são inúmeras as combinações na gênese do sentimento da frustração.

Duas circunstâncias graves ou gravíssimas são registradas nas pessoas acometidas de frustração. Em primeiro grupo. Há uma certa predisposição genética e temperamental. Existem indivíduos com uma carga genética desfavorável. Eles têm um baixo limiar ou pequena tolerância a qualquer frustração, aos pequenos fracassos diários que a vida habitual lhes impõe. A tudo esses intolerantes protestam, reclamam, franzem a testa, o sobrolho, mostram mímicas de irritação e raiva. Tudo por não serem satisfeitos e saciados nos mínimos e banais desejos e reivindicações.

O segundo grupo de pessoas sofrem das reações de frustração por falhas no processo de criação, de formação e educação familiar. Esses indivíduos constituem aqueles filhos e filhas que foram muito mais criados e engordados (erados) sem os critérios e regras de uma boa ética nas relações humanas e de consumo. Faltaram a esses indivíduos frustrados e frustrantes as balizas ou divisórias do permitido e não permitido. Em uma palavra, faltaram limites. Faltaram a essas pessoas (na infância) a pedagogia e os significados do não e do sim. Se alguém, pai, filho, educador, irmão, não importa! Se alguém não bem entendeu os conceitos aqui expressos, o que seja por exemplo a frustração, que leiam a Ética a Nicômaco, de Aristóteles. Esclarecedora!

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