‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [ANEXO – ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA
[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009

Em pé, da esquerda para a direita, os irmãos: Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), Pery Wolney Aires, Voltaire Wolney Aires, Maria Margareth Wolney Aires, Norman Wolney Póvoa e Abílio Wolney Aires Neto. Sentados, os pais Zilmar Póvoa Aires e Irany Wolney Aires – Fotos: livro
[ANEXO – ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA
ANEXO
ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS
Como o objetivo maior deste livro foi trazer anotações de passagens históricas e registros feitos pelo próprio Abílio Wolney, transcreve-se um documento datilografado por ele em 1940 e dirigido ao Prefeito Veríssimo da Mata, o qual, sem dúvida, serve de base de muitos dados sobre a sua Dianópolis:
Senhor Prefeito,
Conforme o plano que adotei, quando convidado por V. Exª. para fazer parte do Diretório Municipal de Geografia deste Município, estava fazendo por partes a descrição histórica do mesmo.
Assim comecei, mas as exigências do INSTITUO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, para a realização do nosso Recenseamento em Setembro deste ano, não permite esse espaçamento, sob pena do Município que V.Exª. governa com tanto interesse ficar mutilado na história do Estado de Goiás.
Dos homens que sabem ler e escrever, neste Município, talvez seja eu o mais velho, e sobretudo o que sempre se interessou mais pelo conhecimento da história do mesmo.
Compreendo que para os novos rumos que o nosso Eminente Chefe de Governo quer imprimir à Nação, o conhecimento da mesma lhe é indispensável e que, para isso, cada Governador Municipal deve contribuir com interesse e critério. Sei que muitas notas que vou fornecer já constam dos arquivos públicos, algumas talvez fornecidas por min, mas servirão estas para facilitar a busca de datas.
Sei que as descrições alongadas aborrecem, por isso procurarei sintetizar.
DIANÓPOLIS
Sita em território que pertenceu aos índios Xerentes, quando aldeiados em Missões pelo Conde dos Arcos, tinha a denominação de Douro, por estar na serra do Ouro. Extinto o aldeamento, seu território foi incorporado ao Município de Conceição do Norte, depois desmembrado para formar Município independente com o nome de Duro, que foi mudado para Dianópolis.
CONCEIÇÃO DO NORTE
Sua edificação de Arraial data de 1740, sobre terrenos auríferos que já estavam sendo explorados. Dom Luiz de Mascarenhas, quando da sua excursão pelo Nordeste deste Estado, assistiu à fundação do Arraial, que foi elevado à categoria de Freguesia pela Lei Provincial de 23 de julho 1835. Depois foi elevada a Vila pela Lei de 14 de outubro de 1854, tendo sido instalada em 1855.
Por aqueles tempos convergiram para os garimpos de Conceição diversos pesquisadores aventureiros, como os de todos os tempos, e, afinal, constituíram-se ali as famílias Ferro, Póvoa, Telles, Bandeira, Guedes, Bacellar, Azevedo e por último Leal Fernandes.
Os garimpos de Conceição foram bem ricos, não tanto quanto os de S. José de Tocantins, de Traíras, Água-Quente, S. Felix e Cocal em cujo local, na extensão de 400 braças, os felizardos Diogo de Gouveia e Osório extraíram 150 arrobas de ouro, nem mesmo como os de Natividade e Porto Nacional, na Serra do Carmo, mas muito bons. Os garimpeiros de Conceição, como os das outras localidades cuidaram ao mesmo tempo da criação dos gados bovino, equino, suíno e galináceo.
Por esse tempo ainda pertencíamos à Capitania de S. Paulo (S. Vicente) e só pelo Alvará de 8 de Novembro de 1748 tivemos Província autônoma sob a administração de D. Marcos de Noronha; esta foi instalada a 8 de novembro de 1749.
Por esse tempo a Paróquia da Conceição se limitava até os marcos, esteios de aroeira, fincados numa linda várzea a duas léguas para o sul desta Cidade. Ainda lá estão três destes esteios com 191 anos!
Destes marcos até os limites com o estado da Bahia dominavam os índios Xerentes aldeados em Missões, pelo Conde dos Arcos conforme já dissemos.
As minas auríferas das paróquias de Porto Imperial (Carmo), Chapada Natividade, Conceição e Arraias foram exploradas por aquele tempo. As do Douro, só muito mais tarde o foram. Os Xerentes impediam a exploração e só mais tarde, pelo contato com os garimpeiros da Natividade (Almas) e Conceição conheceram eles o valor do ouro. Ademais os aventureiros procedentes da Bahia incitavam a descoberta de novos garimpos e, os próprios índios descobriram o filão mais rico até hoje conhecido na zona ao lado do qual fundou-se esta localidade – DOURO, DURODIANÓPOLIS.
Parte dos índios aldeados em Missões incorporou-se à nossa civilização; a outra parte retirou-se para as cabeceiras do Rio Sono. O aldeamento foi extinto e seu território incorporado à Paróquia de Conceição.
