<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>PAINEL CULTURAL Archives - Jornal Cidade</title>
	<atom:link href="https://jotacidade.com/coluna/painel-cultural/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://jotacidade.com/coluna/painel-cultural/</link>
	<description>Seu Periódico Saudável</description>
	<lastBuildDate>Mon, 02 Mar 2026 04:00:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/02/1-JC-logo22-80x80.png</url>
	<title>PAINEL CULTURAL Archives - Jornal Cidade</title>
	<link>https://jotacidade.com/coluna/painel-cultural/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [ANEXO &#8211; ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-anexo-abilio-wolney-faz-outros-registros-historicos-homenagens-e-bibliografia/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-anexo-abilio-wolney-faz-outros-registros-historicos-homenagens-e-bibliografia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 16:04:38 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33879</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160;  [ANEXO &#8211; ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA &#160; ANEXO   ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS &#160; Como o objetivo maior deste &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-anexo-abilio-wolney-faz-outros-registros-historicos-homenagens-e-bibliografia/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [ANEXO &#8211; ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33890" class="wp-caption alignnone" ><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-33890 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia.jpg" alt="" width="784" height="451" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia.jpg 784w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia-300x173.jpg 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia-768x442.jpg 768w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia-395x227.jpg 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/ZZf3-jpg-Copia-200x115.jpg 200w" sizes="(max-width: 784px) 100vw, 784px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Em pé, da esquerda para a direita, os irmãos: Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), Pery Wolney Aires, Voltaire Wolney Aires, Maria Margareth Wolney Aires, Norman Wolney Póvoa e Abílio Wolney Aires Neto. Sentados, os pais Zilmar Póvoa Aires e Irany Wolney Aires <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong> <em>[</em></strong><em><strong>ANEXO &#8211; ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>ANEXO</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como o objetivo maior deste livro foi trazer anotações de passagens históricas e registros feitos pelo próprio Abílio Wolney, transcreve-se um documento datilografado por ele em 1940 e dirigido ao Prefeito Veríssimo da Mata, o qual, sem dúvida, serve de base de muitos dados sobre a sua Dianópolis:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Senhor Prefeito,</em></p>
<p><em>Conforme o plano que adotei, quando convidado por V. Exª. para fazer parte do Diretório Municipal de Geografia deste Município, estava fazendo por partes a descrição histórica do mesmo.</em></p>
<p><em>Assim comecei, mas as exigências do INSTITUO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, para a realização do nosso Recenseamento em Setembro deste ano, não permite esse espaçamento, sob pena do Município que V.Exª. governa com tanto interesse ficar mutilado na história do Estado de Goiás.</em></p>
<p><em>Dos homens que sabem ler e escrever, neste Município, talvez seja eu o mais velho, e sobretudo o que sempre se interessou mais pelo conhecimento da história do mesmo.</em></p>
<p><em>Compreendo que para os novos rumos que o nosso Eminente Chefe de Governo quer imprimir à Nação, o conhecimento da mesma lhe é indispensável e que, para isso, cada Governador Municipal deve contribuir com interesse e critério. Sei que muitas notas que vou fornecer já constam dos arquivos públicos, algumas talvez fornecidas por min, mas servirão estas para facilitar a busca de datas.</em></p>
<p><em>Sei que as descrições alongadas aborrecem, por isso procurarei sintetizar.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>DIANÓPOLIS</em></strong></p>
<p><em>Sita em território que pertenceu aos índios Xerentes, quando aldeiados em Missões pelo Conde dos Arcos, tinha a denominação de Douro, por estar na serra do Ouro. Extinto o aldeamento, seu território foi incorporado ao Município de Conceição do Norte, depois desmembrado para formar Município independente com o nome de Duro, que foi mudado para Dianópolis.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>CONCEIÇÃO DO NORTE</em></strong></p>
<p><em>Sua edificação de Arraial data de 1740, sobre terrenos auríferos que já estavam sendo explorados. Dom Luiz de Mascarenhas, quando da sua excursão pelo Nordeste deste Estado, assistiu à fundação do Arraial, que foi elevado à categoria de Freguesia pela Lei Provincial de 23 de julho 1835. Depois foi elevada a Vila pela Lei de 14 de outubro de 1854, tendo sido instalada em 1855.</em></p>
<p><em>Por aqueles tempos convergiram para os garimpos de Conceição diversos pesquisadores aventureiros, como os de todos os tempos, e, afinal, constituíram-se ali as famílias Ferro, Póvoa, Telles, Bandeira, Guedes, Bacellar, Azevedo e por último Leal </em><em>Fernandes.</em></p>
<p><em>Os garimpos de Conceição foram bem ricos, não tanto quanto os de S. José de Tocantins, de Traíras, Água-Quente, S. Felix e Cocal em cujo local, na extensão de 400 braças, os felizardos Diogo de Gouveia e Osório extraíram 150 arrobas de ouro, nem mesmo como os de Natividade e Porto Nacional, na Serra do Carmo, mas muito bons. Os garimpeiros de Conceição, como os das outras localidades cuidaram ao mesmo tempo da criação dos gados bovino, equino, suíno e galináceo.</em></p>
<p><em>Por esse tempo ainda pertencíamos à Capitania de S. Paulo (S. Vicente) e só pelo Alvará de 8 de Novembro de 1748 tivemos Província autônoma sob a administração de D. Marcos de Noronha; esta foi instalada a 8 de novembro de 1749.</em></p>
<p><em>Por esse tempo a Paróquia da Conceição se limitava até os marcos, esteios de aroeira, fincados numa linda várzea a duas léguas para o sul desta Cidade. Ainda lá estão três destes esteios com 191 anos!</em></p>
<p><em>Destes marcos até os limites com o estado da Bahia dominavam os índios Xerentes aldeados em Missões, pelo Conde dos Arcos conforme já dissemos.</em></p>
<p><em>As minas auríferas das paróquias de Porto Imperial (Carmo), Chapada Natividade, Conceição e Arraias foram exploradas por aquele tempo. As do Douro, só muito mais tarde o foram. Os Xerentes impediam a exploração e só mais tarde, pelo contato com os garimpeiros da Natividade (Almas) e Conceição conheceram eles o valor do ouro. Ademais os aventureiros procedentes da Bahia incitavam a descoberta de novos garimpos e, os próprios índios descobriram o filão mais rico até hoje conhecido na zona </em><em>ao lado do qual fundou-se esta localidade – DOURO, DURODIANÓPOLIS.</em></p>
<p><em>Parte dos índios aldeados em Missões incorporou-se à nossa civilização; a outra parte retirou-se para as cabeceiras do Rio Sono. O aldeamento foi extinto e seu território incorporado à Paróquia de Conceição.</em></p>
<p><em>Esse garimpo principal foi comprado aos Xerentes pelo Major João Nepomoceno de Sousa, mineiro do Paracatu, e Manoel Nunes Viana, baiano, de Sento-Sé, que o exploraram com muito proveito, resultando daí a fundação desta localidade. João Nepomuceno era o intelectual da exploração, e por isso teve as honras de fundador do Arraial.</em></p>
<p><em>A depredação do meu arquivo pelos policiais do caiadismo priva-me de muitos dados importantes. Eu tinha toda a história de Goiás. Não posso precisar a data da criação do Distrito de Paz de Duro, penso, com boas razões, que foi na mesma data que Conceição foi elevada a Vila, pois conheço estas escrituras passadas aqui pelo Escrivão Manoel Felizardo de Sousa Ferraz em 1860.</em></p>
<p><em>Em 1884, o território do Distrito foi desmembrado do Município de Conceição e elevado à categoria de Vila, a qual, entretanto, só foi instalada em 1892 pelo mesmo Major João Nepomoceno de Sousa, seu digníssimo e ilustre fundador, que por essa ocasião já tinha como companheiro nas lides locais o Coletor Estadual Joaquim Aires Cavalcante Wolney e o ilustre advogado baiano Francisco Liberato da Silva Costa, recém chegado, homem de primorosa cultura e chefe de numerosa família, que imprimiram novos costumes à nossa sociedade.</em></p>
<p><em>Alguns dos principais de Conceição se transferiram para Duro, não só pela descoberta de novos garimpos como pela amenidade de seu clima e fertilidade de suas terras. Entre estes se destacavam o Te. Justino de Araújo Bacellar, o maior criador de gado bovino e equino daquele tempo, além de outras. Na sua fazenda Retiro se amansavam 500 bezerros e 250 poldrinhos. Salvador Francisco de Azevedo e Francisco José de Almeida, grandes negociantes para a praça da Bahia. Antônio Joaquim da Silva, pai do grande sertanejo Cel. Joaquim da Silva. Francisco Rodrigues, que deixou numerosa e distinta família.</em></p>
<p><em>João Nepomoceno de Sousa veio a falecer em 1894, aos 85 anos de idade, cercado de considerações, estima e deixando a sua obra realizada!</em></p>
<p><em>Sucedeu-lhe na diretriz das coisas locais o Cap. e depois Cel. Joaquim Aires Cavalcante Wolney, espírito empreendedor e realizador. Foi este que em 1891 fez a primeira viagem desta à cidade de Barreiras do E. da Bahia, com 5 carros de boi, abrindo 300 quilômetros de estrada carroçável, às suas expensas. Ainda foi ele de sociedade com o autor destas linhas que montou o encanamento d’água que serve a maior parte da população da cidade, em 1897, e ponte sobre o Rio Ponte em 1915, na estrada que se dirige para Barreiras, entregando-a ao trânsito público.</em></p>
<p><em>Depois da autonomia do Município os homens que mais se destacaram foi o próprio Wolney, seus irmãos Manoel Ayres, Eliseu e Alexandre, Domingos Francisco Dinis, João Rodrigues de Santana, Cândido Nepomoceno de Sousa, Francelino Teles de Faria, Manoel José de Almeida, João Batista Leal, neto de Justino Bacellar, Benedito Pinto de Cirqueira Póvoa, que chegou a ser o maior comerciante da zona, e Abílio Wolney, que chegou a ser eleito deputado por duas legislaturas, liderar e afinal presidir a Câmara dos Deputados deste Estado. </em>[263</p>
<p><em>Em Conceição, das famílias que citei destacaram-se Serafim Teles, Custódio José de Almeida Leal e seu filho José de Almeida Leal, uma das mais possantes inteligências que a zona já tem produzido. Antonio Alves Bandeira, Benjamim Bandeira, Vitor Lino Pereira Póvoa, Fulgêncio Guedes, Manoel Teles, José Fernandes de Oliveira e Eliseu Antônio de Araújo.</em></p>
<p><em>Da gente mais nova posso citar: Luís Leite Ribeiro, filho de Porto Nacional, mas residente ali, um belo talento jornalístico; Casimiro Costa, filho do advogado Francisco Liberato, genro de José Leal e progenitor de numerosa família, da qual se destaca o já considerado grande bacteriologista Dr. Alexandre Leal Costa residente na Bahia; Serafim e Custódio Leal, José Francisco de Azevedo, José Leal Filho, Salvador Guedes, Raimundo Fernandes e Coquelim Aires Leal, bela inteligência e grande educador.</em></p>
<p><em>Dianópolis perdeu muito com a hecatombe de 19 </em>[264<em>, mas os descendentes dos extintos honram seus progenitores; deles destacam-se os irmãos Póvoa – Antônio, já falecido, Liberato, Benedito e Pery. Dos Rodrigues destacam-se Augusto, Herculano, Marcos e Pedro. Da família Diniz, José Francisco. Manoel Ayres e José Anísio Leal Costa.</em></p>
<p><em>Dos homens de outros pontos que tem contribuído e estão contribuindo para o progresso do município destacam-se: Silvino Conceição, Afonso Carvalho, Francisco Ribeiro, José Cândido Alves, Leonides Pereira da Silva, João Joca Costa, Coquelim Costa </em>[265<em>, hábil mecânico, João Nunes, Venâncio Morgado e os irmãos Moura; Anisimiro Costa, Ângelo Rego e o distinto professor Corrêia de Mello. </em>[266</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>COMÉRCIO</em></strong></p>
<p><em>As nossas primeiras praças comerciais neste Estado foram: Porto Imperial, hoje Nacional, Peixe e Palma. Para o Estado da Bahia eram Santa Rita, Barra, Feira de Santana e Cachoeira, onde vendiam.</em></p>
<p><em>O Rio Grande da Bahia ainda não era navegado. Barreiras não existia como nem se cogitava ainda da Estrada de Ferro, que mais tarde veio ligar a cidade de Salvador a Juazeiro sobre o S. Francisco.</em></p>
<p><em>Nenhum nordestino goiano leva mais suas boiadas a Mundo Novo, Jacobina, Morro do Chapéu ou Lavras. Resta Quintino de Castro de Natividade que ainda vai vender gado em Santa Rita ou Barra. O maior número está sendo vendido para as charqueadas de Barreiras e para os mercados do Piauí e Maranhão.</em></p>
<p><em>Barreiras, atualmente, está centralizando o comercio de diversos Municípios desta fronteira. A navegação do Tocantins, que havia caído, procura ressurgir agora com barcos motorizados.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>OS ÍNDIOS XERENTES </em></strong><strong>[267</strong></p>
<p><em>Quando acossados pelas Bandeiras de Francisco d’Ávila, do lado da Bahia abandonaram eles os seus aldeamentos de Aricobé, Sapão, Rio Corrente e Alto Parnaíba, transpuseram o Planalto e ocuparam a fronteira goiana de Douro (Dianópolis) até S. Felix, sobre as cabeceiras do Rio do Sono; nesta zona tiveram tranquilidade; puros ou mestiços, habitam-na até hoje.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>CONFLITOS</em></strong></p>
<p><em>A parte dos índios Xerentes que retirou-se do aldeamento de Missão, alguns anos depois, munidas a seu modo, voltou e atacou os aldeados, os quais tinham como Cap. o possante Lázaro e já possuíam armas de fogo. Sob seu comando entrincheiraram-se </em><em>na Igrejinha e mais numas casinhas cobertas de telhas, donde se defendiam a tiros, mas os atacantes eram numerosos; o cerco já demorava três dias, os viveres e água já esgotavam, quando Lázaro se lembrou de subir a torre da Igreja, donde avistou o Cap. dos atacantes com suas vestes de comando, dando ordem de avançar. Dali do alto, com um tiro certeiro prostrou-o, e bastou. Os atacantes correram conduzindo o cadáver do chefe e nunca mais voltaram.</em></p>
<p><em>Lázaro, que ainda conheci, veio a falecer em 1888 deixando sua aldeia incorporada à nossa civilização – não teve mais sucessor.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>ASSALTO EM 1881</em></strong></p>
<p><em>Aqui trabalhava Félix </em>[268<em>, ourives do seu ofício. Tinha uma irmã donzela que foi violada, e ele, que tinha inclinação para a pilhagem, ao invés de procurar os meios lícitos ou vingar-se do violador, ele que conhecia as reservas de ouro do lugar, optou por um assalto.</em></p>
<p><em>Cá esteve observando o movimento da população local, sabia, como morador que já era que em certa época do ano os homens de certo prestígio se retiravam tratando de seus negócios e a localidade ficava indefesa.</em></p>
<p><em>Nessa quadra retirou-se, aliciou um pequeno grupo de salteadores na fronteira baiana e de surpresa atacou e roubou esta localidade conduzindo todas as reservas de ouro que encontrou.</em></p>
<p><em>Esse roubo causou grande retrocesso à localidade que prosperava, sobretudo a desconfiança de um novo assalto.</em></p>
<p><em>Félix conhecia tanto a gente local, sabia que o homem que podia repeli-lo era o Cap. Wolney, que reservou seu assalto para a ocasião em que este costumava anualmente ir visitar seus parentes em Conceição.</em></p>
<p><em>Quando Wolney teve a notícia, e de lá, auxiliado por seu cunhado José Leal, às pressas, movimentou-se em defesa da localidade já não alcançou Félix. Os limites do Estado ficam próximos e ele os havia transposto levando a rica presa.</em></p>
<p><em>Mas os homens principais já haviam feito suas reservas em criação de gado bovino e equino que Felix não pode levar. Já tinham uma pequena lavoura fundada e a população suportou esse assalto sem decair.</em> [269</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>1888</em></strong></p>
<p><em>Veio inesperadamente a liberdade da escravatura, liberdade que era desejada por todos os brasileiros de bom coração, mas que desconcertou a economia particular. Aqui, o serviço de garimpagem foi logo abandonado, assim como muitas lavouras de café e de cana; Manoel Nunes Vianna, já velho, mas apaixonado pela mineração, ainda foi trabalhar, quase só, em um novo garimpo denominado Garrafas, do município de Natividade, onde faleceu.</em></p>
<p><em> </em></p>
<h4>(Omissis)&#8230;<em> [270</em></h4>
<p><strong><em>NOVO PERÍODO DE GARIMPAGEM</em></strong></p>
<p><em>Os sucessores das vítimas de 18–19, repatriados, mas empobrecidos, nem por isso perderam a fibra procedente das velhas estirpes; sabiam da riqueza aurífera do município e entenderam de explorar o seu principal filão, aquele que Nepomuceno deixara por falta dos meios para esgotar a água que afluía abundante; chegaram até o ponto, mas a água vertente novamente lhes embargou o passo, e eles tiveram que deixar o segundo MORRO VELHO a espera de capital e indústria.</em></p>
<p><em>Mas as coisas querem começo. Dessa tentativa surgiram os pesquisadores volantes e ainda são os descendentes dos Rodrigues que vão descobrir, à flor da terra, o Garimpo do St. Elias, que se pode afirmar: fez a renascença deste Município.</em></p>
<p><em>Não faltaram mais exploradores por toda parte a revolver as explorações aluvionais antigas e a encontrar novos depósitos.</em></p>
<p><em>A lavoura começou a se refazer sobre as ruínas de Siqueira, ao lado dos garimpos; os restos dos rebanhos começaram a ser cuidados carinhosamente e a saúde econômica do Município vai se restabelecendo em todos os seus órgãos; seu clima e sua posição geográfica lhe asseguram a centralização do comércio da zona garimpeira; seu Governador atual Major Veríssimo Teixeira da Mata é um homem probo, de largo descortínio, espírito são, desapaixonado, inclinado ao bem. Destes predicados já todos os seus governados conhecem a ele tem na população sua própria força; suas resoluções normadas pelos bons princípios de economia, de direito e de moral são acatadas; é o tipo de Governador que não carece de soldados para executar seus Decretos ou cumprir os que procedem das autoridades superiores; cada dianopolino é um soldado seu.</em></p>
<p><em>O nosso Delegado Municipal atual, Major Silvino Conceição, é outro homem que, sem ter cultura, sabe se impor pelo seu procedimento que lhe criara a necessária força moral; também este não carece de força pública. Quando tem de mandar fazer uma intimação ou mesmo uma prisão manda amistosamente convidar o acusado e este comparece sem recalcitrância, confiante nas suas justas decisões, que obedece.</em></p>
<p><em>O Coletor Estadual Antônio Leite e seu Escrivão Osório Coutinho são assim duas pessoas à parte da sociedade cuidando exclusivamente dos deveres fiscais, no que são restritos dentro da Lei, mas sem imcompatibilizarem-se. Mas, nem por esse catonismo deixam de ser estimados e obedecidos, porque são justos. O contribuinte vai à Coletoria sabendo que vai pagar o imposto ou taxa orçamentária sem extorsão e eles também não carecem de policiais.</em></p>
<p><em>Por enquanto não temos Juiz em exercício, o que é de lamentar-se.</em></p>
<p><em>Depois de tantas hecatombes, dessa noite escura de 1918-19 até 30 e, num local de garimpagem que recebe constantemente brasileiros de diversos pontos do País parece um sonho tanta ordem, tão irrepreensível organização social e familiar.</em></p>
<p><em>Alço as mãos aos CÉUS em fervorosa prece pedindo a dilatação do nosso Governo Nacional com Getúlio Vargas, do Estadual com Pedro Ludovico, do Municipal com Veríssimo da Mata.</em></p>
<p><em>A síntese da história do Município é esta.</em></p>
<p><em>Vamos ver agora à sua corografia.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>COROGRAFIA</em></strong></p>
<p><em>Este município constitui uma faixa de terras entre os rios Palmeiras e Manoel Alves, respectivamente, pelo Sul e pelo Norte; a Oeste se limita com Natividade e Palma; a Leste com o Estado da Bahia pelo divisor das águas.</em></p>
<p><em>Do Planalto da Serra das divisões, o território do Município se projeta para o Vale do Tocantins com acentuada declividade, que se opera em degraus. O mais alto é o do plano compreendendo deste uma faixa estreita sem vertentes para o nosso lado até o primeiro degrau da Serra formado por escarpas altaneiras e belas, que do sopé à culminância medem de 200 a 300 metros. Nesta parte não tem habitantes por falta d’água; os animais que a habitam bebem nas nascentes baianas. Esta parte compõe-se de planícies cobertas de gramíneas, de tucunzais rasteiros e de árvores de pequeno porte, entre as quais sobressaem as paineiras.</em></p>
<p><em>Os tucunzais devem cobrir a décima parte da faixa, senão mais. Se estendem de Sitio de Abadia ao Maranhão com ramificações para Piauí e Ceará; a fibra de tucum já é bem conhecida e estudada no Brasil. Só falta ser explorada para constituir uma fonte de riqueza pública. O tucum tem um caule subterrâneo que chega a atingir 3 metros e, nos anos de estiagem, em que a lavoura falha, os nossos patrícios sertanistas o arrancam, dele extraem uma fécula semelhante à de mandioca e preparam beijus com que se nutrem, servindo para misturar com as carnes de veado, emas e tatus.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>PATAMAR DA SERRA E PLANÍCIE</em></strong></p>
<p><em>É uma faixa de terrenos acidentados. Depois das escarpas da Serra, seguem-se os areais e as nascentes dos cursos d’água mais fortes. Depois dos areais, começam a aparecer as matas em terreno acidentado, mas muito fértil, até chegar-se à planície que se estende entre os rios Manoel Alves e Palmeiras até seus limites pelo Oeste.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>GEOLOGIA</em></strong></p>
<p><em>Parece-nos que a parte do planalto do Município representa a última camada da formação desta parte da terra. Nela não se encontra nenhum ves-(?) em arenitos se reconhece sua composição e aproximadamente se calcula sua espessura.</em></p>
<p><em>Os areais do patamar são produtos da sua decomposição e, à medida que as águas arrastam-nos, vai se descobrindo a terra vermelha, vestígios de metais, as pedreiras do siluriano </em>[271<em>, em cujas grutas se encontra salitre e depois os filões e cascalhos auríferos, não só em toda Serra, que forma o segundo degrau, como por todo o baixo ou planície. Nesta parte, encontram-se alguns montes bem altos, isolados, notadamente o denominado TESTA BRANCA, cuja composição arenítica demonstra já ter feito parte do plano da cumeada, por onde começamos esta descrição.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>MINÉRIOS</em></strong></p>
<p><em>Nas escarpas da Serra encontra-se pedra-ume; nas grutas do siluriano, salitre de potássio; nesse mesmo siluriano, que aflora às margens do Rio Ponte muita pedra calcária; noutro afloramento do siluriano nas fazendas Taipas e Engenho do Distrito de Conceição também pedras calcárias e bons mármores brancos, azulado e róseo; no morro TESTA BRANCA, lâminas brancas de 3 a 4 metros de dimensão e diversas espessuras; tem-se encontrado turmalinas, cristais de rocha pequenos e micas, também pequenas.</em></p>
<p><em>Aqui perto da Cidade, do Vale do Riacho S. Martins, afloram massas formidáveis de granitos. Em diversos lugares, o sílex, de que os índios se serviam como instrumento cortante, enquanto com o granito preparavam os machados para derrubada de árvores.</em></p>
<p><em>Neste Município, o minério que empolga é o ouro, que se encontra em filões, veeiros e cascalhos; nas explorações do ouro tem-se encontrado galena e piritas de enxofre.</em></p>
<p><em>As nossas minas conhecidas, na sua maior parte abandonadas por falta de meios de esgotar a água do lençol, que logo atingem, são: a dos Tapuios, filão riquíssimo, talvez um segundo Morro Velho, que deu lugar à fundação desta cidade. Há 200 metros da mesma, para Leste, diversos outros convergentes para este, Businas, Lavrinhas, Fortuna, Pau Zunhado, S. Martins.</em></p>
<p><em>Na descambada do patamar da Serra, St. Elias e Vazante; na planície vamos encontrar os ricos cascalhos da Taboca, Riacho da Onça, todo o leito do rio Manoel Alves e diversos afluentes deste.</em></p>
<p><em>No Distrito de Conceição, as nomeadas e muito ricas lavras de Cajazeiras, Sapateiro, Coixo, Pindobas, Buraco do Moleque, Buraco de Francisco Manoel, Misericórdia, Suçuarana, St. Antônio, Gambá, S. Felipe, Curralinho, Maria Pinto e outros garimpos de menor valor, que não vale mencionar.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>HIDROGRAFIA</em></strong></p>
<p><em>Conforme já dissemos, os nossos cursos d’água perenes têm suas nascentes nos boqueirões da Serra das divisões. Pelo lado do Norte, o Manoel Alves, cujos tributários principais são: o Manoel Alvinho e o Mombó e, pelo lado Sul, o Palmeiras, cujos tributários principais são: Duas Pontes e Rio da Ponte. Ambos recebem numerosos outros riachos e córregos, que no seu curso do patamar da Serra são perenes. Logo que caem na planície, dá-se a infiltração e os pequenos riachos secam, ficando apenas </em><em>poços, os olhos d’água e os rios principais.</em></p>
<p><em>Ao descer a Serra, todos os nossos rios formam cachoeiras, sendo a mais notável a do Manoel Alvinho com uma altura de cerca de 40 metros; diversas quedas de 5 a 10 metros no Manoel Alves e outras tantas no Palmeiras. Neste é maior o volume das águas, sendo por isso mesmo as nossas maiores fontes de energia.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>FLORA E FAUNA</em></strong></p>
<p><em>Na faixa do Planalto, conforme já dissemos, estão os extensos tucunzais rasteiros, de grande futuro, dado o valor de sua fibra.</em></p>
<p><em>Os capinzais são quase desaproveitados pela nossa criação bovina pela distância a que ficam das aguadas.</em></p>
<p><em>As poucas madeiras de valor que por ali se encontram – sucupiras, vinháticos e barbatimões, e algumas outras, só poderão ser aproveitadas quando tivermos transportes baratos. Os frutos são poucos e de pouco valor; deles se nutrem os animais silvestres, que vivem ali, e são os veados campeiros, numerosos ainda, apesar de muito perseguidos pelos caçadores profissionais; as emas corredoras que perseguidas ainda com maior intensidade, não só matando as adultas para comer a carne, vender as plumas e as peles, como ainda apanhando as ninhadas de ovos. Não havendo uma medida coercitiva dessas caçadas dentro em pouco tempo essas espécies serão extintas.</em></p>
