Objetos preservados após exumação despertam curiosidade e especialista explica como isso é possível
Exumação de integrantes dos Mamonas Assassinas gerou repercussão após jaqueta deixada sob o caixão de Dinho ser encontrada praticamente intacta depois de três décadas.

Jaqueta do vocalista Dinho, do grupo Mamonas Assassinas, 30 anos depois – Fotos: Acervo da família
A recente exumação dos integrantes da banda Mamonas Assassinas gerou repercussão após a jaqueta deixada sob o caixão de Dinho ser encontrada praticamente intacta cerca de 30 anos depois. O caso trouxe à tona uma dúvida comum: como objetos conseguem se manter preservados por tanto tempo após o sepultamento?
O tema envolve fatores técnicos, ambientais e estruturais. De acordo com o gestor cemiterial do grupo Zelo, Luiz Oliveira, a conservação de itens enterrados depende de combinação de variáveis como tipo de solo, umidade, ventilação do jazigo e materiais que compõe o objeto. “Nem sempre o que está enterrado se deteriora completamente. Tecidos sintéticos, por exemplo, podem ter alta resistência à ação do tempo. Além disso, jazigos revestidos, com menor infiltração de água e pouca circulação de ar, criam um ambiente que pode retardar significativamente a decomposição de determinados materiais”, explica.
Processo de exumação
A exumação é o procedimento legal de retirada dos restos mortais após o período mínimo determinado pela legislação municipal, em geral, de três anos. Ela remove do jazigo os restos mortais, separando de outros materiais como a urna, tecidos, pertences pessoais, para que o espaço seja posteriormente utilizado em novo sepultamento.
O processo é realizado mediante autorização da família ou por determinação judicial, nos casos de jazigos perpétuos, bem como em situações de jazigos juridicamente constituídos cujo prazo legal não tenha sido renovado ou já esteja encerrado, sempre em conformidade com as normas sanitárias vigentes.
Após a exumação a família decide o que será feito com os restos mortais, é possível deixá-los no jazigo ou realizar a cremação. Segundo Oliveira, antes da abertura do jazigo é feita análise das condições estruturais e do histórico do sepultamento. “É um procedimento técnico, feito com total respeito às famílias. Cada solo tem um comportamento diferente. Solos mais úmidos e argilosos tendem a acelerar a decomposição orgânica, enquanto ambientes mais secos podem favorecer a preservação de alguns materiais”.
Ele destaca que a presença ou ausência de oxigênio também influencia diretamente no processo. “A decomposição é resultado de uma série de reações biológicas. Quando há pouca oxigenação, certos processos naturais ficam mais lentos”.
Casos curiosos
Embora não seja regra, a preservação de objetos pessoais não é incomum. Itens como roupas, bandeiras, fotografias plastificadas e objetos de metal podem apresentar diferentes níveis de conservação dependendo das condições do sepultamento.
O próprio gestor vivenciou situação semelhante. Cinco anos após o sepultamento de seu irmão, foi realizada a exumação no jazigo da família e uma bandeira, colocada junto ao caixão como homenagem, foi encontrada praticamente intacta. “Foi um momento muito marcante para mim. A bandeira estava preservada, com as cores vivas. Isso mostra como o ambiente interno do jazigo pode influenciar diretamente na conservação de determinados materiais”.
(Informações, sob adaptações: Comunicação)
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