Esse garimpo principal foi comprado aos Xerentes pelo Major João Nepomoceno de Sousa, mineiro do Paracatu, e Manoel Nunes Viana, baiano, de Sento-Sé, que o exploraram com muito proveito, resultando daí a fundação desta localidade. João Nepomuceno era o intelectual da exploração, e por isso teve as honras de fundador do Arraial.
A depredação do meu arquivo pelos policiais do caiadismo priva-me de muitos dados importantes. Eu tinha toda a história de Goiás. Não posso precisar a data da criação do Distrito de Paz de Duro, penso, com boas razões, que foi na mesma data que Conceição foi elevada a Vila, pois conheço estas escrituras passadas aqui pelo Escrivão Manoel Felizardo de Sousa Ferraz em 1860.
Em 1884, o território do Distrito foi desmembrado do Município de Conceição e elevado à categoria de Vila, a qual, entretanto, só foi instalada em 1892 pelo mesmo Major João Nepomoceno de Sousa, seu digníssimo e ilustre fundador, que por essa ocasião já tinha como companheiro nas lides locais o Coletor Estadual Joaquim Aires Cavalcante Wolney e o ilustre advogado baiano Francisco Liberato da Silva Costa, recém chegado, homem de primorosa cultura e chefe de numerosa família, que imprimiram novos costumes à nossa sociedade.
Alguns dos principais de Conceição se transferiram para Duro, não só pela descoberta de novos garimpos como pela amenidade de seu clima e fertilidade de suas terras. Entre estes se destacavam o Te. Justino de Araújo Bacellar, o maior criador de gado bovino e equino daquele tempo, além de outras. Na sua fazenda Retiro se amansavam 500 bezerros e 250 poldrinhos. Salvador Francisco de Azevedo e Francisco José de Almeida, grandes negociantes para a praça da Bahia. Antônio Joaquim da Silva, pai do grande sertanejo Cel. Joaquim da Silva. Francisco Rodrigues, que deixou numerosa e distinta família.
João Nepomoceno de Sousa veio a falecer em 1894, aos 85 anos de idade, cercado de considerações, estima e deixando a sua obra realizada!
Sucedeu-lhe na diretriz das coisas locais o Cap. e depois Cel. Joaquim Aires Cavalcante Wolney, espírito empreendedor e realizador. Foi este que em 1891 fez a primeira viagem desta à cidade de Barreiras do E. da Bahia, com 5 carros de boi, abrindo 300 quilômetros de estrada carroçável, às suas expensas. Ainda foi ele de sociedade com o autor destas linhas que montou o encanamento d’água que serve a maior parte da população da cidade, em 1897, e ponte sobre o Rio Ponte em 1915, na estrada que se dirige para Barreiras, entregando-a ao trânsito público.
Depois da autonomia do Município os homens que mais se destacaram foi o próprio Wolney, seus irmãos Manoel Ayres, Eliseu e Alexandre, Domingos Francisco Dinis, João Rodrigues de Santana, Cândido Nepomoceno de Sousa, Francelino Teles de Faria, Manoel José de Almeida, João Batista Leal, neto de Justino Bacellar, Benedito Pinto de Cirqueira Póvoa, que chegou a ser o maior comerciante da zona, e Abílio Wolney, que chegou a ser eleito deputado por duas legislaturas, liderar e afinal presidir a Câmara dos Deputados deste Estado. [263
Em Conceição, das famílias que citei destacaram-se Serafim Teles, Custódio José de Almeida Leal e seu filho José de Almeida Leal, uma das mais possantes inteligências que a zona já tem produzido. Antonio Alves Bandeira, Benjamim Bandeira, Vitor Lino Pereira Póvoa, Fulgêncio Guedes, Manoel Teles, José Fernandes de Oliveira e Eliseu Antônio de Araújo.
Da gente mais nova posso citar: Luís Leite Ribeiro, filho de Porto Nacional, mas residente ali, um belo talento jornalístico; Casimiro Costa, filho do advogado Francisco Liberato, genro de José Leal e progenitor de numerosa família, da qual se destaca o já considerado grande bacteriologista Dr. Alexandre Leal Costa residente na Bahia; Serafim e Custódio Leal, José Francisco de Azevedo, José Leal Filho, Salvador Guedes, Raimundo Fernandes e Coquelim Aires Leal, bela inteligência e grande educador.
Dianópolis perdeu muito com a hecatombe de 19 [264, mas os descendentes dos extintos honram seus progenitores; deles destacam-se os irmãos Póvoa – Antônio, já falecido, Liberato, Benedito e Pery. Dos Rodrigues destacam-se Augusto, Herculano, Marcos e Pedro. Da família Diniz, José Francisco. Manoel Ayres e José Anísio Leal Costa.
Dos homens de outros pontos que tem contribuído e estão contribuindo para o progresso do município destacam-se: Silvino Conceição, Afonso Carvalho, Francisco Ribeiro, José Cândido Alves, Leonides Pereira da Silva, João Joca Costa, Coquelim Costa [265, hábil mecânico, João Nunes, Venâncio Morgado e os irmãos Moura; Anisimiro Costa, Ângelo Rego e o distinto professor Corrêia de Mello. [266
COMÉRCIO
As nossas primeiras praças comerciais neste Estado foram: Porto Imperial, hoje Nacional, Peixe e Palma. Para o Estado da Bahia eram Santa Rita, Barra, Feira de Santana e Cachoeira, onde vendiam.