<p><em>Depois dessas duas espécies, vêm os porcos bravios denominados queixadas, que prosperavam nos tucunzais e buritizais, e mesmo por ser a carne mais saborosa, estão a ser extintos. Vem depois essa raia miúda, e nem por isso desprezível, dos tatus canastras, verdadeiros, pebas, chinas e bolas em grande número, apesar de serem os mais procurados pelos caçadores, dado o sabor de sua carne; os tamanduás-bandeira e mirim, as raposas, os guarás, os gatinhos cinzentos e os ouriços.</em></p>
<p><em>As aves propriamente são representadas pelas seriemas, araras, ararinhas e papagaios em grandes bandos; caracarás e pinhéns, gaviões, pêgas, cancãos e pica-paus; ainda lá estão as numerosas perdizes e codornas.</em></p>
<p><em>Os lagartos são representados pelas lagartixas; os répteis pela cascavel, jararaca e cobras de cipó.</em></p>
<p><em>O gênero apis é francamente representado: temos ali jataís, abelha branca, urucu, que chega a produzir 10 litros de mel na sua isolada colmeia, borá, tataíra, sanharó, mandaguari, caruara, abreu, papa sebo, abelha de sapo, boca de barro e a cupinheira, a mais simpática das viajantes.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>FLORA E FAUNA DO PATAMAR</em></strong></p>
<p><em>Ao descer o primeiro degrau da serra, estão os areais recortados por numerosos brejos formadores das nossas principais nascentes.</em></p>
<p><em>Mesmo esses areais são cobertos de capinzais agrestes, que alimentam o gado depois de queimados durante a estiagem.</em></p>
<p><em>Os brejados representam faixas verdes estendidas entre os areais. No centro das faixas, ao lado das correntes, erguem-se os buritizais, as mais lindas e altas palmeiras do Município. Entre estas palmeiras vicejam outras de porte menor como as buritiranas e os patibas </em>[272<em>, cingindo essas rainhas do nossos brejados.</em></p>
<p><em>Como que dignificando a dinastia, erguem-se também as pindaíbas, os landis, os orocais, muitas árvores cuja nomenclatura não conheço e fetos de alto porte.</em></p>
<p><em>Como que para dar realce a essa vegetação luxuriante, cujas árvores nunca se desnudam, formam-se as várzeas cobertas de uma gramínea especial, de sorte que do alto das escapas, obras das próprias correntes, se contempla com admiração aqueles brejos destacados, recebendo seus tributários com galhos da mesma árvore, cujos troncos estão erguidos na planície com os nomes de Palmeiras e Manoel Alves.</em></p>
<p><em>Não estão ali as melhores terras de cultura nem os melhores campos da razão de ser da nossa existência, adornada com festões de flores e cantada pela poesia que só a própria NATUREZA sabe escrever nas suas estrofes inigualáveis, gravadas em cada ser pequenino, em cada musgo, ou lichia, em cada inseto, libélula ou ave; em cada animal de porte.</em></p>
<p><em>Está ali o nosso centro circulatório a animar nossa existência.</em></p>
<p><em>A vegetação sobre os areais é encarquilhada. Numa ou noutra baixada erguem-se os jatobazeiros, pequizeiros e puçazeiros que fornecem tão nutritivos quão saborosos frutos; nos altos, as mangabeiras que, além dos frutos saborosos, nos fornecem precioso látex; as copaibas, oitis e sapucainhas.</em></p>
<p><em>Depois começam a repontar as terras férteis, os capinzais de jaraguá e gordura; os pequenos matos povoados de madeiras de valor como sejam: o PAU-BRASIL, o jacarandá, araucárias, cedros, ipês, perobas, claraíbas, gonçaloalves e marfins e garapas de grande porte; landis, angicos, angelins, camaçaris, tarumãs e jequitibás.</em></p>
<p><em>A flora da planície pouco difere. Apenas rareiam os buritizais, os landis, os jequitibás e perobas. Em compensação, os campos abertos, os vargedos; são dos melhores para a criação bovina e equina; para que ela se torne superior sob o ponto de vista pastoril, basta que o homem intervenha impedindo a devastação das pastagens pelas queimadas durante a estiagem, fazendo tanques e represas para não faltar água ao gado durante a mesma estação.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>FAUNA</em></strong></p>
<p><em>A do patamar e da planície se enriquecem com as antas, capivaras, suçuaparas, o nosso maior veado, o mateiro e o catingueiro; as onças pardas, pintadas e pretas; gatos pintados, pardos e afogueados, caititus, quatis, guaxinins, papa-méis, guarás, raposas, ouriços, cachorrinhos do mato, lontras e ariranhas, preás, cutias, pacas, mocós, ratos de diversos tamanhos, morcegos pequenos e grandes, teiús, camaleões, lagartixas e calangos.</em></p>
<p><em>Quanto aos nossos veados, convêm citar uma particularidade que mesmo alguns cientistas não conhecem a vêm a ser que todos os machos, do catingueiro à suçuapara, do mês de janeiro para fevereiro de cada ano, perdem as pontas, que renascem um mês depois cobertas de uma película lanosa, que se rompe mais tarde dado o atrito que os veados operam de encontro às arvores.</em></p>
<p><em>Quando os veados percebem que as pontas estão prestes a cair se recolhem&#8230; voltam ali diariamente para triturá-las até ingerir todas. Fenomenalmente algum caçador tem encontrado ponta de veado caída. E encontrando fica de espera, certo de que o dono tem de voltar e ele de empregar um tiro de perto, certeiro.</em></p>
<p><em>Temos também jabutis e cágados; os nossos jacarés são pequenos e fazem pouco mal.</em></p>
<p><em>Os nossos animais venenosos são os répteis, felizmente poucos – a cascavel, a jararacuçu, a jararaca, jararaquinha e a coral de pintas pretas; os sucuris são numerosos, especialmente nos pantanais, e causam danos à criação; as jiboias dão menor prejuízo; as caninanas comem muitos pintos e aves úteis. Se pudéssemos educá-las para só comerem ratos, aves daninhas e as cobras venenosas seriam de valor inestimável.</em></p>
<p><em>Além das aves já citadas, temos no patamar e na planície, com seus nomes vulgares, a acuan, alma de gato, sabiá, bem-te-vi, pássaro preto, angolão, corrute, mãe-da-lua, lambu, perdiz, (na chapada) jaó nas matas, mutuns – essas aves que às quatro horas da manhã anunciam a volta do sol; jacu, juriti, pomba denominada verdadeira, pombinhas cinzentas e pardas, tico-tico, araponga, joão congo de duas qualidades, tucanos de bico vermelho, maiores, e de bico preto e branco, menores; periquitinhos verdes, testas e guerreiros, maitacas, ararinhas.</em></p>
<p><em>Também não faltam nesta parte as lindas e tão alegres araras pretas, azuis, amarelas e vermelhas; as primeiras, as mais inteligentes, aprendem falar nossa língua; as vermelhas, as mais formosas e menos inteligentes.</em></p>
<p><em>Nossas aves aquáticas não são muitas. Temos o jaburu, tipo maior, socó, martim-pescador, patos e marrecas; garças brancas, pardas e róseas muito lindas, e quem-quens, e uma raia miúda de comedores de piabinhas, quando os lagos começam secar, </em><em>que não sei classificar.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>PEIXES (E OUTROS ASSUNTOS DA TERRA) </em></strong><strong>[273</strong></p>
<p><em>Temos poucos. Das cachoeiras formadas, ao cair do segundo degrau da Serra para cima, só se encontram pacus, piaus, ladinas, piabas, traíras e iéiús. Depois das cachoeiras, aparecem os peixes do Paranã: piabinhas, caranhas, dourados, jaús, piratingas e outros peixes de menor importância, que não sei nomear. Ao lado deles e se alimentado dos menores estão as lontras e ariranhas; os jacarés já são maiores e vão se tornando ferozes.</em></p>
<p><em>Temos ainda o peixe elétrico, poraquê ou treme-treme. Quando a ciência descobrir a razão da eletricidade desse peixe, teremos talvez a mesma revolução que fez o petróleo. As energias de que ele dispõe devem estar no seu hábitat e lá a ciência deve ir procurá-las.</em></p>
<p><em>Voltemos ainda à terra: quanto à flora, deixei de mencionar os extensos babaçuzaes da fazenda Taipas e as macaubeiras que começam a aparecer depois dos areais e daí por diante são encontradas por toda parte. O valor destas duas palmeiras é bem conhecido; basta mencionar sua existência. Entretanto não posso resistir ao desejo de dizer, da minha experiência, que a fibra da macaubeira é superior a todas as outras daqui do Nordeste do Estado; que sua cultura é de todas a mais fácil; que também temos piteiras, cuja fibra é bem conhecida e explorada em outros Estados; extensos caroatais produtores de frutos agro-doces e picantes muito apreciados e também fornecedores de boas fibras; que a mangueira-de-rim parece nativa, assim como as bananeiras de todas as qualidades conhecidas no Brasil; as mandiocas e as canas cultivadas; o amendoim e o gergelim; o girassol, as abóboras, os melões, os quiabos, inclusive aquele excepcional de metro de comprido; os maracujás, os jilós, os tomates, as jurubebas, caapebas, copaíbas, cajazeiras, cagaitas, sapucainhas, limões, cidras, laranjeiras, abacateiros, cacaueiros, jaqueiras, cajueiros, sapotizeiros, gengibre, ararutas, batatas, inhames, mandiocas, carás, taiobas, quase todas as plantas medicinais nativas do centro e do norte do País.</em></p>
<p><em>Volvendo à família das abelhas, temos a acrescentar jataí, bijuí, chupé, abelha-de-sapo, boca-de-barro e as famosas mumbucas e tiúbas, as maiores trabalhadoras e que chegam a produzir muitos litros de mel da colmeia.</em></p>
<p><em>Entre as vespas encontra-se o maribondo inchú, que também produz mel e muitos dardos bem venenosos, que não sei classificar.</em></p>
<p><em>A classe dos aracnídeos é representada pelo escorpião e diversas aranhas, sendo a caranguejeira a maior e venenosa.</em></p>
<p><em>Bem compreendo, Sr. Prefeito, que este meu trabalho está muito longe da perfeição e, dois fatores para isso concorreram: a minha falta de preparo e o pouco tempo que me foi concedido. Fiz o que pude, dentro da possibilidade, para prestar meu fraco concurso à administração de V. Exª. e também ao meu Estado natal. Se pudesse, teria engalanado estas páginas com as cores de maior realce; teria posto em cada frase uma flor de retórica; em cada palavra o perfume que trescala de tudo que viceja neste rincão brasileiro, do Estado de Goiás, coração e grande ESPERANÇA DO BRASIL.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Dianópolis, 3 de abril de 1940.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Abílio Wolney</em></strong>” <em>[274</em></p>
<h1><img decoding="async" class="alignnone wp-image-33880 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f.png" alt="" width="162" height="67" /></h1>
<p style="text-align: center">***</p>
<p style="text-align: center">25 anos após ele partia&#8230;</p>
<p style="text-align: center">Ingressava na história, ileso às baionetas da chacina oficial, onde ficaram os seus. Digno de se repetir: Morria naturalmente no <em>Casarão</em>. É como se ouvisse o povo contar: Lá ia o cortejo no seu último itinerário&#8230; <em>Coberto de flores, desceram-lhe à tumba molhada com o pranto dos que o amaram.</em> [275</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33881" class="wp-caption aligncenter" ><img decoding="async" class="wp-image-33881 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f2.png" alt="" width="370" height="551" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f2.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f2-201x300.png 201w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f2-200x298.png 200w" sizes="(max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Túmulo construído por Abílio Wolney Aires Neto e Doralina Wolney Valente</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33882 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497.jpg" alt="" width="1240" height="1333" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497.jpg 1240w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-279x300.jpg 279w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-953x1024.jpg 953w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-768x826.jpg 768w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-395x425.jpg 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-795x855.jpg 795w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f3-jpg-e1768101735497-200x215.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33883 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f4.png" alt="" width="400" height="578" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f4.png 400w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f4-208x300.png 208w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f4-395x571.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f4-200x289.png 200w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33884 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485.jpg" alt="" width="1060" height="1030" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485.jpg 1060w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-300x292.jpg 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-1024x995.jpg 1024w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-768x746.jpg 768w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-395x384.jpg 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-795x773.jpg 795w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f5-jpg-e1768102042485-200x194.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 1060px) 100vw, 1060px" /></p>
<p><em>Meu primo e meu Professor de Português.</em></p>
<p><em>Nele via-se o borbulhar do gênio, o ator da</em></p>
<p><em>vida no teatro (à esquerda da fotografia),</em></p>
<p><em>o mestre nas solenidades do Colégio João</em></p>
<p><em>d’Abreu, ensinando gerações. Deixou-nos</em></p>
<p><em>cedo, embalado no poema-profecia de sua</em></p>
<p><em>autoria, prevendo o seu próprio desenlace:</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Quero morrer em noite de junho,</em></p>
<p><em>Subir com os balões&#8230; ser um deles,</em></p>
<p><em>Chegar no céu</em></p>
<p><em>E brincar de fogueira com os anjos.</em></p>
<p><em>Soltar fogos de artifício&#8230; jogar estrelas&#8230;</em></p>
<p><em>Espalhá-las no firmamento.</em></p>
<p><em>Serão sorrisos que darei à Terra.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>E cantar</em></p>
<p><em>Soltando balões de nuvens brancas,</em></p>
<p><em>Destas que purificam o céu em tardes claras.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>E os anjinhos negros soltarão bombinhas,</em></p>
<p><em>Vendendo pipocas e doces</em></p>
<p><em>Farão a alegria típica das noites terrenas.</em></p>
<p><em>Então&#8230; eu me lembrarei de espiar na janela</em></p>
<p><em>Para ver o que se passa no mundo&#8230;</em></p>
<p><em>E ao ver seus olhos brilharem na noite</em></p>
<p><em>Dois meteoros surgirão no espaço:</em></p>
<p><em>São minhas lágrimas de saudade de Ti&#8230;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Carlos Alberto Wolney</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conta-nos Voltaire Wolney, na sua obra <em>“Colégio João d’Abreu – Amor História Educação”</em> que</p>
<p><em>Carlos morreu exatamente em 12 de junho </em>[276<em> de 1979. Sua voz cheia e forte ainda reboa no passado vívido do seu povo: no comando das quadrilhas, nos cantos litúrgicos e nas arrebatadoras aulas de História Geral; seus passos pequenos e ágeis ainda ressoam, ora entre as fileiras de alunos nas manhãs cívicas, ora nas longas procissões de domingo de ramos.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33887" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33887 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f6.png" alt="" width="321" height="407" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f6.png 321w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f6-237x300.png 237w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f6-200x254.png 200w" sizes="auto, (max-width: 321px) 100vw, 321px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i><strong>Carlos Alberto Wolney</strong> (Acervo dos descendentes de Jaymira Wolney Costa)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33888 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f7-e1768102291769.png" alt="" width="399" height="575" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f7-e1768102291769.png 399w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f7-e1768102291769-208x300.png 208w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f7-e1768102291769-395x569.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f7-e1768102291769-200x288.png 200w" sizes="auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33889" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33889 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f8.png" alt="" width="354" height="503" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f8.png 354w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f8-211x300.png 211w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/f8-200x284.png 200w" sizes="auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Irmã <em>Amparo (Madre Aranzazu)</em></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[263 Aqui reside uma dúvida: teria ele exercido dois mandatos de Deputado Estadual – pelo que dá a entender no que escreve – ou teria exercido três mandatos, como anotou-se, referindo-se ao terceiro como o em que <em>“presidiu a Câmara dos Deputados do Estado”</em>? Com efeito, o livro <em>“O Legislativo em Goiás – Perfil Parlamentar I”</em>, Vol. 2, editado, em 1983, pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (escrito pelo Prof. Itami Francisco Campos e Arédio Teixeira), transcreve Atas dos seus anais dando conta de três mandatos de Deputado exercidos por Abílio Wolney, fazendo menção ainda a um 4º mandato de Deputado Estadual, para o qual teria sido eleito e depurado (aqui, a exemplo do que ocorreu em 1900, quando fora eleito Deputado Federal e também depurado pela oligarquia).</p>
<p>[264 A Chacina de 1919, conhecida como a <em>Chacina dos Nove</em> ou <em>O Barulho</em>.</p>
<p>[265 Tio <em>Coque</em>.</p>
<p>[266 João Corrêia de Melo.</p>
<p>[267 Tribo indígena que, juntamente com os xavantes, forma o maior grupo dos acuéns [V. acuém.], habita as terras entre os rios Sono e Tocantins (GO), e já está integrada na sociedade nacional.</p>
<p>[268 Sob o título <em>“Assalto em 1881”</em>, o Prof. Osvaldo Rodrigues Póvoa – que, ao que tudo indica, teve acesso a este documento ou a parte dele – escreve que “Félix Serafim de Belém, chefe dos bandoleiros que atacaram a vila de São José do Duro em 2 de fevereiro de 1881, com vinte e cinco jagunços, morou anteriormente na rua que se chamava Bate-Chinelo, depois Rua do Coité e atualmente Rua Cel. Abílio Wolney. Em setembro de 1879, vendeu a casa que possuía naquela rua e retirou-se para a Bahia.</p>
<p>[269 Sobre Félix Serafim de Belém e seus <em>“bundões”</em> bandoleiros, a pesquisadora Noélia Costa Póvoa Araújo lembra de uma cantiga de algum trovador sertanejo ou das mulheres da Vila, que atravessou mais de um século e chegou até nós em dois quartetos:</p>
<p>A dois de fevereiro</p>
<p>Ali o madrugadão</p>
<p>O Félix deu no comércio</p>
<p>Com 25 bundão</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As muié corria</p>
<p>De camisa e anágua</p>
<p>Dizendo corremo gente</p>
<p>Que o Félix chegou zangado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[270 Foi deslocado daqui para o Cap. XVII o texto que trata da Chacina de 1919.</p>
<p>[271 Verbete: siluriano (As rochas típicas do período siluriano encontram-se ao sul do País de Gales.). Adj. E s. m. 1. V. período -. (Obs. do autor).</p>
<p>[272 Seriam o pati, o catulé, o coco-babão? (o autor).</p>
<p>[273 Parênteses inserido pelo autor.</p>
<p>[274 A assinatura de Abílio Wolney acima foi inserida pelo autor. Insta observar que, no texto transcrito, os nomes de peixes, aves e plantas, como o próprio Abílio Wolney ressaltou, foram colocadas na linguagem popular, sem preocupação com o léxico, mas como eram pronunciadas nos anos 40, portanto há mais de 60 anos.</p>
<p>[275 Paráfrase de Shakspeare.</p>
<p>[276 Época das festas juninas no Colégio João d’Abreu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>I – FONTES DOCUMENTAIS:</strong></p>
<p>–DOIS DIÁRIOS E CARTA S DE PUNHO DO PROTAGONISTA.</p>
<p>–AUTOS DO PROCESSO DE 1918/1919, FOTOCÓPIAS DOS ORIGINAIS – EXTRAÍDAS JUNTO AO ARQUIVO HISTÓRIO ESTADUAL EM GOIÂNIA.</p>
<p>–JORNAL <em>O ESTADO DE GOIÁS</em>, DE ABÍLIO WOLNEY, ANO I, N. 7, P. 3, DE 19.02.1911 E EDITORIAL DE 12.06.1913.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>II – LIVROS CONSULTADOS, REFERIDOS E CITADOS:</strong></p>
<p>AIRES, Voltaire Wolney. <em>Abílio Wolney, Suas Glórias, Suas Dores</em>. 2ª ed. Palmas, TO: Editora Provisão, 1998 (Adotado em vestibulares da Universidade Federal do Tocantins &#8211; UFT &#8211; Palmas-TO).</p>
<p>______. <em>Sertão Hostil</em>, Goiânia, GO: SE, 1992.</p>
<p>______. <em>As Raízes e Os Principais Eventos que Deram Origem a Dianópolis</em>, Av. N. Senhora do Ó, 1782: Dag Gráfica e Editorial Ltda, 1990.</p>
<p>ARTIAGA, Zoroastro. <em>Uma Contribuição Para a História de Goiás</em>. Goiânia, GO: Imprensa Oficial, 1943.</p>
<p>ARTIAGA, Zoroastro. <em>História de Goiás</em>. Goiânia, GO: Imprensa Oficial, 1959.</p>
<p>AUDRIN, José Maria. <em>Entre Sertanejos e Índios do Norte</em>. Rio de Janeiro: Editora AGIR, 1946.</p>
<p>CAMPOS, Francisco Itami <em>et</em> TEIXEIRA, Arédio. <em>O Legislativo em Goiás. História e Legislaturas</em>. Vol. 1. Goiânia, GO: Edição Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, Mesa Diretora 1995/96.</p>
<p>______. <em>O Legislativo em Goiás – Perfil Parlamentar I</em>. Vol. 2. Goiânia, GO: Edição Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, 1983.</p>
<p>CAMPOS, Francisco Itami. <em>Coronelismo em Goiás</em>. Goiânia: Ed. UFG, 1983.</p>
<p>CARONE, Edgard. <em>A República Velha (Evolução Política)</em>: São Paulo: DIFEL, 1971.</p>
<p>CHAUL, Nasr Fayad. <em>Caminhos de Goiás: da construção da decadência aos limites da modernidade</em>. 1995. Tese (Doutorado em História) – Universidade de São Paulo, São Paulo.</p>
<p>COELHO, Guilherme Ferreira. <em>Expedição Histórica nos Sertões de Goiás</em>. Goiás Velho, GO: Oficina d’O Popular, 1937. (Organização, atualização e notas do Prof. Jacy Siqueira: 2ª Edição, Goiânia-GO: Biblioteca Virtual JS Editor, edição em CD, 2001).</p>
<p>CUNHA, Euclides da. <em>Os Sertões</em> (Campanha de Canudos). Rio de Janeiro: Livraria Laemmert, 1902.</p>
<p>GALLI, Ubirajara. <em>A História da Mineração em Goiás – Das Primeiras Lavras aos Dias de Hoje</em>. Goiânia, GO: Ed. Da UCG, Contato Comunicações, 2005.</p>
<p>GARCIA, José Godoy. <em>Aprendiz – Estudos Críticos</em>, Brasília, DF: Thesaurus Editora, 1997.</p>
<p>MACEDO, Nertan. <em>Abílio Wolney: Um Coronel da Serra Geral</em>. Goiânia, GO: Legenda, 1975.</p>
<p>MARANHÃO, Othon. <em>O Setentrião Goiano</em>. Goiânia, GO: Editora Piratininga, 1978.</p>
<p>NETO, Abílio Wolney Aires. <em>O Barulho e Os Mártires</em>. Anápolis, GO: SE, 2003.</p>
<p>NETO, Abílio Wolney Aires. <em>O “Duro” e a Intervenção Federal – Relatório ao Ministro da Guerra</em>. Anápolis, GO: (inédito).</p>
<p>NETO, José Vicente de Oliveira (Cazuza). <em>O Vale de Um Rio Preto de Águas Cristalinas</em>. Campo Grande, MS: Editora Still, 1999.</p>
<p>PALACIN, Luis. <em>Coronelismo no Extremo Norte de Goiás: o Padre João e as três Revoluções de Boa Vista</em>. Goiânia: Ed. UFG, São Paulo: Edições Loyola, 1990.</p>
<p>PÓVOA, Osvaldo Rodrigues. <em>Quinta-Feira Sangrenta</em>. Goiânia, GO: Três Poderes, 1975 (Edição Comemorativa do I Centenário de Emancipação Política de Dianópolis).</p>
<p>_____. <em>Inconfidências de Arquivo</em>. Goiânia: Kelps, 2006.</p>
<p>_____. <em>Quinta-Feira Sangrenta</em>. Goiânia GO: 4ª Edição do Autor Atualizada, Editora Kelps, 2002.</p>
<p>MARTINS, Mário Ribeiro. <em>Dicionário Biobibliográfico de Goiás</em>. Rio de Janeiro: Master, 1999.</p>
<p>______. <em>A Consciência da liberdade e Outros Temas</em>. Goiânia: Kelps, 2008.</p>
<p>______. <em>Conflito de gerações e outras provocações</em>. Goiânia: Kelps, 2010</p>
<p>______. <em>Coronelismo no antigo fundão de Brotas</em>. Goiânia: Kelps, 2004.</p>
<p>______. <em>Dicionário Biobibliográfico de Goiás</em>. Rio de Janeiro: Master, 1999.</p>
<p>______. <em>Dicionário Biobibliográfico do Tocantins</em>. Rio de Janeiro: Master, 2001.</p>
<p>______. <em>Dicionário Biobibliográfico de Membros da Academia Goiana de Letras</em>. Goiânia: Kelps, 2007.</p>
<p>______. <em>Dicionário Biobibliográfico de Membros do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás</em>. Goiânia: Kelps, 2007.</p>
<p>_____. <em>Dicionário Biobibliográfico de Membros da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás</em>. Goiânia: Kelps, 2008.</p>
<p>_____. <em>Dicionário Biobibliográfico de Membros da Academia Goianiense de Letras</em>. Goiânia: Kelps, 2008.</p>
<p>_____. <em>Dicionário Biobibliográfico Regional do Brasil</em> (2002), via INTERNET, no seguinte endereço:</p>
<p>_____. <em>Encantamento do mundo e outras ideais</em>. Goiânia: Kelps, 2009.</p>
<p>_____. <em>Escritores de Goiás</em>. Rio de Janeiro: Master, 1996.</p>
<p>_____. <em>Estudos Literários de Autores Goianos</em>. Anápolis: Fica, 1995.</p>
<p>_____. <em>Manifesto contra o óbvio e outros assuntos</em>. Goiânia: Kelps, 2009.</p>
<p>_____. <em>Missionários americanos e algumas figuras do Brasil evangélico</em>. Goiânia: Kelps, 2007.</p>
<p>_____. Retrato da Academia Tocantinense de Letras. Goiânia: Kelps, 2005. PANG, Eul-Soo. <em>The Politics of Coronelismo in Brasil: The Case of Bahia &#8211; (1889-1930)</em>: Berkeley, University of California, 1970 &#8211; Tese.</p>
<p>RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral<em>. Família e Poder em Goiás</em>. Goiânia: Alternativa, 2003.</p>
<p>VILLAÇA, Marcus Vinícios; ALBUQUERQUE, Roberto Cavalcante. <em>Coronel, coronelismo</em>. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965.</p>
<p>TEIXEIRA, Pedro Ludovico. <em>Memórias</em>, 2ª ed., Goiânia-GO: Livraria Editora Cultura Goiana 1973.</p>
<p>TELES, José Mendonça. <em>A Vida de Pedro Ludovico – Fundação de Goiânia</em>. Goiânia GO: 2ª edição corrigida e ampliada, Editora Kelps, 2004.</p>
<p>_____. <em>Crônicas Vilaboenses</em>, Edições Consorciadas-UBE-Goiás – 2005.</p>
<p>_____. <em>A Coluna Prestes em Goiás</em>. Goiânia, GO, Editora Kelps, 2008.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">Este livro foi impresso na oficina da Asa Editora Gráfica Ltda /Editora Kelps</p>
