SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

DrogoPatias – Paixão e patologi

Eu começo este artigo por uma palavra, paixão. Ela na raiz (origem) tem relação com o termo patologia, estudo das doenças; do grego páthos, sofrimento, sentimento mórbido e doença. Torna-se útil, neste contexto, referir ao manual estatístico de diagnóstico, hoje na sua 5ª versão – DSM-V. Trata-se de um catálogo das doenças psiquiátricas. A associação de psiquiatria americana (APA) quando o institui, constava de 50 doenças mentais, hoje são mais de 300.

Trata-se de uma característica da evolução científica e tecnológica. Temos hoje os avanços das ciências e da informática e da informação e “pari passu” a degradação e deterioração do comportamento, dos sentimentos e valores do animal humano. Para tanto não faltam mentores, não faltam escolas virtuais, compostas pela internet e redes sociais, não faltam as referências da contracultura representadas pelas redes de TV. O certo e de concreto é que constituímos animais de rebanho, somos seguidores dos grupos que nos cercam; e mais que isto, somos seguidores de nossos influenciadores. Vivemos a época de milhares de messias e pastores a nos pastorear. Basta ligar os canais de televisão, abrir as páginas da internet e lá estão os guias, modelos e influenciadores digitais de nossos adolescentes e jovens. São exemplos os animadores de massas e auditórios e os youtubers. Um cenário e um estilo de vida que tudo indica, não têm volta.

Paixão e patologia (páthos) são palavras siamesas que se aplicam a muitos comportamentos e preferências em nossa intitulada modernidade líquida. “Patia” como doenças e paixão como um estado mórbido, um comportamento ou sentimento fora das balizas do que é considerado padrão. Cardiopatia, de todos conhecida é uma doença do coração. Nesse paralelo, estamos vivendo a era das “patias”. Basta ler o DSM-V, das doenças psiquiátricas.

Digitopatia. Trata-se da doença do apego aos objetos digitais. O representante máximo é o smartphone, ninguém mais solta a mão do celular. Não basta ser dono do, mas estar com ele em mãos o tempo todo. Na mesa do almoço, na rua, em um culto ou missa. Sem ele o indivíduo sofre de outros transtornos, a nomofobia e a fomofobia. Os medos de ficar offline ou de não receber informações das redes sociais.

Consumopatia. A doença do consumo é causada pelos apelos das aliciadoras propagandas. Para isso não faltam os ditadores e guias da moda, do que o indivíduo deve comprar e consumir para pertencer à tribo.

A Esteticopatia – A doença da estética e das plásticas. Os aliciadores dessa doença estão disseminados pela indústria da cosmética, dos padrões de anatomia facial, glútea, palpebral, de mamas e abdome. Nada pode estar flácido ou reduzido. O belo e estético e tudo esticado e saliente.

Etilopatia e a drogopatia. Além da doença comportamental do alcoolismo, temos uma sociedade que para funcionar bem deve usar algum psicotrópico. Para esses objetivos entram em ação os antidepressivos, os sedativos, os soníferos, os calmantes, os medicamentos para déficits de atenção, os estimulantes sexuais, os inibidores de apetite, etc.

Futebolopatia. Trata-se de uma doença psiquiátrica muito prevalente na nossa era das grandes comunicações. Os portadores dessa paixão ou patia (páthos, doença) se caracterizam massivamente como indivíduos imbecis, parvos, néscios, grotescos e grosseiros. São, na maioria, capazes de espancamento de torcedores de outras equipes, mutilações e mortes, como mostram à farta, as redes de televisão. Outros tipos menos graves são capazes de abandonar emprego, deixar família ou vender bens essenciais para seguir os times “da paixão” em longas viagens; sem a noção de que ganhar ou perder faz parte do jogo. Ou seja, transtorno de personalidade em alto grau de pureza. Essas doenças já fazem parte do catálogo das doenças psiquiátricas.

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