O Rio Grande da Bahia ainda não era navegado. Barreiras não existia como nem se cogitava ainda da Estrada de Ferro, que mais tarde veio ligar a cidade de Salvador a Juazeiro sobre o S. Francisco.
Nenhum nordestino goiano leva mais suas boiadas a Mundo Novo, Jacobina, Morro do Chapéu ou Lavras. Resta Quintino de Castro de Natividade que ainda vai vender gado em Santa Rita ou Barra. O maior número está sendo vendido para as charqueadas de Barreiras e para os mercados do Piauí e Maranhão.
Barreiras, atualmente, está centralizando o comercio de diversos Municípios desta fronteira. A navegação do Tocantins, que havia caído, procura ressurgir agora com barcos motorizados.
OS ÍNDIOS XERENTES [267
Quando acossados pelas Bandeiras de Francisco d’Ávila, do lado da Bahia abandonaram eles os seus aldeamentos de Aricobé, Sapão, Rio Corrente e Alto Parnaíba, transpuseram o Planalto e ocuparam a fronteira goiana de Douro (Dianópolis) até S. Felix, sobre as cabeceiras do Rio do Sono; nesta zona tiveram tranquilidade; puros ou mestiços, habitam-na até hoje.
CONFLITOS
A parte dos índios Xerentes que retirou-se do aldeamento de Missão, alguns anos depois, munidas a seu modo, voltou e atacou os aldeados, os quais tinham como Cap. o possante Lázaro e já possuíam armas de fogo. Sob seu comando entrincheiraram-se na Igrejinha e mais numas casinhas cobertas de telhas, donde se defendiam a tiros, mas os atacantes eram numerosos; o cerco já demorava três dias, os viveres e água já esgotavam, quando Lázaro se lembrou de subir a torre da Igreja, donde avistou o Cap. dos atacantes com suas vestes de comando, dando ordem de avançar. Dali do alto, com um tiro certeiro prostrou-o, e bastou. Os atacantes correram conduzindo o cadáver do chefe e nunca mais voltaram.
Lázaro, que ainda conheci, veio a falecer em 1888 deixando sua aldeia incorporada à nossa civilização – não teve mais sucessor.
ASSALTO EM 1881
Aqui trabalhava Félix [268, ourives do seu ofício. Tinha uma irmã donzela que foi violada, e ele, que tinha inclinação para a pilhagem, ao invés de procurar os meios lícitos ou vingar-se do violador, ele que conhecia as reservas de ouro do lugar, optou por um assalto.
Cá esteve observando o movimento da população local, sabia, como morador que já era que em certa época do ano os homens de certo prestígio se retiravam tratando de seus negócios e a localidade ficava indefesa.
Nessa quadra retirou-se, aliciou um pequeno grupo de salteadores na fronteira baiana e de surpresa atacou e roubou esta localidade conduzindo todas as reservas de ouro que encontrou.
Esse roubo causou grande retrocesso à localidade que prosperava, sobretudo a desconfiança de um novo assalto.
Félix conhecia tanto a gente local, sabia que o homem que podia repeli-lo era o Cap. Wolney, que reservou seu assalto para a ocasião em que este costumava anualmente ir visitar seus parentes em Conceição.
Quando Wolney teve a notícia, e de lá, auxiliado por seu cunhado José Leal, às pressas, movimentou-se em defesa da localidade já não alcançou Félix. Os limites do Estado ficam próximos e ele os havia transposto levando a rica presa.
Mas os homens principais já haviam feito suas reservas em criação de gado bovino e equino que Felix não pode levar. Já tinham uma pequena lavoura fundada e a população suportou esse assalto sem decair. [269
1888
Veio inesperadamente a liberdade da escravatura, liberdade que era desejada por todos os brasileiros de bom coração, mas que desconcertou a economia particular. Aqui, o serviço de garimpagem foi logo abandonado, assim como muitas lavouras de café e de cana; Manoel Nunes Vianna, já velho, mas apaixonado pela mineração, ainda foi trabalhar, quase só, em um novo garimpo denominado Garrafas, do município de Natividade, onde faleceu.
(Omissis)… [270
NOVO PERÍODO DE GARIMPAGEM
Os sucessores das vítimas de 18–19, repatriados, mas empobrecidos, nem por isso perderam a fibra procedente das velhas estirpes; sabiam da riqueza aurífera do município e entenderam de explorar o seu principal filão, aquele que Nepomuceno deixara por falta dos meios para esgotar a água que afluía abundante; chegaram até o ponto, mas a água vertente novamente lhes embargou o passo, e eles tiveram que deixar o segundo MORRO VELHO a espera de capital e indústria.
Mas as coisas querem começo. Dessa tentativa surgiram os pesquisadores volantes e ainda são os descendentes dos Rodrigues que vão descobrir, à flor da terra, o Garimpo do St. Elias, que se pode afirmar: fez a renascença deste Município.