<p style="text-align: center">No papel: off-set 75g</p>
<p style="text-align: center">Rua 15, Nº 117, Qd. 20, Lt. 13</p>
<p style="text-align: center">Setor Marechal Rondon &#8211; Goiânia &#8211; GO</p>
<p style="text-align: center">CEP: 74.560-420</p>
<p style="text-align: center">Fone: (62) 3211-1616</p>
<p style="text-align: center">e-mail: kelps@kelps.com.br</p>
<p style="text-align: center">A revisão final desta obra é de responsabilidade do autor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>[Fim</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[Toda a obra está publicada no </em>site<em> do </em>JORNAL CIDADE – jotacidade.com<em>, link </em>Opinião<em>, coluna </em>Painel Cultural</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-anexo-abilio-wolney-faz-outros-registros-historicos-homenagens-e-bibliografia/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [ANEXO &#8211; ABILIO WOLNEY FAZ OUTROS REGISTROS HISTÓRICOS. HOMENAGENS. E, BIBLIOGRAFIA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-anexo-abilio-wolney-faz-outros-registros-historicos-homenagens-e-bibliografia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXV – PREFEITO EM DIANÓPOLIS</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxv-prefeito-em-dianopolis/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxv-prefeito-em-dianopolis/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 10:42:38 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33983</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160;  XXV [Nota da Redação: No livro, indevidamente está XVIV – PREFEITO EM DIANÓPOLIS &#160; Com a deposição de Getúlio Vargas em 1946, o General Felipe Antônio Xavier &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxv-prefeito-em-dianopolis/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXV – PREFEITO EM DIANÓPOLIS</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33985" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33985 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a.png" alt="" width="503" height="370" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a.png 503w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-300x221.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-395x291.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-200x147.png 200w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Festa do Divino no início dos anos 60, na atual praça Cel. Wolney. O Cel. Abílio Wolney – de paletó preto e cabeça baixa – está dentro do barbante que o rodeia <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong> </strong><strong>XXV <em>[</em></strong><em>Nota da Redação</em><strong><em>: No livro, indevidamente está XVIV</em> – PREFEITO EM DIANÓPOLIS</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a deposição de Getúlio Vargas em 1946, o General Felipe Antônio Xavier de Barros assumiu como interventor em Goiás e nomeou Abílio Wolney para o cargo de Prefeito da sua Dianópolis, <em>[262</em> onde vamos tê-lo também como integrante do Diretório Central do Partido Social Democrático (<em>PSD</em>) em outubro de 1947, em franca atividade partidária.</p>
<p>O seu prestígio político o retornava, aos 70 anos, às sendas da vida pública, agora no velho torrão, já então renomeado Cidade das Dianas.</p>
<p>Ao tempo do <em>PSD </em>e da <em>UDN</em>, foi cogitado para ser presidente das duas agremiações ao mesmo tempo. Sob a sua supervisão, terminou colocando alguns correligionários para apoiarem o Dep. João d’Abreu e outros para ajudarem na eleição do Cel. Getulino Artiaga, cujos candidatos eram de facções diferentes, mas ambos merecedores do sufrágio popular – o povo decidiria nas urnas qual seria o melhor dentre eles.</p>
<p>Buscando atrair investidores para Dianópolis, no início dos anos 50, esteve no Rio de Janeiro. Com quase oitenta anos, procurava alguém que estivesse interessado em se associar a ele numa empresa de exploração de ouro na mina dos Tapuias, no velho Duro.</p>
<p>Em Dianópolis permaneceu até o dia 12 de setembro de 1965, quando, aos 89 anos de idade, retornou à Pátria Espiritual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33984 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25-469.png" alt="" width="272" height="550" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25-469.png 272w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25-469-148x300.png 148w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25-469-200x404.png 200w" sizes="auto, (max-width: 272px) 100vw, 272px" /></p>
<div id="attachment_33985" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33985 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a.png" alt="" width="503" height="370" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a.png 503w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-300x221.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-395x291.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25a-200x147.png 200w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Festa do Divino no início dos anos 60, na atual praça Cel. Wolney. O Cel. Abílio Wolney – de paletó preto e cabeça baixa – está dentro do barbante que o rodeia</p></div>
<div id="attachment_33986" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33986 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25c.png" alt="" width="367" height="273" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25c.png 367w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25c-300x223.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/25c-200x149.png 200w" sizes="auto, (max-width: 367px) 100vw, 367px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Grupo Escolar Cel. Abílio Wolney &#8211; Dianópolis-TO</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[262 Antigo São José do Duro, no nordeste goiano, hoje sudeste do Tocantins.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal {a última do referido livro/término do mesmo}, com a publicação dos tópicos </em>Anexo<em>, </em>Homenagens<em> e </em>Bibliografia<em>, mais outras fotos</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxv-prefeito-em-dianopolis/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXV – PREFEITO EM DIANÓPOLIS</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxv-prefeito-em-dianopolis/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIV – A ORIGEM DO NOME “DIANÓPOLIS”</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiv-a-origem-do-nome-dianopolis/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiv-a-origem-do-nome-dianopolis/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:28:53 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33979</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160; XXIV – A ORIGEM DO NOME “DIANÓPOLIS”   Em 1938, depois de quase uma década de autodesterro, Abílio Wolney retornava da Bahia para São José do &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiv-a-origem-do-nome-dianopolis/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIV – A ORIGEM DO NOME “DIANÓPOLIS”</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33982" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33982 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b.png" alt="" width="370" height="239" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b-300x194.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b-200x129.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Praça Dep. Abílio Wolney em Novo Jardim &#8211; TO. O município foi criado sobre as terras da Fazenda Jardim, doadas por Abílio Wolney <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>XXIV – A ORIGEM DO NOME “DIANÓPOLIS”</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Em 1938, depois de quase uma década de autodesterro, Abílio Wolney retornava da Bahia para <em>São José do Duro</em>, ano em que o município passou a se chamar Dianópolis.</p>
<p>Pesquisando sobre a origem do nome “Dianópolis”, fomos para os lados do <em>Casarão</em>. Na esquina do antigo largo do <em>Duro</em>, na porta da casa, folgava à tarde, numa cadeira, a tia e madrinha Doralina Wolney Valente <em>[261</em> com suas recordações da <em>Vila</em> de antanho. E com ela fomos conversar, buscar outras cartas e fotografias, além das que me foram fornecidas por minha mãe Irany Wolney. Colher mais dados e documentos sobre a história do torrão natal.</p>
<p>Primeiro a benção e não demora – vamos direto ao assunto:</p>
<p>– Fico olhando para essa casa do meu avô, do meu pai, e choro de lembrar como tudo pôde acontecer daquele modo – diz ela, lembrando que nasceu no ano de 1918, caminhando para os seus 90 anos de idade, mas é como se tivesse vivido naquela época. Afinal, além de Irany Wolney, foi ela uma das filhas que esteve sempre muito próxima do pai Abílio Wolney, ouvindo dele mesmo a versão dos fatos daqueles tempos idos.</p>
<p>Em 1938, Doralina Wolney contava 20 anos de idade, tempo em que o seu pai Abílio Wolney findava o seu longo mandato de prefeito nomeado em Barreiras-BA.</p>
<p>Ao retornar para a nossa terra, – contou-nos ela – o veterano político, no tirocínio dos sexagenários, foi solicitado para uma reunião.</p>
<p>Abílio Wolney receberia ali no <em>Casarão</em>, sua residência, uma comitiva dos homens do lugar, encabeçada por Coquelin Ayres Leal, seu parente, e pelo amigo Veríssimo Teixeira da Mata. Vinham tomar uma opinião, buscar uma sugestão para renomear a vetusta <em>São José do Duro</em>.</p>
<p>– Vocês sabem que a Vila de Santana das Antas passou a se chamar <em>Anápolis </em>&#8211; Cidade de Ana. A iniciativa foi minha, no findar do meu primeiro mandato de Deputado. Fiz em homenagem a Nossa Senhora Santana, avó materna de Jesus Cristo, da qual era devota Ana das Dores – das primeiras do lugar.</p>
<p>Todos gostaram muito. E ele prosseguiu:</p>
<p>– Vejam que coincidência: Temos por aqui quatro Dianas, que depois da hecatombe do <em>Barulho </em>passaram a ser as mães dos filhos desta terra. A rima de <em>polis </em>com Diana vai dar um belo nome, cobrindo os escombros do passado, embora dele jamais possamos nos esquecer&#8230;</p>
<p>Embargou.</p>
<p>Olhando por cima dos óculos, um lornhão, concluiu feliz por merecer a distinção da consulta:</p>
<p>– <em>Anápolis </em>foi de Ana. <em>Dianópolis </em>é de Diana. Cidade das Dianas&#8230;</p>
<p>Risos!</p>
<p>Estava posta a homenagem às quatro Dianas, como eram carinhosamente conhecidas Custodiana Wolney Nepomuceno Araújo, filha de Josina Wolney, irmã de Abílio; Custodiana Leal Rodrigues, sua prima; Custodiana Costa Aires, sua parenta e filha do amigo de todas as horas, Casimiro Costa e, ainda, Custodiana Wolney Póvoa, filha do próprio Abílio Wolney, uma bela viúva que despertava os sentimentos de Veríssimo, também viúvo, embora o destino não viesse a uni-los.</p>
<p>Homenageava-se ainda Anna Custódia Wolney Leal, irmã de Abílio, e, no mais, dava ao local um belo nome.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33980 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24-468.png" alt="" width="384" height="547" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24-468.png 384w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24-468-211x300.png 211w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24-468-200x285.png 200w" sizes="auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Veríssimo da Mata seria, no ano seguinte, o sexto Prefeito da <em>Vila</em>, dentre os nomeados por Pedro Ludovico Teixeira, Interventor em Goiás. Com certeza, dentre as demais, o nome agradaria Diana Wolney, sua paixão platônica.</p>
<p>– Bom nome. Eu imaginava algo assim, disse o futuro alcaide.</p>
<p>Pode-se imaginar a satisfação de Coquelin Ayres Leal, casado com Diana Costa:</p>
<p>– Minha mulher foi a primeira professora aqui. Ela merece, como as outras também.</p>
<p>Agora se faziam necessários os papéis para levar ao Governo do Estado, onde, à frente, estava o seu amigo Pedro Ludovico, por esse tempo já em Goiânia, a nova capital, o que foi providenciado. E logo veio o resultado. Por força do Decreto-Lei nº 311, de 02 de março de 1938, conjugado com os Decretos-Leis 557 e 808, de 9 de junho e 30 de setembro de 1938, respectivamente, a <em>Vila </em>do município de <em>São José do Duro </em>foi elevada à categoria de cidade. Em 1º de janeiro de 1939, deu-se a festividade solene de implantação e inauguração da Cidade Diana.</p>
<p>Na concepção poética, <em>Diana </em>quer dizer Lua. Em latim, significa “divina”. Era a deusa da lua para os romanos, a deusa da caça que atirava suas flechas através das florestas da Grécia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33981" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33981 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24a.png" alt="" width="222" height="186" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24a.png 222w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24a-200x168.png 200w" sizes="auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Doralina Wolney Valente</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No pastoril, que é uma pequena representação dramática, composta de várias cenas (jornadas), durante as quais se sucediam cantos, danças, partes declamadas e louvações, e que se realizava diante do presépio, entre o dia de Natal e o de Reis, para festejar o Nascimento de Jesus, as <em>Dianas </em>são as personagens femininas, as Doralina Wolney Valente pastoras ou pastorinhas.</p>
<p>Na mitologia, conta a lenda que havia um vale rodeado por densa vegetação de ciprestes e pinheiros, consagrado à rainha caçadora, <em>Diana</em>. Na extremidade do vale havia uma gruta, não adornada pela arte, mas a natureza imitara a arte em sua construção, pois cravejara a abóbada de seu teto com pedras, tão delicadamente como se estivessem dispostas pelas mãos do homem. De um lado, jorrava uma fonte, cujas águas se espalhavam numa bacia cristalina. Ali, a deusa dos bosques costumava ir, quando cansada de caçar, e lavava seu corpo virginal na água espumejante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Certo dia, tendo entrado ali com suas ninfas (divindades fabulosas dos rios, dos bosques e dos montes, representadas por mulheres novas e formosas), entregou a uma delas o dardo, a aljava e o arco, a túnica a uma segunda, enquanto uma terceira retirava-lhe as sandálias dos pés. Então, Crácole, a mais habilidosa de todos, penteou-lhe os cabelos e Néfele, Híale e as demais carregavam a água, em grandes urnas. Enquanto a deusa entregava-se assim aos cuidados íntimos, Actéon, tendo-se separado dos companheiros e vagando sem qualquer objetivo definido, chegou ao local, levado pelo destino. Quando surgiu à entrada da gruta, as ninfas, vendo um homem, gritaram e correram para junto da deusa, a fim de escondê-la com seus corpos. Ela, porém, era mais alta que as outras e sobrepujava todas pela cabeça. Uma cor semelhante à que tinge as nuvens no crepúsculo e na aurora cobriu o rosto de Diana, assim apanhada de surpresa. Cercada como estava, por suas ninfas, ainda fez menção de voltar-se e procurou, impulsiva, as setas. Como estas não estivessem ao seu alcance, atirou água no rosto do intruso, exclamando:</em></p>
<p><em>– Agora, vai, e dize, se te atreves, que viste Diana sem suas vestes [&#8230;]. (Texto da mitologia grega).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">***</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por volta de 1939, outra providência foi tomada por Abílio Wolney junto ao Ministério da Guerra, na tentativa de trazer para Dianópolis uma linha aérea, como narra o Dr. João Rodrigues Leal em carta ao seu irmão Dário Leal:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Quanto ao desenvolvimento que está sendo imprimido à nossa terra é motivo de satisfação para todos nós. Sobre o campo de aviação [&#8230;] não há muito tempo tio Abílio teve esta ideia, submetendo mesmo à apreciação do Ministério da Guerra, (isto antes da criação do Ministério da Aeronáutica) uma petição para que o Correio aéreo Militar tivesse escala aí, isto é, que houvesse ligação aérea entre o Tocantins e S. Francisco. O pedido foi apreciado tendo uma solução contrária em virtude de acarretar gastos de material [&#8230;] O material aeronáutico é todo importado, o que justifica plenamente o cuidado na sua conservação e se fosse possível esta linha, realmente seria para este trecho alguma vantagem. Futuramente com o desenvolvimento da aeronáutica tal fato poderá se verificar, porquanto a tendência é sempre melhorar&#8230; (Rio, 29/IX/1941). (Acervo do autor)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33982" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33982 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b.png" alt="" width="370" height="239" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b-300x194.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/24b-200x129.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Praça Dep. Abílio Wolney em Novo Jardim &#8211; TO. O município foi criado sobre as terras da Fazenda Jardim, doadas por Abílio Wolney</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[261 Doralina Wolney Valente e Irany Wolney Aires foram, dentre os irmãos e outros parentes, dignas referências à família Wolney. Com a morte de Abílio Wolney em 1965, coube à primeira criar e educar os filhos menores deixados pelo pai, hoje homens: Joaquim Wolney (Funcionário Público Federal aposentado); Emílio Póvoa Wolney (fazendeiro), Dorinha Wolney (Oficial do Registro Civil de Dianópolis), Mariazinha Wolney (Funcionária Pública aposentada) e Francisco Wolney (Bancário). Dinha Dora guardou razoável acervo histórico dos nossos antepassados, hoje reunidos no Museu, sediado no <em>Casarão</em>. Após décadas de serviço público, aposentou-se no cargo de Oficial do Cartório do Registro de Imóveis e Notas de Dianópolis-TO. É mãe da atual Oficial do Cartório, Ronedilce Wolney Valente, do médico Dr. José Wolney Valente e da Advogada da União, Drª. Maria Jovita Wolney Valente, que ocupa cargo no alto escalão da República em Brasília-DF.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XXV</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiv-a-origem-do-nome-dianopolis/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIV – A ORIGEM DO NOME “DIANÓPOLIS”</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiv-a-origem-do-nome-dianopolis/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIII – O LONGO MANDATO DE PREFEITO EM BARREIRAS-BAHIA</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiii-o-longo-mandato-de-prefeito-em-barreiras-bahia/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiii-o-longo-mandato-de-prefeito-em-barreiras-bahia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Aug 2025 01:55:31 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33968</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160; XXIII – O LONGO MANDATO DE PREFEITO EM BARREIRAS-BAHIA   Caída a oligarquia Caiado em 1930, Abílio Wolney já se encontrava desde meados dos anos 20 &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiii-o-longo-mandato-de-prefeito-em-barreiras-bahia/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIII – O LONGO MANDATO DE PREFEITO EM BARREIRAS-BAHIA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33972" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33972 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c.png" alt="" width="371" height="253" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c.png 371w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c-300x205.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c-200x136.png 200w" sizes="auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>A embarcação Ajoujo, arquitetada por Abílio Wolney (Acervo de Irany Wolney Aires) <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>XXIII – O LONGO MANDATO DE PREFEITO EM BARREIRAS-BAHIA</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Caída a oligarquia Caiado em 1930, Abílio Wolney já se encontrava desde meados dos anos 20 no oeste baiano, onde foi prefeito de Barreiras entre 1932 e 1937.</p>
<p>Quando do pleito para Deputado Federal no longínquo ano de 1900, tivera votos para eleger-se Deputado Federal por Goiás e pela Bahia (tratamos disso quando da notícia da sua depuração também na eleição pela Bahia). Ali, no final dos anos 20, ao aconchego de amigos e políticos de Barreiras, torna-se Vereador e Presidente do Conselho Municipal (Câmara de Vereadores).</p>
<p>Barreiras, a menos de 200 quilômetros de São José do Duro, fica situada na margem do Rio Grande, afluente do lado esquerdo do Rio São Francisco, sediando a região que compreendia Angical, Duro, Brejolândia, Catolândia, Correntina, Cotegipe, Cristópolis, Formosa do Rio Preto, Ibipetuba, Riachão das Neves, São Desidério e Tabocas do Brejo Velho.</p>
<p>Logo que se fixou em Barreiras, foi acolhido por Geraldo Rocha, pelo Deputado Francisco Rocha e familiares, então donos da Companhia Sertaneja Agro-Pastoril S.A., que, na verdade era um conjunto de empresas de vulto, inclusive a de energia elétrica. Abílio é escolhido para gerente do Escritório da Companhia, que, na época, englobava também o maior complexo agropecuário do nordeste do País, e com a sua habilidade é convidado a dar solução para o problema da travessia do Rio Grande, que separava a cidade ao meio e não havia ponte. Surge então o plano da construção do <em>Ajoujo</em>, <em>[259</em> uma balsa, que presa a um cabo de aço que atravessava o rio, movia-se com a pressão da água contra a embarcação, que deslisava presa ao cabo, atracada por um sistema de correntes, sem a necessidade de remos. Era uma obra de engenharia. Na época era a única viatura capaz de atravessar carros sobre o dorso do rio.</p>
<p>Por outro lado, Abílio abre em Barreiras uma grande farmácia, a “Farmácia Wolney”, manipulando remédios e exercendo a medicina prática, autorizado que era pelos Conselhos de Farmácia e Medicina para ambas as profissões. Tinha como colaborador o grande amigo e depois farmacêutico João Gualberto, de quem batizou a filha Magaly Almeida Brum Ribeiro. A botica ficava no piso inferior do Sobrado que ali adquirira e onde passou a morar com a família, cuja construção está preservada integralmente graças aos cuidados da pedagoga e escritora Ignez Pitta de Almeida, atual proprietária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33969" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33969 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23-467.png" alt="" width="373" height="236" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23-467.png 373w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23-467-300x190.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23-467-200x127.png 200w" sizes="auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Sobrado que foi propriedade e residência do então Prefeito Abílio Wolney. Atual Museu no Centro Histórico de Barreiras-BA</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33970" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33970 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23a.png" alt="" width="373" height="246" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23a.png 373w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23a-300x198.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23a-200x132.png 200w" sizes="auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Farmácia de Abílio Wolney, no interior do Sobrado acima. Hoje museu de Barreiras. (Acervo do autor)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33971" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33971 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23b.png" alt="" width="370" height="251" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23b.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23b-300x204.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23b-200x136.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Abílio Wolney (3º da direita para a esquerda) em Barreiras-BA, nos anos 30 (Acervo de Doralina Wolney Valente e Ignez Pitta)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33972" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33972 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c.png" alt="" width="371" height="253" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c.png 371w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c-300x205.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23c-200x136.png 200w" sizes="auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>A embarcação Ajoujo, arquitetada por Abílio Wolney (Acervo de Irany Wolney Aires)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33973" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33973 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23d.png" alt="" width="372" height="250" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23d.png 372w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23d-300x202.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23d-200x134.png 200w" sizes="auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Uma das fachadas da antiga Companhia Sertaneja no Centro Histórico em Barreiras-BA (Foto do autor)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jornal “O Tempo” de propriedade de Abílio Wolney, divulga projetos cheios de entusiasmo num tempo em que Barreiras era como uma ilha no oeste baiano. O projeto da criação do Estado do São Francisco é publicado mais uma vez. A Bahia é a nova terra de Abílio Wolney. As edições de “O Tempo” dão a nota do novo cidadão baiano, com sua pena fulgurante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33974" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33974 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23e.png" alt="" width="328" height="432" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23e.png 328w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23e-228x300.png 228w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23e-200x263.png 200w" sizes="auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Acervo de Doralina Wolney, Ignez Pitta e Magaly Almeida</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Juraci Magalhães, Interventor do Estado da Bahia, o prestigiá-lo-ia nomeando-o Intendente de Barreiras, e uma nova fase na vida pública reiniciará para ele em outras terras.</p>
<p>Exerceria o longo mandato de prefeito nomeado entre 1932 e 1937.</p>
