SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Descaminhos da sociedade – O império das futilidades políticas e sociais

De forma objetiva ou não, lúcida ou não, consciente ou não, o gênero humano sempre buscou um sentido, um significado de sua estada no mundo. É o estar no mundo de forma coletiva, integrar um grupo, uma família, a sociedade como um todo.

O animal humano é um ser gregário. Isto é: tem a vocação em formar uma grei, um grupo, uma junção com outros indivíduos. O homem é uma animal político – Aristóteles. O instinto e inclinação em buscar um significado existencial acha-se patente em cada pessoa ao se ver estendido ou perpetuado em seus descendentes. Ao conceber, criar e dar início à educação de um filho o pai ou mãe já tem a preocupação com a formação, escolarização e futuro do filho. Daí a emblemática preocupação: “O que essa criança vai ser quando crescer?”.

A lucidez e objetividade não nasce com o indivíduo, o significado de estar no mundo, o sentido de vida não são sentimentos inatos (princípio do inatismo de Platão). Assim como a ética e a virtude (segundo Aristóteles), o papel ou função de cada pessoa deve ser ensinada, treinada e exercitada dentro do ciclo educacional desde os primeiros anos de vida.

Em cada indivíduo, desde os primórdios de suas relações sociais, familiares e escolares, deve ser incutido a busca por um sentido existencial. Porque todos nascemos aéticos, incapazes, inaptos e ineptos para a vida. Não é sem razão que o animal humano é o que mais tardiamente demora a atingir a sua maturidade plena. Conforme o País, 16 anos, 18 anos (maioridade civil e social).

Essas são as premissas, os princípios e postulados que deveriam ser o norte, as balizas na vida de qualquer sujeito, cidadão e habitante deste planeta; notadamente aquele sujeito que se propõe a ser genitor, uma geratriz de outra pessoa. Ser pai ou se tornar pai e mãe não se encerram em simples conluio carnal, esperar pelo parto e criar o filho ao feitio de outro animal. Animal é animal e gente não é animal.

O mundo social mudou, as sociedades e culturas se transformaram, os valores éticos e morais vieram no mesmo bojo. Progressivamente, pari passu o homem vem perdendo o norte da vida, a estrela-guia de sua existência e por fim de sua essência, seu papel no mundo. Os descaminhos do padrão têm sido a tônica de nossa sociedade que se tornou líquida, amorfa, insípida e volátil. Quase tudo vem se tornando fluido e descartável. Até a vida.

Todos os cenários sociais têm se tornado um palco de mediocridades, futilidades e patifarias. Nenhum segmento da vida civil tem escapado às insignificâncias e frivolidades de que o engenho humano se tornou capaz. Na política, na cultura, na culinária, na educação, no entretenimento. Tudo está tomado por mediocridade e insignificância. Além de mentiras e hipocrisias.

Se tomarmos a população no formato de uma pirâmide social, imaginemos no seu vértice, aqueles que nos governam, que elaboram as leis, os que protegem e fiscalizam essas leis (o Judiciário), esses constituem o ápice da pirâmide. O que deveriam fazer e de que se ocupar esses servidores públicos?

O adjetivo já se define por si: cuidar das coisas públicas. Ou não? Imagine um servidor público, notoriamente de alta hierarquia ou patente, imagine esse sujeito defender interesses alheios e escusos ao que deveria ser de utilidade pública. Soa como absurdo. E isto temos presenciado por altos medalhões de nossos órgãos públicos. Gente do Judiciário e do Governo.

O que constatamos é exatamente o contrário do múnus *** público. São presidentes dos três ou mais Poderes, se mostrando com desvios de Poder. São vaidades pessoais, egolatria, culto da personalidade, disputa pelos holofotes e luzes da ribalda. E nesse proscênio ou tablado teatral nada de útil se faz em prol do público (pessoas).

E saindo do vértice dessa pirâmide, todo esse sistema de comportamento de vaidade vazia e fútil tem se horizontalizado e contaminado todos os setores da atividade social, cultural e até religiosa. Ninguém mais escapa aos efeitos dessa onda de vaidades, a essa “fashion” social que vem imperando em nosso País.

Para fecho de matéria dois modelos de mediocridade e futilidade de nossos tempos:  gastronomia e redes sociais.

Em gastronomia. Comida e alimentos deveriam ter como finalidade o que? O nome diz tudo: alimentar e nutrir nosso organismo. Ao que assistimos? O indivíduo entra num rodízio de churrasco ou pizza e se empanturra de vaca, porco, batatas, mandioca, sacarose, açúcar e álcool. Dois dias de enxaqueca e intoxicação alimentar. E morre paulatinamente, quando não subitamente. Esta é uma forma de gozo e felicidade de nossa sociedade. Mediocridade e insanidade em sua quintessência.

E nas redes antissociais? Elas se constituem de rebanhos e legiões de pessoas diuturnamente ocupadas em exibirem-se em suas poses, em suas festas, em suas sessões gastronômicas e libações etílicas, em suas roupas sumárias ou nuas, em seus novos formatos de seios, nádegas e silicones. Em seus longos sorrisos de uma só letra, kkkkk. Todos se mostram como ter encontrado o suprassumo do gozo e da felicidade. Mediocridade e vaidade na forma mais pura e estéril; todas produzidas, praticadas e fruídas pelo gênero humano. Logo por nós, humanos.

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