Não faltaram mais exploradores por toda parte a revolver as explorações aluvionais antigas e a encontrar novos depósitos.
A lavoura começou a se refazer sobre as ruínas de Siqueira, ao lado dos garimpos; os restos dos rebanhos começaram a ser cuidados carinhosamente e a saúde econômica do Município vai se restabelecendo em todos os seus órgãos; seu clima e sua posição geográfica lhe asseguram a centralização do comércio da zona garimpeira; seu Governador atual Major Veríssimo Teixeira da Mata é um homem probo, de largo descortínio, espírito são, desapaixonado, inclinado ao bem. Destes predicados já todos os seus governados conhecem a ele tem na população sua própria força; suas resoluções normadas pelos bons princípios de economia, de direito e de moral são acatadas; é o tipo de Governador que não carece de soldados para executar seus Decretos ou cumprir os que procedem das autoridades superiores; cada dianopolino é um soldado seu.
O nosso Delegado Municipal atual, Major Silvino Conceição, é outro homem que, sem ter cultura, sabe se impor pelo seu procedimento que lhe criara a necessária força moral; também este não carece de força pública. Quando tem de mandar fazer uma intimação ou mesmo uma prisão manda amistosamente convidar o acusado e este comparece sem recalcitrância, confiante nas suas justas decisões, que obedece.
O Coletor Estadual Antônio Leite e seu Escrivão Osório Coutinho são assim duas pessoas à parte da sociedade cuidando exclusivamente dos deveres fiscais, no que são restritos dentro da Lei, mas sem imcompatibilizarem-se. Mas, nem por esse catonismo deixam de ser estimados e obedecidos, porque são justos. O contribuinte vai à Coletoria sabendo que vai pagar o imposto ou taxa orçamentária sem extorsão e eles também não carecem de policiais.
Por enquanto não temos Juiz em exercício, o que é de lamentar-se.
Depois de tantas hecatombes, dessa noite escura de 1918-19 até 30 e, num local de garimpagem que recebe constantemente brasileiros de diversos pontos do País parece um sonho tanta ordem, tão irrepreensível organização social e familiar.
Alço as mãos aos CÉUS em fervorosa prece pedindo a dilatação do nosso Governo Nacional com Getúlio Vargas, do Estadual com Pedro Ludovico, do Municipal com Veríssimo da Mata.
A síntese da história do Município é esta.
Vamos ver agora à sua corografia.
COROGRAFIA
Este município constitui uma faixa de terras entre os rios Palmeiras e Manoel Alves, respectivamente, pelo Sul e pelo Norte; a Oeste se limita com Natividade e Palma; a Leste com o Estado da Bahia pelo divisor das águas.
Do Planalto da Serra das divisões, o território do Município se projeta para o Vale do Tocantins com acentuada declividade, que se opera em degraus. O mais alto é o do plano compreendendo deste uma faixa estreita sem vertentes para o nosso lado até o primeiro degrau da Serra formado por escarpas altaneiras e belas, que do sopé à culminância medem de 200 a 300 metros. Nesta parte não tem habitantes por falta d’água; os animais que a habitam bebem nas nascentes baianas. Esta parte compõe-se de planícies cobertas de gramíneas, de tucunzais rasteiros e de árvores de pequeno porte, entre as quais sobressaem as paineiras.
Os tucunzais devem cobrir a décima parte da faixa, senão mais. Se estendem de Sitio de Abadia ao Maranhão com ramificações para Piauí e Ceará; a fibra de tucum já é bem conhecida e estudada no Brasil. Só falta ser explorada para constituir uma fonte de riqueza pública. O tucum tem um caule subterrâneo que chega a atingir 3 metros e, nos anos de estiagem, em que a lavoura falha, os nossos patrícios sertanistas o arrancam, dele extraem uma fécula semelhante à de mandioca e preparam beijus com que se nutrem, servindo para misturar com as carnes de veado, emas e tatus.
PATAMAR DA SERRA E PLANÍCIE
É uma faixa de terrenos acidentados. Depois das escarpas da Serra, seguem-se os areais e as nascentes dos cursos d’água mais fortes. Depois dos areais, começam a aparecer as matas em terreno acidentado, mas muito fértil, até chegar-se à planície que se estende entre os rios Manoel Alves e Palmeiras até seus limites pelo Oeste.
GEOLOGIA
Parece-nos que a parte do planalto do Município representa a última camada da formação desta parte da terra. Nela não se encontra nenhum ves-(?) em arenitos se reconhece sua composição e aproximadamente se calcula sua espessura.
Os areais do patamar são produtos da sua decomposição e, à medida que as águas arrastam-nos, vai se descobrindo a terra vermelha, vestígios de metais, as pedreiras do siluriano [271, em cujas grutas se encontra salitre e depois os filões e cascalhos auríferos, não só em toda Serra, que forma o segundo degrau, como por todo o baixo ou planície. Nesta parte, encontram-se alguns montes bem altos, isolados, notadamente o denominado TESTA BRANCA, cuja composição arenítica demonstra já ter feito parte do plano da cumeada, por onde começamos esta descrição.