<p>Dentre as obras do Prefeito Abílio Wolney em Barreiras, destaca-se a construção da imensa ponte “São João”, que ligava Barreiras a São Desidério, São Domingos, Correntina e outras cidades naquela direção; o projeto de Irrigação, desenhado e ilustrado, hoje em funcionamento a partir da barragem situada em São Desidério, drenando mais de 3.000 hectares do semiárido. A irrigação é toda por gravidade e desce em canais largos e fundos de cimento e através dos seus dutos, tudo pelo sistema de gravidade. Outra obra foi o traçado da estrada de carro ligando Barreiras a Sítio do Mato, além do primeiro aeroporto de Barreiras e Projetos de inclusão social de famílias carentes, retirantes do nordeste. (Veja o livro <em>Abílio Wolney na Bahia</em>, do autor)</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33975" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33975 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23f.png" alt="" width="370" height="256" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23f.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23f-300x208.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23f-200x138.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Ponte São João, na saída urbana de Barreiras para São Desidério</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre Juraci Magalhães pode-se dizer que foi uma notabilidade na vida brasileira: general do Exército, Governador da Bahia, Deputado Federal, Senador da República, Presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Presidente da Petrobrás, Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Ministro da Justiça e Ministro das Relações Exteriores, numa vida pública de 50 anos. Em uma entrevista que concedeu ao escritor Nertan Macedo em Petrópolis-RJ <em>[260</em>, responde ele:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>– O Coronel Abílio Wolney era um caudilho que vivia em Goiás e se foi abrigar em pleno sertão da Bahia, na cidade de Barreiras. Quando cheguei aquele Estado, no ano de 1931, ele ali se encontrava.</em></p>
<p><em>– Wolney adquiriu tal conceito na sociedade local, isto é, em Barreiras, quase na fronteira com Goiás, que quando assumi o Governo do Estado, como Interventor da Bahia, seu nome me foi indicado para o cargo de prefeito.</em></p>
<p><em>Nomeei-o e não me arrependi. Fez uma administração exemplar.</em></p>
<p><em>– Wolney era um homem de fala mansa, daquele ‘saber de experiência feito’ a que aludia Camões. Conversava desembaraçadamente sobre pessoas e fatos da sociedade que o tinha acolhido, e mesmo a respeito dos inimigos do passado, em Goiás, referia-se com respeito. Usava barba num tempo em que isto não era comum. Pelos adversários políticos locais, era estimado. Como você sabe, lá em Barreiras dominava a família Rocha, tendo como cabeça o doutor Francisco Rocha, e de onde viriam mais tarde Antônio Balbino, Vieira de Melo e tantos outros.</em></p>
<p><em>– Wolney falava com moderação mesmo sobre estes adversários políticos. Por sinal, um deles, o Vieira de Melo – que mais tarde se casaria com uma neta de Wolney – foi meu concorrente nas eleições de 1958 para Governador da Bahia. Perdeu. Mas eu o convidei para o cargo de Secretário de Viação, que aceitou, ocupou e desempenhou muito bem.</em></p>
<p><em>– Depois de 1937 perdi Abílio Wolney de vista, mas dos contatos que tive com ele guardo até hoje boas lembranças.</em></p>
<p><em>Jamais esteve no Palácio do Governo para falar com o Interventor e fazer pedidos pessoais, para si, para amigos, parentes ou correligionários. Pedia, sim, para o município: estradas, escolas, verbas para iluminação pública, enfim, tudo quilo que o município necessitava. Era um homem honesto.</em></p>
<p><em>– Eu tenho uma opinião diferente da que é geralmente aceita sobre os chamados ‘coronéis’ do interior. Conheci muitos deles, que foram exemplares chefes, políticos nos sertões, exercendo um benéfico patriarcado, dando tudo de si para bem servir a coletividade. Ser chefe político em um município é um ônus terrível que, geralmente, condena o indivíduo a uma pobreza definitiva. É claro que houve também os ‘coronéis’ que usavam o poder para exercer uma espécie de monopólio do comércio, marcada sua atividade pela prática de um nepotismo sem limitações. Mas, de regra, o chefe político fazia imensos sacrifícios, inclusive para custear as festas cívicas a que se obrigava, como um dos imperiosos deveres para manter o seu prestígio na coletividade a que servia.</em></p>
<p><em>– A Revolução de 30 marcou o fim dos ‘coronéis’ caudilhos, mas os verdadeiros chefes políticos sobreviveram e continuaram servindo ao povo com abnegação, merecedores de respeito. Ainda hoje há homens que já não se intitulam coronéis, mas que continuam com aquela vocação de servir ao próximo que os impõe para o exercício da liderança política, sempre tão exigente.</em></p>
<p><em>– A sociedade evoluiu e hoje são raros os homens de bem que aceitam se tornarem líderes da comunidade onde vivem.</em></p>
<p><em>Há, atualmente, uma crise de liderança local, regional ou nacional, porque na verdade a capacidade de se devotar a causa púbica é cada vez menos encontradiça. A atividade política encontrava uma farta compensação no respeito que esse trabalho cívico merecia por parte dos seus concidadãos.</em></p>
<p><em>Um líder político era geralmente apreciado, respeitado e despertava gratidão. Hoje, a condição de homem público é quase pejorativa. Admite-se que o político procure obter vantagens pessoais no trabalho a que se dedica em favor da coletividade. Isso nem sempre é verdadeiro. Há homens que se sacrificam nas lutas partidárias; há, naturalmente, aqueles que aproveitam as posições para o enriquecimento ilícito e para o abuso da autoridade. Felizmente, porém, são exceções fáceis de identificar. Quando se noticia um caso de corrupção ou desmando político, a divulgação é ampla. Mas os sacrifícios cotidianos dos políticos honrados morrem no esquecimento.</em></p>
<p><em>– Faça-se um inquérito para saber quantos líderes enriqueceram no exercício da atividade pública e há de se chegar à conclusão de que, em geral, morreram pobres, tendo sacrificado os interesses de suas famílias em favor da coletividade. Frequentei honrados lares de chefes políticos em todo o Brasil e só guardei lembranças boas de sua generosa hospitalidade, testemunhando a excepcional capacidade de servir ao próximo de que eram dotados.</em></p>
<p><em>– Lembro-me bem de que os líderes políticos pediam sempre muito, mas era muito raro que um pedido fosse feito em seu próprio benefício. Um estudo sociológico da vida dos coronéis como Abílio Wolney há de revelar facetas muito interessantes e desconhecidas do público em geral.</em></p>
<p><em>– Muitas foram as vezes em que Wolney comparecia às audiências em Palácio, na capital da Bahia. Não me recordo de ter feito qualquer pedido pessoal para ele ou para a família dele.</em></p>
<p><em>– Eu acho que Wolney desempenhou um papel na sociedade onde viveu. Deve ter tido pecados, que Deus, na sua generosidade, há de perdoar. Mas muito contribuiu para o bem da sociedade. Ele está entre os ‘coronéis’ dignos, entre aqueles que jamais usaram o prestígio para tirar proveito pessoal. Wolney sempre pensou na coletividade e no interesse desta, os mais legítimos.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Numa das viagens que o então Prefeito Abílio Wolney fez ao Rio de Janeiro no início dos anos 30, participou de importante reunião com altos chefes militares, inclusive com o General Juarez Távora, Ministro da Viação no governo Vargas. A Juarez, Abílio sugeriu a criação dos Batalhões Rodoviários do Exército, e Juarez, aplaudindo a ideia, levou-a ao Ministro da Guerra, tendo sido a mesma aprovada. Foi daí que começaram a nascer as unidades militares rodoviárias, que tantos serviços importantes têm prestado ao Brasil nas últimas décadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33976" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33976 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23g.png" alt="" width="519" height="367" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23g.png 519w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23g-300x212.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23g-395x279.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23g-200x141.png 200w" sizes="auto, (max-width: 519px) 100vw, 519px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Prefeitura (Intendência) de Barreiras-BA, em 1937. Abílio Wolney está ao meio, na linha de frente</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33977" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33977 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23h.png" alt="" width="496" height="374" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23h.png 496w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23h-300x226.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23h-395x298.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/23h-200x151.png 200w" sizes="auto, (max-width: 496px) 100vw, 496px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Ao fundo, Abílio Wolney em Barreiras-BA, nos anos 30 (Acervo de Doralina Wolney Valente e Ignez Pitta de Almeida)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[259 Ajoujo, assim batizada por Abílio Wolney, já que se tratava – como no léxico – de uma embarcação de balsa e canoa constituída de quatro canoas, tendo por cima um estrado de madeira (coxia) a elas fortemente amarrado, e que era impelida pela inclinação das correntes que a atavam a um cabo de aço.</p>
<p>[260 Obra citada, pág. 61-64.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XXIV</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiii-o-longo-mandato-de-prefeito-em-barreiras-bahia/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXIII – O LONGO MANDATO DE PREFEITO EM BARREIRAS-BAHIA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxiii-o-longo-mandato-de-prefeito-em-barreiras-bahia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXII – PRISÃO E QUEDA DE TOTÓ CAIADO</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxii-prisao-e-queda-de-toto-caiado/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxii-prisao-e-queda-de-toto-caiado/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 19:30:27 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33967</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009   XXII – PRISÃO E QUEDA DE TOTÓ CAIADO &#160; Por ocasião da Revolução de 1930, o então senador Totó Caiado teve de fugir com a notícia &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxii-prisao-e-queda-de-toto-caiado/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXII – PRISÃO E QUEDA DE TOTÓ CAIADO</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_32789" class="wp-caption alignnone" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32789 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a.jpg" alt="" width="1267" height="1600" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a.jpg 1267w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-238x300.jpg 238w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-811x1024.jpg 811w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-768x970.jpg 768w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-1216x1536.jpg 1216w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-395x499.jpg 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-795x1004.jpg 795w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2025/09/aw-capa-Imagem-do-WhatsApp-de-2025-04-03-as-22.12.48_98f3f26a-200x253.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 1267px) 100vw, 1267px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Capa do livro <strong>– Foto: livro</strong></p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>XXII – PRISÃO E QUEDA DE TOTÓ CAIADO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por ocasião da Revolução de 1930, o então senador Totó Caiado teve de fugir com a notícia da aproximação da coluna revolucionária, engrossada por homens do Exército brasileiro, cujo Estado-Maior estava centralizado em São Paulo. Seu irmão Brasil Ramos Caiado, que ocupava a presidência do Estado, também se retirou às pressas do Palácio Conde dos Arcos, abandonando o governo da antiga capital de Goiás.</p>
<p>Como narra o escritor Cristovam Francisco de Ávila,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Foi o próprio Antonio Ramos Caiado quem relatou os maus bocados que teve de suportar com o seu irmão Brasil e seu filho Ubirajara. Dentre eles, consta o fato histórico</em></p>
<p><em>incluído no processo de inventário feito por falecimento de sua filha Cory de Carvalho Caiado [&#8230;]. Passaram por duros momentos, sentindo a morte a cada instante, amoitados por dias seguidos entre os contrafortes da serra do Taquaral, dentro do município de Crixás, sem comida, sem agasalho, por terem saído às pressas, acossados que foram com a entrada das forças militares na capital do Estado.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fato histórico relatado foi transcrito pelo referido escritor da edição do jornal <em>O Popular</em> de 11 de junho de 1978, onde o próprio Totó Caiado relata, com outras palavras, que ele mesmo, acompanhado dos três irmãos, Arnulfo, Leão e Brasil, além do filho mencionado e do Dr. Juca, haviam refugiado inicialmente na fazenda <em>Tesouras</em>, sabendo-se que as mulheres da família ficaram no convento das Irmãs Dominicanas.</p>
<p>Parafraseando o próprio texto em remissão, percebe-se que Pedro Ludovico Teixeira, já nomeado Interventor em Goiás, sucedia a honrosa Junta Governativa, designada para os primeiros dias pós Revolução, a qual durou apenas três semanas.</p>
<p>Dono do poder, o Interventor quer a ordem e manda apurar os abusos de quase duas décadas de mandonismo e violências.</p>
<p>Nos primeiros dias do regime de Getúlio Vargas, os Estados da Federação são diretamente guarnecidos por Batalhões do Exército, mais a Polícia Militar reestruturada em cada ente da Federação.</p>
<p>Na Fazenda <em>Tesouras</em>, antes mesmo da entrada da força federal na Capital do Estado, Totó havia reunido grande número de jagunços, bem armados para a reação.</p>
<p>Todavia, como se passaram dias sem outras medidas coercitivas da Nova Ordem, parecia que, tomado o governo do Estado como corolário da Revolução de Getúlio Vargas, tudo acabaria em paz, razão por que Caiado dissolveu suas forças privadas, desguarnecendo a Fazenda.</p>
<p>Antes, porém, precaveu-se em dar sumiço ao irmão Brasil, retirado da Fazenda na companhia do outro irmão Arnulfo e do Dr. Arthur Jucá. É que Brasil Caiado era o segundo homem visado, por seu rastro mais recente de desmandos.</p>
<p>Do Palácio Conde dos Arcos, entretanto, é finalmente expedida a determinação: Uma Companhia de metralhadoras para o encalço de Totó Caiado e do Presidente do Estado deposto – Brasil Ramos Caiado. A ordem é prendê-los e trazê-los maniatados para ulteriores providências.</p>
<p>Foi assim que, num dia de novembro de 1930, um contingente de 80 homens armados segue para executar a prisão do chefe da oligarquia e, com ele, o irmão e quem mais houvesse. Na data marcada para o avanço da força, estavam na Fazenda <em>Tesouras</em> apenas Totó, seu irmão Leão e seu filho Ubirajara, na ansiedade dos dias lentos que se sucederam, em meio ao sobrosso pela dimensão do levante nacional.</p>
<p>Sabedores da movimentação, os Caiado que ficaram põem em prática outro plano de fuga em busca de lugar inacessível.</p>
<p>Foi assim que, ao anoitecer deixaram a Fazenda debandando para os lados da Serra do Taquaral, dentro do município de Crixás. Antes, Totó chamou seu vaqueiro do retiro do <em>Lago Bonito</em> para avisá-lo sobre o lugar onde se esconderiam, com ameaças veladas contra qualquer inconfidência.</p>
<p>A noite caiu de todo e com ela uma chuva forte. Os fugitivos, molhados, erravam pela escuridão caliginosa sem poderem acender um archote, que ademais os poria a descoberto pela Coluna Revolucionária que se movimentava para sitiar <em>Tesouras</em>. Foi assim que os Caiado chegaram ao esconderijo, no meio da mata virgem, e ali cuidaram em armar redes, protegendo-se com ponches – capas quadrangulares, de lã grossa, com uma abertura no meio, pela qual se passavam as cabeças.</p>
<p>A chuva caía incessantemente. Armaram redes, mas foi impossível dormir. <em>A água descia pelos punhos e os umedecia. Assim é que, já resfriados, decidiram construir um rancho de abrigo</em>.</p>
<p>Lá atrás, a Companhia de metralhadoras cercava pelos flancos da Fazenda <em>Tesouras</em>, que ganharam numa investida maciça.</p>
<p>Acossados pela Força Federal, os poucos jagunços que ficaram guarnecendo a fazenda foram facilmente rendidos. Algemados e debaixo de ordem foram coagidos a confessar o paradeiro de Totó Caiado. Resistiram de início, mas <em>a esposa do vaqueiro, amedrontada, terminou indicando o local onde se encontravam refugiados</em> Totó, o irmão Leão e o filho Ubirajara. Quanto a Brasil Caiado e aos demais, não tinham a mínima ideia do paradeiro.</p>
<p>Em marcha, a Companhia seguiu para o lado da Serra do Taquaral, como indicado. Debaixo da invernia, os policiais, ajoujados de mochilas e cantis, fazem um percurso desconhecido e penoso. As patronas e cargueiros estão carregados de cartuchos e projéteis.</p>
<p>A tropa avança com suas matracas automáticas, à bandoleira, além de armas sobressalentes.</p>
<p>A noite virou rápida na peleja. No horizonte, prenunciava-se um arrebol apagado.</p>
<p>Totó Caiado está labutando dentro de uma “mata próxima à serra de Crixás, onde tenta obter cordas de fibras vegetais para a construção do rancho, enquanto Leão e Ubirajara obtinham a madeira necessária”.</p>
<p>Rompeu a aurora, sem albores, e com ela chegaram as forças do Exército sitiante. Dentre mais, um contingente de 80 soldados assesta metralhadoras em círculo da grande mata, estirando-se pela encosta da serra até o píncaro.</p>
<p>Bradam-se palavras de ordem.</p>
<p>Ubirajara é o primeiro a ser preso e solta um grito de alarme mata a dentro, avisando ao pai Totó Caiado da presença da força. É preso Leão Ramos Caiado.</p>
<p>O comandante da força quer os punhos do deposto Brasil Ramos Caiado. Intima os detidos a indicarem o seu paradeiro, mas obtém a mesma informação de que o mesmo havia se retirado da Fazenda bem antes da saída do grupo.</p>
<p>Aos gritos do filho, Totó Caiado embrenhou-se em fuga pelo matagal encharcado. Contudo foi abordado na saída da mata por uma patrulha de soldados.</p>
<p>De arma na mão, Totó está na iminência de ser fuzilado, caso atire. Dá-se o fecho das armas engatilhadas. Severamente admoestado a depor suas armas, rende-se ao comandante das forças federais, que vem com um certo Velasco na linha de frente, homem da confiança de Pedro Ludovico.</p>
<p>Detidos e molhados, Totó Caiado, o irmão e o filho, são conduzidos à Cidade de Goiás.</p>
<p>O retorno da Companhia Revolucionária à velha Capital é triunfal e ao mesmo tempo humilhante. Os presos na vanguarda sentem pela primeira vez na história o jugo dos mais novos dominadores. O chão de Goiás, berço da <em>oligarquia mais violenta do início da República</em>, é novamente tripudiado pela cavalaria, no aporte da força em movimento.</p>
<p>Totó Caiado – de senador deposto a preso – vai trancafiado numa cela improvisada pelo <em>Exército, ficando incomunicável até para a família</em>.</p>
<p>Por ordem do General Góis Monteiro, foi ligado o telégrafo direto do Rio de Janeiro para a Cidade de Goiás, obtendo todas as informações do recolhimento daquele que se tornara o homem mais procurado no Estado.</p>
<p>Velhos situacionistas, viventes à sombra da oligarquia, agora derrubada, queixam-se à boca miúda, vendo o mundo desabar nos becos e arruados da secular Vila Boa.</p>
<p>O Comando da Revolução toma a deliberação de recambiar os presos Totó Caiado, Leão e Ubirajara Caiado ao chefe de Polícia no Rio de Janeiro, Capital Federal.</p>
<p>Na caravana, contudo, estão também políticos valorosos, vítimas de toda ordem de perseguições em Goiás, ao que tudo indica para um Inquérito dos desmandos na <em>Capitania dos Caiado</em>.</p>
<p>Em vagões da Estrada de Ferro seguem todos para o Rio de Janeiro.</p>
<p>Os presos estão incomunicáveis, inclusive para evitar medidas mais drásticas contra qualquer tentativa de fuga ou resgate a caminho.</p>
<p>Tal era possível e a providência pareceu necessária, pois ao trilharem por Uberaba-MG, um dos vagões foi assaltado por ladrões. Depois o trem seguiu lento, mas constante.</p>
<p>Ao chegarem na Capital Federal, os presos são entregues aos cuidados do chefe de polícia, Dr. Batista Luzardo, para serem apresentados ao Ministro da Justiça, Oswaldo Aranha.</p>
<p>Enquanto isso, Totó e os seus vão recolhidos num xadrez da Casa de Detenção na cidade do Rio de Janeiro.</p>
<p>Totó, que viveu sempre no camarote do poder, teria dias longos em dois anos de cadeia na Capital. De 1930 a 1932, provou da enxerga sórdida de um calabouço.</p>
<p>Quem sabe aquele aposento sombrio, triste, lúgubre representasse para a sua consciência o prólogo de algumas reflexões. Talvez no descesso, enfim, viesse a perceber, ainda a caminho, que não soube compreender as finalidades da missão do seu poder político e econômico, pois a ambição de supremo mando parecia ter-lhe ensombreado os sentimentos.</p>
<p>Sua história estava igualmente cheia de traços brilhantes e escuros, demonstrando que sua personalidade de general manteve-se oscilante entre as forças do mundo e dos males que perpetrou com elas. Dono de honrosos mandatos políticos, laureados para as tradições gloriosas, parece ter sido traído em suas próprias forças. Suas vitórias eleitorais, nada ortodoxas, garantia-lhe a integridade do clã Caiado, mas espalhava a miséria e a ruína no seio dos poucos que ousavam discordar do seu sistema.</p>
<p>Passados os dois anos de cadeia no Rio, Totó retornou para o latifúndio da Fazenda <em>Tesouras</em>, onde entregou-se às lides do campo, enquanto o novo governo com Pedro Ludovico prosseguia na apuração dos abusos da oligarquia enxotada.</p>
<p>Fato é que, após a Revolução de 1930 e a perda da hegemonia política, os Caiado passaram a acompanhar a vida política do estado e do país como derrotados, embora não extintos. Experimentaram estar do outro lado, na oposição e sem voz.</p>
<p>Acabava em Goiás o jugo da prepotência. Fim do tempo em que a própria “Justiça ficava temerosa de enfrentar a indisposição e mesmo a ira dos déspotas, que não respeitavam sequer ordens judiciais”. Fim de um ciclo quando “o progresso se viu entravado pela coação reinante. Agora a liberdade judiciária, a liberdade eleitoral e, por toda a parte, o progresso.” (TEIXEIRA, Pedro Ludovico. <em>Memórias</em>).</p>
<p>Entretanto, como diz o jargão popular: “mata-se o monstro, mas ficam os escombros”. Deveras. Após a libertação e retorno de Totó Caiado a penates, estourava em São Paulo a Revolução Constitucionalista 1932, disseminada pelo território nacional. Em Goiás, a reação “dos escombros” ao governo Getúlio Vargas ficou evidenciada no complô dos Caiado recalcados em sua trincheira de antes. Assim, Pedro Ludovico mandou prender, na cidade de Goiás, todos os homens centrais da família, não tendo sido capturado Brasil Ramos Caiado, que como sempre logrou um esconderijo.</p>
<p>Banidos do cenário político, os Caiado estiveram no ostracismo entre 1930 e 1945. Depois ressurgiram alguns no período em que se organizariam como oposição, entre 1945 e 1964. Apoiando o golpe militar de 64, entram em ação alguns <em>filhotes</em> do caiadismo, mas só décadas mais tarde terão, poucos, alguma expressão.</p>
<p>Quanto a Totó Caiado propriamente, teve a sua carreira política morta a partir de 1930, quando recolheu-se ao ostracismo em suas Fazendas. Há mais de 70 anos o Estado de Goiás passou a viver sob a presidência da Lei – reorganizado o Estado Democrático de Direito – sem a necessidade da reação armada a governos que tais.</p>
<p>O prédio do antigo Tribunal de Justiça na Cidade Goiás foi nomeado <em>Fórum Des. Emílio Francisco Póvoa</em>, em homenagem ao raro jurista, cuja carreira íntegra na vida pública foi selada como membro da Junta Governativa, ele que por mais de uma década resistiu às imposições execrandas da oligarquia deposta.</p>
<p>Pelo Decreto nº 2.737, de 20 de dezembro de 1932, Pedro Ludovico nomeou Comissão presidida pelo bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira, tendo o prof. Colemar Natal e Silva como secretário para “proceder aos estudos atinentes à adaptação ou escolha de local para nele ser edificada” uma nova Capital para o Estado. É hora de relembrar da obra de Nicolau Maquiavel, na desforra cíclica dos acontecimentos.</p>
<p>Como narra o professor e escritor José Mendonça Teles:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>A ideia de mudar a Capital, que vinha desde 1753, com o primeiro governador da Província de Goiás, Dom Marcos de Noronha, não saía da cabeça de Pedro Ludovico. Homem culto, leitor dos clássicos, naturalmente conhecia a obra </em>O Príncipe<em>, de Maquiavel, que recomenda, ao conquistar uma cidade, o seguinte: </em>matar o inimigo, trazê-lo para trabalhar ao seu lado, ou mudar a cidade<em>. Optou pela última construindo uma nova cidade, que se tornou capital, deixando Vila Boa em situação de terra arrasada, pois trouxe para Goiânia, além do funcionalismo os templos sagrados da cultura: Lyceu, Escola Normal e Faculdade de Direito </em>[253</p>
<p><em>Sabia que se continuasse a governar na antiga capital, teria forte oposição de seus adversários. Melhor seria desagrega-los, dividi-los. A mudança da capital foi o caminho buscado para garantir a república conquistada.</em> [254</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vencido o caiadismo, fez-se necessário eliminar o fulcro do seu território. Dizia o nosso estadista Pedro Ludovico que “a cidade de Goiás, com um século de existência nos anos 30, só possuía 10 mil habitantes, muitos problemas de saneamento, e seu índice de construção de casas era apenas de 12 por ano”.</p>
<p>Quase 10 anos depois, no dia 05 de julho de 1942, inaugurava-se Goiânia, a nova capital de Goiás. Entretanto, o seu fundador sofreu reveses das forças ocultas dos que não ousavam mostrar a cara. Diz ele em suas <em>Memórias</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Os habitantes de Vila Boa, daquela época, sabem que a minha vida esteve em perigo várias vezes, certos de que dois homens, em épocas diferentes, foram convidados para me assassinar. Ambos não eram pistoleiros, mas meus desafeitos, um pessoal e outro político [&#8230;]</em></p>
