‘Poema para os pais’ – Miguel Jorge

Miguel Jorge – Foto: Jota Marcelo/Jornal Cidade
Eles, os pais, são mesmo assim.
A palavra pouca, apenas um som pequeno
extraviado de dentro de si mesmo. Sua alma,
seu corpo feitos de riscos, risos, pequenas batalhas
do dia a dia, normais, descentes na fluidez do tempo que passa. Sentimentos abstratos de quem filosofa a visibilidade
Infinita dos céus.
– Ele, eles, os pais, importantes figuras na vida da casa.
Tudo o que se encontra dentro dela: móveis, nomes, cadeiras,
o retrato contido na severa rigidez das tardes. O permanecer, cada
vez mais, ele próprio: pai, na severidade desmedida do tempo.
Gestos longos, mãos estendidas como a socorrer
os filhos dos pequenos males. Voz clara, clareando
A fala das recortadas madrugadas, chão que se precisa.
E é assim, e por assim, que todos sabem atar-se
ao seu porto, o rosto grave, sereno de quem se perde
nos ensinamentos da vida.
Na mesa grande, posta para o almoço, é ele, o pai, quem reparte
o pão, que faz respirar o vinho.
(Nunca se espera muita fala, muita zanga, pois reside
nele a mansidão de quem busca caminhos, de quem aceita
reacender-se de novas esperanças).
Pai e pão, hábitos que se cultivam, como o sal, a água,
O fogo, a cidade que habita.
– Sopro do amor que se traça entre os sóis das manhãs.
Um mundo à parte. Melodia do querer bem, afetos que se respiram.
Tudo o mais permanece no que se diz da breve brisa iluminada
do amor preciso, certo, medido, ao rigor do tempo e das memórias,
Vozes que chegam com os mistérios da saudade.
E acontece ser assim: o amor filial, o amor paternal, nos muitos
Dias ininterruptos da vida.
Goiânia, 08 de junho de 2016
Miguel Jorge nasceu em Campo Grande-MS, residindo em Goiânia-GO desde criança. É formado em Farmácia e Bioquímica (UFMG). Direito; e, Letras Vernáculas (UFG). E, Literatura Brasileira e Goiana (pela então UCG). Tem obra numerosa, qualificada e eclética. Contato: migueljorgeescritor@gmail.com
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