MINÉRIOS
Nas escarpas da Serra encontra-se pedra-ume; nas grutas do siluriano, salitre de potássio; nesse mesmo siluriano, que aflora às margens do Rio Ponte muita pedra calcária; noutro afloramento do siluriano nas fazendas Taipas e Engenho do Distrito de Conceição também pedras calcárias e bons mármores brancos, azulado e róseo; no morro TESTA BRANCA, lâminas brancas de 3 a 4 metros de dimensão e diversas espessuras; tem-se encontrado turmalinas, cristais de rocha pequenos e micas, também pequenas.
Aqui perto da Cidade, do Vale do Riacho S. Martins, afloram massas formidáveis de granitos. Em diversos lugares, o sílex, de que os índios se serviam como instrumento cortante, enquanto com o granito preparavam os machados para derrubada de árvores.
Neste Município, o minério que empolga é o ouro, que se encontra em filões, veeiros e cascalhos; nas explorações do ouro tem-se encontrado galena e piritas de enxofre.
As nossas minas conhecidas, na sua maior parte abandonadas por falta de meios de esgotar a água do lençol, que logo atingem, são: a dos Tapuios, filão riquíssimo, talvez um segundo Morro Velho, que deu lugar à fundação desta cidade. Há 200 metros da mesma, para Leste, diversos outros convergentes para este, Businas, Lavrinhas, Fortuna, Pau Zunhado, S. Martins.
Na descambada do patamar da Serra, St. Elias e Vazante; na planície vamos encontrar os ricos cascalhos da Taboca, Riacho da Onça, todo o leito do rio Manoel Alves e diversos afluentes deste.
No Distrito de Conceição, as nomeadas e muito ricas lavras de Cajazeiras, Sapateiro, Coixo, Pindobas, Buraco do Moleque, Buraco de Francisco Manoel, Misericórdia, Suçuarana, St. Antônio, Gambá, S. Felipe, Curralinho, Maria Pinto e outros garimpos de menor valor, que não vale mencionar.
HIDROGRAFIA
Conforme já dissemos, os nossos cursos d’água perenes têm suas nascentes nos boqueirões da Serra das divisões. Pelo lado do Norte, o Manoel Alves, cujos tributários principais são: o Manoel Alvinho e o Mombó e, pelo lado Sul, o Palmeiras, cujos tributários principais são: Duas Pontes e Rio da Ponte. Ambos recebem numerosos outros riachos e córregos, que no seu curso do patamar da Serra são perenes. Logo que caem na planície, dá-se a infiltração e os pequenos riachos secam, ficando apenas poços, os olhos d’água e os rios principais.
Ao descer a Serra, todos os nossos rios formam cachoeiras, sendo a mais notável a do Manoel Alvinho com uma altura de cerca de 40 metros; diversas quedas de 5 a 10 metros no Manoel Alves e outras tantas no Palmeiras. Neste é maior o volume das águas, sendo por isso mesmo as nossas maiores fontes de energia.
FLORA E FAUNA
Na faixa do Planalto, conforme já dissemos, estão os extensos tucunzais rasteiros, de grande futuro, dado o valor de sua fibra.
Os capinzais são quase desaproveitados pela nossa criação bovina pela distância a que ficam das aguadas.
As poucas madeiras de valor que por ali se encontram – sucupiras, vinháticos e barbatimões, e algumas outras, só poderão ser aproveitadas quando tivermos transportes baratos. Os frutos são poucos e de pouco valor; deles se nutrem os animais silvestres, que vivem ali, e são os veados campeiros, numerosos ainda, apesar de muito perseguidos pelos caçadores profissionais; as emas corredoras que perseguidas ainda com maior intensidade, não só matando as adultas para comer a carne, vender as plumas e as peles, como ainda apanhando as ninhadas de ovos. Não havendo uma medida coercitiva dessas caçadas dentro em pouco tempo essas espécies serão extintas.
Depois dessas duas espécies, vêm os porcos bravios denominados queixadas, que prosperavam nos tucunzais e buritizais, e mesmo por ser a carne mais saborosa, estão a ser extintos. Vem depois essa raia miúda, e nem por isso desprezível, dos tatus canastras, verdadeiros, pebas, chinas e bolas em grande número, apesar de serem os mais procurados pelos caçadores, dado o sabor de sua carne; os tamanduás-bandeira e mirim, as raposas, os guarás, os gatinhos cinzentos e os ouriços.
As aves propriamente são representadas pelas seriemas, araras, ararinhas e papagaios em grandes bandos; caracarás e pinhéns, gaviões, pêgas, cancãos e pica-paus; ainda lá estão as numerosas perdizes e codornas.
Os lagartos são representados pelas lagartixas; os répteis pela cascavel, jararaca e cobras de cipó.
O gênero apis é francamente representado: temos ali jataís, abelha branca, urucu, que chega a produzir 10 litros de mel na sua isolada colmeia, borá, tataíra, sanharó, mandaguari, caruara, abreu, papa sebo, abelha de sapo, boca de barro e a cupinheira, a mais simpática das viajantes.