<p><em>Procuraram por todos os meios evitar a edificação de Goiânia, com intimidações e emendas na Constituição Estadual. Houve uma pressão anônima, digna de se registrar: o missivista pediu-me que colocasse uma rosa branca em um vaso de barro existente em um dos alpendres do Palácio dos Arcos, e isto significaria que eu desistiria do projeto da mudança. Caso persistisse na minha ideia, que pusesse uma rosa vermelha e, então, eu seria assassinado [&#8230;]</em> [255</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A nova Capital foi feita. Pedro Ludovico passou a ser odiado na antiga capital e teve vilaboense que morreu sem nunca pôr os pés em Goiânia, como foi o caso de algumas senhoras Caiado, que amaldiçoavam o seu fundador. Goiânia, planejada para 50 mil habitantes, ultrapassou a casa de um milhão de pessoas e vai&#8230;</p>
<p>Já a Cidade de Goiás tem hoje 32 mil habitantes. Nesse espaço de 70 anos, houve um acréscimo de apenas 22 mil pessoas na sua população.</p>
<p>Quase parou no tempo. Em suas ruas estreiras, de pedras, ulula o vento nos becos silenciosos e empedrados.</p>
<p>O <em>Rio Vermelho</em>, onde Bartolomeu Bueno “incendiou” as águas, como forma de atemorizar os índios e apoderar-se do ouro que existia à mão cheia, corta a antiga Vila Boa ao meio, com suas águas diminuídas e ainda poluídas. <em>[256</em> É a Goiás Velho, lápide de suseranos, jardim da flor Cora Coralina, que para honra do Estado, entra no Século XXI como Patrimônio da Humanidade.</p>
<p>Ali, não faz tempo, a casa que foi de Totó Caiado teve o seu interior completamente queimado, num incêndio inexplicável, torrando documentos e relicário do senador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center">***</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quanto ao ex-deputado Abílio Wolney, desde 1938, havia retornado à antiga São José do Duro, renomeada Dianópolis, por sugestão dele próprio.</p>
<p>Trinta e dois anos depois da Revolução Nacional que derrubou a oligarquia Caiado, vamos dar com uma carta de Abílio Wolney ao amigo Pedro Ludovico, nas reminiscências das saudades envelhecidas rumo ao poente da existência&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ei-la:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Dianópolis, 20 de maio de 1962.</em></p>
<p><em>Meu prezado amigo, Dr. Pedro.</em></p>
<p><em>Nosso comum amigo Barbosa tem estado aqui há alguns dias na mesma convivência amiga e animada, nunca deixando de se referir entusiasticamente à sua pessoa que idolatra e, se em vez de retornar vai levando meu amigo Antônio Cearense, seu parente afim, que por minha vez lhe recomendo. Ele não tem o desenvolvimento de Barbosa, mas é um companheiro deste muito sincero e leal, um soldado no qual o Sr. pode confiar. Desço a estas minúcias porque compreendo que os homens do seu porte precisam de uma guarda de gente resoluta, sincera e leal.</em></p>
<p><em>Passando em revista a história dos nossos homens públicos, de Couto de Magalhães até agora não vejo um que o tenha excedido ou ao menos igualado em Goiás. Fui devotado a Gonzaga Jaime, a Braz Abrantes e a Emílio Póvoa, pelos quais iria ao sacrifício, conforme me expus uma vez abalando daqui com um contingente armado </em>[257<em> e, aos 86 anos repetirei este feito, se necessário for ao lado de Pedro Ludovico.</em></p>
<p><em>A bandeira das suas ideias está alteada num posto muito alto, logo em seguida à de Juscelino, o maior brasileiro vivo que conheço e, pondo na balança, não sei qual pesará mais: se o construtor de Goiânia, com minguados recursos, ou o de Brasília com o crédito nacional!</em></p>
<p><em>Basta de tanta audácia do velho sertanejo que o admira.</em></p>
<p><em>Abilio Wolney”. </em>[258</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[253 Teles, José Mendonça. <em>Crônicas Vilaboenses</em>. Edições Consorciadas-UBE-Goiás – 2005.</p>
<p>[254 Teles, José Mendonça. <em>A Vida de Pedro Ludovico – Fundação de Goiânia</em>, 2004.</p>
<p>[255 Teixeira, Pedro Ludovico. <em>Memórias</em>, 2ª Edição.</p>
<p>[256 Teles, José Mendonça. Paráfrase do livro <em>Crônicas Vilaboenses</em>, Edições Consorciadas &#8211; UBE-Goiás – 2005.</p>
<p>[257 Parece referir-se à transata Revolução de 1909, pois o contingente armado que manteve entre 1919 e 1923 foi diminuto e não saiu do círculo dos confrontos nas Fazendas Brejo, Santa Rosa e povoado de Taipas, Conceição do Norte, além dos recontros com a 4ª Cia. de Polícia, conforme narrado em capítulos anteriores.</p>
<p>[258 Depois da Revolução, Pedro Ludovico foi nomeado Interventor em Goiás por Getúlio Vargas, cargo que ocupou entre 1930 e 1945; governador pelo voto direto entre 1951 e 1955. Surgia um novo líder político, nascido na cidade de Goiás em 1891. Foi um político que marcou profundamente a história goiana deste século. Ele entrou na política pelas mãos do sogro, Antônio Martins Borges (Totonho Borges), opositor da oligarquia Caiado, que estava no auge do poder na época. Pedro Ludovico fundou o PSD em Goiás e construiu Goiânia. Elegeu-se senador e constituinte em 1946 e, posteriormente, conquistou mais dois mandatos de senador. Morreu em Goiânia no dia 17 de agosto de 1979.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XXIII</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxii-prisao-e-queda-de-toto-caiado/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXII – PRISÃO E QUEDA DE TOTÓ CAIADO</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxii-prisao-e-queda-de-toto-caiado/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXI – O AMIGO PEDRO LUDOVICO E A REVOLUÇÃO DE 1930</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxi-o-amigo-pedro-ludovico-e-a-revolucao-de-1930/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxi-o-amigo-pedro-ludovico-e-a-revolucao-de-1930/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 09:02:39 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33799</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160; [XXI – O AMIGO PEDRO LUDOVICO E A REVOLUÇÃO DE 1930   Mas tudo passa; o poder é temporal. Entretanto transitaria por longos anos, pois o &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxi-o-amigo-pedro-ludovico-e-a-revolucao-de-1930/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXI – O AMIGO PEDRO LUDOVICO E A REVOLUÇÃO DE 1930</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33803" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33803 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465.png" alt="" width="371" height="246" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465.png 371w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465-300x199.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465-200x133.png 200w" sizes="auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Primeiro Governo revolucionário de Goiás após a revolução de 1930: Sentados, os membros empossados da Junta: Drs. Pedro Ludovico, Emílio Póvoa e Mário Caiado. De pé: Cel. Quintino Vargas, Dr. Pinheiro Chagas, Dr. Inácio Loiola, Dr. José Honorato, Dr. Antonio Perilo, Dr. Claro de Godói e Cel. Pireneus de Souza <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>[</strong><strong>XXI – O AMIGO PEDRO LUDOVICO E A REVOLUÇÃO DE 1930 </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Mas tudo passa; o poder é temporal. Entretanto transitaria por longos anos, pois o caiadismo vai até 1930. Ao final do governo de Alfredo de Morais, estava em curso o processo da Revolução de 30, que extirparia a supremacia dos Caiado em Goiás.</p>
<p>Chegava-se ao ápice da Revolução Nacional, e com ela Getúlio Vargas. Em Goiás, com a vitória da Aliança Liberal, a Junta Governativa Pedro Ludovico – Des. Emílio Póvoa – Mário Caiado derrotou Totó Caiado, que se retirou da Capital do Estado.</p>
<p>Mario d’Alencastro Caiado era aquele juiz dissidente no <em>“Caso Judiciário”</em>, quando houve um racha dentro da família Caiado entre 1926 e 1927. Em junho deste ano, Mário Caiado havia fundado o jornal <em>Voz do Povo</em>, que sustentou o combate ao grupo caiadista e aglutinou a oposição. Esta contou também com Americano do Brasil e Colemar Natal e Silva, membros da família Caiado por laços de casamento, e com o primo Claro Godoy, do mesmo tronco familiar de Mário Caiado.</p>
<p>O vulto altaneiro do Des. Emílio Francisco Póvoa pela primeira vez na vida deixava por uns dias a cadeira de Desembargador. Tomava assento numa cadeira colegiada com seus pares na Junta Governativa, designada pelo alto escalão revolucionário.</p>
<p>Emilio Póvoa assistira aos desmandos na Capital – com muitos dos seus votos vencidos no Tribunal – no aguardo daquele dia memorável.</p>
<p>Nunca se dobrou à oligarquia. Dentre outros pedidos de intervenção federal em Goiás, foi ele o autor de uma longa e fundamentada petição de Intervenção da União no Estado, pois muitas decisões judiciais, especialmente as suas, não eram cumpridas pelo Governo e sua clientela. Justamente por causa daquele pedido de Intervenção, Emílio Póvoa foi destituído do cargo de Presidente do antigo Superior Tribunal de Justiça de Goiás para dar entrada ao Des. Ayrosa Alves de Castro, primo do afamado Des. João Alves de Castro, cunhado de Totó Caiado.</p>
<p>Com certeza o Des. Emílio recordava-se de tudo, numa indignação sem mágoa. Era chegado o momento, esperado há quase duas décadas. Era a hora da vitória da toga da Justiça. O seu anelo era a magistratura. Nela, em 1919, proferiu o memorável Voto condutor do Acórdão que anulou todo o processo da Comissão do juiz Celso Calmon Nogueira da Gama, juiz mandado pelo Governo para presidir a Comissão que culminou no massacre dos reféns na <em>Chacina dos Nove</em>.</p>
<p>E Celso Calmon foi preso, processado e depois condenado, embora tenha conseguido se livrar de tudo no final dos anos 20, quando havia chegado a Desembargador, conforme prometido pelos situacionistas.</p>
<p>Logo que Pedro Ludovico assumiu o governo monocrático, uma das primeiras providências que tomou foi colocar o novel Des. Celso Calmon Nogueira da Gama em disponibilidade, ao que tudo indica sem vencimento, como o fez a outros, livrando-se dele em Goiás. Calmon voltou para sua terra, no Espírito Santo, de onde nunca mais deu notícia.</p>
<p>No seu livro <em>Memórias</em>, Pedro Ludovico expõe o drama, especialmente do Estado, naquela quadra da história:</p>
<p><em>Embora me sentisse revoltado com a falsa democracia que existia em todo o Brasil e em Goiás, continuava afastado das lides políticas, para não provocar aborrecimentos ao meu sogro. Chegou a tal ponto a minha repugnância pela situação, que não mais resisti e tomei atitude. Meu sogro (Antônio Martins Borges ou Totonho Borges) não me </em><em>impediu de assim agir. Eu, Ricardo Campos, Dr. Almeida Barros, advogado militante, Atanagildo França e Teódolo Emrich fundamos o jornal “O Sudoeste” e começamos a criticar os erros da política e da administração do Estado, onde imperava uma familiocracia. Basta lembrar que Antônio Ramos Caiado era Senador da República, Brasil Caiado, irmão dele, Presidente do Estado, Joviano Alves de Castro e Lincoln Caiado de Castro, Deputados Federais, respectivamente, cunhado e sobrinho-genro do Senador.</em></p>
<p><em>Entrando na refrega política, como dizia, comi o pão que o diabo amassou. Apesar de nossas divergências, nunca fui inimigo pessoal do Chefe caiadista de Rio Verde. Mantivemos sempre relações cordiais.</em></p>
<p><em>Pouca gente tinha coragem de combater o caiadismo. A maior parte do povo estava insatisfeita, mas só alguns pequenos grupos, na velha Goiás, em Rio Verde, em Inhumas, punham as mangas de fora. Não vou citar nomes porque cairia fatalmente em omissão de muitos que foram bravos. Pode ser que, no correr destas Memórias, fale em alguns.</em></p>
<p><em>As eleições eram um escárnio, uma brincadeira. Colocavam-se nos postos, onde se realizavam os sufrágios, um Tenente da Polícia e dois soldados. Ao entrar, o eleitor recebia de um dos mesários um envelope fechado, que continha o seu voto e o colocava na urna. Muitas vezes, nem a esse trabalho se davam. Chamavam umas três ou mais pessoas, inclusive os transeuntes, que assinavam os nomes dos eleitores, para “efeito legal”. Era o regime escandaloso das atas falsas. Aliás, isso acontecia no Brasil inteiro.</em></p>
<p><em>Não somente isso o que me indignava, sobretudo, a falta de garantias que sofriam os que não se conformavam com esse estado de coisas, as perseguições de que eram vítimas.</em></p>
<p><em>Quanto mais o nosso movimento ganhava vulto, mais se acentuava a reação do absolutismo. Mesmo assim, quando havia eleição para qualquer cargo público, de Prefeito, Vereadores, Deputados, Governador ou Senador, dávamos sinal de vida.</em></p>
<p><em>Não podendo entrar na sessão eleitoral, votávamos em Cartório, como uma forma de protesto. [&#8230;]</em></p>
<p><em>Sabendo que aqueles votos em Cartório nada valiam, pois não eram computados, queríamos provar a nossa determinação de repelir uma eleição fraudulenta e escandalosa.</em></p>
<p><em>Iam para Rio Verde os oficiais mais valentes e violentos da Polícia Militar, que, felizmente, sempre manifestavam uma consideração à minha pessoa. O ambiente, dia a dia, mais se carregava.</em></p>
<p><em>Abriram-se-me duas alternativas: ou mostrar forte ou abandonar a luta. [&#8230;]</em></p>
<p><em>O destacamento policial se fortalecia, de meses em meses, com mais soldados que chegavam. As violências contra elementos do povo ocorriam constantemente.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E narrando outros fatos, continua Pedro Ludovico:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] Estando já em minha casa, uma cunhada minha me alertou que um grupo de soldados, armados de fuzil, para lá se dirigiam. Estava só. Minha mulher foi encontrá-los à porta da rua. O tenente foi logo lhe dizendo que ela se considerasse viúva, pois ia matar-me e que me buscaria dentro da minha residência [&#8230;]. Para que o incidente não se tornasse mais grave, fui passar alguns dias em Uberlândia, a pedido do meu sogro (Totonho Borges).</em></p>
<p><em>Esse militar, conforme fui informado, meses depois foi fazer uma prisão em Catalão, matando um homem, deixando na orfandade dez filhos. Não guardei, nem guardo, nenhuma mágoa dele, mesmo porque estava cumprindo ordem superior, ficando certo disto depois que recebi uma carta de um alto representante do Judiciário Goiano, informando-me de que o Oficial tinha sido recomendado para assim proceder, a fim de me desmoralizar ou matar. Eventos que tais foram numerosos comigo, não valendo a pena recordar, a não ser os principais.</em></p>
<p><em>O mandonismo caiadista convenceu-se de que era preciso uma atuação mais violenta contra os inadaptáveis do sudoeste, e, então, enviou para Rio Verde o Delegado Especial Erkonvaldo de Barros, acompanhado de 50 soldados. Afirmava-se que este homem fora indicado pelo Governador do Rio Grande do Norte, Dr. Juvenal Lamartine, ao Senador Antônio Ramos Caiado.</em></p>
<p><em>Tramava-se e se executava uma expedição punitiva contra os rebeldes que não queriam se submeter à política caiadista.</em></p>
<p><em>Nos idos de 1929, tão logo chegado a Rio Verde, Erkonvaldo de Barros pediu a mim e ao meu sogro que comparecêssemos à sua presença, porque tinha necessidade de conversar conosco. Não previmos que estivesse usando uma artimanha, para nos prender. Lá chegados, convidou-nos para acompanhá-lo à Cadeia Pública, onde instalara a sua Delegacia. Retirou-se, dizendo que voltaria logo.</em></p>
<p><em>Depois de quatro dias, apareceu bêbado.</em></p>
<p><em>Antes de entrar na sala em que nos encontrávamos detidos, ouvimos que ele espancava uma pessoa, que estava também presa. Imediatamente, soubemos que se tratava do advogado que havia requerido </em>habeas corpus<em> para nós e cuja concessão, horas antes, tinha sido deferida pelo Juiz José Ferreira de Azevedo, magistrado íntegro, com muito bom nome na Comarca. O advogado era meu velho amigo, muito corajoso, porque se não o fosse não teria ânimo para defender a nossa causa.</em></p>
<p><em>Em seguida ao espancamento, surgiu Erkonvaldo diante de nós. Foi logo dizendo que tinha ordens negras contra mim. Não deixei que continuasse. Respondi-lhe que, se ele me tocasse com a mão, como acabara de fazer com o advogado, o mataria, não na prisão, porque não havia possibilidade, mas depois, em qualquer lugar onde o encontrasse. Esbravejou, repetindo que eu era um insolente, um atrevido, e que tinha ordens especiais contra mim, e se afastou, deixando-nos incólumes. Prendeu mais de vinte pessoas na cidade e, em seguida, partiu, na sua missão punitiva, para Jataí.</em></p>
<p><em>Naquela cidade, próxima a Rio Verde, agiu mais violentamente. Encarcerou muitos membros da família Carvalho. Colocou-os e outros em uma única prisão, onde ficaram vários dias, fazendo as necessidades fisiológicas, uns na vista dos outros. Quando recebeu ordem do Presidente do Estado, Dr. Brasil Caiado, para liberta-los, tomou de uma chibata e deu em cada um uma chibatada. Retirou dois indivíduos humildes, presos por motivos fúteis, e os assassinou nas margens do Rio Claro, que corre perto de Jataí. Fez isto apenas para apavorar o povo.</em></p>
<p><em>Mandou surrar muitas pessoas que estavam presas e repetiu as mesmas violências na cidade de Mineiros. Mandou ou consentiu que três soldados espancassem, com o intuito </em><em>de roubar-lhe uns diamantes, o sírio Elias. Mandou doze soldados à Serra do Cafezal, onde cometeu, pessoalmente, os maiores desatinos, maltratando e roubando muitos fazendeiros, entre os quais o Sr. Cândido da Costa Lima, conhecido por Candinho, do qual arrancou, um por um, numerosos fios de sua barba. [&#8230;] Tudo isto que estou relatando foi apurado em inquérito, após a vitória da Revolução de 1930.</em></p>
<p><em>Meses depois fui à velha Goiás com os meus amigos Ricardo Campos e Belarmino Cruvinel. Ao passarmos por Campinas, hoje parte integrante de Goiânia, vimos um homem bem vestido, com dois soldados ao lado, arrancando pragas de uma das ruas da pequena cidade. Antes tomou uma dúzia de bolos de palmatória e, em seguida, fora obrigado a fazer aquele serviço. Tratava-se de um comerciante local que teve a petulância de não rezar pela cartilha do caiadismo. </em></p>
<p><em>A Revolução estava em marcha [&#8230;]. No dia imediato à minha chegada a Uberlândia, parti para a mesma região de onde tinha vindo, chegando a Santa Vitória à margem do Paranaíba. Nesta pequena e velha cidade, encontrei-me com Oscar Bernardes, fazendeiro abastado, descendente de uma velha família mineira. Trazia comigo, além de alguns companheiros, que me esperavam em Uberlândia (habituados à luta armada, nos combates travados em Mato Grosso&#8230;), mais vinte rapazes, que, espontaneamente, a mim se ofereceram para lutar, entre os quais se destacaram Jedeon de Barros e Joaquim Roberto de Souza. Oscar me foi utilíssimo, tendo me arranjado cerca de 80 (oitenta) homens.</em></p>
<p><em>Acompanhavam-me, entre os vinte de Uberlândia, Jonas Mun e o enfermeiro Otto, ambos europeus, e que haviam lutado na guerra mundial de 1914. Jonas se tornou o meu chofer e foi de uma dedicação sem limites para comigo.</em></p>
<p><em>Parti adoentado de Uberlândia. O enfermeiro Otto encarregou-se de dar instrução militar aos meus homens, durante dois dias.</em></p>
<p><em>Atravessamos o Paranaíba em um barco, no Porto São Jerônimo, e depois de uma hora de marcha em território goiano tivemos o primeiro choque. A minha vanguarda encontrou-se em uma curva da estrada com um automóvel que conduzia seis soldados e um motorista. Não houve tempo para entendimentos e o tiroteio se estabeleceu entre </em><em>os dois grupos.</em></p>
<p><em>Logo depois os alcancei, verificando que um dos solados tinha sido ferido e se embrenhara em um cerrado próximo&#8230;</em></p>
<p><em>Seguimos para uma cidade próxima, antiga Capelinha, hoje Quirinópolis. Nas vizinhanças, havia um riacho e uma ponte, que deveríamos atravessar. Quando o fazíamos, tivemos que recuar, pois recebemos uma fuzilaria de quinze soldados, comandados por um sargento. Houve a luta, que durou meia hora, mais ou menos. A força policial bateu em retirada e nós entramos na cidade, conduzindo três feridos, um dos quais não suportou os ferimentos, falecendo pela madrugada. Fiz o que pude para salvar a vida de todos. Mas como não podia parar, continuei em direção de Rio Verde.</em></p>
<p><em>Ao acamparmos perto de quatro quilômetros desta, verifiquei que dos 110 homens da nossa força 40 haviam desertado, após o segundo tiroteio. Restavam-me setenta.</em></p>
<p><em>Às cinco da madrugada estávamos às portas da cidade. Era nossa intenção atacar o destacamento policial e tomar as suas armas. Entretanto, ignorávamos que as forças governistas ali tinham sido muito aumentadas, com soldados e paisanos.</em></p>
<p><em>Continuando a marcha, fomos logo interceptados por uma intensa fuzilaria, a que resistimos duas horas.</em></p>
<p><em>Terminada a nossa munição, o meu pessoal recuou, menos eu e dois companheiros, que se separaram de mim, cada qual procurando se salvar. Nós três não tínhamos possibilidade de alcançar os caminhões que nos conduziam.</em></p>
<p><em>Ficando só, tentei abrigar-me, depois de arrastar-me pelo solo cerca de 50 metros, chegando a um pequeno bosque. Era tal a minha fadiga, que dormi imediatamente seis horas seguidas. Então, um menino, que estava à procura de um animal, me viu e foi avisar, na cidade, que havia um homem morto, onde se dera o combate.</em></p>
<p><em>Poucos minutos depois, um grupo de 20 homens se acercou do lugar em que me encontrava, vindo atirando em todas as moitas. Despertei com os tiros e avistei o grupo. Levantei-me e um dos componentes, surpreso, me deu ordem de prisão. Havia vários amigos no grupo, forçados pela situação, a ficar a favor do Governo.</em></p>
<p><em>Seguimos e, 15 minutos depois, atingimos a primeira rua de Rio Verde, onde o Tenente Catulino Viegas </em>[249<em> nos esperava. Foi muito delicado comigo, perguntando-me se queria ir a pé ou de automóvel. Com as vestes sujas como estava, preferi o automóvel.</em></p>
<p><em>Trancafiaram-me no pior xadrez. [&#8230;]</em></p>
<p><em>No dia 24 de outubro, pela madrugada, entra no meu cárcere o Tenente Catulino e me declara que recebera ordem do Senador Ramos Caiado de me remeter para a velha Goiás. Vesti-me com a única roupa velha e rasgada, que estava comigo. Ao deixar a porta da prisão, apareceram-me os Drs. Zaqueu Crispim e César da Cunha Bastos, dizendo aquele que tinha ordens de me conduzir a Goiás e que sentia muito prazer em abraçar um homem digno como eu. Foi um conforto para mim, encarcerado, havia 14 dias, e não sabendo do meu destino. [&#8230;]</em></p>
<p><em>Tornei a ficar surpreso.</em></p>
<p><em>Continuamos com destino à velha Capital. [&#8230;]</em></p>
<p><em>Soube, posteriormente, que os soldados, portadores do recado do Dr. Jucá, tinham a missão de me assassinar e ao Ricardo. E tanto era verdade que, ao continuarmos a viagem, o Zaqueu mandou desarmá-los. [&#8230;]</em></p>
<p><em>A dezoito quilômetros de Goiás, antiga Capital, surgiu um automóvel com três pessoas. [&#8230;]</em></p>
<p><em>Só Zaqueu continuou, conduzindo-me e ao Ricardo.</em></p>
<p><em>Depois de andarmos uns três quilômetros consultou-me se não me aborreceria se ele me levasse à presença do Vice-Presidente do Estado, já que o Presidente, Dr. Alfredo Lopes de Morais, achava-se licenciado e os Senadores Brasil Ramos Caiado e Antônio Ramos Caiado, e mais parentes, tinham abandonado a Capital, tão logo souberam do êxito da Revolução.</em></p>
<p><em>[&#8230;]</em></p>
<p><em>Aconteceu, porém, ficar sabendo, uma hora depois, que uma coluna de revolucionários, comandada pelo Dr. Carlos Pinheiro Chagas e Quintino Vargas, vinda de Paracatu, cidade mineira, se aproximava da velha Goiás. Em consequência, impedi a remessa de forças de Itumbiara.</em></p>
<p><em>Consultei alguns amigos se queriam comigo ocupar o Palácio do Governo. Dez concordaram e assim o fizemos. [&#8230;]</em></p>
<p><em>Decidiu o alto escalão revolucionário que deveria ser nomeada uma Junta Governativa, composta de três membros, para cada unidade federativa. Eu, o Desembargador Emílio Póvoa e o Juiz de Direito da Capital, Dr. Mário de Alencastro Caiado, fomos os escolhidos. Na hora da posse, quis ceder a cadeira do centro ao Desembargador Póvoa, não só porque era o mais velho, senão também um Juiz muito íntegro, que gozava de ótimo conceito. Por insistência de Carlos Pinheiro Chagas, tomei esse lugar. [&#8230;]</em></p>
<p><em>A junta durou poucos dias, tendo sido eu nomeado Interventor Federal do Estado.</em></p>
<p><em>Cumpre ressaltar, aqui, que este ilustre goiano muito nos ajudou no combate ao caiadismo. Atuava com muita frequência e ardor na imprensa carioca e goiana. Bom jornalista, conhecedor, destarte, de tudo que se passava no nosso Estado, não dava descanso à oligarquia que imperava em Goiás. [&#8230;]</em></p>
<p><em>No dia 29 de outubro de 1930 assumi como membro da Junta Governativa, nomeada logo após a vitória da Revolução, o Governo deste Estado. Três semanas depois, tive o desprazer de ver separarem-se de mim os meus ilustres companheiros dos primeiros dias de governo, os Srs. Drs. Mário Caiado e Emílio Póvoa, por força do Decreto que me investiu nas funções de Interventor.</em></p>
<p><em>O povo brasileiro, inclusive o goiano, vinha de uma luta cívica memorável, sem similar no registro da vida nacional.</em></p>
<p><em>Goiás, como nenhuma outra unidade federativa, sentiu o peso de uma situação despótica e oligárquica, que tudo fez para sobrepujar as condições de insegurança em que se via envolvido o País. A pletora de mandonismo, o prazer sádico pela violência, o sentimento de irresponsabilidade predominavam tanto na mentalidade dos situacionistas, que a insegurança se apresentava a todos e sob todos os aspectos.</em></p>
<p><em>Insegurança na vida comercial, industrial e máxime na vida política.</em></p>
<p><em>O comércio e a indústria não podiam se desenvolver em virtude da falta de garantias que se lhes defrontava, sujeitos aos botes de qualquer aventureiro que às portas lhes aparecesse, quase sempre amparado pelas boas graças dos poderosos. Os habitantes do hinterland se viam ainda mais ao alcance das acometidas dos mastins que infestavam o situacionismo.</em></p>
