SAÚDE DO CORAÇÃO

DR. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA

Autoestima

Vaidade das vaidades. Vaidade à flor da pele. E a pele é apenas um dos sítios de nossa constituição física onde manifesta esse desejo desmedido, ilusório, inútil, de ser admirado e ostentar virtudes e atributos imerecidos. Não impropriamente vaidade tem a mesma etimologia de vão, vazio, de vácuo. Ausência de matéria ou substância.

No corpo, na pele e tegumento são pontos anatômicos onde se tornou comum as expressões ou “materialização” da vaidade. Temos as variadas técnicas e terapias para a concretização da vaidade. A Medicina com as suas especialidades estéticas. Cirurgias plásticas e reparadoras, a dermatologia, os implantes para mudança dos relevos anatômicos, o alisamento da pele via Botox. São múltiplas opções de vaidade.

Temos inclusive a cosmiatria com os mais variados fármacos, para se for do desejo, despigmentar ou pigmentar a pele, caso das tatuagens e afins. Não fica só por aí as questões do império das vaidades. Ela vem ganhando tanto destaque e notoriedade que foi rebatizada de autoestima. Ela se tornou tão substantiva e adjetiva que recebeu este pomposo título, autoestima. Todos querem melhorar e fortificar a sua autoestima. A vaidade das vaidades.

Em tempos de internet, Redes sociais e mídias digitais existem dois lados. O lado da clientela e o dos profissionais. A clientela é grandemente representada pelas mulheres. Uma prova incontestável desse predomínio é a estatística das complicações das cirurgias plástica para redefiniçao de mamas. Daí surgem as infecções dos procedimentos, as perfurações de intestino durante as lipossucções e até morte, muitas mortes. São muitas as mortes oriundas das cirurgias para melhora da autoestima. E aí dois riscos surgem: morte da autoestima pelas cicatrizes e deformações corporais e outros desfechos trágicos. Universo feminino como principal cenário desses episódios. Alguém ouve falar que homens fizeram uma lipo e morreram? Raríssimo.

Do lado profissional, existem desde os bem qualificados como aqueles não confiáveis, mercadores da vaidade, até os sem as devidas credenciais e os charlatões. Há até os falsos médicos implantadores de silicone e outros materiais não aprovados pela Anvisa. Olha aí os riscos que representam.

Um outro nome, agora bem erudito para a vaidade se chama narcisismo. Narciso foi um personagem da mitologia grega. Ele era tão belo que se apaixonou pela própria imagem. O deslumbramento foi tanto que só mirava a sua imagem no espelho d’água. E morreu nessa posição. Ele então se tornou a personificação da vaidade ou autoestima. Nós assistimos a tais cenas demais no mundo atual. Notem quando uma pessoa se torna uma celebridade instantânea. Rapidamente o seu narciso se aflora. A internet e as redes sociais estão infectadas por expressões narcísicas. São as selfies, as self selfies em profusão. Houve uma época em que se fazia os autorretratos. Agora está mais fácil.

Vivemos uma onda de imagens, só imagens, mais imagens e sempre imagens. Egoísmo e egolatria à toda prova. A moda e a cultura de fotos, likes, imagens, vídeos, posts do antes e do depois dos procedimentos estéticos são mostras e demonstrações do vazio, das vaidades e futilidades que tomam conta do cotidiano das pessoas, vazio dos vazios. “Vanitas vanitatus vanitas est”. Vaidade das vaidades e tudo é vaidade.

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