FLORA E FAUNA DO PATAMAR
Ao descer o primeiro degrau da serra, estão os areais recortados por numerosos brejos formadores das nossas principais nascentes.
Mesmo esses areais são cobertos de capinzais agrestes, que alimentam o gado depois de queimados durante a estiagem.
Os brejados representam faixas verdes estendidas entre os areais. No centro das faixas, ao lado das correntes, erguem-se os buritizais, as mais lindas e altas palmeiras do Município. Entre estas palmeiras vicejam outras de porte menor como as buritiranas e os patibas [272, cingindo essas rainhas do nossos brejados.
Como que dignificando a dinastia, erguem-se também as pindaíbas, os landis, os orocais, muitas árvores cuja nomenclatura não conheço e fetos de alto porte.
Como que para dar realce a essa vegetação luxuriante, cujas árvores nunca se desnudam, formam-se as várzeas cobertas de uma gramínea especial, de sorte que do alto das escapas, obras das próprias correntes, se contempla com admiração aqueles brejos destacados, recebendo seus tributários com galhos da mesma árvore, cujos troncos estão erguidos na planície com os nomes de Palmeiras e Manoel Alves.
Não estão ali as melhores terras de cultura nem os melhores campos da razão de ser da nossa existência, adornada com festões de flores e cantada pela poesia que só a própria NATUREZA sabe escrever nas suas estrofes inigualáveis, gravadas em cada ser pequenino, em cada musgo, ou lichia, em cada inseto, libélula ou ave; em cada animal de porte.
Está ali o nosso centro circulatório a animar nossa existência.
A vegetação sobre os areais é encarquilhada. Numa ou noutra baixada erguem-se os jatobazeiros, pequizeiros e puçazeiros que fornecem tão nutritivos quão saborosos frutos; nos altos, as mangabeiras que, além dos frutos saborosos, nos fornecem precioso látex; as copaibas, oitis e sapucainhas.
Depois começam a repontar as terras férteis, os capinzais de jaraguá e gordura; os pequenos matos povoados de madeiras de valor como sejam: o PAU-BRASIL, o jacarandá, araucárias, cedros, ipês, perobas, claraíbas, gonçaloalves e marfins e garapas de grande porte; landis, angicos, angelins, camaçaris, tarumãs e jequitibás.
A flora da planície pouco difere. Apenas rareiam os buritizais, os landis, os jequitibás e perobas. Em compensação, os campos abertos, os vargedos; são dos melhores para a criação bovina e equina; para que ela se torne superior sob o ponto de vista pastoril, basta que o homem intervenha impedindo a devastação das pastagens pelas queimadas durante a estiagem, fazendo tanques e represas para não faltar água ao gado durante a mesma estação.
FAUNA
A do patamar e da planície se enriquecem com as antas, capivaras, suçuaparas, o nosso maior veado, o mateiro e o catingueiro; as onças pardas, pintadas e pretas; gatos pintados, pardos e afogueados, caititus, quatis, guaxinins, papa-méis, guarás, raposas, ouriços, cachorrinhos do mato, lontras e ariranhas, preás, cutias, pacas, mocós, ratos de diversos tamanhos, morcegos pequenos e grandes, teiús, camaleões, lagartixas e calangos.
Quanto aos nossos veados, convêm citar uma particularidade que mesmo alguns cientistas não conhecem a vêm a ser que todos os machos, do catingueiro à suçuapara, do mês de janeiro para fevereiro de cada ano, perdem as pontas, que renascem um mês depois cobertas de uma película lanosa, que se rompe mais tarde dado o atrito que os veados operam de encontro às arvores.
Quando os veados percebem que as pontas estão prestes a cair se recolhem… voltam ali diariamente para triturá-las até ingerir todas. Fenomenalmente algum caçador tem encontrado ponta de veado caída. E encontrando fica de espera, certo de que o dono tem de voltar e ele de empregar um tiro de perto, certeiro.
Temos também jabutis e cágados; os nossos jacarés são pequenos e fazem pouco mal.
Os nossos animais venenosos são os répteis, felizmente poucos – a cascavel, a jararacuçu, a jararaca, jararaquinha e a coral de pintas pretas; os sucuris são numerosos, especialmente nos pantanais, e causam danos à criação; as jiboias dão menor prejuízo; as caninanas comem muitos pintos e aves úteis. Se pudéssemos educá-las para só comerem ratos, aves daninhas e as cobras venenosas seriam de valor inestimável.
Além das aves já citadas, temos no patamar e na planície, com seus nomes vulgares, a acuan, alma de gato, sabiá, bem-te-vi, pássaro preto, angolão, corrute, mãe-da-lua, lambu, perdiz, (na chapada) jaó nas matas, mutuns – essas aves que às quatro horas da manhã anunciam a volta do sol; jacu, juriti, pomba denominada verdadeira, pombinhas cinzentas e pardas, tico-tico, araponga, joão congo de duas qualidades, tucanos de bico vermelho, maiores, e de bico preto e branco, menores; periquitinhos verdes, testas e guerreiros, maitacas, ararinhas.