<p><em>Nesse ambiente sombrio, corrupto, pressago, não havia possibilidade de progresso, de entusiasmo. Já ninguém queria se aventurar a estas plagas com a intenção de habitá-las, devido ao receio da intranquilidade que, certo, o esperava. Aos que se davam à veleidade de manifestar uma ideia contrária aos imperantes, a estes nenhum direito, nenhuma lei, nenhum dispositivo legal lhes amparavam as pretensões. Eram irrequietos, turbulentos, visionários, a quem a própria justiça temia atender, de pés e mãos atadas como se via, donde a sua vacilação, a sua apatia dolorosa ante os recursos a ela dirigidos dos que sofriam. Felizmente, a revolta dos sonhadores que não se acomodaram com os mandões, encontrou eco na alma popular, permitindo que a revolução se tornasse triunfante e correndo com os vendilhões da Pátria e os conspurcadores do regime.</em></p>
<p><em>Conquistei (a posição de interventor do Estado) à custa de sete anos de combate aos passadistas que nos asfixiavam com toda espécie de truculências. Conquistei-a conhecendo cárceres, cujos grilhões jamais puderam abafar a voz de meu civismo, o entusiasmo das minhas ideologias. Conquistei-a com um longo sacrifício de amigos e de minha família; com a invasão, por várias vezes, do meu lar por uma polícia celerada e sem freios, que se orientava pelas diretrizes torvas e criminosas de seus chefes.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Conquistei-a finalmente pelo argumento máximo das armas, extremo a que chegam os espíritos resolutos contra os Governos tirânicos e violadores da soberania popular.</strong> </em>[250</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os desmandos da oligarquia chegavam a termo. O antigo nordeste goiano sucumbiu em parte na resistência de São José do Duro, com o holocausto dos mártires, ou mesmo no ideal dos jagunços em levarem o ataque à cidade de Goiás e tomarem o poder com as armas. Fê-lo Getúlio Vargas, com a tríade da Junta Governativa, depois singularizada em Pedro Ludovico Teixeira.</p>
<p>O caiadismo foi o gestante do seu próprio fim, visto como os seus sequazes não tardaram muito a caírem em face da reação das massas anônimas e vítimas do seu sistema de mando.</p>
<p>A oligarquia propriamente durou de 1912 a 1930.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Alta noite do dia 24 de outubro de 1930, o tropel de cavalos riscando em trote largo com suas ferraduras novas apressadamente colocadas, tirando lajedos de Vila-Boa, não chamou a atenção de quase ninguém. Reinava a confusão na vetusta cidade, diante das notícias da queda do governo, no Rio de Janeiro. Os cavaleiros, o estado-maior do caiadismo, tomavam o rumo da Fazenda Tesouras, de propriedade do suserano deposto. </em>[251</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33800" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33800 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21-465.png" alt="" width="373" height="526" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21-465.png 373w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21-465-213x300.png 213w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21-465-200x282.png 200w" sizes="auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Des. Emílio Francisco Povoa, que terminou integrando a Junta Governativa na Revolução de 1930, quando caiu a oligarquia Caiado</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33801" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33801 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21a-465.png" alt="" width="370" height="330" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21a-465.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21a-465-300x268.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21a-465-200x178.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Pedro Ludovico, seu sogro Antônio Martins Borges (Totonho Borges, líder político do sudoeste goiano), João Valeriano da Silveira Leão (Zeca Leão) e Ricardo Campos, correligionários políticos e oposição ao “caiadismo”. <em>[252</em></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33802" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33802 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21b-465.png" alt="" width="370" height="512" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21b-465.png 370w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21b-465-217x300.png 217w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21b-465-200x277.png 200w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Abílio Wolney, anos depois, provavelmente no início dos anos 30 (Fotografia do acervo dos filhos Joaquim Wolney e Irany Wolney)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33803" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33803 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465.png" alt="" width="371" height="246" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465.png 371w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465-300x199.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/21c-465-200x133.png 200w" sizes="auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Primeiro Governo revolucionário de Goiás após a revolução de 1930: Sentados, os membros empossados da Junta: Drs. Pedro Ludovico, Emílio Póvoa e Mário Caiado. De pé: Cel. Quintino Vargas, Dr. Pinheiro Chagas, Dr. Inácio Loiola, Dr. José Honorato, Dr. Antonio Perilo, Dr. Claro de Godói e Cel. Pireneus de Souza</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[249 Aqui ressurge, em 1930, a figura de Catulino Viegas, um dos verdugos da <em>Chacina</em> de São José do Duro, já agora Tenente, com essa nova missão.</p>
<p>[250 TEIXEIRA, Pedro Ludovico. <em>Memórias</em>, 2ª edição, Livraria e Editora Cultura Goiana, 1973, págs. 18 a 19 e 26 <em>usque </em>59. Frases finais destacadas. Desse mesmo livro vieram as fotografias atrás.</p>
<p>[251 Assim Joaquim Rosa descreveu a retirada dos Caiado da antiga Vila Boa, após a vitória de Getúlio Vargas. A Junta Governativa assumiu o governo do Estado das mãos de Pinheiro Chagas, mineiro que veio garantir a vitória da Aliança Liberal em Goiás. (A citação consta de texto de Miriam Bianca Amaral Ribeiro no livro <em>Coronelismo em Goiás: estudos de casos e famílias</em>, págs. 232/233, coordenado por Nasr Fayad Chaul).</p>
<p>[252 Fotografias extraídas do livro <em>Tempos Idos e Vividos. Minhas Experiências</em>, de Mauro Borges Teixeira, 2ª edição, páginas 43 e 61.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XXII</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxi-o-amigo-pedro-ludovico-e-a-revolucao-de-1930/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XXI – O AMIGO PEDRO LUDOVICO E A REVOLUÇÃO DE 1930</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xxi-o-amigo-pedro-ludovico-e-a-revolucao-de-1930/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XX – ABÍLIO WOLNEY E O COMBATE À COLUNA PRESTES. A COLUNA ABILIO WOLNEY E A COLUNA CAIADO</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xx-abilio-wolney-e-o-combate-a-coluna-prestes-a-coluna-abilio-wolney-e-a-coluna-caiado/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xx-abilio-wolney-e-o-combate-a-coluna-prestes-a-coluna-abilio-wolney-e-a-coluna-caiado/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 00:23:01 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33945</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160; XX – ABÍLIO WOLNEY E O COMBATE À COLUNA PRESTES. A COLUNA ABILIO WOLNEY E A COLUNA CAIADO &#160; Na mesma época em que a oligarquia &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xx-abilio-wolney-e-o-combate-a-coluna-prestes-a-coluna-abilio-wolney-e-a-coluna-caiado/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XX – ABÍLIO WOLNEY E O COMBATE À COLUNA PRESTES. A COLUNA ABILIO WOLNEY E A COLUNA CAIADO</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33946" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33946 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464.png" alt="" width="302" height="539" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464.png 302w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464-168x300.png 168w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464-200x357.png 200w" sizes="auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i><strong>Fotos: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>XX – ABÍLIO WOLNEY E O COMBATE À COLUNA PRESTES. A COLUNA ABILIO WOLNEY E A COLUNA CAIADO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na mesma época em que a oligarquia goiana procurava reprimir o movimento liderado por Santa Dica no povoado da Lagoa, em Pirenópolis (1925), <em>interveio em Goiás a Coluna Prestes. Como manifestação do tenentismo, a coluna pretendia moralizar a vida pública brasileira, pondo fim às fraudes eleitorais e à hegemonia dos grandes proprietários rurais</em>.</p>
<p>A coluna formou-se após as revoltas tenentistas de 1924, dando início a uma guerra de movimento contra o governo de Artur Bernardes. Liderado por Luiz Carlos Prestes, o Movimento objetivava conscientizar as camadas populares das injustiças do regime oligárquico, mas não ganhou a adesão das massas para a derrubada da ordem instituída em razão da sua atuação controvertida. O movimento chocou-se várias vezes contra tropas oficiais. A coluna não sofreu uma única derrota graças ao brilhantismo de seu principal líder. A revolta tampouco alcançou seus objetivos de uma ação popular ampla, desfazendo-se na Bolívia, em fevereiro de 1927.</p>
<p>Em suas correrias pelo Brasil, fez parte do trajeto da coluna Prestes a sua passagem em território goiano.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Sob a liderança da oligarquia dominante, formou-se a Coluna Caiado. A coluna Prestes chegou a se articular com elementos insatisfeitos da política regional, mas a organização da coluna Caiado serviu para demonstrar a hegemonia dos Caiado no cenário político goiano.</em> [245</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo Osvaldo Póvoa,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Nos anos de 1925 e 1926 muitos municípios do antigo norte de Goiás viveram dias de pavor com as notícias da aproximação do que o povo denominava os revoltosos, grupo formado por militares e civis sob o comando de Miguel Costa, Juarez Távora, Carlos prestes e outros idealistas.</em></p>
<p><em>Este grupo revolucionário teve início com a união de força do Exército com oficiais da Força Pública de S. Paulo para mudar a política do Brasil que fazia trinta e cinco anos vivia sob o jugo do Partido Republicano em que só paulistas e mineiros eram eleitos. Cresceu muito com a incorporação de pessoas que não se submetiam à rigorosa disciplina militar, cometendo crimes de toda natureza, inclusive assassinatos e estupros. As escolas fechavam, as famílias fugiam das vilas e cidades para se esconderem nas matas. Através de ofício de 17 de novembro de 1925, o Delegado de Polícia do Porto Nacional relata as ocorrências ao Capitão Delegado Regional de S. José do Duro:</em></p>
<p><em>“Desde os Primeiros dias de outubro, conforme nos mandais dizer em ofícios de 3 e 10 do corrente mês que nos chegaram notícias da aproximação das forças revolucionários vindas do sul do Estado e que alcançaram Natividade em marchas relativamente demoradas, onde estacionaram por alguns dias, chegando aqui a 15 do mesmo mês de outubro os primeiros 25 e saíram os da última turma. Sem meios de defesa, sem comunicações, segregado quase do resto do Estado, pois não temos nem estradas por onde chegasse pronto socorro, este não tivemos e por isso a população abandonou a cidade para onde voltaram as famílias.”</em></p>
<p><em>Houve as costumeiras requisições, precedendo-as a posse </em>manu militari<em> das fazendas que eram percorridas pelos soldados revolucionários e arrebanhada toda a cavalhada e muitos gados que deixaram pelos campos.</em></p>
<p><em>[&#8230;]</em></p>
<p><em>Foi nesse clima de pavor que a Vila do Duro recebeu em setembro de 1925 a notícia de que os revoltosos marchavam em sua direção. A Vila, recém-saída de uma chacina, estava sediando a 4ª Companhia da Polícia Militar do Estado de Goiás sob o comando do Capitão Antônio César de Siqueira que tomou as necessárias providências para interceptar os revoltosos em Santa Maria de Taguatinga, inclusive requisitando os serviços do civil Francisco Liberato Póvoa para servir como enfermeiro. No dia 29 de setembro de 1925 a vila de Santa Maria de Taguatinga foi atacada por 250 revoltosos, segundo informe do comandante da força policial. Comandavam este pequeno grupo os coronéis Juarez Távora e Siqueira Campos, enquanto o grosso da coluna revoltosa sob o comando do General Miguel Costa, do Coronel Carlos Prestes e do civil João Alberto Lins se deslocava rumo a Conceição do Norte. O General Miguel Cosa e o Coronel Carlos Prestes falam de modo sucinto dessa passagem em carta ao gaúcho Dr. Batista Lusardo:</em></p>
<p><em>“A 28, a Divisão deslocou-se para Natividade via Conceição, enquanto que uma força do 3º Destacamento, sob o comando do Tenente-Coronel Siqueira Campos era lançada como flanco-guarda direito da Coluna nas direções de Santa Maria de Taguatinga e Duro. Cumpria ainda a esse flanco-guarda destacar sobre a fronteira baiana a fim de fixar ou localizar as avançadas inimigas, constituídas de um lado pela polícia goiana, saída do Duro e de outro, por forças federais vindas de Barreiras, na Bahia.”</em></p>
<p><em>As notícias do choque dos revoltosos com a polícia em Santa Maria de Taguatinga fizeram com que as escolas suspendessem as aulas até a passagem da tormenta em várias localidades. Do município da Palma um professor dava notícia de ter a cidade sido invadida em 1925 pelas hostes revolucionárias do General Izídio.</em></p>
<p><em>Passada a tormenta, o Professor Cárdia relata em poucas palavras o que ocorreu no Município da Palma, que na verdade é uma síntese do que aconteceu por onde a chamada Coluna Prestes passou na sua caminhada de mais de trinta mil quilômetros por todo o Brasil:</em></p>
<p><em>“Aula Pública da cidade da Palma, em 27 de outubro de 1925. Exmo. Sr. Dr. Artur da Silva Jucá, DD. Secretário do Interior e Justiça. Saudações. Tenho a honra de levar ao conhecimento de V. Exa. que tendo-se as hostes revolucionárias afastado deste município, onde fizeram muitas depredações, saqueando e incendiando propriedades de alguns fazendeiros, invadindo lares nos quais implantaram a desonra e o luto sem que ao menos coubesse às infelizes e indefesas vítimas de tamanho banditismo o sagrado direito de protestarem, V. bem V. Exa. pelas ligeiras exposições que aqui faço os horrores que sofremos durante os longos e tenebrosos dias do corrente mês. Os prejuízos causados neste município são superiores a 100:000$000(Cem contos de réis). Aproveito a oportunidade para reafirmar a V. Exa. os protestos de subida honra e distinta consideração. Saúde e Fraternidade.</em></p>
<p><em>O Professor Aristides Mendes Cárdia.”</em> [246</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também em 1926, estando Presidente da República Arthur Bernardes, o mesmo anistiou Abílio Wolney, isentando-o de todo e qualquer processo judicial formalizados pelo Governo goiano, quando do Movimento do Duro.</p>
<p>O perdão de Arthur Bernardes, também dado a outros Coronéis da Guarda Nacional, vinha num ato pelo qual a União declarava impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certo dia, tomaram atitudes tipificadas como delitos, em geral políticos, fosse fazendo cessar as diligências persecutórias, fosse tornando nulas e de nenhum efeito as condenações.</p>
<p>Era o indulto com o qual Abílio Wolney se veria livre da sentença de morte dada pela oligarquia Caiado, em razão da qual viveu lutando e depois fugindo, primeiro para Barreiras-BA. Chegou a ser sapateiro durante o tempo que esteve no Piauí, de onde voltaria para a Bahia. Ainda fugindo, estivera em Pilão Arcado, sob a proteção do coronel Franklin Lins de Albuquerque.</p>
<p>Enfim, depois do seu calvário iniciado em 1911, estava Abílio anistiado em 1926 no governo de Arthur Bernardes e, então, passa a residir definitivamente em Barreiras-BA.</p>
<p>A rigor, tal anistia foi um ato sobremaior no aspecto legal e político, mas juridicamente estéril, salvo quanto a outros ou a novos processos abertos <em>a posteriori</em> e até aqui desconhecidos pela história, porquanto o processo presidido pelo Juiz Celso Calmon, no mesmo ano de1919 foi todo anulado pelo Tribunal de Justiça de Goiás, que entendeu se tratarem de <em>fatos políticos</em>, da competência da Justiça Federal, para onde foram remetidos os autos. Em 1922, o processo foi encerrado judicialmente na Justiça Federal, por prescrição, portanto sem condenação, <em>in litteris</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] Por esses fundamentos e de acordo com a opinião sustentada pelo Ilmo. Sr. Procurador da República na sua promoção, julgo prescrita a presente ação penal e mando que subam os autos, no prazo legal ao Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal, intimando o dr. Procurador da República. Custas na forma da lei. Goyas, 8 de novembro de 1922. (as) </em>Luiz Xavier de Almeida<em>-Juiz Federal. (Extraído do livro </em>O Barulho e os Mártires<em>)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Ato presidencial serviu para cessar a caprichosa perseguição política. O Presidente da República havia concedido ao ex-Dep. Abílio Wolney a patente de Tenente-Coronel e Coronel-Patriota. O próprio Abílio “formaria um batalhão de 1000 homens, devidamente fardados, municiados e instruídos, para dar combate à Coluna. Nessa época, andava fardado de tenente-coronel. A única diferença da sua farda para a dos militares regulares era as divisas pretas. A dos militares de carreira, eram brancas”, como escreve Nertan Macêdo. (Ob. cit.).</p>
<p>Tratava-se da “Coluna Abílio Wolney”, assim designada por seu Comandante-em-Chefe, que jamais colheu desse levante patriótico qualquer dividendo, mesmo que fosse político.</p>
<p>Com a missão de combater a Coluna Prestes e comandando um dos principais batalhões do Exército Brasileiro, segundo Jorge Amado no livro <em>O Cavaleiro da Esperança</em>, vamos encontrar “Abílio Wolney no dia 24 de fevereiro de 1926 na cidade de Boa Vista, no Pernambuco, ao lado de outros, na linha de frente do seu Batalhão.”</p>
<p>O Cel. Patriota, entretanto, usava da estratégia de mandar alguém delatar que o seu Batalhão estava no encalço da Coluna, de modo que os revoltosos fossem se afastando da localidade onde se encontrassem, evitando o choque armado. E assim atingia o objetivo de “empurrar” a Coluna, que adiante sairia do País.</p>
<p>Admirador da coragem de Carlos Prestes e Miguel Costa, e sabedor da necessidade da queda das oligarquias, Abílio Wolney também “sonhava conscientizar as camadas pobres do norte das injustiças do regime”, vendo aquele levante socialista.</p>
<p>A verdade é que, além de ser um ato de civismo pátrio, Abílio aceitava a patente do Governo Federal como Alvará de Soltura, Salvo Conduto, pois vivia expatriado, sua família e seus bens destruídos, e procurado para ser morto.</p>
<p>Segundo Pang, <em>[247</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] no início de 1926, cerca de dez Batalhões patrióticos foram organizados pelos coronéis da Bahia. Três deles tiveram um papel importante na campanha: o batalhão de Lavras Diamantina, comandado por Horácio de Matos (cerca de 1500 homens) o batalhão Franklin Lins, do Vale Médio do S. Francisco (cerca de 800 homens), e o grupo de Abílio Wolney, formado por recrutas de Barreiras e Goiás (cerca de 1000 homens). Essas unidades recebiam dinheiro e armas do Governo Federal, e os oficiais e todos os outros homens receberam postos como se fossem do exército.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Batalhão de Abílio só podia ser composto mesmo por homens do nordeste goiano e de Barreiras-BA, que era divisa. A ressalva é para observar a existência da chamada <em>Coluna Caiado</em>, Batalhão de voluntários recrutados nos municípios do sul pelo então Senador Totó Caiado.</p>
<p>Conforme o “Boletim Official” do jornal O Democrata nº 422, de 11/9/1925, mesmo não tendo se confrontado com os revoltosos, a participação dos seguidores de Caiado serviu como importante fator de recrutamento de eleitores para as eleições do Legislativo Estadual rumo à manutenção da oligarquia goiana. O referido jornal é citado por Itami Campos [248, para quem “no que se refere ao combate à Coluna Prestes, em Goiás, são graves as acusações feitas ao Senador Caiado, por diferentes autores”.</p>
<p>Numa carta da época, Abílio Wolney narra a seguinte ocorrência:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Corrente 19-12-25.</em></p>
<p><em>Antoninho, hoje ao entrar do sol recebi seu ofício de ontem procedente como devia. Antes do seu positivo chegava o Epifânio com a ordem do comando-em-chefe para que o Esquadrão seguisse para embarcar em Pontal e o Bm. patriota para Santa Rita; tudo sem perda de tempo. Os revoltosos tomaram Urussuly e devem estar em Floriano</em></p>
<p><em>pelo que foi alterado o plano de defesa. Em vista disso V. despacho atrasados expressos que despachou para Vitória e Urussuly e volte com o resto do pessoal trazendo os do posto. Isto por aqui, por enquanto está em perigo. O Cap. Meirelles virá com a força dele para esta Vª. José Honório continuará em suas fazendas juntando seu gado. Calcule as despesas dos soldados que ficaram e dê o dinheiro preciso a fim de nada ficarem a dever. No dia que v. saiu piorei da caxumba, só hoje estou me levantando muito abatido. Lembrança a teu pessoal, de teu sogro amigo.</em></p>
<p><em>Abílio Wolney.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33947 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20-464.png" alt="" width="466" height="591" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20-464.png 466w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20-464-237x300.png 237w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20-464-395x501.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20-464-200x254.png 200w" sizes="auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A República dos coronéis era um tacão – já o havia sentido. De Coronel, Abílio Wolney ficou com o título. Roubado, fugitivo, com seu pai, seu irmão, seus parentes e seus amigos assassinados em 1919 e a sua terra, seu lar, de posse do Cap. Siqueira, desde 1923, vão sendo aniquilados paulatinamente.</p>
<p>Na obra clássica <em>O Príncipe</em>, de Nicolau Maquiavel, delineiam-se as táticas factíveis do absolutismo. O livro é uma cartilha de cabeceira dos astutos, ainda hoje em voga no meio político, <em>mutatis mutandis</em>.</p>
<p>Com base na experiência da história, Maquiavel recomendava que o “príncipe”, ao galgar o poder <em>matasse o inimigo</em>. Não o podendo, o <em>trouxesse para trabalhar ao seu lado</em>. Se não fosse possível este último alvitre, então que <em>destruísse os seus bens e eliminasse a sua cidade</em>.</p>
<p>Os Caiado cumpriram a cartilha. Abílio Wolney, na Capital, foi um obstáculo; no norte, uma ameaça ao sistema. Livrar-se dele foi o caminho almejado para garantir a república conquistada. Não conseguindo matá-lo nem trazê-lo para <em>trabalhar a seu lado</em>, cuidaram em <em>destruir os seus bens</em> e em <em>eliminar</em> a pequena São José do Duro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-33946 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464.png" alt="" width="302" height="539" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464.png 302w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464-168x300.png 168w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/20a-464-200x357.png 200w" sizes="auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[245 ASSIS, Wilson Rocha, <em>Estudos de História de Goiás</em>, Vieira, 2005, p. 101.</p>
<p>[246 PÓVOA, Osvaldo Rodrigues, <em>Inconfidências de Arquivo (O Velho Norte de Goiás)</em>, Kelps, 2006, p. 181 <em>usque</em> 187.</p>
<p>[247 PANG, Eul-Soo, <em>The Politics of Coronelismo in Brasil: The Case of Bahia (1889-1930)</em>, p. 187.</p>
<p>[248 CAMPOS, Itami. Obra citada.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XXI</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xx-abilio-wolney-e-o-combate-a-coluna-prestes-a-coluna-abilio-wolney-e-a-coluna-caiado/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XX – ABÍLIO WOLNEY E O COMBATE À COLUNA PRESTES. A COLUNA ABILIO WOLNEY E A COLUNA CAIADO</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xx-abilio-wolney-e-o-combate-a-coluna-prestes-a-coluna-abilio-wolney-e-a-coluna-caiado/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XIX – OUTRAS OPOSIÇÕES REVOLUCIONÁRIAS ATÉ 1930</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xix-outras-oposicoes-revolucionarias-ate-1930/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xix-outras-oposicoes-revolucionarias-ate-1930/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 02:56:37 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33943</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009   XIX – OUTRAS OPOSIÇÕES REVOLUCIONÁRIAS ATÉ 1930 &#160; Na capital de Goiás, os seus donos pareciam perpetuar-se no poder, vendo os anos passarem livres como as &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xix-outras-oposicoes-revolucionarias-ate-1930/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XIX – OUTRAS OPOSIÇÕES REVOLUCIONÁRIAS ATÉ 1930</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33944" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33944 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463.png" alt="" width="299" height="381" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463.png 299w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463-235x300.png 235w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463-200x255.png 200w" sizes="auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Deputado Federal, Senador e Ministro <strong>José Leopoldo de Bulhões</strong> (corajoso político oposicionista e uma voz em favor do Duro) <strong>– Foto: livro</strong></p></div>
