Declarações de Donald Trump impulsionam contratos futuros em Chicago, mas especialista alerta para excesso de oferta global e cautela do mercado.

Apesar da reação positiva, especialista destaca: os fundamentos da soja ainda apontam para um cenário de pressão baixista no médio prazo – Foto: Divulgação
A soja iniciou a terceira semana de maio em forte alta na Bolsa de Chicago após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a China teria prometido ampliar as compras de soja e milho norte-americanos. O movimento elevou os contratos futuros da oleaginosa em mais de 20 pontos ontem (18), acompanhando também o avanço do milho e do trigo no mercado internacional.
Para o Trader de commodities e sócio da PNM Trading, Renan Kuhn, o cenário atual ainda é sustentado muito mais pela expectativa dos investidores do que por uma confirmação concreta das negociações entre China e Estados Unidos.
Segundo ele, a fala de Trump foi o principal fator para a valorização dos contratos futuros da soja.
“O mercado reagiu à declaração do Trump de que a China prometeu comprar soja e milho dos Estados Unidos. Isso acaba impulsionando os preços na Bolsa de Chicago, principalmente porque os investidores trabalham muito na expectativa”, afirma Renan Kuhn.
Apesar da reação positiva, o especialista destaca que os fundamentos da soja ainda apontam para um cenário de pressão baixista no médio prazo. Entre os fatores estão a elevada oferta global, estoques robustos e a expectativa de grande safra norte-americana.
“Hoje os fundamentos ainda são de baixa para a soja. Existe bastante oferta no mercado, estoques elevados e a safra americana está avançada, com expectativa de produção muito forte. Inclusive houve aumento de área plantada de soja em relação ao milho nos Estados Unidos”, explica.
Renan também relembra que promessas semelhantes já ocorreram anteriormente durante a relação comercial entre China e Estados Unidos, sem necessariamente se concretizarem em grandes volumes de compras.
Boato e fato
“O Trump já fez esse tipo de anúncio em outros momentos e depois não se confirmou na prática. No mercado a gente costuma dizer que sobe no boato e cai no fato. Então agora o mercado espera para ver se essas compras realmente vão acontecer”, pontua.
Ele manifesta ainda: caso a China amplie efetivamente as compras de soja norte-americana, o Brasil pode enfrentar maior concorrência nas exportações para o mercado asiático, embora o impacto imediato ainda seja considerado limitado.
“Na teoria, isso pode tirar espaço da soja brasileira, já que Brasil e Estados Unidos disputam diretamente o mercado chinês. Mas a China costuma comprar de quem oferece o melhor preço. Então ainda é cedo para afirmar qualquer mudança prática no curto prazo”.
(Informações, sob adaptações: Comunicação)