Também não faltam nesta parte as lindas e tão alegres araras pretas, azuis, amarelas e vermelhas; as primeiras, as mais inteligentes, aprendem falar nossa língua; as vermelhas, as mais formosas e menos inteligentes.
Nossas aves aquáticas não são muitas. Temos o jaburu, tipo maior, socó, martim-pescador, patos e marrecas; garças brancas, pardas e róseas muito lindas, e quem-quens, e uma raia miúda de comedores de piabinhas, quando os lagos começam secar, que não sei classificar.
PEIXES (E OUTROS ASSUNTOS DA TERRA) [273
Temos poucos. Das cachoeiras formadas, ao cair do segundo degrau da Serra para cima, só se encontram pacus, piaus, ladinas, piabas, traíras e iéiús. Depois das cachoeiras, aparecem os peixes do Paranã: piabinhas, caranhas, dourados, jaús, piratingas e outros peixes de menor importância, que não sei nomear. Ao lado deles e se alimentado dos menores estão as lontras e ariranhas; os jacarés já são maiores e vão se tornando ferozes.
Temos ainda o peixe elétrico, poraquê ou treme-treme. Quando a ciência descobrir a razão da eletricidade desse peixe, teremos talvez a mesma revolução que fez o petróleo. As energias de que ele dispõe devem estar no seu hábitat e lá a ciência deve ir procurá-las.
Voltemos ainda à terra: quanto à flora, deixei de mencionar os extensos babaçuzaes da fazenda Taipas e as macaubeiras que começam a aparecer depois dos areais e daí por diante são encontradas por toda parte. O valor destas duas palmeiras é bem conhecido; basta mencionar sua existência. Entretanto não posso resistir ao desejo de dizer, da minha experiência, que a fibra da macaubeira é superior a todas as outras daqui do Nordeste do Estado; que sua cultura é de todas a mais fácil; que também temos piteiras, cuja fibra é bem conhecida e explorada em outros Estados; extensos caroatais produtores de frutos agro-doces e picantes muito apreciados e também fornecedores de boas fibras; que a mangueira-de-rim parece nativa, assim como as bananeiras de todas as qualidades conhecidas no Brasil; as mandiocas e as canas cultivadas; o amendoim e o gergelim; o girassol, as abóboras, os melões, os quiabos, inclusive aquele excepcional de metro de comprido; os maracujás, os jilós, os tomates, as jurubebas, caapebas, copaíbas, cajazeiras, cagaitas, sapucainhas, limões, cidras, laranjeiras, abacateiros, cacaueiros, jaqueiras, cajueiros, sapotizeiros, gengibre, ararutas, batatas, inhames, mandiocas, carás, taiobas, quase todas as plantas medicinais nativas do centro e do norte do País.
Volvendo à família das abelhas, temos a acrescentar jataí, bijuí, chupé, abelha-de-sapo, boca-de-barro e as famosas mumbucas e tiúbas, as maiores trabalhadoras e que chegam a produzir muitos litros de mel da colmeia.
Entre as vespas encontra-se o maribondo inchú, que também produz mel e muitos dardos bem venenosos, que não sei classificar.
A classe dos aracnídeos é representada pelo escorpião e diversas aranhas, sendo a caranguejeira a maior e venenosa.
Bem compreendo, Sr. Prefeito, que este meu trabalho está muito longe da perfeição e, dois fatores para isso concorreram: a minha falta de preparo e o pouco tempo que me foi concedido. Fiz o que pude, dentro da possibilidade, para prestar meu fraco concurso à administração de V. Exª. e também ao meu Estado natal. Se pudesse, teria engalanado estas páginas com as cores de maior realce; teria posto em cada frase uma flor de retórica; em cada palavra o perfume que trescala de tudo que viceja neste rincão brasileiro, do Estado de Goiás, coração e grande ESPERANÇA DO BRASIL.
Dianópolis, 3 de abril de 1940.
Abílio Wolney” [274
***
25 anos após ele partia…
Ingressava na história, ileso às baionetas da chacina oficial, onde ficaram os seus. Digno de se repetir: Morria naturalmente no Casarão. É como se ouvisse o povo contar: Lá ia o cortejo no seu último itinerário… Coberto de flores, desceram-lhe à tumba molhada com o pranto dos que o amaram. [275

Túmulo construído por Abílio Wolney Aires Neto e Doralina Wolney Valente



Meu primo e meu Professor de Português.
Nele via-se o borbulhar do gênio, o ator da
vida no teatro (à esquerda da fotografia),
o mestre nas solenidades do Colégio João
d’Abreu, ensinando gerações. Deixou-nos
cedo, embalado no poema-profecia de sua
autoria, prevendo o seu próprio desenlace:
Quero morrer em noite de junho,
Subir com os balões… ser um deles,
Chegar no céu
E brincar de fogueira com os anjos.
Soltar fogos de artifício… jogar estrelas…
Espalhá-las no firmamento.
Serão sorrisos que darei à Terra.