<p style="text-align: center"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>XIX – OUTRAS OPOSIÇÕES REVOLUCIONÁRIAS ATÉ 1930</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na capital de Goiás, os seus donos pareciam perpetuar-se no poder, vendo os anos passarem livres como as águas plácidas e correntias do Rio Vermelho. Temido poder, porque nenhuma voz ousava se levantar contra o regime. Vermelhas as ações, porque de sangue e impunidade se fez o mando.</p>
<p>O Cel. Eugênio Jardim, que havia sucedido o concunhado Des. Alves de Castro, vê-se acometido de problemas de saúde e se afasta da presidência, voltando a ocupar o cargo de Senador. Seu mandato de presidente seria completado pelo adesista, Cel. Miguel da Rocha Lima, que se torna o mais novo <em>cabo de chicote</em> dos sobas de Goiás.</p>
<p>Adiante, na sucessão de Eugênio Jardim, vai eleito Brasil Ramos Caiado (1924-1929), em cuja administração começarão a surgir as primeiras manifestações de descontentamento de raros goianos, depois de quase 20 anos de familiocracia compactuada pelo silêncio das massas anônimas, revoltadas, mas sem voz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>A INTERVENÇÃO FEDERAL DE 1919</strong></p>
<p>É verdade também que nem tudo foi silêncio. A primeira insurreição contra o regime caiadista foi o próprio Movimento de 1919 em São José do Duro, naquele recontro entre jagunços oficiais os jagunços do sertão, por tudo o que se viu, onde a primeira vítima foi coberta pelo sudário branco de um “Auto de Resistência”. E depois&#8230;</p>
<p>Essa conturbação de base política de oposição ao Governo desafiaria alguma providência da União. Tentando justificar o genocídio do Duro, cinicamente o próprio Governo do Estado pediu e obteve o decreto de intervenção federal em Goiás, que teve um efeito diametralmente oposto ao que desejava: resultou num minucioso Relatório do Major do Estado Maior do Exército, Álvaro Guilherme Mariante, antes citado, cuja lavra</p>
<p>“foi uma (precoce)sentença condenatória contra a oligarquia Caiado” <em>[235</em>, embora sem imediato resultado prático na remoção das autoridades governamentais culpadas A respeito, o autor tratará no livro <em>O Duro e a Intervenção Federal &#8211; Relatório ao Ministério da Guerra</em>. <em>[236</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>O MASSACRE DOS SEGUIDORES DE SANTA DICA</strong></p>
<p>Cabe destacar, também, o Movimento liderado por Benedita Cipriano Gomes, conhecida como Santa Dica, no Povoado da Lagoa (hoje Lagolândia), município de Pirenópolis, que resultou noutra chacina em Goiás.</p>
<p>Em 1925, estando Brasil Caiado no governo de Goiás, foi mandado para Lagolândia o mesmo Juiz Celso Camon Nogueira da Gama, famigerado esbirro da oligarquia.</p>
<p>Conhecido pela chacina do Duro, Celso Calmon dirigiu em Comissão, um Batalhão de soldados da milícia goiana,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] que ficaram entrincheirados nos morros que circundam o povoado de Lagolândia e foram apontadas metralhadoras </em>Madsen<em>, além de outras armas automáticas para varrer a localidade. Havia ali cerca de mil homens capacitados para a luta; os demais eram mulheres e crianças. O massacre durou cerca de 24 horas consecutivas.</em> [237</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Movimento de Santa Dica tratava-se [&#8230;]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>de uma revolta messiânica, nos moldes da Guerra de Canudos, ocorrida no sertão baiano, liderada por Antônio Conselheiro. Nos dois casos, encontramos a religiosidade popular servindo de instrumento de organização das camadas populares, que se levantam contra a ordem coronelística instituída. As semelhanças com o movimento de Canudos fizeram com que Santa Dica fosse chamada “Antônio Conselheiro de saia” (Carvalho, in </em>Revista Estudos<em>, v. 20, n. 12, p. 2713)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A jovem mística Santa Dica, assim canonizada pela Igreja Católica Brasileira, fundou um povoado às margens do rio do Peixe, conhecido como “Calamita dos Anjos”. A comunidade estruturou-se em torno da propriedade coletiva da terra, de forma igualitária, atraindo ferrenha oposição dos coronéis da região. Santa Dica passou a ser descrita como histérica e desordeira, incitando a revolta entre os sertanejos. Ocorreu a morte de onze seguidores, sendo Santa Dica trancafiada e condenada a nove meses de prisão. <em>[238</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A QUESTÃO DO PODER JUDICIÁRIO</strong></p>
<p>A oposição ao caiadismo torna a se manifestar com o surgimento do caso que ficou conhecido como <em>A Questão do Poder Judiciário</em>. Foi entre 1926 e 1927, quando o Poder Judiciário de Goiás novamente considerou-se inapto para realizar suas atividades devido à interferência dos poderosos da cidade de Goiás. <em>[239</em></p>
<p>A <em>Questão do Judiciário</em> decorreu de uma polêmica central,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] quando se confrontaram dois Caiado: Mário Alencastro Caiado e Totó Caiado. Ao longo da construção da hegemonia caiadista, o tronco familiar de Antônio José Caiado (Torquato Ramos Caiado – Antônio Ramos Caiado) sobrepôs-se ao tronco de Joaquina Emília Caiado (Maria de Alcântara Alencastro – Mário de Alencastro Caiado). Apesar de Maria de Alcântara ter se casado com seu primo-primeiro, Luís Antonio Caiado, filho de Antonio José Caiado, esse tronco vinculou-se aos Alencastro, que não eram considerados plenamente Caiado. O poder político acumulado no Império e na transição para a República por Antônio José Caiado, avô de Mário e Totó, foi transferido e ampliado por Totó Caiado. O início dos problemas é anterior à questão do Judiciário (ocorrida em 1927), quando Mário Caiado informou o governo estadual da passagem de armas por Piracanjuba, em 1909, destinadas aos homens sob comando de Totó Caiado e Eugênio Jardim, no processo de destituição do grupo Xavier de Almeida. Outro episódio acumulou desavenças entre os dois grupos em 1926, por causa de um testamento, envolvendo a judicatura dos juízes Mário Caiado e Jarbas Caiado de Castro, que redundou na divisão do Tribunal:</em></p>
<p><em>ficaram quatro juízes contra a posição de Totó Caiado e apenas um a seu favor. Como escreve Joaquim Rosa, ‘desse momento em diante o que menos interessava era o testamento.</em> [240</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tais intrigas no cerne de oligarquia acabariam ocupando, na imprensa, “várias edições do jornal <em>O Democrata</em>, na defesa de Totó Caiado, enquanto os juízes apresentavam a questão nos jornais do Rio de Janeiro.</p>
<p>O Senador Totó chegou a usar a tribuna do Senado Federal para combater os juízes rebeldes. No começo de 1927, o Tribunal decidiu requerer a intervenção federal em Goiás, sob a alegação de falta de condições para o livre funcionamento do Judiciário, de desrespeito do Executivo às decisões da Justiça e de dilapidação das terras devolutas do Estado”. <em>[241</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Porém, a influência de Totó Caiado, como Senador por Goiás, sustentou as articulações no sentido de impedir a intervenção. Derrotada a intervenção, Totó Caiado influiu para a ampliação de 5 para 9 o número de Desembargadores, garantindo a maioria (5 x 4) a seu favor. <em>[242</em></p>
<p>Enfim, os pedidos de Intervenção Federal não tinham força para socorrer a coisa pública apossada, pois Goiás não despertava maiores interesses da União, era um Estado pobre, atrasado. E quando Caiado bradou por Goiás foi para denunciar os magistrados parentes que o contrariavam. Só mesmo familiares para se digladiarem, pois outro juiz</p>
<p>no Estado não teria coragem de enfrentar Antônio Ramos Caiado.</p>
<p>O reflexo direto dessa omissão do poder central quanto aos pedidos de Intervenção no Estado abria espaços para uma maior autonomia interna <em>[243</em>, sobretudo pelo fato de a oligarquia ser hegemônica, com bem tecida ‘teia de aranha’ nos poderes da República, da capital do Estado ao Rio de Janeiro, embora os políticos de Goiás pouco ou nada influíam nos caminhos da política nacional, cujos cargos exerciam por personalismo e para assegurar interesses do grupo.</p>
<p>A figura goiana de verdadeiro compromisso com o Estado estampava-se em José Leopoldo de Bulhões, definitivamente vencido na Cidade de Goiás. Leopoldo foi uma notabilidade na vida pública: Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de São Paulo. Deputado Geral de 1881 a 1885. Em 1892 foi eleito Presidente do Estado, na primeira eleição direta para o governo de Goiás, não tendo assumido sob a alegação dos encargos de Deputado Federal entre 1891 a 1893; Senador de 1894 a 1902; Senador de 1909 a 1909; Senador de 1911 a 1918; Presidente da Associação Comercial; Presidente do Conselho de Contribuintes do Imposto de Renda. Foi nomeado Ministro da Fazenda em 1906, no governo de Rodrigues Alves. Em 1907 havia assumido a Diretoria do Banco do Brasil. Como visto, em 1909 havia ocupado pela segunda vez, cargo de Ministro da Fazenda no governo de Nilo Peçanha. Há quem diga que ele foi Prefeito de Petrópolis-RJ. Um homem desse tamanho, tornou-se maior ainda pelo desprendimento. Intelectual e dedicado à vida pública, nunca teve tempo e dinheiro para adquirir fazenda e gado, tanto que morreu pobre, de um modo em que os amigos tiveram que cotizar para lhe pagar o funeral. <em>[244</em></p>
<p>José Leopoldo de Bulhões, mesmo no Rio de Janeiro, foi uma voz na imprensa em favor de São José do Duro, do que o autor trata no livro <em>O Duro e a Intervenção Federal</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33944" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33944 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463.png" alt="" width="299" height="381" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463.png 299w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463-235x300.png 235w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/19-463-200x255.png 200w" sizes="auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Deputado Federal, Senador e Ministro <strong>José Leopoldo de Bulhões</strong> (corajoso político oposicionista e uma voz em favor do Duro)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[235 Palavras do Prof. Osvaldo Rodrigues Povoa, em carta dirigida ao autor em 2005.</p>
<p>[236 NETO, Abílio Wolney Aires, <em>O Duro e a Intervenção Federal – Relatório ao Ministro da Guerra</em>. Em 1919, Batalhões do Exército se movimentaram para a divisa entre a Bahia e Goiás, acantonando as tropas na cidade de Barreiras-BA, rumo a São José do Duro, em razão da retaliação do ex-Dep. Abílio Wolney à polícia dos Caiado.</p>
<p>[237 AIRES, Voltaire Wolney, <em>Abílio Wolney, Suas Glórias, Suas Dores</em>, 2ª ed., 2002, p. 114.</p>
<p>[238 ASSIS, Wilson Rocha, <em>Estudos de História de Goiás</em>, Vieira, 2005, p. 100-101.</p>
<p>[239 CHAUL, Nasr Fayad, obra citada.</p>
<p>[240 RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral, <em>Coronelismo em Goiás: estudos de casos e famílias</em>, p. 209 e ss.</p>
<p>[241 Idem. Miriam Bianca ali explica o mesmo que foi dito por Godoy Garcia: A questão das terras devolutas “referia-se à aquisição, por preços simbólicos, das fazendas Tesouras e Aricá, por Totó Caiado, com base em lei aprovada durante o governo de Brasil Ramos Caiado. A lei que permitiu tal compra foi revogada assim que se legalizaram as escrituras de Totó Caiado”</p>
<p>[242 Ibidem.</p>
<p>[243 CAMPOS, Itami. Obra citada.</p>
<p>[244 O nome de <em>José Leopoldo de Bulhões</em> foi atribuído a um Distrito do município de Silvânia, Goiás, em 8 de dezembro de 1931 por força do Decreto-lei nº 66.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XX</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xix-outras-oposicoes-revolucionarias-ate-1930/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XIX – OUTRAS OPOSIÇÕES REVOLUCIONÁRIAS ATÉ 1930</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xix-outras-oposicoes-revolucionarias-ate-1930/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVIII – A 4ª CIA. DE POLÍCIA É TRANSFERIDA PARA SÃO JOSÉ DO DURO. NOVOS COMBATES</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xviii-a-4a-cia-de-policia-e-transferida-para-sao-jose-do-duro-novos-combates/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xviii-a-4a-cia-de-policia-e-transferida-para-sao-jose-do-duro-novos-combates/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2025 02:40:07 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33875</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009   XVIII – A 4ª CIA. DE POLÍCIA É TRANSFERIDA PARA SÃO JOSÉ DO DURO. NOVOS COMBATES    Matar o ex-Deputado Abílio Wolney passou a ser uma &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xviii-a-4a-cia-de-policia-e-transferida-para-sao-jose-do-duro-novos-combates/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVIII – A 4ª CIA. DE POLÍCIA É TRANSFERIDA PARA SÃO JOSÉ DO DURO. NOVOS COMBATES</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33876" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33876 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462.png" alt="" width="494" height="370" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462.png 494w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-300x225.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-395x296.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-200x150.png 200w" sizes="auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Enquanto isso, os mártires do Barulho jaziam na Capela dos Nove, hoje Praça da Capelinha &#8211; Dianópolis-TO <strong>– Fotos: livro</strong></p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>XVIII – A 4ª CIA. DE POLÍCIA É TRANSFERIDA PARA SÃO JOSÉ DO DURO. NOVOS COMBATES</strong></p>
<p><strong> </strong><strong> </strong></p>
<p>Matar o ex-Deputado Abílio Wolney passou a ser uma questão de honra para o Governo. São José do Duro não interessava à Capital, mas o coronel sertanejo ameaçava o sistema, por qualquer surpresa vinda da Capital Federal, numa Revolução de âmbito nacional, onde subisse ao poder um Governo que deporia a oligarquia, o que só se daria adiante em 1930.</p>
<p>O fato da Intervenção Federal de 1919 ter resultado num minucioso relatório pedindo providência em favor do ex-Deputado e condenando os atos do Governo do Estado não intimidava o poderio dos títeres vilaboenses, que, por assim dizer arrostavam as ‘conclusões’ do Ministério da Guerra.</p>
<p>Nesse ambiente, onde a milícia goiana matava covardemente e, com este mesmo advérbio, fugia escorraçada, surge o riste do Presidente Eugênio Jardim, sequioso de uma tréplica fulminante contra Abílio Wolney, que se fizera ‘inimigo da ordem’ e do sistema.</p>
<p>Em junho de 1923, Eugênio Jardim reestrutura a 4ª Companhia de Polícia de Natividade, de onde, como vimos, acolitava os adversários dos Wolney com suporte militar nas conflagrações que se seguiram à chacina de 1919. Faz mais: manda seja a Companhia transferida para São José do Duro.</p>
<p>Os jornais situacionistas da Capital embalavam o eloquente discurso de “exterminar o banditismo do norte”, ou melhor, de São José do Duro.</p>
<p>Para comandante-em-chefe, Eugênio designou o Capitão Antônio César de Siqueira, um sujeito de estatura baixa, magro, sempre metido na farda de oficial, exibindo a pistola no coldre e uma espada de nobre, que quase lhe roçava os pés. Quanto a outros qualificativos seus, as atitudes falarão por ele, daqui a pouco.</p>
<p>A Companhia do Capitão Siqueira foi estruturada a partir de elementos da confiança do seu comandante, somados ao grosso de um contingente aliciado entre as pessoas do povo nos municípios contíguos, contanto que afinados com o Governo, por questão de lógica.</p>
<p>Exemplo deles era Jovelino Américo, que fugiu do Buracão para a Vila com o propósito de delatar a iminente investida dos homens de Abílio Wolney no <em>Barulho de 1919</em>.</p>
<p>O ex-Senador Estadual Deocleciano Nunes – aquele que foi Promotor no processo Celso Calmon –, cabo eleitoral da situação em Natividade, dava o seu abalizado palpite nas gestões da Cia., cujos antecessores do Capitão haviam sido removidos por conta dele.</p>
<p>Da vida pregressa do Capitão comissionado se tinha a notícia de um homicídio que praticou contra um namorado de sua irmã no Rio de Janeiro, onde morou. Queria ele poderes ‘plenipotenciários’ para atuar no Duro, que pela distância de tudo exigia a sua liderança como oficial cônscio e preparado na carreira.</p>
<p>Tão logo chegou a Natividade, depois de mandar prender Zeca Piauí na Fazenda Pé do Morro, o capitão libertou-o, pois sabia ter o mesmo se transformado em inimigo do Cel. Abílio, servindo-se de sua experiência e inimizade para usá-lo como aliado na perseguição ao inimigo.</p>
<p>Siqueira, então, manda libertar Zeca Piauí e Francisco Rodrigues e faz deles “militares”, dando a Zeca uma farda de sargento.</p>
<p>Desloca-se a Companhia de Natividade para o Duro, onde o comandante conclui os preparativos para sair à caça de Abílio e seus homens. Integrando-a, estão, ainda, além dos já mencionados, Nego Veio, Vitor e Jacó, também cangaceiros nordestinos, todos feitos ‘soldados’ da polícia de Goiás. <em>[230</em></p>
<p>Abílio Wolney já havia dito ao Major do Exército:</p>
<p>“Às autoridades de Goiás eu não me entrego: Fujo ou brigo. Prefiro abandonar tudo quanto possuo ou morrer lutando, a entregar-me à polícia de meu Estado e morrer com o pé no tronco.”</p>
<p>E, ao longo de quatro anos, havia resistido, mas agora era imperioso fugir, pois não tinha estrutura de pessoal para arrostar o novo Batalhão militar, que vinha de muda para o Duro. Dos rebanhos de gado que tinha e que herdou do pai, muito havia gasto na paga de jagunços e homens para proteção a refregas, naquela vida de combater para não morrer, mas ainda havia muito gado em proporção. Estava exausto daquela vida sem paz, mantendo gente armada, ociosa, pagando jagunços, articulando movimentos de rebate ao caiadismo. Sua mãe estava velha, doente, refém do próprio filho; sua irmã viúva, os amigos desertados e a praça lúgubre com aquele <em>Sobrado</em>, um mausoléu vazio e doloroso, em frente ao próprio <em>Casarão</em>. Ali gritaram os mártires de 19, o seu irmão Wolneyzinho, todos atirados e depois sangrados como cordeiros imolados.</p>
<p>E assim o menino que foi Deputado, o Coronel Abílio, partia, ou melhor, fugia apressado para não morrer ou lutar contra outra chacina. Atravessou o anfiteatro da Serra Geral, cruzou os gerais, subiu o alcantil e chegou a Barreiras, depois da divisa de Goiás com a Bahia. Em Barreiras, deixou-se ficar à espera do primo Coquelin Ayres Leal, seu ‘general’, que, semanas antes, tinha ido ao Piauí agenciar homens para o confronto com a nova Força Pública do seu Estado.</p>
<p>– Vamos ao couto desses calhordas!</p>
<p>A filosofia era a mesma &#8211; atacar antes de ser atacado. Sabedor de que o Capitão Siqueira avançaria sobre Barreiras no seu encalço, Abílio Wolney, com jagunços, faz fileira com amigos e parentes corajudos e sai da cidade baiana para interceptar a ‘turma’ de Siqueira bem distante da urbe.</p>
<p>Era o dia 4 de abril de 1922.</p>
<p>No Capão do Jerônimo surge o combate. Tiros de rifle, comblains, cartucheiras. Os homens de Siqueira assestam metralhadoras, revólveres e é bala de todo lado. No saldo entre mortos e feridos morreu o sargento Matias, o jagunço João Canguçu e uma mulher.</p>
<p>Depois de breve contato no Galho da Prata, uma sangrenta luta na Ponta d’Água. Os jagunços estão decididos a não permitir que a polícia passe daquele ponto; estão reforçados pelos homens aliciados por Coquelin no Piauí.</p>
<p>Durante horas trocam tiros. Em dado momento um vaqueiro encoirado deixa ver sua silhueta contra o horizonte, correndo rumo a Barreiras. O ‘sargento’ Zeca Piauí vê aquele vaqueiro em fuga e se recorda dos conterrâneos vaqueiros de Pernambuco.</p>
<p>– Não atirem no vaqueiro!</p>
<p>E o vaqueiro some no cerrado. Mal sabia que aquele homem de couraça era seu agora inimigo Abílio Wolney escapando.</p>
<p>Segundo o tenente Otacílio, o combate da Ponta d’Água, embora de menor duração, foi o mais violento. Do lado da polícia não houve perdas, senão alguns feridos, mas do lado de Abílio havia “um número de jagunços mortos”, espalhados pelo cerrado. <em>[231</em></p>
<p>Terminado o confronto em território afastado, o Capitão Siqueira sentiu que o Cel. Abílio, mesmo fugindo, ainda brigava e sobrevivia, não obstante as perdas.</p>
<p>Siqueira decide voltar para o seu posto no Duro e prepara-se para uma operação mais longa e delicada, que vai envolver estados vizinhos. Trata de reforçar a polícia contratando mais civis para a missão, programa envolvendo áreas da Bahia e do Piauí. Eliseu de Almeida Valente, Florentino Martins de Sousa, Joaquim Martins de Sousa, mais dezoito paisanos com os respectivos armamentos.</p>
<p>Desde que chegou ao Duro, Siqueira se estabeleceu no <em>Casarão</em>, residência de Abílio Wolney, invadida sem qualquer formalidade, como outrora o fizera o juiz Celso Calmon no <em>Sobrado</em>, onde sacrificaram os reféns.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>No grande cômodo onde funcionava a farmácia de Abílio, Siqueira montou uma grande loja, tendo Eliseu Valente como seu empregado, quanto loja foi. Esse fato já foi suficiente para que a população começasse a desconfiar desse curioso espécime de militar comerciante. Com efeito, estabeleceu o monopólio comercial na Vila. Ninguém podia vender senão a ele, nem comprar senão dele. Quem é que ia levantar objeções ao capitão Siqueira? Quem? Havia soldados tropeiros, soldados vaqueiros, soldados pagos pelos cofres públicos para desempenho das várias tarefas que o comércio exige. (PÓVOA, Osvaldo, ob. cit.)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A 4ª. Companhia era abastecida, todo mundo era provido pela loja do capitão Siqueira. Soldado, se quisesse ver a cor do dinheiro, tinha que comprar alguma coisa em sua loja e vender com prejuízo ao primeiro que quisesse comprar, interceptando discretamente os fregueses nas ruas.</p>
<p>Gado não faltava, estava aí o gado do Cel. Wolney, do Cel. Abílio e de quem lhe desse na telha, pois ele não tinha que dar satisfações a ninguém. Os soldados vaqueiros estavam aí exclusivamente para campear o gado alheio. Para abastecer a tropa e a população eram abatidas, em média, duas reses por dia, tudo vendido, tudo embolsado,</p>
<p>gulosamente, voluptuosamente, pelo Capitão Siqueira. Tropas e mais tropas carregadas de couros para Barreiras e de mercadorias para a loja do Capitão Siqueira.</p>
<p>Estava o Capitão Siqueira, nomeado pelo Governo do Cel. Eugênio Jardim, cunhado de Totó, para a missão de aniquilar o que restou do poder econômico dos Wolney, pois politicamente Abílio parecia morto. O Cel. Wolney, seu pai, havia sido assassinado pela polícia em 1918. Siqueira</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[&#8230;] veio com “poderes discricionários”, pois é, “poderes discricionários” para consumir e vender o gado dos Wolney e dos amigos destes; formar sua tropa de muares com animais roubados aos inimigos ou a quem quer que fosse sem ser molestado por ninguém; pressionar e chantagear. (Idem)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante quase quatro anos, o que sobrara do saque dos jagunços na refrega de 1919 foi sugado avidamente pelo Capitão Siqueira, como narraria o próprio Abílio Wolney, <em>verbum ad verbum</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Mas o homem visado por Antônio Ramos Caiado – Abílio Wolney – estava vivo e, na impossibilidade de tirar-lhe a vida, foi organizada nova Expedição chefiada pelo bandido Antônio César de Siqueira, arvorado em Cap. de polícia, para confiscar os bens da família e dos seus amigos; e o confisco foi feito durante mais de três anos!</em> [232</p>
<p><em>Parodiando a história, direi: César romano foi pobre para Cecília rica; voltou rico de Cecília pobre. O nosso césar mirim veio pobre para Douro rico e voltou rico de Douro pobre, graças ao Caiadismo! (Texto de 1940, cit.)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas antes de retornar, o Cap. Siqueira fez mais coisa.</p>
<p>Manoel Frigi e Estevão Elesbão, nativos das cercanias da Vila, vieram pedir garantias ao Comandante Siqueira. O primeiro tivera dois filhos que lutaram ao lado de Cel. Abílio, embora ele mesmo nunca tivesse se envolvido em coisa nenhuma, do mesmo modo que Estevão Elesbão, o qual simplesmente fora vaqueiro de Abílio.</p>
<p>Sob o pretexto de sair do perímetro urbano sem ser molestado por soldados, o Cap. Siqueira determinou que o Sargento Manduca conduzisse Manoel Frigi até fora da Vila, no que devia ser auxiliado pelos soldados Antônio Rocha, Manoel Pedra e Chico Mourão, que o executaram friamente.</p>
<p>Do mesmo modo foram fuzilados e sangrados Estêvão Elesbão Marcolino, José Horácio (filho de Manoel Frigi), Tiago, Manoel Três Paus e alguns outros, pelo fato de serem suspeitos de amizade com Abílio Wolney. Os seus corpos serviram de pasto aos urubus e cães famulentos.</p>
<p>Além dos militares já referidos, fazia parte do esquadrão da morte o soldado Joaquim Teles, uma presença constante nos atos violentos.</p>
<p>Muitas vítimas eram conduzidas para fora do Duro com simulação de que iam sendo levadas para julgamento em Natividade. Fora, mandavam que elas corressem e atiravam pelas costas. Às vezes atiravam nas pernas e quando os infelizes caíam acabavam de matá-los a punhal. Cerca de 15 a 20 pessoas foram executadas por ordem do atrabiliário Capitão, na sua imbecilidade triunfante de jagunço fardado e mau. Certa feita, no fogo do Bom Jardim, quando dava combate a homens do Cel. Abílio, comandados por Aldo Borges e Lindolfo Leal, os seus soldados andaram querendo fraquejar. Siqueira os impelia para a frente a golpes de espada. <em>[233</em></p>
<p>Casimiro Costa, amigo de Abílio, mudara-se da vizinha Conceição do Norte para Barreiras-BA, levando a família, a exemplo do que fizeram muitos chefes de família, temerosos das perseguições desencadeadas contra pessoas de destaque, mesmo que não houvesse participado dos tristes acontecimentos de São José do Duro.</p>
<p>Afonso Santana e Diana Leal se recolheram à Fazenda Tucuns e dali foram dar em Taguatinga, embora nada tivessem com os ódios políticos envolvendo o ex-Deputado durense. Era correr para não ser roubado pela polícia do Capitão Siqueira.</p>