E cantar
Soltando balões de nuvens brancas,
Destas que purificam o céu em tardes claras.
E os anjinhos negros soltarão bombinhas,
Vendendo pipocas e doces
Farão a alegria típica das noites terrenas.
Então… eu me lembrarei de espiar na janela
Para ver o que se passa no mundo…
E ao ver seus olhos brilharem na noite
Dois meteoros surgirão no espaço:
São minhas lágrimas de saudade de Ti…
Carlos Alberto Wolney
Conta-nos Voltaire Wolney, na sua obra “Colégio João d’Abreu – Amor História Educação” que
Carlos morreu exatamente em 12 de junho [276 de 1979. Sua voz cheia e forte ainda reboa no passado vívido do seu povo: no comando das quadrilhas, nos cantos litúrgicos e nas arrebatadoras aulas de História Geral; seus passos pequenos e ágeis ainda ressoam, ora entre as fileiras de alunos nas manhãs cívicas, ora nas longas procissões de domingo de ramos.

Carlos Alberto Wolney (Acervo dos descendentes de Jaymira Wolney Costa)


[263 Aqui reside uma dúvida: teria ele exercido dois mandatos de Deputado Estadual – pelo que dá a entender no que escreve – ou teria exercido três mandatos, como anotou-se, referindo-se ao terceiro como o em que “presidiu a Câmara dos Deputados do Estado”? Com efeito, o livro “O Legislativo em Goiás – Perfil Parlamentar I”, Vol. 2, editado, em 1983, pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (escrito pelo Prof. Itami Francisco Campos e Arédio Teixeira), transcreve Atas dos seus anais dando conta de três mandatos de Deputado exercidos por Abílio Wolney, fazendo menção ainda a um 4º mandato de Deputado Estadual, para o qual teria sido eleito e depurado (aqui, a exemplo do que ocorreu em 1900, quando fora eleito Deputado Federal e também depurado pela oligarquia).
[264 A Chacina de 1919, conhecida como a Chacina dos Nove ou O Barulho.
[265 Tio Coque.
[266 João Corrêia de Melo.
[267 Tribo indígena que, juntamente com os xavantes, forma o maior grupo dos acuéns [V. acuém.], habita as terras entre os rios Sono e Tocantins (GO), e já está integrada na sociedade nacional.
[268 Sob o título “Assalto em 1881”, o Prof. Osvaldo Rodrigues Póvoa – que, ao que tudo indica, teve acesso a este documento ou a parte dele – escreve que “Félix Serafim de Belém, chefe dos bandoleiros que atacaram a vila de São José do Duro em 2 de fevereiro de 1881, com vinte e cinco jagunços, morou anteriormente na rua que se chamava Bate-Chinelo, depois Rua do Coité e atualmente Rua Cel. Abílio Wolney. Em setembro de 1879, vendeu a casa que possuía naquela rua e retirou-se para a Bahia.
[269 Sobre Félix Serafim de Belém e seus “bundões” bandoleiros, a pesquisadora Noélia Costa Póvoa Araújo lembra de uma cantiga de algum trovador sertanejo ou das mulheres da Vila, que atravessou mais de um século e chegou até nós em dois quartetos:
A dois de fevereiro
Ali o madrugadão
O Félix deu no comércio
Com 25 bundão
As muié corria
De camisa e anágua
Dizendo corremo gente
Que o Félix chegou zangado.
[270 Foi deslocado daqui para o Cap. XVII o texto que trata da Chacina de 1919.
[271 Verbete: siluriano (As rochas típicas do período siluriano encontram-se ao sul do País de Gales.). Adj. E s. m. 1. V. período -. (Obs. do autor).
[272 Seriam o pati, o catulé, o coco-babão? (o autor).
[273 Parênteses inserido pelo autor.
[274 A assinatura de Abílio Wolney acima foi inserida pelo autor. Insta observar que, no texto transcrito, os nomes de peixes, aves e plantas, como o próprio Abílio Wolney ressaltou, foram colocadas na linguagem popular, sem preocupação com o léxico, mas como eram pronunciadas nos anos 40, portanto há mais de 60 anos.
[275 Paráfrase de Shakspeare.
[276 Época das festas juninas no Colégio João d’Abreu.
BIBLIOGRAFIA
I – FONTES DOCUMENTAIS:
–DOIS DIÁRIOS E CARTA S DE PUNHO DO PROTAGONISTA.
–AUTOS DO PROCESSO DE 1918/1919, FOTOCÓPIAS DOS ORIGINAIS – EXTRAÍDAS JUNTO AO ARQUIVO HISTÓRIO ESTADUAL EM GOIÂNIA.
–JORNAL O ESTADO DE GOIÁS, DE ABÍLIO WOLNEY, ANO I, N. 7, P. 3, DE 19.02.1911 E EDITORIAL DE 12.06.1913.
II – LIVROS CONSULTADOS, REFERIDOS E CITADOS:
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Este livro foi impresso na oficina da Asa Editora Gráfica Ltda /Editora Kelps
No papel: off-set 75g
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[Fim
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