<p>Casimiro quer vender um imóvel e gado para custear o estudo dos filhos deportados em Barreiras, pelo simples fato de ele ter sido mediador na tentativa de evitar o <em>Barulho de 1919</em>. Siqueira nega a autorização, alegando que os bens dele estavam embargados. Casimiro manda ofício àquele que era a última esperança de justiça na Capital – o Des. Emílio Francisco Póvoa, consultando se estava obrigado ou não ao embargo de Siqueira. Em razão da urgência, porém, Casimiro se vê obrigado a pagar oito conto de réis (equivalente na época a 300 bois) ao Delegado Aquino, intermediário na quadrilha de Siqueira e tudo ficou resolvido. Casimiro vendeu o imóvel e parte do seu gado.</p>
<p>No início de 1925 Casimiro Costa recebia do Des. Emílio Póvoa a resposta de que não havia qualquer embargo e que gestões estavam sendo tomadas quanto ao crápula de farda. Mas Emílio Póvoa era apenas um num colegiado de Desembargadores, cuja maioria rezava na cartilha da oligarquia.</p>
<p>Sabedor de que Siqueira está em marcha para o Piauí, o Cel. Abílio foge dali para Floriano, onde se oculta sob o nome de Aveiros Cavalcante, sob a proteção de seu primo Dr. José Messias Cavalcante, Juiz de Direito da comarca. Ao penetrar no Piauí, em fins do ano de 1923, a polícia goiana esteve na iminência de entrar em choque com a piauiense naquela zona, pois esta desconhecia oficialmente a existência de um convênio firmado com os ‘estadistas’ de Goiás.</p>
<p>Nas proximidades da cidade de Corrente, o capitão Siqueira acampa com sua tropa e envia como emissário o tenente Salvador José Ribeiro com um ofício ao comando local da polícia, ficando desta forma o assunto esclarecido e o capitão Siqueira pôde chegar ao Corrente sem embaraços.</p>
<p>Ali procura por Aldo Borges que fugira com o Cel. Abílio e que soube estar homiziado na cidade. Aldo, porém, fugira para Parnaguá e o Capitão Siqueira segue no seu encalço. Efetivamente Aldo e Abílio estão sob a proteção de José Honório Granja e a polícia local não tem qualquer interesse nessa confusão de Goiás.</p>
<p>Em Floriano, os comentários que circulam, que são veiculados pela imprensa piauiense, acabam por induzir o Cel. Abílio a deixar o Piauí e voltar à Bahia, sendo recebido pelo Cel. Franklin Lins de Albuquerque, de Pilão Arcado, onde permanece por algum tempo.</p>
<p>No Corrente, o capitão Siqueira se entende com o Juiz de Direito, Dr. Raimundo Lustosa Nogueira com o fim de fazer provisões para abastecimento de sua tropa na fazenda Pérsia, de propriedade daquele magistrado.</p>
<p>José Honório, informado de que o capitão Siqueira passaria por aquela fazenda, cede trinta homens armados a Aldo Borges, que, numa garganta de serras, fica três dias emboscado aguardando a passagem do Capitão Siqueira. Este, porém, quando fora interrogado por José Honório sobre seu itinerário, desconfiara de um ardil e rumara para Formosa, passando por fora.</p>
<p>Perdendo a emboscada, Aldo Borges – jagunço de Abílio Wolney – depreda e saqueia a fazenda Pérsia, manda um recado desaforado ao Dr. Raimundo Lustosa Nogueira e segue atrás de Siqueira, interceptando-o pouco acima de Formosa, no lugar denominado Bom Jardim. Com auxílio de Lindolfo Leal, sustenta um intenso fogo com os homens do Cap. Siqueira, de onde sai ferido e foge para Corrente, onde fica sob a proteção dos Cavalcante, parentes de Abílio.</p>
<p>Desiludido e decepcionado com as autoridades e a polícia do Piauí, o Capitão Siqueira, após passar um extenso telegrama ao Presidente daquele Estado, João Luis Ferreira, do qual não obtém resposta, regressa ao seu quartel na Vila de São José do Duro no início de 1924, onde fica até abril de 1926.</p>
<p>Nesse período, o comandante da 4ª Companhia se faz mais achacador, comete mais arbitrariedades, pressiona, intimida e pratica extorsões, contando com o aval da farda outorgada pelos chefes de Goiás.</p>
<p>Substituído pelo Capitão Agenor Santiago, Siqueira dá por cumprida a sua tarefa e parte, rico, do Duro onde roubou milhares de reses e onde, como comerciante e militar, fez muitos negócios. <em>[234</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33876" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33876 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462.png" alt="" width="494" height="370" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462.png 494w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-300x225.png 300w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-395x296.png 395w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18-462-200x150.png 200w" sizes="auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Enquanto isso, os mártires do Barulho jaziam na Capela dos Nove, hoje Praça da Capelinha &#8211; Dianópolis-TO.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33877" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33877 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18a-462.png" alt="" width="309" height="520" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18a-462.png 309w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18a-462-178x300.png 178w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/18a-462-200x337.png 200w" sizes="auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>Capitão Antônio César de Siqueira (foto cedida pelo Prof. Osvaldo Póvoa ao Museu Histórico de Dianópolis-TO)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p>[230 PÓVOA, Osvaldo Rodrigues, obra citada, p. 110.</p>
<p>[231 Idem. Obra citada.</p>
<p>[232 Sobre o Capitão Siqueira, emérito rapinante, veja a introdução do Cap. XVII adiante.</p>
<p>[233 Idem, ibidem.</p>
<p>[234 Idem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XIX</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xviii-a-4a-cia-de-policia-e-transferida-para-sao-jose-do-duro-novos-combates/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVIII – A 4ª CIA. DE POLÍCIA É TRANSFERIDA PARA SÃO JOSÉ DO DURO. NOVOS COMBATES</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xviii-a-4a-cia-de-policia-e-transferida-para-sao-jose-do-duro-novos-combates/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVII – NOVOS COMBATES. A REVOLTA DO “DURO” CONTINUA</title>
		<link>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xvii-novos-combates-a-revolta-do-duro-continua/</link>
					<comments>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xvii-novos-combates-a-revolta-do-duro-continua/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jota]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 23:36:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://jotacidade.com/?post_type=colunas&#038;p=33868</guid>

					<description><![CDATA[<p>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica O DIÁRIO DE Abílio Wolney, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009 &#160; XVII – NOVOS COMBATES. A REVOLTA DO “DURO” CONTINUA   Batida em 1919, a polícia dos Caiado foge do recontro em São José do Duro, onde &#8230;</p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xvii-novos-combates-a-revolta-do-duro-continua/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVII – NOVOS COMBATES. A REVOLTA DO “DURO” CONTINUA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>[Em diferentes edições e capítulos, o JORNAL CIDADE publica </em>O DIÁRIO DE Abílio Wolney<em>, livro do articulista Abilio Wolney Aires Neto, lançado pela editora Kelps (Goiânia-GO.), em 2009</em></p>
<div id="attachment_33869" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33869 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461.png" alt="" width="366" height="520" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461.png 366w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461-211x300.png 211w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461-200x284.png 200w" sizes="auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>De pé, à direita, Coquelin Ayres Leal. Sentados: Voltaire Ayres Cavalcante (à esquerda) e Joaquim Ayres Cavalcanti Wolney Filho – Wolneyzinho (à direita) <strong>– Foto: livro</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>XVII – NOVOS COMBATES. A REVOLTA DO “DURO” CONTINUA</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Batida em 1919, a polícia dos Caiado foge do recontro em São José do Duro, onde havia assassinado o Cel. Wolney, pai de Abílio, depois mais 9 pessoas (no tronco), o menino Oscar Leal e alguns jagunços.</p>
<p>Dois meses após o acontecimento, era decretada a Intervenção Federal no Estado, com toda a movimentação de Batalhões que viriam do Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju e Juazeiro, para a concentração e sequente avanço de Barreiras-BA para São José do Duro. No <em>Relatório ao Ministério da Guerra</em> o Major do Exército Álvaro Mariante <em>[223</em> conclui:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>A Vila de S. José do Duro é hoje o reduto em que Abílio, cercado dos poucos parentes e amigos que lograram escapar à sanha carniceira, volta, acabrunhado pelos mais fundos pesares, a seu trabalho pacífico e honesto.</em></p>
<p><em>Procuramos sondar-lhe as intenções e sua feição franca e sincera prontamente desvendou seus desígnios. O laborioso sertanejo e os amigos que o cercam não confiam no atual governo de seu Estado. A ação de autoridade e força estaduais é uma constante ameaça àquela gente, por eles tão fundo apunhalada. E, disse Abílio Wolney com sobranceira lealdade: </em>Às autoridades de Goiás eu não me entrego: Fujo ou brigo. Prefiro abandonar tudo quanto possuo ou morrer lutando, a entregar-me à polícia de meu Estado e morrer com o pé no tronco<em>.</em> <em>[224</em></p>
<p><em>E demos-lhe razão. Justiça e garantias pede ele e garantias e justiça não lhe podem dar os autores do grande crime e os que por ele são responsáveis. Só o Governo Federal inspira-lhe confiança. E esta afirmativa tivemo-la não apenas diretamente do próprio Abílio Wolney, como em farta messe de documentos anteriores a nossa peregrinação pelos sertões.</em></p>
<p><em>Recapitulando agora depois de compulsar os documentos colhidos, longe do teatro dos fúnebres acontecimentos que nos foi dado estudar e pondo em exercício a máxima imparcialidade e o mais acrisolado sentimento de verdade e de justiça, podemos concluir em síntese:</em></p>
<p><em>A – Os lamentáveis acontecimentos de São José do Duro derivam da ação política e administrativa dos atuais dirigentes do Estado de Goiás;</em></p>
<p><em>B – Há indícios de que ao Governo do Estado cabe grande responsabilidade no fúnebre desfecho do conflito;</em></p>
<p><em>C – A autoria da polícia goiana nos assassinatos de Buracão e São José do Duro é irrefutável;</em></p>
<p><em>D – A ação de autoridades estaduais orientadas pela facção política dominante no Estado é perigosa e pode ser contraproducente;</em></p>
<p><em>E – A ação de autoridade federal estranha ao conflito ou a simples presença da tropa do Exército naquela região pode, bem orientada, fazê-la voltar ao trabalho pacífico e produtivo.</em></p>
<p><em>Tais são, Ilustríssimo Senhor General Ministro da Guerra, as conclusões a que chegamos no fiel desempenho da árdua missão que Vossa Excelência nos confiou. Capital Federal, vinte e oito de abril de mil novecentos e dezenove. – Álvaro Guilherme Mariante, Major Adjunto do Estado-Maior. – Valentim Benício da Silva, primeiro Tenente auxiliar do Estado-Maior. Conforme, P. Milanez. Confere. – Valeriano Lima, chefe de seção. – A quem fez a requisição.</em> [225</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fato é que, Abílio Wolney, arrazoado na lavra conclusiva da Intervenção Federal em Goiás, não vai se entregar ao Governo, prosseguindo em atitude de oposição e resistência com homens armados.</p>
<p>Carecendo viver e subsistir, responderia a violência com a resistência, como pensava.</p>
<p>Em novembro de 1920, Abílio Wolney começava a fazer uma estrada de automóvel para Barreiras-BA, no lastro da mesma de carros de boi, construída juntamente com seu pai em 1915.</p>
<p>Os inimigos políticos da Vila, que haviam fugido com a polícia em 1919, passaram a morar na vizinha cidade de Natividade, sob a proteção da 4ª Companhia de Polícia Estadual ali sediada, que, na prática, passará a ser o Quartel General para novas investidas policialescas.</p>
<p>Em Natividade estava o Cel. Deocleciano Nunes, ex-Senador Estadual e correligionário do Governo, que atuou como Promotor Público em substituição a Mandacaru, no caso do Duro e já agora chefe do Partido Democrata e responsável por implementar a política situacionista na região. Lá estavam também o Delegado Joaquim Martins Resende, o Coletor Sebastião de Brito e o Juiz municipal Manoel de Almeida, este na Fazenda Pé do Morro. Enfim, trasladava-se do Duro para Natividade os mesmos prepostos do Movimento de 1919, que continuariam sendo utilizadas pela oligarquia para fomentar dali um “clima de terror e violência no município de São José do Duro, submetendo-o a uma fase que se inaugura com apreensão, insegurança e truculência”.</p>
<p>A Companhia de polícia não faria nada diretamente, diante do barulho da Imprensa do Rio de Janeiro, que poderia repercutir contra os suseranos da capital goiana. O chefe local, Deocleciano Nunes, cuidaria com as autoridades do Duro, ali, de levarem a efeito tocaias e outros expedientes com os quais iriam minar as últimas forças de Abílio Wolney.</p>
<p>Abílio Wolney fareja tudo e se reforça na defensiva com gente de confiança, certo que os jagunços da refrega de 18/19 já tinham demandado suas terras. Andar armado em São José do Duro passou a ser um “ensaio geral, a precaução contra as ciladas”, numa localidade pisoteada pela ‘lei’ e embora alforriada com a Intervenção Federal, ainda não havia recebido da União medidas de segurança concretas.</p>
<p>Como vimos, entre 1919 e 1921 estava Presidente do Estado o Des. João Alves de Castro, cunhado de Totó Caiado que nomeou a Comissão do crime do Duro.</p>
<p>Entre 1921 e 1923, outro membro da oligarquia estava na Presidência do Estado – o Cel. Eugênio Rodrigues Jardim, que prosseguindo o governo do concunhado, e sob as rédeas do grupo hegemônico, por assim dizer, “decretou a sentença de morte de Abílio Wolney”, só faltando pagar prêmio para quem conseguisse matá-lo.</p>
<p>Como não conseguiram capturar o ex-Deputado, este prosseguia, de posse do Duro e blindado pela União. A polícia goiana começa então a agir de emboscadas, sentinelas e à espreita, porquanto, em 1919, fora escorraçada, nada obstante as vítimas que fez.</p>
<p>Conta-nos Osvaldo Póvoa que a primeira atuação criminosa do grupo de Natividade veio quando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>José Pinto de Cerqueira Póvoa, mais conhecido como Zuza Pinto, residia na fazenda Água Boa. Corria o dia 13 de junho de 1921, dia de Santo Antônio, data festejada por Joana da Oração. Zuza Pinto vai à festa, mas ao regressar cai numa emboscada no lugar denominado Piaus, perto da fazenda Água Boa, há poucos quilômetros da Vila do Duro.</em> [226</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Antônio Povoa, irmão da vítima, procura descobrir o autor do crime e descobre que é Herculano Quirino, jagunço que engrossou as fileiras da polícia goiana no Duro, de onde Quirino fugiu e estaria morando com o juiz municipal Manoel de Almeida na Fazenda Pé do Morro, em Natividade.</p>
<p>Agasalhado com Manoel de Almeida e com a complacência ou mesmo a conivência da Companhia Estadual em Natividade, Quirino retornava como pistoleiro para matar gente no Duro.</p>
<p>Na terra de São José, a força particular de Abílio Wolney, agora formada por alguns parentes, amigos locais e cabras armados, é posta em ação. Antônio Póvoa e João Correia de Melo (genros de Abílio) e outros saem para ‘prender’ Herculano Quirino e descobrem que ele já não está na Fazenda Pé do Morro, mas escondido por seus protetores do outro lado do Rio Palma, até a poeira abaixar.</p>
<p>No dia 20 de novembro de 1920 o grupo de Abílio Wolney vai à forra, na lei de talião. No encalço do assassino de Zuza Pinto, o seu irmão Antônio Pinto de Cerqueira Póvoa, João Correia e os companheiros Norberto Frigi e Gustavo Tancredo vão fardados e armados até a fazenda São Pedro, perto do Rio da Palma, como se fossem um piquete de soldados, que se dizia por ordem do Delegado Regional de Natividade.</p>
<p>Antônio Póvoa, fardado de coronel patriota, dizendo-se comandante da escola, pede a Valeriano Luís e este aceita a incumbência de atrair Herculano Quirino para o porto; quando este está atravessando o rio numa canoa, é fuzilado pelos falsos soldados que o aguardavam.</p>
<p>No Duro estava juiz-suplente José Francisco Campos, que, após a conclusão do Inquérito que apurava a morte de Zuza Pinto, mandou expedir Carta Precatória a Natividade, onde residiam os supostos autores intelectuais do crime, indicados como o ex-juiz do Duro Manoel de Almeida, Eliseu Valente, cuja autoria não ficara esclarecida, além do executor Herculano Quirino e um seu cúmplice de nome José (que seria José Coriolano) ou Pedrão e nunca localizado.</p>
<p>Por longo tempo, a Carta Precatória é retida em Natividade, pois a própria polícia era cúmplice.</p>
<p>Com as posteriores mortes de Manoel de Almeida e do executor Herculano Quirino, o juiz manda arquivar o processo. <em>[227</em></p>
<p>Depois da chacina de 1919, Zuza Pinto, da descendência de Benedito Pinto de Cerqueira Póvoa (que morreu no tronco por ser amigo de Abílio Wolney), era a primeira vítima dessa fase marginal de atuação tacanha dos prepostos da oligarquia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>GUERRILHA EM TAIPAS</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Fazenda Brejo ficava próxima ao distrito de Taipas-Conceição do Norte, por onde se chegava a Natividade. Leopoldo Hermano, que ajudou o juiz Manoel de Almeida e seu cunhado, Sebastião de Brito, na lavratura da Denúncia ao Governo do Estado em 1918, por conta do <em>Barulho do Duro</em>, e um dos aliados da polícia que perpetrou a <em>Chacina dos Nove</em>, arquitetavam mais uma contra gente de Abílio Wolney, na certeza de que o seu ato seria referendado pela Polícia guiada pelo Dr. Deocleciano Nunes em Natividade.</p>
<p>Vamos ao caso:</p>
<p>José de Almeida Leal (Zezinho), primo de Abílio, pernoita na Fazenda Mirador, entre Conceição do Norte e a cidade de Barreiras-BA.</p>
<p>Sai cedo para atravessar o rio, mas, antes de chegar lá, ouve descarga de armas de fogo no Mirador. Zezinho muda o itinerário, indo atravessar o rio em outro lugar.</p>
<p>Voltando de Barreiras, passou a investigar se as descargas dadas por Agenor estavam ligadas aos irmãos Tertuliano e Joaquim Nicolau de Oliveira, donos da Fazenda Brejo, em Taipas, onde mantinham alguns homens armados para matarem Zezinho em emboscada preparada por Leopoldo Hermano.</p>
<p>O boato corre e Zezinho pede socorro ao Cel. Abílio Wolney, que lhe envia um grupo armado sob o comando de Antônio Póvoa, Zeca Piauí, João Magalhães e Lindolfo Leal.</p>
<p>Os chefes se reúnem e deliberam atacar a fazenda Brejo, Taipas e a fazenda Retiro, que seriam pontos de concentração de mandatários dos Coronéis de Goiás Velho para investidas surpresas, naquela campanha de atentados contra familiares e aliados do ex-Deputado. De resto, a Companhia de Natividade, sem mostrar as caras, cobriria por trás a ação terrorista.</p>
<p>A melhor estratégia de defesa seria o ataque. Abílio queria evitar que o inimigo partisse dos lugares próximos, como Natividade, e chegassem ao largo do Duro.</p>
<p>Desse modo, o “pelotão” de Abílio Wolney foi receber a trupe subserviente nos seus pontos de concentração. O parente Lindolfo José Leal, com oito homens, se incumbiria da fazenda Retiro, do adversário Agenor Teles de Faria, na margem direita do Rio Palmeira; o primo Zezinho, com 27 homens, atacaria a fazenda Brejo, dos adversários e irmãos Nicolau de Oliveira, ficando a cargo de Antônio Póvoa, com Zeca Piauí e Anisimiro Leal Costa (parente de Abílio), João Magalhães e outros, num total de quinze homens, o ataque ao povoado de Taipas.</p>
<p>À hora aprazada tem início o tríplice ataque.</p>
<p>Vencidos dois flancos, o terceiro resiste com os irmãos Nicolau de Oliveira, Chichico (gente do juiz Almeida), Deoclides Magalhães, Abilio Braga, Manoel Visita e Venâncio.</p>
<p>Por volta das 16 horas, a resistência ainda é forte e um ferido do grupo atacante geme embaixo de um pequizeiro.</p>
<p>Outros fatos se sucedem em outros pontos com mortes e combates na noite desse mesmo dia&#8230;</p>
<p>Do quartel de Natividade, a força político-militar encontra o ambiente propício para agir. O Delegado do <em>Barulho do Duro</em>, Joaquim Martins Resende e o tenente Pereira, com vinte homens, sendo dez soldados, seguem de Natividade para Taipas, perto do Duro, e vão matar pessoas.</p>
<p>E assim, por volta do dia 10, Eliseu Aguiar, acompanhado de José Aguiar, seu filho, e de um sobrinho, João Aguiar, se dirige ao lugar denominado Saco, onde matam José Tito, que era do grupo de Abílio Wolney.</p>
<p>Dias depois, o piquete da polícia estadual se desloca de Natividade “em diligência” para a Fazenda São Francisco. Por ordem do Tenente Pereira os soldados José Maria e Joaquim Teles vão acompanhar a travessia das bagagens de Domício. Os soldados, postados na margem oposta do rio, ao verem a aproximação de civis armados, descarregam suas armas sobre eles. João cai morrendo, enquanto José, embora ferido, consegue fugir. Mais tarde, é encontrado nas vizinhanças da fazenda São Pedro e é fuzilado pela Polícia do Estado, agora na 4ª Companhia sediada em Natividade. <em>[228</em></p>
<p>Embora reagindo, perdia o grupo de Abílio Wolney.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><strong>CONFRONTO ARMADO </strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>NA FAZENDA SANTA ROSA</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O tríplice ataque às fazendas Brejo, Retiro e ao povoado de Taipas causou muita preocupação aos poucos viventes de São José do Duro, temerosos da polícia, sempre a polícia.</p>
<p>De fato, no final de março de 1922, chegam notícias de que o capitão Antônio Rodrigues Pinto, delegado Regional, acompanhado de um forte contingente policial prepara-se para ir à zona do conflito onde instaurara um inquérito. Essas notícias levavam à conclusão de que a Vila do Duro seria novamente atacada.</p>
<p>Urgentes providências são adotadas por Abílio Wolney, e no dia 31 de março de 1922, cerca de 100 homens, quase todos a pé, marcham ao encontro da polícia, sempre na técnica de que a melhor defesa era o ataque. Alguém dizia: –Polícia no Duro é carnificina.</p>
<p>Da fazenda Jardim, de Abílio, conforme previamente combinado, parte o parente Zezinho Leal com os seus para reunir-se aos demais na fazenda Porto Franco.</p>
<p>No dia 2 de abril, chegam à fazenda Brejo, onde encontram indícios recentes da passagem da polícia. Em marcha batida, seguem no rastro da força. Perto da fazenda Santa Rosa, estacionam.</p>
<p>Joaquim Amador se certifica de que a tropa está estacionada na fazenda. O Cel. Abílio Wolney confabula com o seu estado-maior e decide que o ataque será desfechado às 5 da manhã, dia 4.</p>
<p>Muitas vacas estão encurraladas e os bezerros amarrados às cercas.</p>
<p>Alguns homens, entre os quais Zeca Piauí, Anisimiro Leal Costa (Mirim) e Teódulo Fernandes de Oliveira (Teodinho) estão entrincheirados perto do curral. Como os bezerros estivessem forçando os relhos e batendo na cerca, Anisimiro corta as cordas durante a noite. O cerco começa a apertar, enquanto o Cel. Abílio exige:</p>
<p>– Mais perto, mais perto!</p>
<p>Está chegando a hora de desleitar as vacas. O soldado Amaro segue para o curral, apoia a mão no moirão da porteira e percebe que os bezerros estão soltos.</p>
<p>– Hum! Este leite tem água!</p>
<p>– Tem água não, tem é bala! – exclamou Zeca Piauí, que deflagra o tiroteio.</p>
<p>Foram duas horas de fogo cerrado. O Capitão Pinto manda tocar retirada. O tenente Pery vem às pressas de sua trincheira e confabula com o Capitão.</p>
<p>O tenente Pery tenta convencer o Capitão de que tem condições de resistir, mas este está irredutível. Nega-se mesmo a ceder alguns soldados para acompanhá-lo à trincheira onde deixara a túnica com três contos de réis no bolso, além de outros valores.</p>
<p>Saem apressadamente por um ponto vulnerável e são perseguidos pelos atacantes, que haviam armado uma emboscada para eles numa passagem, comandada por um primo de Abílio, Coquelin Ayres Leal, mas este, não ouvindo mais tiros, depois de algum tempo, deixou a passagem, que era o que a polícia esperava, e fugiu.</p>
<p>Dos atacantes saíram feridos três pessoas, entre elas um irmão de João Canguçu e José de Etelvina.</p>
<p>Novamente Abílio Wolney perdia, embora conseguindo novamente escorraçar a polícia. <em>[229</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33869" class="wp-caption aligncenter" ><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33869 size-full" src="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461.png" alt="" width="366" height="520" srcset="https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461.png 366w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461-211x300.png 211w, https://jota-cidade.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/01/17-461-200x284.png 200w" sizes="auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px" /><p class="wp-caption-text"><i class="icon fa fa-camera"></i>De pé, à direita, Coquelin Ayres Leal. Sentados: Voltaire Ayres Cavalcante (à esquerda) e Joaquim Ayres Cavalcanti Wolney Filho – Wolneyzinho (à direita)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>[223 NETO, <em>Abílio Wolney Aires, O Duro e a Intervenção Federal – Relatório ao Ministro da Guerra</em>. (íntegra)</p>
<p>[224 Texto original com grifo do autor.</p>
<p>[225 Relatório publicado em 10 de julho de 1919.</p>
<p>[226 PÓVOA, Osvaldo Rodrigues, <em>Quinta-Feira Sangrenta</em>, 4ª ed., p. 107. O texto segue parafraseado pelo autor ou em remissão indireta.</p>
<p>[227 Idem.</p>
<p>[228 Ibidem.</p>
<p>[229 Ibidem.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>[Continua na próxima postagem quinzenal, com a publicação do Capítulo XVIII</em></p>
<p>The post <a href="https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xvii-novos-combates-a-revolta-do-duro-continua/">‘O DIÁRIO DE Abílio Wolney’ [XVII – NOVOS COMBATES. A REVOLTA DO “DURO” CONTINUA</a> appeared first on <a href="https://jotacidade.com">Jornal Cidade</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://jotacidade.com/colunas/o-diario-de-abilio-wolney-xvii-novos-combates-a-revolta-do-duro-continua/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments></slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
